Tecnologias e dilemas morais
Este texto dá sequência às reflexões sobre Tecnologia & Maçonaria que os autores têm promovido e compartilhado; entre outros, vide, por exemplo, Pinheiro e Dutra (2023) e Pinheiro (2025). Porque demasiado abrangente, o tema oportuniza que seja abordado a partir de diferentes perspectivas, ora complementares, ora contrastantes, o que em si mesmo é de menor importância, pois ao Maçom o que efectivamente importa é o exercício do pensamento analítico-crítico. Este, quando lastreado em argumentos e estruturado contribui para formar as convicções dos posicionamentos individuais frente às inúmeras questões do quotidiano, mas também como instrumento de persuasão e de utilidade para a tomada de decisões, inclusive as institucionais. Recitar indefinidamente o primado do bem sobre o mal, bem como que às virtudes devem ser erigidos templos enquanto que as masmorras devem encerrar os vícios, em nada surpreende e tampouco comporta críticas, razão pela qual as suas reiteradas práticas (isto é, da recitação) pouco agregam quando confrontadas aos benefícios à cognição proporcionados pelo pensamento genuinamente crítico, como é o caso das “questões disputadas” (argumentos a favor vs. contra a tese em lide) e a exemplo das ponderações a partir das “questões-dilema” (dos males, qual o menor? dentre as virtudes, qual deve ter a primazia? Sobretudo quando vistas à luz de casos concretos, do quotidiano). A abordagem, ora escolhida, segue a trilha das reflexões proporcionadas pela combinação das duas estruturas argumentativas: a das “questões disputadas” e a das “questões-dilemas” que, juntas, convidam ao enfrentamento de um aparente paradoxo: os malefícios dos avanços tecnológicos.
As apreensões levantadas acerca de um dos mais recentes saltos científicos e tecnológicos – a Inteligência Artificial (IA) – e já disseminadas por entre os corações e as mentes da e na Maçonaria [1], sugerem a existência, senão de problemas, de eventuais ou quiçá pontuais descompassos entre o que se constitui como o objecto das reflexões que se seguem: tecnologia vs. ética. Ademais, importa esclarecer que a IA por ora é tão somente um mote, o ponto de partida deste ensaio, cujas reflexões e propostas dialogam com os demais campos do conhecimento independentemente do quantum tecnológico encapsulado, o que estende a abrangência das suas considerações, dos indivíduos às instituições.
Porque tema permanentemente em aberto, pelos vínculos estreitos observados entre a ciência, a tecnologia (C&T) e a ética, sobretudo, porque a Maçonaria expressa pelo Rito Escocês Antigo e Aceito se coloca como uma Escola de Moralidade [2], na sequência, na forma de tópicos seleccionados, serão trazidas algumas reflexões colhidas na literatura e que, acredita-se, possam orientar as agendas de trabalho no ecossistema da Maçonaria: nas Lojas Simbólicas, de Estudos e Pesquisas, nas Academias Maçónicas, nos fóruns de debates, como temas de editais para publicações e outros.
Porque reduzido, mas sobretudo pela continuidade temática, este texto prescinde de subdivisões.
Após as civilizações Minóica e Micénica, a Idade das Trevas da Antiguidade – a crise do final da Era do Bronze – bem como a fase arcaica da Civilização Grega, períodos dominados pelo pensamento mágico-mítico, e ultrapassada a ênfase conferida pelos “filósofos pré-socráticos” às questões da natureza (afinal, do que tudo o que existe é constituído, qual a essência, o princípio fundamental – arché – “das coisas”, o fogo, o ar, a água ou a terra? Qual o limite da subdivisão “das coisas”, haveria um átomo? Como se organiza o cosmos, seria eterno, limitado?), por isto também chamados de “filósofos naturalistas”, desde então um dos temas centrais das reflexões filosóficas tem sido a ética, por ora (embora nem todos [3] concordem) equiparada à moral.
No início, nos tempos da Grécia Clássica, “tudo era filosofia”, a dedicação e o comprometimento com o saber, com o conhecimento [4]: ciência [5], filosofia (como entendida actualmente), teologia, metafísica, entre outras expressões, correspondem a subdivisões que somente séculos após, milénios até, foram introduzidas e consolidadas, e são em si mesmas evidências da amplitude e complexificação do conhecimento conforme o avanço do estado das artes expõe as incontáveis, inusitadas e ainda incompreensíveis manifestações da natureza (Gleiser, 2018). Em meio a tanto, data também da Antiguidade um velho debate: os usos e costumes, os princípios e os valores morais têm acompanhado pari passu o desenvolvimento científico e tecnológico? Acompanha a essa, outra questão: as descobertas ou os avanços científicos e tecnológicos podem ser creditados à conta do desenvolvimento e progresso da humanidade em razão da extensão dos seus benefícios aos cidadãos em geral?
Ledo engano daqueles que pensam que as respostas a ambas as questões podem ser reduzidas ao sim ou ao não: entre os extremos se desenvolvem inúmeras opiniões, enquanto algumas não passam de desdobramentos de convicções ideológicas apriorísticas (que quando incorporadas pelos Partidos Políticos são elevadas à condição de políticas públicas), mas outras tantas são lastreadas em evidências convincentes, ora a favor de um lado, ora de outro, o que as faz, então e por alguns, serem tomadas como verdades “quase absolutas”; todavia, quando reunidas constituem um composto fértil ao livre debate de ideias e à especulação tão próprias à Ordem.
Preliminarmente, uma necessária padronização conceitual, bastante ampla e sem preocupação com rigorismos e formalidades: entende-se por tecnologia o conhecimento mais ou menos aprofundado sobre os modos de fazer qualquer actividade, desde as domésticas (a exemplo do preparo das refeições, da limpeza residencial, etc.) às profissionais, bem como, sem pretender ser exaustivo, às práticas esportivas, sim, pois para cada exercício ou movimento há a postura recomendada (a que evita lesões e aumenta o rendimento esperado) e o indispensável preparo (aquecimento e alongamento) e, no caso dos atletas profissionais, ainda a necessidade de uma dieta balanceada. Assim, não é errado pensar que para tudo, assim como em tudo, há alguma forma de manifestação tecnológica.
À guisa de facilitar a comunicação e o entendimento, genericamente as tecnologias são classificadas em dois grandes grupos:
- as destinadas ao desenvolvimento e à fabricação (artesanal, manufatureira ou industrial) de produtos (de toda natureza) ou à prestação de serviços (saúde, educação, entretenimento, alimentação, etc.) [6];
- bem como para o desenvolvimento e a execução dos processos necessários à realização e à entrega dos produtos-serviços referidos em (1).
Grosso modo as tecnologias podem ser descobertas e aprimoradas a partir da prática reiterada, por tentativa e erro (a exemplo do que ocorreu na primeira fase da Revolução Industrial) ou, o que predomina na actualidade, a partir de uma base de conhecimento científico desenvolvido em Universidades, Centros de Pesquisa (públicos ou corporativos) e por profissionais altamente especializados, como sucedeu nas etapas subsequentes da Revolução Industrial (Acemoglu e Johnson, 2024). Ademais, um olhar pela História revela que as tecnologias possuem ciclos de vida: nascem, crescem, se desenvolvem, atingem a maturidade e morrem, isto é, são substituídas por outras no curso de um ciclo inexorável de inovação contínua. Na maioria das vezes as inovações (as novas tecnologias) têm carácter incremental, isto é, resultam do incremento e da oferta de uma nova funcionalidade (no produto-serviço) ou da obtenção de uma qualidade relativamente superior (nos produtos-serviços, mas também nos processos), razão pelas quais elevam as vendas e/ou a produtividade, o que a médio e longo prazos proporciona maior competitividade, ganhos de mercado, etc. De outro lado, devido ao grande impacto (nos mercados – de trabalho, de insumos, logística, etc. -, nas cadeias produtivas em geral) causado por algumas inovações, elas são denominadas radicais, condição ora reconhecida à Inteligência Artificial. A denominação “radical” parece ser auto-explicativa: no curto prazo ela destrói as competências (lato sensu) até então vigentes e valorizadas, o que pode levar ao encerramento de sectores industriais, ao desemprego generalizado, pressões e esgotamento do sector público, enfim, a tensões e crises (económicas, sociais e políticas), o que em parte justifica as apreensões e inquietações [7] actuais. Cria-se, assim, o ambiente propício aos comportamentos inusitados e oportunísticos, nunca sequer imaginados, tanto das pessoas físicas quanto jurídicas, o que retoma o tema e justifica este ensaio: os trade-offs entre tecnologia vs. ética.
Feitos os esclarecimentos conceituais minimamente necessários ao que se segue, são então retomadas as considerações sobre as questões preliminarmente levantadas:
1 – no que tange à primeira, Gianetti (2007, p. 28), entre outros, observa que “[…] desde o próprio surgimento da filosofia moral, no Iluminismo grego do século V a.C., a noção de que a ética não acompanha o avanço científico, tecnológico e material do homem tem sido uma nota constante”;
1.1 – as guerras, e sobretudo os genocídios, o mais conhecido o holocausto contra o povo judeu (mas não exclusivamente) perpetrado durante a II Guerra Mundial, frequentemente são citados como exemplos extremos de como os avanços científicos e tecnológicos (e que, lato sensu, se estenderia à cultura) não só não se fizeram (fazem) acompanhar do seu correlato ético e moral, como o hiato, para alguns um efectivo abismo, tem sido crescente. Aumenta ainda mais a incompreensão, assim como a aparente contradição (sim, pois a hipótese esperada é de que haveria uma correlação positiva entre os dois eventos), o facto de os acontecimentos, pouco a pouco (portanto não foi surpresa) terem se desenvolvido na Alemanha, um dos berços da intelectualidade e da Moderna cultura ocidental. Não obstante e paradoxalmente, alguns episódios ocorridos exactamente nos períodos das Guerras contribuem, senão para sugerir o contrário, colocar a matéria em xeque, sob reflexão:
1.1.1 – o primeiro consta em diversos textos, talvez um dos mais recentes o capítulo 18, “Quando os Soldados Saíram das Trincheiras”, de Bregman (2021), cujo título importa agora destacar: “Humanidade – uma história optimista do Homem”, bem como espera-se que a ideia-síntese fique clara a partir das citações reunidas a seguir:
É Natal de 1914 [I Guerra Mundial] […] Nervoso, o alto-comando britânico envia uma mensagem às linhas de frente: “Considera-se que o inimigo esteja planeando um ataque no Natal ou no Ano-Novo. Durante esse período, será mantida vigilância especial” […] Por volta das sete ou oito da noite, Albert Moren […] O que é aquilo, no outro lado? Luzes se acendem, uma depois da outra. Lanternas, ele percebe, e tochas, e … árvores de Natal? É quando ele ouve: “Stille Nacht, heilige Nacht”. Nunca antes uma canção de Natal soou tão linda. “Jamais vou esquecer”, disse Moren mais tarde. “Foi um dos pontos altos da vida”. Para não ficarem para trás, os soldados britânicos começam uma rodada de “The First Noel”. Os alemães aplaudem e contra-atacam com “Tannembaum”. Os cantos se alternam por algum tempo, até finalmente os dois inimigos cantarem juntos, em latim, “O Come, All Ye Faithful”. “Foi realmente uma coisa extraordinária”, relembrou o fuzileiro Graham Williams […] Um regimento escocês acantonado pouco ao norte da cidade de Ploegsteert, na Bélgica, vai um pouco mais longe. O cabo John Ferguson ouve alguém gritar das trincheiras do inimigo, perguntando se queriam tabaco. “Ande na direcção das luzes”, grita o alemão. E Ferguson se dirige à terra de ninguém. Logo estávamos conversando como se nos conhecêssemos havia anos […] Na manhã seguinte, dia de Natal […] foram apertar a mão do inimigo […] “Todos comemoramos e, depois, nos agrupamos como uma torcida de futebol” […] Houve troca de presentes. Os britânicos oferecem chocolate, chá e pudim; os alemães retribuem com charutos, biscoito salgado e schnapps. Contam piadas e tiram fotos […] jogam mais uma partida de futebol, usando capacetes para delimitar o que seria o gol […] e mais outra […] No norte da França, a sudoeste da aldeia de Fleurbaix, os lados opostos se juntaram para a cerimónia de um sepultamento […] Naquela noite, há festa de Natal dos dois lados do front. De repente um soldado inglês vai até uma adega atrás das linhas inimigas, onde ele e um soldado da Baviera entornam uma garrafa de Veuve Clicquot de 1909. Os homens trocam endereços e prometem se encontrar depois da guerra, em Londres ou em Munique (op. cit., p. 347-8).
1.1.2 – o segundo, a rigor e efectivamente mais de um, teve registro durante a II Guerra Mundial: trata-se da trajectória de Viktor E. Frankl (e família) por entre vários campos de concentração e que foi imortalizada no livro “Em Busca de Sentido” (Frankl, 2019) e na obra que deu origem à terceira Escola (abordagem) de Psicologia, a Logoterapia, hoje estudada e aplicada a partir das mais prestigiadas Universidades no mundo. Em síntese, para não ocupar o leitor com mais outras e tantas citações, mesmo em meio a tamanho sofrimento, desespero e desilusão, Frankl identifica, tanto entre os companheiros de cativeiro, quanto entre os guardas, momentos de humanidade e de civilidade. Experiência análoga a de Frankl foi vivida por Edith E. Eger (e família) cujas memórias também foram eternizadas em “A Bailarina de Auschwitz” (Eger, 2019). Posteriormente, Eger foi aluna, colega profissional e cultivou sólida amizade com V. Frankl;
1.2 – a estes episódios poderia ser acrescentada a história de Oskar Schindler, imortalizada na filmografia de Steven Spilberg [8];
1.3 – em comum, além de terem ocorrido na Alemanha e durante as duas Grandes Guerras Mundiais, os relatos apresentam, no que tange ao mal, o extremo até onde a humanidade pode chegar, sobretudo quando sustentada e alavancada pelo aparato bélico erigido a partir do desenvolvimento científico e tecnológico. Não obstante, mesmo em meio a tanta dor e sofrimento foram encontrados os caminhos e oportunizados momentos de realização do outro extremo – o do bem – que, por circunstanciais e fugazes que tenham sidos, são reveladores de que nem tudo está (estava) perdido, o que sugere, talvez, a existência de uma semente de esperança à espera do devido cultivo, do estímulo. Quaisquer dos episódios merecem(riam) análise a fundo em razão das múltiplas facetas que apresentam; todavia, algo irrealizável no escopo de um texto desta natureza, porém o leitor mais interessado encontrará em Bregman ( cit.) os porquês acerca desses comportamentos aparentemente contraditórios à natureza humana, em síntese: o falseio, a parcialidade e/ou a distorção da realidade apresentada, com intencionalidade ou não (quando, por exemplo, causada por erros metodológicos) nas narrativas publicizadas, muitas conduzidas, quando não exclusivamente, predominantemente pelos interesses mediáticos que, repetidas incontáveis vezes, acabam sendo tidas e reconhecidas como verdades incontestáveis: a de que a natureza humana é intrínseca e naturalmente má. As implicações desta conclusão estão na raiz de uma série de desdobramentos tóxicos às relações humanas. E na mesma linha, mas mais do que sublinhando o lado positivo, sobretudo (re)afirmando que esta perspectiva é a única alternativa à civilização, Ferry (2012) traz à lume casos analogados. Todavia, de outro lado, Bloom (2014), lastreado em vasta pesquisa de campo, revela a existência de sensos morais (juízos de valor), senão inatos, desenvolvidos já desde a primeira infância, positivos (considerados como para o bem, a exemplo da simpatia e da confiança), mas também negativos (no sentido ao mal – desconfiança e aversão). A questão que ora então se coloca é: qual dos sensos será desenvolvido (pelos responsáveis, pelos tomadores de decisões nas instituições – escolas, governos, corporações, organizações do Terceiro Setor, etc.) ao longo da vida [9]? Em resumo: se a resposta à primeira questão parece ainda ser inconclusiva, também parece inequívoca a relevância do papel que cada um (pessoa física ou institucional, a exemplo da Ordem) pode (deve?) desenvolver no curso da história;
1.4 – embora um pouco, mas nem tanto mais distante do cenário de guerras, as Revoluções, em especial a Francesa (porque ora em foco a Maçonaria), também são momentos reveladores das duas, senão das múltiplas facetas dos homens e de até aonde as miopias, as ortodoxias, os fanatismos, os extremismos ideológicos, o comportamento de rebanho (omissivo) e a ênfase nos interesses individuais podem levar a civilização. Retrocedendo na História, até quando os maçons sequer ainda eram concebidos como actualmente, é possível também incluir os Cavaleiros Templários nesse conjunto de reflexões – sempre há a perspectiva do outro, em princípio tão legítima quanto a de cada um ou mesmo de um colectivo (Maalouf, 2007);
1.5 – frente à realidade apresentada, é de se pensar se a leitura crítica sobre os dois lados da História, afastando-se das narrativas oficiais que, diga-se, se alternam ao sabor dos interesses – sim, o Ministério da Verdade (Orwell, 2005) não é apenas uma ficção – não traria maior contribuição à formação dos Iniciados, melhor os preparando para fazer frente aos dilemas contemporâneos, do que as incontáveis reproduções (como se meros refrões) e enaltecimentos, por exemplo, do lema revolucionário (Liberdade-Igualdade-Fraternidade); senão por outros motivos pela incontestável realidade de que os maçons sempre perfilaram de ambos os lados de todas as grandes revoluções, inclusive nos movimentos internos ao Brasil, a exemplo da Revolução Farroupilha (1835-1845). Ademais, 2 (dois) dentre esses 3 (três) construtos, Liberdade e Igualdade, figuram entre os temas mais debatidos e permanecem, inconclusos e sempre à espera de novas reflexões no campo da filosofia – e muitos, senão a maioria, não se dão conta das contradições que o lema revolucionário guarda com a historicidade da Maçonaria. Ao auscultar a História o que se constata são permanentes movimentos de sístole e diástole, anábase e catábase, o que não recomenda a adesão acrítica, incondicional e definitiva a qualquer matéria a exemplo da tese do descompasso e também a de que seja crescente o hiato entre o desenvolvimento científico-tecnológico e os padrões éticos. Nada pode escapar à reflexão crítica e contextualizada. Assim, não há porque se restringir o avanço do estado das artes por receio absoluto dos comportamentos futuros, o que, por outro lado, não significa ser ingénuo e omisso frente à natureza humana, construto que, a propósito, também não escapa ao questionamento – afinal, existe algo que possa de forma exclusiva, inequívoca e conclusiva ser denominado de “natureza humana”? [10]
2 – já no que concerne à segunda questão, a vasta literatura crítica aponta: primeiro, para os limites, mas também para os riscos da fé [11] na razão instrumental tecno-científica (Gleiser, 2024; 2018) que, em grande medida é a responsável pela postura utilitarista, tão criticada quanto habitual no tracto, por exemplo, com a natureza (meio ambiente). Postura que por vezes se estende às relações pessoais que, infiltradas, contaminam as pessoas jurídicas, sobretudo no ambiente corporativo, quando se manifestam na forma da exploração do homem pelo homem (de meros constrangimentos e subtis assédios ao trabalho adscritício – assemelhado ao escravo) como se cada um e todos fossem tão somente objectos disponibilizados à subordinação dos interesses do momento (Ehrenfeld, 1992; Acemoglu e Johnson, 2024). Não obstante, em razão da deificação da C&T, tudo se passa como se independentemente da natureza dos problemas, é certo que o aparato científico-tecnológico tempestivamente proporcionará as respostas necessárias, postura que, na visão de Ehrenfeld ( cit.) é arrogante e imediatista, motivo do comportamento (daí a alusão acima) fideísta de muitos, por convicção ou interesses, e contra a qual Collins [12] (2007) também se posicionou;
2.1 – a fé na C&T é o substrato da visão hegemónica contemporânea: essencialmente individualista, pragmática, voltada para o curto prazo, comprometida com a satisfação do hedonismo socioeconómico sem fim, está na raiz dos comportamentos exploratórios-predatórios que, no limite, levam à extinção. Mas tanto Ehrenfeld, quanto Gleiser, Acemoglu e Johnson, primeiro demonstram que é falsa a expectativa de que o desenvolvimento científico e tecnológico cedo ou tarde solucionará qualquer problema, argumentam que, se solucionam alguns, dão origem a outros tantos, sendo praticamente impossível qualquer apuração para avaliação do resultado líquido entre os ganhos e as perdas. Por fim, à luz dos paradigmas contemporâneos, Laszlo (2008) e Gleiser (2018), entre outros, apontam para a existência de limites nas fronteiras do conhecimento, enquanto Acemoglu e Johnson não deixam margem a dúvidas quanto as assimetrias na distribuição dos benefícios proporcionados pelo desenvolvimento da C&T: historicamente mais tem excluído do que incluído beneficiários, concentrado do que distribuído entre os cidadãos a riqueza proveniente dos saltos tecnológicos. Todavia, é importante observar, a responsabilidade pelas mazelas não pode ser atribuída ao ecossistema de C&T propriamente dito, mas antes às opções, ora individuais, ora colectivas (a exemplo do que ocorrer nos processos eleitorais, nos órgãos colegiados, Conselhos para toda finalidade, etc.) levadas a efeito pelos decisores: indivíduos, agentes públicos (eleitos ou não) ou corporativos, daí a relevância do tracto permanente das questões morais que, iniciado na família, deve(ria) se estender e contar com o consórcio sistematizado e estruturado das demais instituições, como é o caso da Maçonaria e as suas associadas;
2.2 – a memória, tanto do passado mais distante, quanto recente, sem dúvida influencia, hoje, os juízos acerca dos futuros impactos da IA; assim, há indícios de que as incessantes ofertas de inovações tecnológicas (as sucessivas gerações dos produtos-serviços e processos), hoje alavancadas pelo neuromarketing, associadas aos comportamentos acima tipificados apontam para crescentes descompassos e mesmo contradições com os sistemas morais, o que contribui para a manutenção do permanente estado de desconfiança nos relacionamentos (das crises existenciais aos ambientes familiar e profissional, entre os cidadãos e os agentes públicos, entre estados-governos, etc.); talvez melhor exemplo não haja, pela oportunidade, do que o que pode ser verificado nas redes sociais, inclusive as fechadas aos Iniciados na Ordem.
Ao trazer estas duas questões, (1) se os usos e costumes, na perspectiva moral, acompanham o desenvolvimento científico e tecnológico, e (2) se os benefícios proporcionados por este, pela sua disseminação, podem ser considerados um património da humanidade, o intuito, antes de tudo, foi o de formular um convite à reflexão. São questionamentos abrangentes e porque sobre temas de grande complexidade, encontram-se permanentemente abertos à discussão. E é característico que as análises e os debates sobre temas complexos, mesmo quando conduzidos com o devido rigor (ao amparo de dados criteriosamente colectados, fundamentados em teorias-estudos anteriores, bem argumentados, etc.), restem inconclusivos em razão da existência de evidências que confirmam as teses levantadas por ambos os lados, razão pela qual, de quando em vez, requerem metanálises. E é assim que o conhecimento científico avança e busca a “verdade”, por vezes dando um passo atrás à espera da metanálise que proporcione avanços mais seguros neste ou naquele sentido ou levante novos questionamentos que vislumbrem alternativas até então impensadas. Face a esta realidade, um alerta: quando sequestradas pelos interesses ideológicos, sobretudo quando já instalados nos Poderes do Estado, as respostas, independentemente de que lado venham, podem (tendem a) ser utilizadas como instrumentos de manipulação da massa ignara, inclusive eventual e inadvertidamente em contrário aos seus próprios interesses. Daí, mais do que necessário, se torna indispensável o exercício da reflexão crítica, estruturada, submetida ao método e continuada; exemplo actual e mais contundente não há do que as questões relativas ao meio ambiente que, no que tange ao clima, enquanto para alguns da condição de urgência passaram à emergencial, para outros não passa de um conjunto de falácias. Situação recente e de triste memória ocorreu por ocasião da pandemia do CoViD19, quando as midias veicularam uma profusão de notícias, todas ao amparo do que diziam ser “estudos científicos”, mas tão alarmantes quanto contraditórias entre si. A “bola da vez” é a Inteligência Artificial; ceder aos encantamentos da C&T sem a indispensável visão crítica pode conduzir a humanidade ao “Admirável Mundo Novo” (Huxley, 2014).
A realidade brasileira merece uma observação à parte, complementar. A já referida destruição de competências, resultado inexorável e decorrente da emergência de inovações tecnológicas radicais, cujo efeito mais imediato é o desaparecimento (falência) de sectores industriais – leia-se: maior desemprego, desigualdade social, regional, dependência da rede de protecção estatal, etc. – atinge praticamente todas as economias do mundo em maior-menor grau à luz dos respectivos contextos. À primeira onda, destrutiva, segue-se, então, a segunda (e depois outras, como uma reacção em cadeia): a da reconstrução (alhures, algures) a partir das novas plataformas produtivas. Todavia, essa requer, pelo menos: abundância de fontes de financiamento (públicas e privadas, internas ou externas, curto e longo prazo, etc.) e o domínio das novas competências, no caso, as relativas à IA. E no que tange às competências, significa a existência da oferta de uma massa crítica constituída por mão de obra com elevada escolaridade, muitos com formação em pesquisa, isto é, pós-graduados sobretudo nas engenharias, matemática, física, química, ciências da computação e áreas afins. Ora, são tão notórias as limitações e as deficiências do Brasil frente às exigências apontadas (e as que delas derivam), que chegam mesmo a dispensar maiores esclarecimentos, e no caso das competências, é preciso ter em conta que a formação só se torna efectiva no âmbito de um programa continuado e de longo prazo. Ademais, ainda que existentes programas de formação e desenvolvimento, se não forem acompanhados de políticas de fixação (geração de empregos, estímulos ao empreendedorismo, ecossistema de C&T, etc.) são grandes as possibilidades de que os melhores quadros venham a ser aproveitados pelo mercado internacional, o que não deixa de ser mais um desperdício dos recursos públicos nacionais.
Finalmente, a IA carrega um risco potencial cujas consequências, a longo prazo, podem ser extremamente danosas, sobretudo quando vistas à luz das deficiências no ambiente educacional brasileiro e o que a partir dele hoje se infere: a perda da capacidade de elaboração cognitiva dos usuários e, principalmente, da capacidade criativa e inovadora; o que implica numa triste circularidade negativa em mundo cada vez mais tecnologicamente dependente. Miguel Nicolelis, brasileiro, e um dos mais proeminentes neurocientistas da actualidade, nos seus inúmeros vídeos [13] e podcasts disponíveis na web, tem insistentemente alertado quanto a esse aspecto.
Platão [14] e a sua vasta obra gozam da efectiva admiração na Maçonaria, e em meio àquela talvez não haja citação mais frequente nos textos maçónicos do que o Livro VII de “A República” (2000), onde o autor descreve o que ficou popularizado como o Mito da Caverna. Com efeito, entre as múltiplas aberturas que oferece à análise e à interpretação simbólica, para uma instituição que busca o conhecimento e a “verdade”, não poderia haver trajectória mais apropriada do que a passagem das trevas à luz que descreve; nesta perspectiva o Mito da Caverna se revela como uma ferramenta à disposição do pensamento crítico, e como toda ferramenta o seu domínio requer expertise. Todavia, não se pode ficar à margem do facto de que a Ordem possui outras aspirações, eis que, conforme já mencionado, também se apresenta como uma Escola de Moralidade que, entre tantos outros temas, deve se ocupar da questão das virtudes, o que remete, entre outras, à justiça – que ocupa lugar central em todos os Ritos no seio da Fraternidade. E não por caso, dada a genialidade e a amplitude temática de “A República”, Platão oferece mais uma extraordinária ferramenta à análise e à interpretação simbólica que, não obstante a sua actualidade, à luz da pouca atenção que tem merecido nas publicações maçónicas parece não gozar da mesma admiração que a primeira: trata-se da fábula o Anel de Giges (op. cit., Livro II). Salvo engano, pela riqueza de detalhes passíveis de especulação pelas mentes mais inquietas, vale a pena mais uma extensa citação:
A permissão a que me refiro seria especialmente significativa se eles recebessem o poder que teve outrora, segundo se conta, o antepassado de Giges, o Lídio. Este homem era pastor a serviço do rei que naquela época governava a Lídia. Certo dia, durante uma violenta tempestade acompanhada de um terremoto, o solo fendeu-se e formou-se um precipício perto do lugar onde o seu rebanho pastava. Tomado de assombro, desceu ao fundo do abismo e, entre tantas maravilhas que a lenda enumera, viu um cavalo de bronze oco, cheio de pequenas aberturas; debruçou-se para o interior, viu um cadáver que parecia maior do que o de um homem e que tinha na mão um anel de ouro, de que se apoderou; depois partiu sem levar mais nada. Com este anel no dedo, foi assisti à assembleia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel para o interior da mão; imediatamente se tornou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tornou-se visível. Tendo-se apercebido disso, repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio […] Assim que teve a certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam ter com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder. Se existissem dois anéis desta natureza e o justo recebesse um, o injusto outro, é provável que nenhum fosse de carácter tão firme para perseverar na justiça e para ter a coragem de não se apoderar dos bens de outrem, sendo que poderia tirar sem receio o que quisesse da ágora, introduzir-se nas casas para se unir a quem lhe agradasse, matar uns, romper os grilhões a outros e fazer o que lhe aprouvesse, tornando-se igual a um deus entre os homens. Agindo assim, nada o diferenciaria do mau: ambos tenderiam para o mesmo fim. E citar-se-ia isso como uma grande prova de que ninguém é justo por vontade própria, mas por obrigação, sendo a justiça um bem individual, visto que aquele que se julga capaz de cometer a injustiça comete-a (op. cit., p. 43-4).
Por certo que narrativa continua, mas na impossibilidade de explorá-la, nutre-se a expectativa de que a citação tenha sido suficiente para, após a leitura do texto na íntegra, estimular trabalhos e reflexões em Loja. A riqueza do tema – O Anel de Giges – é tão ampla que, no Brasil, mereceu um livro que traz a matéria à actualidade quotidiana (Giannetti, 2020), com questões inquietantes que abrangem desde os comportamentos nas relações estritamente pessoais às que cobrem a actuação dos dirigentes, públicos e privados, à frente das organizações; de regra, as reflexões giram em torno das seguintes questões: como, e com base em quais justificativas, você agiria deste ou daquele modo se dispusesse do Anel?
Para extrair toda a riqueza da citação anterior, bem como ampliar a compreensão das informações habitualmente trazidas a público pelas mídias, se revela oportuno, agora, trazer à baila a distinção entre ética e moral ressaltada por Brum (op. cit., p. 11-2):
[…] o sentido do termo ethos e a distinção fundamental que há entre a ética (no seu sentido original) e a moral (em Aristóteles e no uso posterior entre os latinos). A ética será vista dentro de uma perspectiva que tem a filosofia antiga como base, com a sua relação directa com a “arte de viver”, como foi apresentada por Pitágoras, pelo neopitagórico Apolónio de Tyana e o estóico Séneca. Nesta visão a filosofia invoca o recto viver, e não olhar a ética como costumes sociais, normas, discursos políticos sem conexão com a acção real ou como uma questão de linguagem ou discurso.
Ou ainda, como esclarecem Japiassu e Marcondes (1990, p. 90):
Diferentemente da moral, a ética está mais preocupada em detectar os princípios de uma vida conforme à sabedoria filosófica, em elaborar uma reflexão sobre as razões de se desejar a justiça e a harmonia e sobre os meios de alcançá-las. A moral está mais preocupada na construção de um conjunto de prescrições destinadas a assegurar uma vida em comum justa e harmoniosa.
A propósito: não poderá a IA ser (e creio que já está sendo!) o novo Anel de Giges em meio as Lojas? Uma das primeiras preocupações reveladas nos grupos de WhatsApp dizia (e ainda diz) respeito ao modus operandi na elaboração dos trabalhos (obrigatórios) referentes às Instruções; questão que, reconheça-se, de menor importância e já defasada pois o “copia-cola” há tempos grassa na Ordem.
No chamado mundo profano, o que são as substâncias e os estimulantes químicos utilizados pelos atletas ou quaisquer outros competidores (por exemplo, em concursos) para obter vantagens, que não os Anéis de Giges contemporâneos? E o que dizer, então, do estudo a fundo das omissões e incorrecções acidentais da lei para se apropriar de vantagens que eventual e paradoxalmente contrariam o espírito da própria legislação (eis aqui um exemplo que revela a distinção entre ética e moral: o comportamento descrito foge à ética, entretanto, se levado à justiça o réu poderá ser absolvido pois “não há crime sem lei anterior que o defina” [15]). Finalmente, como não enxergar o dedo com o Anel de Giges em meio à luta política contemporânea e travada entre os Poderes da República, no Brasil, entre tantos, porque um dos mais visíveis [16], no caso das emendas (dotações) orçamentárias sem identificação de autoria e condição de rastreabilidade?
Contudo, a questão central deste ensaio e que, acredita-se, deve ser apreciada no contexto institucional da Maçonaria, não pode se esgotar apenas no resgate dessas contribuições de Platão, mas antes chamar a atenção para o facto de que se o Mito da Caverna aponta para os benefícios da curiosidade, da inquietação e do denodo na busca pelo conhecimento que permanentemente gera novas tecnologias e entregam ao mercado novos produtos-serviços e processos; o Anel de Giges aponta que o caminho a ser seguido deve ser pautado pela ética, pela prudência que identifica os valores mais elevados que, para ele (Platão) estão situados no Plano das Ideias – do justo, do belo, do bem, da verdade -, e em direcção ao qual (o recto viver) tudo o mais deve ser ordenado. E tal qual os marcos legais que por carregarem ambiguidades e mesmo contradições à luz do caso concreto exigem redobradas e cautelosas análises e reflexões, o Mito da Caverna, circunstancialmente, pode confrontar o Anel de Giges, o que requer homens devidamente preparados.
Por fim, não cabe impedir o desenvolvimento científico e tecnológico, ainda que com intuito bélico ou voltado para questões distantes do quotidiano (como a origem do Universo, os “buracos negros”, as viagens interplanetárias, as regiões abissais dos oceanos, etc.) sob o argumento da existência de problemas mais próximos e que demandam soluções mais imediatas, a exemplo das desigualdades extremas, da fome, das endemias, etc. Primeiro, porque há fartas evidências de que os conhecimentos gerados para atingir o que foi referido como distante, de regra, são levados ao mercado, portanto ao que está mais próximo, seja na forma de produtos-serviços ou processos que, então, atendem a uma ampla gama de beneficiados; em segundo, porque cresce o consenso de que as crises contemporâneas, mal-grado os elementos tangíveis da realidade socioeconómica, em última análise têm as suas raízes fincadas na decadência dos valores éticos e morais, o que, mais uma vez, remete à oportunidade e à necessidade imperativa de um intenso trabalho neste domínio. Pode, no que concerne ao tema, a Maçonaria fazer mais do que tem feito?
Ivan A. Pinheiro e Lucas V. Dutra
| Ivan A. Pinheiro é Mestre Maçom, Pesquisador Independente, e-mail: ivan.pinheiro@ufrgs.br. Porto Alegre-RS, 30.03.25.
Lucas V. Dutra é Mestre Maçom do Quadro da ARLS Presidente Roosevelt, 75, Or. de São João da Boa Vista, jurisdicionada à GLESP – Psicólogo, Professor Doutor em Psicologia, Especializado em Maçonologia (UNINTER). E-mail: dutralucas@aol.com. |
Notas
[1] Vide, por exemplo: https://www.freemason.pt/conferencia-a-ia-evolucao-ou-desumanizacao/.
[2] Feliciano (2024), ao contrastar a realidade vs. intenção, contesta esta afirmação.
[3] A exemplo de Brum (2020).
[4] Diz-se que o termo “filosofia” (philo = amizade, amor, afeição + sophia = sabedoria) teria sido criado por Pitágoras (570-495 a.C.) e Thales, de Mileto (624-546 a.C.), o seu mestre, reconhecido, por Aristóteles (384 – 322 a.C.), como o primeiro filósofo.
[5] E o seu spin off, a tecnologia, daí o uso habitual da sigla: C&T.
[6] É bastante usual a referência à tecnologia de produto-serviço dado que, na maioria das vezes, “andam juntos”, a exemplo dos bens (automóveis, “linha branca”, electroeletrónicos, etc.) acompanhados da assistência técnica.
[7] O leitor mais interessado no tema poderá consultar, entre tantos, Christensen (1999, 1997), Christensen e Raynor (2003), Kurzweil (2018) e também Kurzweil e Grossman (2019).
[8] Vide em: Schindler’s List (1993) Official Trailer – Liam Neeson, Steven Spielberg Movie HD.
[9] Para que se tenha claro a universalidade da questão posta, sugere-se a leitura da Lenda dos Dois Lobos, atribuída aos índios Cherokees; disponível em: https://www.reprogramacaoneurocelular.com.br/post/os-dois-lobos-uma-lenda-dos-%C3%ADndios-cherokee. Acesso em: 12.01.25.
[10] O leitor mais interessado sobre o tema – a natureza humana -, mais especificamente sobre o problema do mal em meio à sociedade (perspectiva moral) poderá consultar, entre outros, Lobaczewski (2014) e Haidt (2020).
[11] Ainda que, no contexto, aparentemente, haja contradição no uso desta palavra.
[12] Director do Projecto (consórcio) Genoma.
[13] Disponível em:
- https://www.youtube.com/watch?v=pb4b4_MlNwo,
- https://www.youtube.com/watch?v=92jysUF-KrU&t=8s,
- https://www.youtube.com/watch?v=iJrL6voPaTY e outros.
[14] 428/7 – 348/7.
[15] Art. 10 da Lei 7.209/1984. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1980-1988/l7209.htm. Acesso em: 14.01.25.
[16] Contrariando as expectativas originais! Teria falhado a propriedade do Anel e o portador sido então flagrado nos seus maus intentos?
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