O Simbolismo das Velas
Quando uma vela é acesa, ela faz parte de um ritual onde deve existir uma forte concentração mental, pois haverá um processo de intervenção especial atendendo a um desejo, uma promessa, invocação, fins religiosos ou ainda intuitos mágicos.
Se analisarmos que quando estamos no interior de um Templo maçónico, na verdade estamos buscando a harmonização do nosso Templo interior, com a necessidade de vencer, com sinceridade e humildade, paixões e emoções, num momento de recolhimento e reflexão no mais íntimo do nosso ser, em busca do nosso Eu interior, tentando com isso encontrar a verdadeira LUZ.
Esta LUZ, esta luz que buscamos incessantemente, tem como objectivo a Vida e a Evolução na construção do nosso Templo Interior, lapidando a pedra Bruta na mais perfeita pedra Polida, por intermédio da argamassa mística que no quotidiano tentamos vencê-la através de actos e pensamentos.
A vida faz-nos vários chamamentos para acordarmos espiritualmente, de muitas maneiras: através da dor, da doença, na perda de um ente querido, na felicidade, ou ainda por meio da nossa própria intuição.
Temos a livre escolha para decidirmos entre as flores ou espinhos durante a nossa caminhada, tal escolha dar-nos-á a experiência e sobriedade. Talvez por tudo isso, só alguns se tornem aptos para caminhar e atingir a tão buscada perfeição.
Nos nossos trabalhos lidamos com Energia, e essa, é representada pela utilização das velas durante os nossos cerimoniais. Simbolicamente, a LUZ sempre representou o poder do BEM, para a humanidade, em contraste a escuridão significa ignorância, maldade e apego ao materialismo. Acreditamos que toda pessoa contenha, dentro de si, uma centelha de luz divina, que possa ser estimulada até se tornar a chama da grande espiritualidade.
Os antigos associavam a alma imortal a chama de uma vela, que tremulando nas trevas de mundo cercado pela obscuridade profana, poderia sofregar por uma brisa suave ou então pela quietude ou tranquilidade se ergueria majestosa e firme.
Este efeito mágico simboliza que, quando uma vela é acesa, ela faz parte de um ritual onde deve existir uma forte concentração mental, pois haverá um processo de intervenção especial atendendo a um desejo, uma promessa, invocação, fins religiosos ou ainda intuitos mágicos. A maioria de nós já teve na infância um ritual com velas, na maioria das vezes sem consciência, o dia para tal ritual seria sem sombra de dúvida, o dia do nosso aniversário, que representa o dia em que a nossa alma se materializou no plano físico. Vale tudo para estarmos em harmonia consigo mesmo, até o simbolismo de apagar as velinhas do seu aniversário. A força da sua vontade faz o sonho realizar-se. Não importa a religião, pois para o ritual das velas, é necessário usar a força da própria vontade, o desejo e o poder da própria mente para obter os resultados esperados, ou melhor, dizendo àqueles que o GADU a assim acha que possa merecer.
Para um cerimonial das velas, devemos adoptar ou conhecer alguns quesitos que deverão ser observados, tanto na confecção quanto no uso delas. Segundo os mais esotéricos e místicos, o tamanho e formato não são preponderantes para o sucesso do ritual. Neste ritual é importante ter em mente que as velas a serem utilizadas devem ser novas, não sendo aconselhável a utilização de velas que tenham sido utilizadas noutros rituais.
Existe uma razão esotérica muito forte para esta insistência, pois as vibrações captadas nas outras reuniões, carregadas pela egrégora de forma- pensamento, estão impregnadas nas velas que estarão sendo reutilizadas. O ideal é que fossem confeccionadas com 100% de cera pura, porém teríamos o alto custo, então aceitou-se o adicionamento de éster esteriático da glicerina; a matéria de que é feita a vela, deveria ser tão pura quanto natural, e só a cera de abelha corresponde a estas características e que fosse confeccionada pelo elemento que fosse reacender a CHAMA SAGRADA, porém se torna inviável nos dias de hoje, pois com o corre-corre do dia-a-dia, não há tempo disponível para tanto perfeccionismo, e também corre-se o risco da pessoa que a confecciona transmita para ela as suas vibrações pessoais que podem estar “boas” ou “ruins”, ou seja, transmitirá as suas vibrações e/ou estendendo os poderes da sua mente para a vela.
Um detalhe, que deve ser levado em consideração é a concentração, pois para que o resultado possa ser obtido, aumentando a responsabilidade do Mestra de Cera na sua função. Por isso, que quando reunimos o Mestra da Harmonia, o Arquitecto e o Mestra de Cerimonias, antes da abertura dos trabalhos para reanimar a “CHAMA SAGRADA”, deve haver o mais profundo silêncio e a maior concentração possível, para que consigamos dar início ao compromisso assumido quando da iniciação.
Outro detalhe, que nos esquecemos, é a utilização de fósforos e não qualquer outro tipo de acendedor. Este deve de preferência, não conter enxofre, deveríamos utilizar uma vela intermediária, de maneira a transmitir o “fogo” puro para a vela que estará acesa durante toda a Sessão. Tanto a chama como a vela, devem ser o mais pura possível para a perfeita transmissão das vibrações e desejos projectados durante o transcorrer dos Trabalhos.
Do mesmo modo recomendamos apagar a vela sempre com o “apaga – luzes” sem jamais soprá-la, para que não seja contaminado o “fogo sagrado” com o seu hábito impuro.
Uma vez preparadas as velas, tanto no “plano físico” como no “plano mental”, precisamos Ter em mente o propósito que deveremos trabalhar; o ritual das velas pode ser executado para superar maus hábitos, limpar atmosferas perturbadas, protecção contra forças negativas, reconquistar a saúde perdida, bem como desenvolver poderes psíquicos. Um dos mais importantes requisitos ao acender uma vela é a sua cor.
Nas Sessões maçónicas deveremos utilizar somente velas branca ou amarelas, pois a interpretação da cor Branca – significa a pureza, a espiritualidade, e as aquisições mais elevadas da vida, que podem ser atingidas pelo homem aperfeiçoado; da cor Amarela – intelecto, imaginação, poder mental, espiritualidade, sabedoria, verdade, criatividade artística, encanto e confiança.
Talvez não consigamos efectuar todos os detalhes, requeridos por esta ou aquela condição, mas devemos preocupar-nos com a essência do ritual para assim, conseguirmos o objectivo a ser alcançado.
João Teixeira Varandas, M. I.
