Por que o Iniciado desiste de seguir adiante na Jornada Maçónica?
- As razões que levaram o seu Apoiante limitaram-se ao facto de ser apenas um bom amigo, colega de trabalho…?
- Houve preocupação se ele, candidato, teria condições intelectuais para interpretar o simbolismo maçónico e a sua filosofia?
- Seria ele, candidato, capaz de cumprir com presteza as obrigações maçónicas inerentes ao seu Grau?
- Perante à Ordem Maçónica, o Apoiante tem respondido pelo seu candidato até à sua Exaltação a Mestre Maçom?
Na maioria das vezes, quem acolhe um candidato se esquece de salientar que a Jornada Maçónica será sempre para dentro de si mesmo; que ninguém vai substituir a sua responsabilidade de se auto-lapidar para se tornar melhor e, consequentemente, ser útil ao próximo.
A busca pela essência
Se não sabemos de onde viemos, quem somos e para onde vamos, fica impossível seguir adiante. Daí surge o grande anseio do Neófito querer conhecer rapidamente tudo em volta, dogmatizando símbolos materiais, sem ao menos interpretá-los; construindo atalhos que lhe permitam acesso rápido ao “suposto” topo da Escada de Jacob; à conquista de uma Comenda de Mérito; à uma insígnia dos Graus Superiores e, até mesmo, insinuar que está preparado para ocupar um cargo importante.
Como bem afirma o Irmão e Dr. Joseph Fort Newton [1]: A Maçonaria não oferece soluções, mas sim oportunidade de o Homem, feito Maçom, identificar a Centelha Divina que habita o seu ser, fazendo renascer aquilo que mais o aproxima do seu Deus, o Grande Arquitecto do Universo; o seu amor pela verdade, a sua devoção ao dever, a sua disposição de entender e ajudar os desprovidos de possibilidades de viver dignamente, assumindo parte da responsabilidade de “Tornar Feliz a Humanidade”.
O símbolo VITRIOL
O convite que sugere o símbolo VITRIOL [2], já no primeiro contacto que temos com a Ordem Maçónica, quando recolhidos à Câmara de Reflexões, deve ser reiterado de tempo em tempos: levando-nos a pesquisar a nossa essência, escutar a nossa alma, contactar o nosso EU mais profundo, verdadeiro, além da matéria que o reveste; fazendo-nos escavar a Pedra Oculta no mais íntimo do nosso Ser; levando-nos a renovar solene compromisso para com Deus, para com a Pátria, para com a Família e para connosco mesmos.
A importância da auto-reflexão
Só assim teremos oportunidade de nos auto-rectificarmos, lapidando as asperezas, eliminando os nossos vícios, polindo os nossos costumes e a nossa moral, para que possamos voltar à sociedade de tal sorte que sirvamos de sustentação para um mundo melhor, solidário e fraterno.
A sabedoria tem sido preterida por um emaranhado de informações desencontradas, densas em equívocos e vazias em conteúdo; embora a tecnologia esteja aí para somar, a ausência de ética na sua aplicação coloca em xeque aonde vamos chegar. É necessário que o Neófito seja motivado, pelo exemplo, a retornar à sua essência, como propõe o VITRIOL, e ali resgatar algo que está faltando para a sua completude como ser humano. Só assim será possível contribuir para a Edificação Social.
Muitas vezes, esta travessia em busca de si mesmo torna-se incómoda, expõe camadas que já haviam sido mal sepultadas, implica resiliência, desapego, humildade e coragem. Daí a necessidade da presença do Apoiante, como exemplo a ser seguido. Em que pese o facto de alguns apoiantes pouco deterem do que possa servir de exemplo, deixando o Neófito à deriva; é neste trecho que ele pula fora do barco.
Orlando de Oliveira Reis, MI, (orlandoreis.1942@gmail.com) – Loja “Pedreiros da Liberdade” n° 79 – GLSC – Florianópolis -Santa Catarina Brasil
Notas
[1] Irmão Dr. Joseph Fort Newton, pastor presbiteriano, escritor, que pertenceu ao quadro da Loja Friendship nº 7, em Dixon, Illinois, USA, onde foi Mestre Maçom em 1902.
[2] VITRIOL – Visita Interiora Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem, ou seja: “Visita o Interior da Terra e, Rectificando-te, Encontrarás a Pedra Oculta”.
