Mensagem ao iniciado
A palavra iniciação, que quer dizer “ingressar, começar”, é a porta que conduz ao ingresso num novo estado moral e material.
Enquanto profano, só concebe os aspectos do mundo exterior, do ambiente em que se vive, o iniciado atinge um novo estado de consciência, entrando pelos caminhos da Sabedoria, da Fraternidade e da Virtude, na busca constante, que sem dúvida alguma se reflectirá no mundo interior e, por que não dizer, na sua convivência com o mundo profano.
Para os antigos, o primeiro grau de iniciação era o emblema da Primavera ou daquilo que despertava a vida. Na ordem moral, esse grau representa a infância, época em que a vida começa a se desenvolver, em que todas as faculdades germinam e o entendimento e as forças se exercitam. É assim que a primeira educação que o aprendiz recebe é feita por sinais que nada mais são que a primeira manifestação do entendimento humano, seguida do mecanismo da linguagem, por meio dos elementos da leitura, primeiro estágio da nossa inteligência e primeiro passo no estudo e na instrução.
A Maçonaria, uma ordem Iniciática e Esotérica, tendo como lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, cujos segredos são, na realidade, os sinais, toques e palavras, alguns dos quais já lhes foram ensinados.
O objectivo da Iniciação é, na verdade, provocar um verdadeiro Impacto no candidato, sendo mais importante atingir o seu interior do que propriamente avaliar a sua coragem.
O ditado diz:
“Pela árvore se conhece os bons frutos”
É evidente que os irmãos não irão mudar os seus hábitos, pois não se muda a maneira de ser, apenas tentando incutir-se responsabilidade em alguém. E por estarem participando da nossa sublime ordem, conhecemos as vossas condutas de homens livres e de bons costumes.
É necessário que o Iniciado sinta esta responsabilidade e se aperfeiçoe mais e mais, a Maçonaria oferece os instrumentos necessários ao vosso aperfeiçoamento interno, o tão decantado desbaste da pedra bruta, mas para isto terá de ser começado silenciosamente e artesanalmente pelo próprio irmão.
É de capital importância saber que, ao ingressar na Maçonaria, a Irmão passa a fazer parte de uma grande família, que é universal e se achando em qualquer parte do mundo, embora a diferença de idiomas, religiões, etc., nunca estará sozinho, bastando identificar-se por sinais e toques, evidentemente, cercados da maior cautela e discrição.
É nessa cautela e discrição que está inserido o Silêncio, que é exigido durante todo o período de aprendiz em Loja, ou seja, o aprendiz não fala em Loja e em toda a sua vida sobre tudo aqui tratado, no mundo profano.
Assuntos tratados, discutidos e encampados pelos maçons, não são transferidos à toda sociedade ou no meio em que este participa. Para formalizar e responsabilizar os membros da nossa sublime ordem, ao final de cada sessão, faz-se o juramento sobre o mais absoluto silêncio de tudo que aqui se viu e se ouviu.
O silêncio absoluto é exigido aos iniciados desde a mais remota antiguidade. O homem que fala demais, em geral, não reflecte e, consequentemente, carrega no seu bojo a imprudência. No homem acostumado à meditação, é natural a busca do isolamento e da reflexão, esta atitude proporciona o começo do domínio de si mesmo, alcançando, pois, o domínio do pensamento. É correcto dizer que é muito difícil a Verdade e a Virtude acompanharem um homem de muitas palavras. É necessário então que aprendamos a calar para podermos aprender a pensar, para então, finalmente, aprendermos a falar. Neste pensamento, está resumido o motivo pelo qual o aprendiz não fala em Loja, até terminar o seu necessário tempo neste grau.
É fundamental também, saber que o Maçom não é conivente com os desmandos. Não tolera a vilania, a mentira, a falsidade. Não postula, jamais, cargos ou honrarias, estando, ao contrário, sempre pronto a servir quando solicitado. Não pactua com inescrupulosos e desonestos. É apóstolo da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, nobre trilogia em cujas bases se assenta a filosofia maçónica. Ama a sua família e dela participa. Traça para si uma norma de conduta e dela não se afasta, pois tem sempre presente a moral e a honradez. Pratica a caridade em silêncio, para não cobrir de vergonha quem a recebe. E se sente feliz por ser igual a todos os demais, sejam quais forem os seus títulos ou meio de vida, honesto e produtivo. Também é de dever socorrer o irmão quando necessitado. Partilhar do seu luto e participar das suas festas.
Se tudo isto for ensinado ao neófito e, principalmente, demonstrado pelo exemplo, durante a sua fase de adaptação, conseguir-se-á mais um valoroso obreiro para a construção de um mundo melhor, mais justo e perfeito, e não irá pensar este novo Irmão que o seu ingresso nesta milenar Instituição somente lhe trará vantagens pessoais ou profissionais, pois se assim pensar, jamais poderá dizer-se Maçom, pois se ele entrou para a Maçonaria com este objectivo, jamais a Maçonaria entrará no seu coração.
Entre o mundo profano, representado pelo estado de cegueira em que estivestes e o Universo Maçónico do interior do Templo, havia um grande obstáculo a ser vencido. Era a Porta do Templo, linha divisória entre esses dois mundos e na qual batestes ansiosa e desordenadamente, provocando apreensão no interior do Templo. Afinal, vencidas todas as barreiras, agora que sois de facto nossos Irmãos, a Porta do Templo se escancara. Com ela, abrem-se também os nossos braços e os nossos corações, para recebê-los com segurança e com carinho e assim bebermos, todos juntos, a água cristalina da verdadeira Fraternidade, esta Fraternidade que nos foi ensinada pelo Grande Iniciado de todos os tempos:
“Buscai e achareis a Verdade; Pedi e vos será dado a Luz; Batei e abrir-se-vos-á a Porta do Templo”.
No decorrer das nossas vidas, haveis de deparar com outras portas. E todas elas hão de se abrir sempre, se ali estiver um Verdadeiro Maçom.
Para finalizar, eu, particularmente, muitas vezes não estou tão preocupado com certos sinais ou conhecimento de todos os enigmas e dogmas que nos cercam, mas muito mais preocupado com que a Maçonaria, através da sua imensa e inesgotável sabedoria, consegue me transformar interiormente, me capacitando para uma vida de harmonia comigo mesmo e com o próximo. Desejo aos nossos Irmãos iniciados que tais factos ocorram nos vossos corações também.
Sejam bem vindos, Irmãos.
Luiz Antonio Palladini, ARLS:. Luiz Balster nº 6 – Caçador – SC
