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Maçonaria vs. Misticismo: um esclarecimento

✍️ Desconhecido 📅 09/08/2026 👁️ 0 Leituras

misticismo, maçonaria

“A Mística é uma ciência que a Ciência ainda não alcançou”

(Maçom Rosa-Cruz)

Existe no mundo maçónico, e no mundo profano quanto aos objectivos maçónicos, um equívoco essencial relativo aos pressupostos e possibilidades da Maçonaria. Quiçá possamos nas linhas seguintes trazer alguma luz ao assunto.

Embora não religião – pois por religião entende-se um conjunto exclusivo de procedimentos dogmáticos para contactos com o divino, conjunto esse que geralmente exclui todos os demais com o mesmo objectivo (vide as guerras religiosas que infestam a história da humanidade) – a Maçonaria, Fraternidade Iniciática ecuménica por excelência, com as suas práticas litúrgico-filosóficas termina inevitavelmente por aguçar e aperfeiçoar o sentido religioso dos seus adeptos. Talvez nisso resida o mais sublime benefício maçónico no que diz respeito às questões do espírito: possibilitar que cada um entenda e exerça muito melhor a religião da sua própria escolha.

A explicação para tanto é simples: a Instituição Maçónica exerce, como sustentáculo angular dos seus princípios, a grande máxima cristã, síntese de todos os evangelhos: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

A Maçonaria – literalmente, Confraria de Construtores originada dos responsáveis pelas monumentais construções operativas que resultaram nos esplendores arquitectónicos medievais, estudou e entendeu de tal forma a física, a matemática e a poesia necessárias aos grandes e subtis equilíbrios das suas imensas obras que, perplexa por encontrar se assim apta a vislumbrar o grande, subtil e poético equilíbrio do universo, do micro e do macrocosmo, concluiu por denominar Grande Arquitecto do Universo ao mesmo Deus de Isaac, Abraão e Jacó, denominação por certo mais de acordo à sua experiência particular.

Além de ser um método de fraternidade extremamente eficaz (o Maçom sente muita falta do natural espírito fraterno desperto e exercitado em Loja), o sistema de estudos maçónicos termina por conduzir os seus membros, já de início seleccionados conforme o espírito, a uma espécie de digna humildade e sensação grandiosa de pequenez quanto ao Deus criador de todas as coisas. Mais cedo ou mais tarde, o Maçom termina por reconhecer claramente ser ele próprio uma obra do Grande Arquitecto, obra essa tão sublime que se pensa a si mesma – inclusive no sentido de se melhorar – humana construção de tal maneira complexa que se torna concebível apenas ser dirigida pelas mãos divinas. E o Maçom, arquitecto vocacionado que é, deduz, religioso e reverente, que o Dom da Vida acaba por ser o toque supremo e exclusivo do Grande Construtor, benefício miraculoso pelo qual reconhece dever eterna e impagável gratidão.

O despertar de tais factores do espírito, e a Maçonaria leva a isso de forma esplêndida, torna inevitável – eis a questão! – o despertar de uma ânsia pela mística, ou seja, uma tendência muito forte de encontrar um caminho que permita voltar a entrar objectivamente na natureza da Consciência Universal, origem de todos nós.

Aqui reside o problema, pois, a partir deste ponto erra a Maçonaria como método, ou erram os Maçons por esperarem da Instituição aquilo que ela não pode mais fornecer, a saber: um sistema eficaz de procedimentos para uma ligação objectiva e consciente com a Mente Universal, com a Consciência Cósmica. Em resumo, um conjunto de práticas que, se bem orientadas e realizadas, levem de forma segura o adepto a uma efectiva Experiência Mística.

Entendamos primeiramente o perfil de um místico.

O místico é o indivíduo por excelência. A sua busca na procura do Deus Interno, situação onde antes de tudo ele aprende que o seu caminhar é absolutamente solitário, quer por saber do número e qualidade das suas vidas passadas, quer pelas superações particulares que ele conclui que ainda tem que cumprir, e por uma infinidade de outras razões que lhe descobrem incessantemente a exclusividade da sua existência, todos esses factores concorrem para que o místico, passo a passo, na preocupação cada vez mais consciente em descobrir-se em todas as suas divinas potencialidades, se despreocupe efectivamente com o mundo social que o rodeia. A Maçonaria, conforme veremos mais à frente, é o oposto disso: parte do indivíduo, mas visa a sociedade e o seu complexo de relações.

A prática mística convence o místico da essencial inutilidade de preocupações com situações políticas de todas as espécies e de tudo o daí decorrente. Estudante assíduo e consequente dos recônditos fenómenos da natureza, uma das primeiras coisas que o místico aprende (e exercita!) é justamente sobre a transitoriedade da matéria, a começar da matéria humana. Os experimentos místicos, e a Maçonaria não possui nenhum deles no seu sistema tradicional de ensinamentos, mostram de forma objectiva essa nossa presente existência sobre a face da Terra como uma Escola onde o espírito que habita o corpo veio melhor cumprir as matérias nas quais ficamos em recuperação nas existências passadas e realizar novas provas conforme o Divino Professor já nos considere aptos a tanto. De uma forma geral, a humanidade como um todo intui esse facto. Mas para o místico, isso se torna palpável, concreto, pois os seus experimentos particulares, estudos resultantes do acesso iniciático a práticas esotéricas milenares – que nada mais são do que ciências avançadíssimas! – demonstram-lhe uma infinidade de situações incomuns e possibilidades efectivas de contacto com outras vidas, que existem em frequências extraordinárias, coisas que o vulgo, ou qualquer um menos preparado, consideraria, amedrontadíssimo, como pertencente ao campo da alta magia e do sobrenatural e por isso absolutamente insuportável. (Algum dia, conforme se deu com as místicas da antiguidade, tudo isso ainda será Ciência de uso comum).

O alquimista medieval pode ser considerado o protótipo do verdadeiro místico. Absolutamente – e necessariamente – solitário (o Maçom, ao contrário, é o ser social por excelência) nas suas longas e imensas práticas, anónimo, redigindo em silêncio as suas conclusões e lendo outras semelhantes que sempre se encontram sob pseudónimos (a Maçonaria proíbe o anonimato), testando mil fórmulas de encontrar a Magnus Opus, à qual denomina Pedra Filosofal ou outras dezenas de nomes, e tendo como fulcro inarredável a fórmula latina VITRIOL (Visita Interiora Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem: “Visita o interior da terra e, rectificando, encontrarás a Pedra Oculta”), fórmula essa felizmente de bom conhecimento (apenas filosófico!) de todos os Maçons, o alquimista é o bom exemplo de ser o místico praticante nada mais do que uma espécie de “cientista que exerce, com os meios presentes, a ciência do futuro” {Maçom Rosacruz}. Mil experimentos óbvios que as ciências, tais como a Química e a Física, fornecem hoje a qualquer estudante adolescente, em tempos passados eram experimentos místicos resultantes de altíssima sabedoria e velados ao preço da própria vida. (Eis aqui um excelente Tema que alguém um dia terá que desenvolver: “são os despreparados estudantes de hoje menos sábios do que os sábios de antigamente?”). A diferença fundamental da Maçonaria com a Mística é que esta trata da evolução do individuo quanto ao despertar e ao efectivo exercício das suas individuais potencialidades sobre-humanas, enquanto aquela trata de melhorar o indivíduo quanto à evolução das suas faculdades sociais.

Eis uma passagem de um típico texto místico, retirado de um famoso tratado aparecido em Altona, Alemanha, em 1785:

“O Omnipotente, Todo-Poderoso DEUS e SENHOR, Aquele Único que é Omnisciente e Verdadeiramente Sábio, deu ao Homem compreensão superior à de qualquer das Suas criaturas, para que este possa conhecer as Suas obras e não as deixar inexploradas. Ora, desde que este Homem, a quem o DEUS Omnisciente concedeu a inspiração e, assim, a descoberta desta alta e profunda Obra secreta e o grande segredo da antiga Pedra d’Água dos Sábios, ele deve provar-se na sua correcção. Se há algo na Terra que seja coisa natural, esta é a Preparação e o Magisterium da Pedra do Filósofo, natural, e não de fabricação do Homem, mas totalmente obrada pela Natureza, pois o Artista nada a ela acrescenta. Só a Natureza dirige o crescimento, como no caso de cada cultivador do solo com as suas frutas e plantas; só que ele deve ser de mente subtil e ter a graça de DEUS, para que a possa dirigir à medida que a obra se torna evidente na fervura e através dos tempos sucessivos: a saber, no princípio é o Subjectum, que se recebe da Natureza directamente nas mãos. Aí jaz oculta a Tintura Universal de todos os metais, animais e plantas. É um Corpus cru e rudimentar, sem contornos de animal ou planta, mas é no início uma substância áspera, terrosa, pesada, viscosa, dura e nebulosa, na qual a Natureza parou de obrar; mas quando o Homem esclarecido abre tais matérias, investiga em Digestão as densas e nebulosas sombras com as quais elas se cercam, ele as purifica, permitindo que o oculto emerja, e através de adicional Sublimação, a sua Alma mais interior, que ali fica escondida, também se separa e é trazida a uma forma corporal. Então será descoberto o que a Natureza tinha oculto em tal substância, que fora informe, e que poder e Magnalia o Supremo Criador deu a seu Creato e nele implantou”.

Agora uma típica passagem maçónica – retirada de um importante texto administrativo, assinado pelo Grão-Mestre Geral e outras autoridades maçónicas – que reflecte o fim último e essencial da Maçonaria enquanto Instituição (impresso no jornal O ESQUADRO, edição Outubro – 1997):

“Nós, Maçons do Mercosul, … , preocupados com a efectividade da integração, a preservação de valores fundamentais dos povos sul-americanos, e a superação dos antagonismos e diferenças regionais, consideramos na nossa análise, em especial, os aspectos a seguir mencionados. A globalização é um processo irreversível decorrente principalmente do conjunto de políticas e estratégias dos centros de poder económico que objectivam aumentar e aprofundar a sua capacidade de conduzir o relacionamento internacional, em todos os seus aspectos, a fim de satisfazer plenamente os seus objectivos nacionais ….. A criação do Mercosul representa uma resposta das nações do Cone Sul a estes desafios, que somente serão superados com a integração efectiva, não apenas económica, mas sobretudo tecnológica, cultural, política, educacional, através da preservação dos postulados da soberania, segurança e desenvolvimento de cada país, sem que haja prejuízo para o efeito multiplicador gerado pelo processo de aproximação do nosso países ….. O Mercosul não pode se limitar ao Cone Sul, a grandes empresas, às autoridades do poder central dos países-membros, mas deve fazer parte do dia-a-dia de todo e qualquer agente social, inclusive abrangendo toda América do Sul, realizando assim o sonho de Bolívar. Para que se efective a integração, recomenda-se ao povo maçónico que o Mercosul faça parte da agenda das Lojas Maçónicas, verdadeiros laboratórios sociais de homens livres preocupados com a construção de uma sociedade mais justa e perfeita…”.

Estes dois textos são suficientes para demonstrar em que a Maçonaria e o Misticismo se diferenciam essencialmente. Aqui é possível constatar de forma clara a meta individual e solitária do Místico em contraste com a finalidade social do Maçam. O Místico é, antes de tudo, um, por assim dizer, mago em busca do oculto pela natureza. E o Maçam é, antes de tudo, um, por assim dizer, guerreiro em pugna incessante com as mazelas sociais. Agora, se é possível um “Mago-guerreiro” ou um “Guerreiro-mago”, isso é opção particular de cada indivíduo que conheça e exercite as duas correntes, mas não características que permitam fundir ambas as Instituições numa só. Isso explica um extraordinário equívoco que grassa no meio maçónico – o que inclusive atrasa a Maçonaria quanto aos seus objectivos sociais – equívoco no qual nós próprios estivemos imersos quando nos perguntávamos, misticamente, o que tem a ver “creches“ e “políticas” e “hospitais” e “escolas” e “penitenciárias” e “Mercosul” e “nafta” e “projecto calha-norte” e “amazónia” e “independência do Brasil” a ver com o meu próprio desenvolvimento pessoal. Hoje é-nos claro que a Maçonaria, Fraternidade Iniciática, não tem maior sentido em desenvolver o indivíduo do que levá-lo a preocupar-se e a lutar por tudo isso. Todos os rituais maçónicos de iniciação expõem claramente ao neófito a essencial preocupação que o Maçam deve ter para com as questões sociais, motivo maior e meta suprema do seu desenvolvimento.

A Maçonaria não se orgulha de ter conseguido tal ou qual fórmula alquímica, nem de ter desenvolvido este ou aquele experimento místico que permita uma perfeita sintonia com o Cósmico. Mas orgulha-se, isso sim, em ter proclamado a Independência, a República, a Abolição da Escravatura, orgulha-se pelo facto do Maçom Bolívar ter lutado heroicamente, ao preço da própria vida (e é característica maçónica apenas tombar em pleno campo de batalha), pela libertação da América Latina, e por aí adiante. O Maçom é o heróico guerreiro que cavalga a bandeiras desfraldadas, por entre o troar dos canhões e o toque dos clarins. E, quando premiado (e adora ser premiado, ao ponto de instituir um regime especial de recompensas), faz questão de sê-lo perante os olhos de toda a humanidade, razão da sua luta. Nada mais contrário aos procedimentos místicos.

Tem razão a Maçonaria ou tem razão a Mística?

Maçons que bem conhecem ambas, parecem estar concordes que em algum ponto se completam. No mínimo coincidem, em última análise, no sincero interesse pelo progresso e bem-estar da Humanidade.

Por mim, estou convencido de que, misticamente, a Maçonaria e todo o seu método de ensinamentos constituem-se em apenas um degrau na senda do conhecimento esotérico. Porém um degrau especialíssimo, pois quem adentre uma Fraternidade Mística já havendo passado devidamente pelo primeiro Grau maçónico, o de Aprendiz (onde já se encontra toda a Maçonaria), vai de imediato entender coisas que outros talvez jamais alcancem. E é impressionante, e não por acaso, a quantidade de Maçons activos que constituem o corpo principal de outras grandes Fraternidades que possuem, estas sim, a Mística como fim.

Falar de uma “Maçonaria Mística” parece-nos algo simplório. Inclusive certos ritos maçónicos, nos seus “altos graus” (não há mais do que Três Graus maçónicos, e qualquer coisa além disso deve-se – ainda que conduza a uma melhor formação do cidadão tendo por fulcro a lenda de cada Grau – à dita “ânsia mística” antes explicada), tomam de empréstimo denominações, nomes e tentativas de práticas místicas que resultam em formidáveis equívocos que muito divertem os realmente entendidos em questões do verdadeiro misticismo, inclusive Maçons que por lá se encontram. Isto leva-nos humildemente a pensar – e os factos alimentam essa dúvida – se não seria melhor tais Irmãos, ao invés desses “altos estudos”, realizarem efectivamente, empregando melhor o seu tempo, os objectivos sociais maçónicos propostos exaustivamente nos Três únicos graus originados dos antigos construtores. Ou, se tais Irmãos, imersos numa profunda ânsia mística que lhes anima a busca por altos estudos (e a Maçonaria, conforme explicado, desperta-nos mesmo profundamente esse sentimento), melhor não fariam em, além de Maçons, afiliarem-se então a uma Fraternidade Mística para onde os conduzirá – e isto já é místico! – a intuição derivada da sinceridade das suas intenções.

À maneira dos Sonetos, cabe-nos tentar aqui uma “chave-de-ouro” a título de conclusão. A Maçonaria certamente não possui os ensinamentos que constroem a senda mística, mas indubitavelmente aponta para a estrada da Mística verdadeira. Melhor ainda, interessa-se e aceita dentro de si a pesquisa mística em toda a sua extensão, inclusive dando-lhe o seu integral apoio. A Maçonaria não é mística, mas é capaz de conter o misticismo integralmente. Pois, afinal, todos os estudos sinceros, de todos os géneros, estão automaticamente contidos no incomensurável axioma maçónico que apregoa a busca incessante da Verdade. Face à impressionante universalidade maçónica, não há como não concluir, com amor e espanto, que a singularidade da Maçonaria – eis a sua inimitável grandeza! – consiste no facto dela não ser um caminho (daí ser dificílimo explicar a Maçonaria para um não Maçom), mas sim “Horizontes para onde convergem e de onde partem todas as Auroras” (Maçom Rosacruz). E isso, milagrosamente, sem perder a sua identidade como Organização.

Com todas as actuais místicas que um dia serão ciências e com todas as actuais ciências que um dia já foram místicas, interessada em tudo que possa significar o progresso do género humano – e lutando contra tudo o que se opunha a isso! – a Maçonaria, albergando virtudes e vaidades de todas as espécies (pois cada pessoa nada mais somos do que uma mistura mutante desses dois ingredientes), é mesmo um fenómeno único daquele determinado espírito que faz com que a Humanidade avance, e, como Humana Instituição, talvez a mais perfeita e completa conquista jamais conseguida desde que o sol brilha sobre a face da Terra.

Passado devidamente pelo primeiro Grau maçónico, o de Aprendiz (onde já se encontra toda a Maçonaria), vai de imediato entender coisas que outros talvez jamais alcancem. E é impressionante, e não por acaso, a quantidade de Maçons activos que constituem o corpo principal de outras grandes Fraternidades que possuem, estas sim, a Mística como fim.

Falar de uma “Maçonaria Mística” nos parece algo simplório. Inclusive certos ritos maçónicos, nos seus “altos graus” (não há mais do que Três Graus maçónicos, e qualquer coisa além disso deve-se – ainda que conduza a uma melhor formação do cidadão tendo por fulcro a lenda de cada Grau – à dita “ânsia mística” antes explicada), tomam de empréstimo denominações, nomes e tentativas de práticas místicas que resultam em formidáveis equívocos que muito divertem os realmente entendidos em questões do verdadeiro misticismo, inclusive Maçons que por lá se encontram. Isso nos leva humildemente a pensar – e os factos alimentam essa dúvida – se não seria melhor tais Irmãos, ao invés desses “altos estudos”, realizarem efectivamente, empregando melhor o seu tempo, os objectivos sociais maçónicos propostos exaustivamente nos Três únicos graus originados dos antigos construtores. Ou, se tais Irmãos, imersos numa profunda ânsia mística que lhes anima a busca por altos estudos (e a Maçonaria, conforme explicado, desperta-nos mesmo profundamente esse sentimento), melhor não fariam em, além de Maçons, afiliarem-se então a uma Fraternidade Mística para onde lhes conduzirá – e isso já é místico! – a intuição derivada da sinceridade das suas intenções.

À maneira dos Sonetos, cabe-nos tentar aqui uma “chave-de-ouro” a título de conclusão. A Maçonaria certamente não possui os ensinamentos que constroem a senda mística, mas indubitavelmente aponta para a estrada da Mística verdadeira. Melhor ainda, interessa-se e aceita dentro de si a pesquisa mística em toda a sua extensão, inclusive dando-lhe o seu integral apoio. A Maçonaria não é mística, mas é capaz de conter o misticismo integralmente. Pois, afinal, todos os estudos sinceros, de todos os géneros, estão automaticamente contidos no incomensurável axioma maçónico que apregoa a busca incessante da Verdade. Face à impressionante universalidade maçónica, não há como não concluir, com amor e espanto, que a singularidade da Maçonaria – eis a sua inimitável grandeza! – consiste no facto dela não ser um caminho (daí ser dificílimo explicar a Maçonaria para um não Maçom), mas sim “Horizontes para onde convergem e de onde partem todas as Auroras” (Maçom Rosacruz). E isso, milagrosamente, sem perder a sua identidade como Organização.

Com todas as actuais místicas que um dia serão ciências e com todas as actuais ciências que um dia já foram místicas, interessada em tudo que possa significar o progresso do género humano – e lutando contra tudo o que se opunha a isso! – a Maçonaria, albergando virtudes e vaidades de todas as espécies (pois cada pessoa nada mais somos do que uma mistura mutante desses dois ingredientes), é mesmo um fenómeno único daquele determinado espírito que faz com que a Humanidade avance, e, como Humana Instituição, talvez a mais perfeita e completa conquista jamais conseguida desde que o sol brilha sobre a face da Terra.

Marden Maluf

O Maestro Mardem Maluf, obreiro da ARLS Miguel Archanjo Tolosa, é fundador dos Projectos Sinfónicos e das Classes Musicais do Grande Oriente do Brasil.

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