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Simbolismo dos números na Maçonaria – O número Sete

✍️ Desconhecido 📅 08/02/2021 👁️ 8 Leituras

simbolismo do número sete

Chegamos agora a um número sete verdadeiramente sagrado e misterioso, o “número dos números” número perfeito a que “Deus abençoou e amou mais do que todas as coisas sob o Seu trono”, conforme ensina a doutrina hebraica e que a Cabala e o Ocultismo consideram como o maior e o mais importante de todos os números.

O verdadeiro Mestre Maçom deve ser senhor de todas as subtilezas contidas no simbolismo do número SETE, a fim de que possa aplicar o seu simbolismo transformando-o em realidade. Há, assim, necessidade de estudo e, principalmente, de meditação para que cada um possa tirar as suas próprias ilações e aplicá-las em proveito próprio, de seus Irmãos e da Sociedade profana, elevando destarte o bom nome da Maçonaria e desfazendo os equívocos e esclarecendo as insinuações maldosas que contra ela assacam seus inimigos gratuitos e irresponsáveis!

O Ritual do Mestre Maçom conclama, no final da Segunda Instrução, a necessidade deste estudo e indica qual é o objectivo dos Mestres:

“Ven∴ – Meus Veneráveis Irmãos, eis o nosso objectivo: Esforçai-vos, como Mestres simbólicos, em transformar o símbolo em realidade”.

E adverte:

Nunca desejeis ser apenas titulares de diplomas nem portadores de insígnias. Metamorfoseai-vos em VERDADEIROS Mestres, isto é, naqueles que, pelo pensamento e pela acção se encontram no caminho da Verdade”.

O caminho da Verdade é, pois, o verdadeiro objectivo do Mestre Maçom. Para se alcançar este caminho há que se perseguir, através de um estudo sério, consciencioso e perseverante onde está a Verdade, qual é a Verdade, o que é a Verdade.

Houve uma ocasião em que o homem esteve a pique de saber exactamente o que é a Verdade, mas, esta ocasião foi perdida pela insensatez e pelo desinteresse próprios dos homens. A Bíblia relata-nos assim o facto:

  • XVIII, 37 – “Então, disse Pilatos: Logo tu és rei? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”.
  • 38 – “Perguntou-lhe Pilatos: Que é a Verdade? Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum”.

Hoje sabemos que, talvez, o momento mais importante da vida do Mestre Jesus tenha sido aquele instante que se seguiu à célebre pergunta que, ainda hoje, preocupa a humanidade: Que é a Verdade? Impensadamente, desinteressadamente, estupidamente, volta-se Pilatos para o povo, logo após ter feito a mais importante de todas as perguntas e a fez para aquele que era o único capaz de respondê-la, mas, lamentavelmente, não esperou pela resposta! Este seu gesto fez a humanidade continuar a inquirir: “O que é a Verdade?” E até hoje não conseguiu uma resposta satisfatória que só o Mestre Jesus poderia ter dado!

Por isto, a Maçonaria e muitas outras Sociedades filosóficas andam, através de estudos, pretendendo descobrir o que é a Verdade.

O estudo do número SETE, pelo Mestre Maçom, deve iniciar-se na lenda da morte do Mestre Hiram Abiff. Seu assassinato já comporta em composição numérica para profundas cogitações. Dois elementos primordiais da Sociedade Maçónica – a Virtude e a Sabedoria – estão sempre em constante perigo, ameaçadas que são por Três inimigos perigosos ou sejam: o fanatismo, a ignorância e a ambição “dos Maçons que não sabem compreender a finalidade da Maçonaria, nem se devotam à sua Sublime Obra”!

Já estudamos as contradições do número DOIS e as excelências do número TRÊS e vimos que elas se podem equilibrar no número CINCO, pois, como veremos, consolidam-se no número SETE.

TRÊS, CINCO e SETE são os números sagrados propostos à meditação dos Aprendizes, Companheiros e Mestres. Estes números estão, simbolicamente, ligados às dimensões do túmulo do Mestre Hiram, que tinha TRÊS pés de largura, CINCO de profundidade e SETE de comprimento. Ali, segundo ensina o nosso Ritual, “encerra o segredo da Grande iniciação, que só é desvendado pelos pensadores capazes de conciliar os antagonismos pelo ternário, conceder a quintessência disseminada pelas exterioridades sensíveis e de aplicar a lei do septenário ao domínio da realização”.

Já nos referimos, quando estudamos o número TRÊS, aos antagonismos por ele equilibrados até se tornarem perfeição. Vimos, também, ao estudarmos o número CINCO, que a Energia do Absoluto, ou seja, a Quintessência, preside aos QUATRO elementos dando-lhes as características de vida. Veremos, no presente estudo, como aplicar a lei do SEPTENÁRIO ao domínio da realização.

Vejamos, pois, as propriedades intrínsecas do número SETE. Este estudo, para sua melhor compreensão, implica em aspectos históricos que deverão ser focalizados e para isto vamos seguindo o nosso Ritual e valendo-nos dos ensinamentos de Jorge Adoum, na sua magnífica obra. Partindo-se das SETE silharias (enxilharias) construídas pelos caldeus na torre de Babel, temos, de imediato, um simbolismo a ser considerado. Silharia é uma obra feita com silhar, ou seja, pedra lavrada e aparelhada usada na formação e revestimento de paredes. O silhar é, geralmente, quadrado, mas pode ser cúbico, como nos diz o Ritual. Assim, vemos que, no relato, se faz referência, ainda que simbólica, ao trabalho dos Companheiros que são, na Maçonaria, os encarregados de lavrar e polir as pedras para a construção do Templo Ideal que se pretende construir à Glória do Grande Arquitecto do Universo.

Informa ainda, o Ritual, que as enxilhanas eram cúbicas e em número de SETE. É uma alusão ao SEPTENÁRIO, número perfeito, que aproxima o homem esclarecido pela sua inteligência e pela pureza, da sua consciência, do Absoluto. Tendo SETE enxilharias, a Torre de Babel se propunha a ligar a Terra ao Céu, ou seja, o Plano Material ao Plano Espiritual, o homem a Deus!

O propósito dos caldeus, ao construir esta torre, era o de não serem espalhados por toda a terra:

Gen. XI, 4 – “Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade, e uma torre cujo topo chegue até aos céus, e tomemo-nos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra”.

O simbolismo da Torre de Babel é guardado, na Maçonaria, no emblema existente no Painel do Aprendiz, na figura da Escada, de Jacob. O significado é o mesmo, eis que os propósitos dos construtores da Torre era o mesmo que foi visto, em sonhos, por Jacob, ou seja, a ligação da Terra e o Céu. Diz a Bíblia:

Gen. XXVIII, 12 – “E sonhou (Jacob): Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu e os anjos de Deus subiam e desciam por ela”.

De qualquer modo, em ambos os textos, nota-se o desejo de ligação entre os homens e Deus. No primeiro, são os homens que sobem aos céus, no segundo, são os anjos de Deus que descem à Terra! O grande propósito do Mestre Maçom deve ser exactamente o de estabelecer, através da compreensão, da fraternidade, da igualdade, da perfeição enfim, a ligação entre os homens e Deus. Esta ligação far-se-á com a interacção dos DOIS triângulos invertidos e entrelaçados que formam a Estrela de David e a força que movimentará esta união será a da energia do mundo subjectivo do homem, simbolizado no polígono interior daquela Estrela!

As SETE enxilharias estavam, cada uma delas, dedicada a um dos luzeiros celestes principais até então conhecidos: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno, que, segundo acreditavam os Magos, constituíam os SETE Ministérios que compartilhavam do governo do mundo.

A importância destes luzeiros (preferimos este termo a “astros”, porque hoje sabemos que deles, apenas o Sol é um astro, sendo os outros cinco, planetas e a Lua um satélite) se assentava no facto de que eles eram móveis, enquanto que as outras estrelas se quedavam fixas no firmamento.

O simbolismo da Torre de Babel e dos Luzeiros nela representados pelas SETE enxilharias, ou cómodos cúbicos, pode ser interpretado como sendo: a torre, a “causa primeira”, de onde tudo provém e os seus planos (cómodos superpostos), as “causas secundárias” que organizam o Universo.

Os versículos de número 5 a 31, do Capítulo I, e versículo 2, do Capítulo II, do Génesis, informam-nos que a criação do mundo foi feita em seis dias, tendo sido reservado o SÉTIMO dia para o descanso do Criador. Estes SETE dias, correspondem a SETE épocas de duração indeterminada, durante as quais a Energia do Absoluto agiu sobre os quatro elementos para construir toda a matéria que hoje conhecemos.

Quando do nosso estudo sobre o número SEIS, tivemos oportunidade de dizer que o homem é regido por SETE Princípios que, na Maçonaria, são representados pelos SETE componentes de uma Oficina. Depois disto falamos de SEIS Princípios, em ordem descendente da sua importância, começando pela Vontade Espiritual e terminando no Duplo Etérico. Naquela ocasião silenciamos sobre o SÉTIMO Princípio porque não era chegada a hora de se fazer sobre ele uma explanação. Agora, podemos revelar este SÉTIMO Princípio como sendo o Corpo Físico, que age no Plano Físico Inferior e é simbolicamente representado pelo Cobridor Externo do Templo. É o Princípio que comanda o homem com todas as suas deficiências, as suas falhas e as suas aparentes imperfeições. A função do Cobridor Externo do Templo simboliza muito bem este homem material do Plano Físico, pois que aquele Oficial tem a obrigação precípua de vigiar a entrada do Templo para evitar que dele se aproximem os profanos que podem, com a sua presença, perturbar os trabalhos e conspurcar o recinto Sagrado. Também o homem físico, que pretende livrar-se das suas imperfeições, dos seus vícios e das suas paixões, tem de constantemente vigiar para não ser assaltado pelos naturais inimigos do Espírito e que procuram impedir o seu progresso e a sua ascensão para Planos mais elevados!

O Senhor Jesus exortou, muitas vezes, a necessidade de uma constante vigília: Mat. XXV, 13 – “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”.

XXVI, 41 – “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca”.

O corpo físico do homem está, pois, inteiramente vulnerável às coisas más e é por isto que ele necessita de estarem permanente vigília! O número SETE é um número sagrado porque representa a reunião da Trindade Superior que age sobre o Quaternário elemental. Assim, ele simboliza o homem com todas as suas possibilidades de evolução. O Iniciado pode e deve persistir para que se desenvolvam nele os SETE centros magnéticos que lhe permitirão actuar nos SETE mundos. Estes SETE centros magnéticos correspondem à idade maçónica do Mestre e eles são chamados no Apocalipse de SETE igrejas sob a protecção dos SETE anjos do Senhor.

O campo poligonal que se vê na Estrela de David, completa com os SEIS campos constituídos pelas suas seis pontas, os SETE Princípios que regem o Mundo Macroscópico. É interessante notar-se que este número SETE representa a harmonia que resulta do equilíbrio estabelecido por elementos dessemelhantes. Na Estrela de David, a ponta superior recebe, cabalisticamente, o número QUATRO. A ponta superior direita, tem o número DOIS; a ponta inferior direita recebe o número SEIS; o vértice do triângulo que está voltado para baixo, tem o número TRÊS; a ponta inferior esquerda, recebe o número CINCO e, finalmente, a ponta superior esquerda, tem o número UM. O SETE, situado no polígono central, equilibra todos eles elementos dessemelhantes, que se opõem dois a dois, formando, sempre, aquele número. Assim, 1 + 6 (pontos superiores esquerda e inferior direita) = 7; 2 + 5 (ponta superior direita e ponta inferior esquerda) = 7; 3 + 4 (vértices superior e inferior dos triângulos) = 7.

A última destas somas implica em duas importantes formas simbólicas da Maçonaria: o Triângulo e o Tetragrama. Já vimos, quando estudamos o Delta Sagrado, que ele é constituído por um triângulo equilátero, que tem no seu centro o YOD, o tetragrama IEVE! “Com o SETE, o Iniciado (UM) domina as DUAS forças da alma do mundo, afirma-se na sua Trindade (TRÊS) equilibra-se nos dois triângulos (SEIS) e por último faz a função de Deus Criador com o número SETE”.

Jorge Adoum escreve, em “O Mestre Maçom e seus Mistérios” que:

“O número SETE entra em todas as circunstâncias da vida, rege o desenvolvimento do homem e os acontecimentos do mundo, material e moralmente:

  1. A mulher tem, todo mês, um período de 14 dias (duplo de SETE) em que pode ser fecundada e outro estéril;
  2. Até SETE horas, depois, de nascido, não se sabe se o novo ser é apto para a vida;
  3. Aos 14 dias (duas vezes SETE) os olhos da criatura podem seguir a luz;
  4. Aos 21 dias (triplo de SETE), volta a cabeça impelido pela curiosidade;
  5. Aos SETE meses saem-lhe os primeiros dentes;
  6. Aos 14 meses (duas vezes SETE) exprime seus pensamentos por meio da voz e o gesto; anda;
  7. Aos 21 meses (três vezes SETE), tem mais precisão na expressão de seus pensamentos e gestos;
  8. Aos SETE anos rompem-lhe os segundos dentes (segunda dentição);
  9. Aos 14 anos (duas vezes SETE), desperta-se nele a energia sexual;
  10. Aos 21 anos (três vezes SETE), chega à puberdade e está fisicamente formado;
  11. Aos 28 anos (quatro vezes SETE), cessa o desenvolvimento físico e começa o espiritual;
  12. Aos 35 anos (cinco vezes SETE), chega ao máximo da sua força e actividade;
  13. Aos 42 anos (seis vezes SETE), chega ao máximo da sua aspiração ambiciosa;
  14. Aos 49 anos (sete vezes SETE), chega ao máximo da discrição e começa a decadência física;
  15. Aos 56 anos (oito vezes SETE) atinge a plenitude do intelecto;
  16. Aos 63 anos (nove vezes SETE) prevalece a espiritualidade sobre a matéria;
  17. Aos 70 anos (dez vezes SETE), inicia-se a inversão mental e sexual, e o homem torna-se, como se diz vulgarmente, “criança”.

Eis algumas ligações extraordinárias do número SETE com o desenvolvimento do ser humano! Como se pode deduzir, não são meras coincidências, mas, etapas reais e gerais que não permitem considerações outras que não se aceitar como intervenção misteriosa de forças superiores que presidem o processo vital da espécie humana.

Um facto biologicamente provado é aquele porque passam todas as células do nosso corpo que, a cada SETE anos, se renovam inteiramente de modo tal que somos, na realidade, um indivíduo inteiramente novo em cada SETE anos de vida. Esta renovação estrutural de todos os elementos materiais do corpo é uma oportunidade que tem o homem de, a cada período de SETE anos, eliminar todos os átomos negativos, substituindo-os por átomos positivos. Isto é o caminho que nos é oferecido para uma elevação moral e espiritual que nos encaminhará para Planos mais elevados, através de encarnações sucessivas. Esta renovação SEPTENÁRIA do homem, é que fornece ao Mestre Maçom a sua idade maçónica. Ele sempre terá SETE anos ou mais, uma vez que, a cada uma destas renovações físicas e periódicas da sua estrutura material, ele deve estar mais adaptado aos aspectos espirituais e o seu desenvolvimento mental o levará a cogitações de ordem filosófica mais precisas e elevadas! É por isto que o Mestre Maçom se torna capaz de discernir o BEM do MAL, o justo do injusto, é por isto que ele, se revela como um ser compreensivo e bom, um verdadeiro cultor da Fraternidade!

O Universo, com seus infinitos mundos, está em perpétuo movimento e os corpos celestes se deslocam, com precisão matemática, em órbitas preestabelecidas, sem atropelos e em plena harmonia. Esta é uma lei da natureza que determina uma vibração perfeita e harmónica, correspondente às vibrações das SETE notas musicais e que é conhecida como harmonia universal! Pitágoras disse ter conseguido “ouvir” esta música das esferas cósmicas, onde as vibrações, com variadas frequências, compunham uma verdadeira orquestra divina que traduzia, com os seus sons maviosos, a alegria do trabalho constante e ininterrupto de Deus!

Um estudo importante que compete ao Mestre Maçom realizar é sobre a Lei da Trindade SEPTENÁRIA. Simbolicamente esta lei está representada nas TRÊS rosetas que ornam o Avental do Mestre Maçom. Elas representam três anéis que se entrelaçam e formam, assim, o SEPTENÁRIO. Para um melhor entendimento desta lei torna-se necessária uma figura pela qual possamos guiar o nosso raciocínio. (Ver a figura no fim deste estudo).

Os três anéis intersectam-se e formam, desta maneira, SETE campos distintos, presididos pelos luzeiros de que já falamos. Vejamos a interpretação filosófica deste símbolo, seguindo o que ensina o Ritual:

O primeiro disco é de ouro e é presidido pelas influências do Sol; ele representa a fonte de toda a energia que movimenta todas as coisas. Os alquimistas identificavam-no com o Enxofre, símbolo do Fogo interior de cada um e que dá origem à cor vermelha, representando o sangue, o calor, a luz e a acção. É o espírito que anima a matéria. A Energia UNA, que governa os Princípios animadores dos quatro elementos fundamentais que são a base de todas as coisas materiais. O segundo disco é de Prata, e está sob a égide da Lua, receptara por excelência de várias influências moldadoras da forma. Os hermetistas identificam-na com o Mercúrio, porque, como portadora de actividade espiritual, insinuava-se no âmago de todas as coisas materiais animando-as e vivificando-as. Este disco simboliza as coisas subtis, o espaço e o ar, a sensibilidade e o sentimento. A sua cor é azul prateada e ela, com seu aspecto passivo, está ligada às coisas espirituais. O terceiro disco é de Chumbo, o Saturno dos alquimistas que representa tudo o que é material e denso. É o símbolo da terra com as suas rochas de onde se retiram as Pedras Brutas que servirão, depois de trabalhadas, para a construção do Templo Ideal. A sua cor é cinza e revela a densidade dos corpos pesados. É o símbolo da matéria informe.

Estes são os discos que representam a Trindade, onde se encerram todos os elementos necessários à formação do Universo com todos os seus aspectos. Aí se encontram os quatro elementos primordiais que constituirão a base da matéria. Encontra-se o Espírito, que vivificará esta matéria sob o comando da Energia UNA, fonte inesgotável do Universo infinito!

As intersecções destes três discos darão os quatro aspectos outros, necessários à obra Divina. Os discos UM e DOIS (Sol e Lua) intersectam-se formando o campo QUATRO, sob o domínio de Júpiter. É o Filho, que procede do Pai e da Mãe. Diz a Mitologia que Júpiter sofreu oposição de Saturno, e destronou-o, precipitando-o do Olimpo para as regiões inferiores. Assim, sendo Saturno o representante da materialidade, Júpiter é o símbolo da Espiritualidade. É dele que procede a Vontade, formadora da consciência, do idealismo e da responsabilidade. A sua cor violeta relaciona-se com a constância e a perseverança de propósitos. A intersecção dos três discos, no espaço central, somam as três cores de cada um deles e, por serem cores primárias, a sua reunião resulta na cor branca que reflecte na Estrela Flamejante, guia e símbolo do Companheiro Maçom.

Ele representa o Plano Etérico onde as vibrações emitidas por todas as coisas têm o seu Duplo que exerce acentuado magnetismo sobre o seu aspecto material, atraindo-o para o alto no sentido da Evolução. Este espaço, no centro dos discos, é a Quintessência que actua sobre os quatro elementos para dar-lhes a característica de vida, conforme foi estudado. Simboliza as determinações correctas e perfeitas, por isto, era apresentado, pelos alquimistas, como o “Mercúrio dos Sábios”.

A intersecção dos discos DOIS e TRÊS tem a cor verde e representa Vénus, o planeta dedicado ao amor, à ternura, à sensibilidade. É o símbolo feminino da geração e da vitalidade de todos os seres. A intersecção dos discos UM e TRÊS, é dedicada a Marte, o planeta belicoso, de cor vermelha, que revela a actividade motriz da matéria, revelando ainda o instinto de conservação que procura evitar a perda de energia vital pelo esforço da acção. Representa, ainda, o potencial inesgotável das realizações conseguidas através de lutas ferozes e egoístas que, muitas vezes, levam o corpo a se consumir no Fogo devorador das refregas ardentes e vibrantes.

O apóstolo João, inicia o seu Apocalipse com uma dedicatória às SETE Igrejas da Ásia:

  • I, 4 – “João, às SETE igrejas que se encontram na Ásia: Graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos SETE espíritos que se acham diante de seu trono”.

As SETE igrejas da Ásia eram: Éfeso, Pérgamo, Filadélfia, Tiatira, Esmima, Sardo e Laodicéa. Na Cabala estas SETE igrejas correspondem aos SETE centros magnéticos cujo desenvolvimento é o objecto da Iniciação interna e que irá permitir que a Energia Criadora, rompendo os SETE selos, referidos no Apocalipse, permita ao Iniciado, quando ciente e consciente de seus actos, possa converter-se na Cidade Santa onde operará o Absoluto, “que é, que era e que há de vir”.

O desenvolvimento destes SETE centros magnéticos deverá ser feito em consonância vibratória, com os corpos celestes que giram em torno do Sol e são identificados, na Cabala, como sendo os SETE Espíritos que se acham diante do Trono de Deus. Estes Planetas recebem quantidades de luz proporcionais à distância que se encontram do Sol e, assim vibram de maneira, diferente, absorvendo uma ou mais cores e, anda, produzindo pelas suas vibrações, sons diferentes que se reflectem pelo Espaço infinito produzindo a “música das esferas” que Pitágoras afirmou ter “ouvido” numa constante e perfeita harmonia! Importante é ressaltar-se aqui que as ondas vibratórias que reflectem dos vários planetas, exercem sobre os demais, quando os atingem, impulsos de natureza idêntica à do planeta que as reflectiu. Isto explica a “influência dos outros” sobre a nossa Terra e tudo o que nela se encontra Os horóscopos têm, assim, a sua explicação lógica, e as influências planetárias, em que eles se baseiam, são uma realidade patente. Há que se ressaltar, no entanto, que, actualmente, uma grande maioria de “entendidos”, propõe-se a fazer horóscopos, dos quais saem as mais disparatadas ideias, sem corresponder, de maneira nenhuma, à verdadeira influência dos astros.

Sobre o homem tudo se passa de forma idênticas, eis que conforme já foi dito “o que está em cima é igual ao que está em baixo”. Temos que o Absoluto, Deus, que encerra em Si todas as vibrações, é fonte inesgotável delas que assim reunidas se comportam como a luz branca do Sol. Manifestando-se na Trindade Superior nas cores primárias, Azul, Amarelo e Vermelho, elas reflectem-se sobre cada um dos SETE Centros magnéticos do homem que se comportam aqui como os SETE anjos diante do Trono do Senhor e imprime-lhe a iluminação espiritual, segundo o grau de evolução já atingido por cada um dos centros magnéticos possibilitando, ao homem, a aquisição de consciências e desenvolvimento moral. Cor e som, das vibrações da Trindade, projectados sobre os centros magnéticos do homem, dão-lhe a energia necessária para seu desenvolvimento e evolução. Tal como os planetas os centros magnéticos recebe uma carga vibratória completa de luz e som, absorvem as que lhes são propícias e reflectem as outras que pouco lhes aproveitam. Estas vibrações reflectidas vão actuar sobre os centros magnéticos vizinhos proporcionando um mais rápido movimento neste corpo.

As SETE cores primitivas têm, conforme nos ensina Jorge Adoun, valores próprios que são os seguintes:

  • Vermelho -indica pensamento potente, sentimentos apaixonados e virilidade física. A debilidade desta cor, representa-se pelo tom roxo;
  • Alaranjado -mostra gozo, sentimento alegre e saúde robusta. A debilidade desta cor indica o predomínio do azul celeste;
  • Amarelo -delata lógica, intuição, anelo de saber, sabedoria, sensibilidade. A sua debilidade assinala o predomínio do anil;
  • Verde -Indica optimismo, confiança e sistema nervoso equilibrado. Na debilidade manifesta-se como alaranjado;
  • Anil -Indica pensamentos concentrados, tranquilidade. Na debilidade desta cor predomina o amarelo;
  • Roxo -Denota misticismo, devoção, boa digestão e assimilação. Na debilidade acentua-se o vermelho”.

Como é fácil ver, a debilidade de uma cor ressalta as vibrações da cor que lhe é oposta. Daí os temperamentos variados, as personalidades diferentes, etc..

É importante considerar-se que as vibrações da Energia cósmica são de natureza infinitamente subtil em face à grosseira matéria de que é formado o corpo humano. Assim, para este, absolutamente imperceptível a acção daquela força de natureza espiritual. Há no corpo humano, segundo nos ensina a Anatomia, vários entrelaçamentos de muitas ramificações de nervos ou de filetes musculares, vasculares, etc., que são chamados de Plexos. O que os espiritualistas denominam de Perispírito, ou os teosofistas chamam de Corpo Astral, é um envoltório fluídico que envolve o corpo físico do homem e que, capaz de receber as vibrações mais subtis, o põe em contacto com o Plano Espiritual ou Astral. Este perispírito é, então, uma espécie de elemento de transição entre as vibrações extremamente grosseiras do corpo físico do homem e as vibrações extremamente subtis da energia do Plano Espiritual.

O Perispírito tem, pois, a propriedade de vibrar em uníssono tanto com a gama de vibrações espirituais quanto com a gama de vibrações materiais. Há, no Perispírito, centros receptores e transmissores especiais de vibrações que recebem a denominação de “Chacras”. Cada Chacra, do Perispírito, corresponde a um Plexo, do Corpo Físico. As vibrações espirituais impressionam os Chacras e estes as transmitem, través dos Plexos, aos SETE centros magnéticos do corpo. Em contrapartida, as reacções dos centros magnéticos são transmitidas, pelos Plexos, aos Chacras que as levam ao conhecimento das Entidades Superiores.

É interessante saber-se que no homem pouco desenvolvido os Chacras mostram-se como círculos de, aproximadamente, cinco centímetros de diâmetro e são quase sem brilho, enquanto que no homem de sentimentos espirituais elevados, os Chacras são luminosos e coloridos.

Eis a relação dos Plexos e dos Chacras, com as suas respectivas localizações:

Localização Chacras Plexos
Hipogástrio Genésico Baixo ventre
Mesentérico Esplénico Região do umbigo
Solar Gástrico Estômago
Cardíaco Cardíaco Região precordial
Laríngeo Laríngeo Garganta
Frontal Frontal Fronte
Coronário Coronário Alto da cabeça

As Chacras desenvolvem as seguintes funções:

O Coronário é o órgão de ligação com o mundo espiritual superior. Comanda todos os outros;

  • O Frontal relaciona-se com a inteligência;
  • O Laríngeo tem influência sobre a palavra;
  • O Cardíaco comanda as emoções e os sentimentos;
  • O Esplénico regula a circulação dos elementos vitais, tais como: os fluidos magnéticos;
  • O Gástrico relaciona-se com a assimilação dos alimentos;
  • O Genésico conduz as actividades sexuais.

Finalmente podemos dizer que estes SETE chacras correspondentes aos SETE Plexos estão divididos em TRÊS categorias ou sejam: Chacras fisiológicos (Genésico e Gástrico); Chacras passionais (Esplénico, Cardíaco e Laríngeo); Chacras Espirituais (Frontal e Coronário).

Lembra o Ritual de Mestre que o SEPTENÁRIO se manifesta, segundo dados iniciáticos, até nos SETE pecados capitais e, assim os descreve:

  1. Orgulho – prejudicial quando oriundo de uma vaidade frívola, ligado ao Sol, porque, como ele, ofusca os fracos;
  2. Preguiça – proveniente da passividade lunar, enlanguescida em inércia abusiva;
  3. Avareza – vício essencial dos “saturninos”, previdentes e prudentes em excesso;
  4. Gula – próprio dos “jupiterianos”, indivíduos hospitaleiros e generosos, que cuidam muito do próprio “eu”;
  5. Inveja – tormento dos “mercurianos” agitados, que jamais se satisfazem e não podem deixar de ambicionar aquilo que não possuem;
  6. Luxúria – proveniente do exagero das qualidades de Vénus;
  7. Cólera – enfim, que é o defeito de Marte, exaltador da violência e dos transportes.

Note-se, prossegue o Ritual, que o 1 se opõe a 6, 2 a 5 e 3 a 4, enquanto 7 a nada se opõe, assegurando o equilíbrio geral. Se fosse, suprimido um só desses pecados capitais, o equilíbrio do mundo material romper-se-ia. Nada demonstra melhor a importância do SEPTENÁRIO, tal como o concebem os Iniciados.

Para finalizar ilustremos este estudo, a título de curiosidade com alguns exemplos de SEPTENÁRIOS geralmente conhecidos:

  • SETE planetas: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter Saturno, Sol, (astro considerado, pelos antigos, como planeta), Lua (satélite, considerado, também como planeta);
  • SETE dias da semana: Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo;
  • SETE Anjos Superiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Anael, Michael, Samuel, Zadkiel, Zafkiel;
  • SETE Espíritos Inferiores dos Planetas: Gabriel, Rafael, Anael, Michael, Samuel, Tachel, Cassiel;
  • SETE Virtudes: Esperança, Temperança, Amor, Fé, Fortaleza, Justiça, Caridade;
  • SETE Metais: Prata, Mercúrio, Cobre, Ouro, Ferro, Estanho, Chumbo;
  • SETE Vícios: Avareza, Inveja, Luxúria, Vaidade, Violência, Gula, Egoísmo;
  • SETE Cores: Verde, Amarelo, Roxo, Alaranjado, Vermelho, Azul, Anil;
  • SETE Notas Musicais: Fá, Mi, Lá, Ré, Dó, Sol, Si;
  • SETE Igrejas do Apocalipse: Éfeso, Pérgamo, Filadélfia, Tiatira, Esmirna, Sardo, Laodicéa;
  • SETE Centros Magnéticos: Fundamental, Umbilical, Frontal, Cardíaco, Esplénico, Laríngeo, Coronário;
  • SETE Sacramentos: Baptismo, Confirmação, Matrimónio, Sacerdócio, Penitência, Eucaristia, Extrema-unção;
  • SETE Perfumes: Âmbar, Benjoim, Almíscar, Laurel, Ajenjo, Açafrão, Mirra;
  • SETE Pecados Mortais: Soberba, Avareza, Luxúria, Ira, Gula, Inveja, Preguiça;
  • SETE Plexos: Hipogástrico, Mesentérico, Solar, Cardíaco, Laríngeo, Frontal, Coronário;
  • SETE Céus dos Maometanos: Esmeraldas, Prata, Pérolas, Rubis, Ouro, Jaspe, Luz intensa;
  • SETE Chacras: Genésico, Esplénico, Gástrico, Cardíaco, Laríngeo, Frontal, Coronário;
  • SETE Anos de Fertilidade no Egipto;
  • SETE Anos de Esterilidade no Egipto;
  • SETE Pragas no Egipto – A água transforma-se em sangue, a invasão das rãs, o aparecimento dos piolhos, o surto de úlceras, o enxame de moscas, a peste nos animais, os gafanhotos. (Citam-se aqui só sete, mas elas foram dez);
  • SETE Ciências Antigas Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música, Astronomia;
  • SETE Sábios da Grécia: Tales de Mileto, Quilon de Esparta, Pitaco de Mitilene, Bias de Priene, Sólon de Atenas, Cleóbulo de Lindo e Periandro de Corinto;
  • SETE Maravilhas do Mundo: Jardins Suspensos da Babilónia, Colosso de Rodes, Túmulo de Mausolo, Pirâmides do Egipto, Farol de Alexandria, Colunas de Hércules, Estátua do Zeus;
  • SETE Brindes Obrigatórios nos Banquetes Maçónicos: Ao Chefe da Nação e à sua família, à Sereníssima Grande Loja (ao seu Grão-Mestre e à sua família), ao Venerável da Loja, aos Irmãos Vigilantes da Loja, aos Irmãos Visitantes da Loja, aos Irmãos Visitantes e Lojas co-Irmãs, aos Oficiais e demais membros da Loja e os novos Iniciados, a todos os Maçons espalhados pelo Universo.

A lista iria quase ao infinito e a nossa intenção é apenas o estudo e a importância do número SETE. O Mestre Maçom não se deve ater apenas ao Ritual, mas, antes, deve procurar estudar nas inúmeras obras que versam sobre o assunto porque, a sua condição de Mestre implica na plenitude da Sabedoria. Fora disto, ele não passará daquele coleccionador de graus, diplomas e medalhas de que nos fala o Ritual, sem nada produzir de útil para os Aprendizes, os Companheiros. e para a Sociedade Maçónica.

Na escada mostrada no Painel de Companheiro verifica-se o simbolismo dos números principais – TRÊS, CINCO e SETE – pelos degraus com que ela se apresenta.

A partir de baixo para cima, vemos, antes do primeiro patamar, três degraus com os símbolos do Prumo, do Nível e do Esquadro; depois deste patamar, sobem mais cinco degraus correspondentes às cinco “portas” representadas pelos aparelhos sensoriais do homem, que o habilitam a tomar conhecimento do mundo. São elas: Audição, Visão Tacto, Olfacto, Paladar. Finalmente, depois de mais um patamar, sobem-se sete degraus que representam as Ciências que devem ser do conhecimento do Maçom: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia.

Boanerges B. Castro

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