Freemason

Maçonaria e corrupção: qual a nossa responsabilidade?

✍️ Desconhecido 📅 07/02/2022 👁️ 10 Leituras

responsabilidade

Ser responsável é ser activo, participativo e proactivo.

Sendo parte do todo, temos responsabilidade pelo todo.

O que vejo nesta Instituição secular, é um foco interno. Focamos os nossos problemas, a nossa integração, a nossa egrégora. Preocupamo-nos com a parte, como se não pertencêssemos ao todo.

Somos maçons, vamos às reuniões com frequência variável e, sem receio de errar, duvidosa priorização.

Remexemo-nos nas cadeiras, esquecendo a postura, impacientes. Somos estimulados a visitar Lojas coirmãs, sempre pensando na integração. Até falamos de filantropia. Depositamos “moedas cunhadas”, fazemos discursos, damos avisos e terminamos a reunião.

Vamos aos ágapes. Alguns conversam sobre política, desporto, reclamam do governo e ocasionalmente discutem algo da Instituição; outros se divertem em alguma actividade lúdica.

Olhamos o relógio; hora de irmos!

Acabou a nossa participação até a próxima reunião.

Estou sendo injusto com os que exercendo cargos, devem pensar, reunir-se e programar.

Não terminamos aí a nossa participação. Mantemos uma eventual integração nas conversas tipo “feiras livres” das redes sociais, com textos, áudios e vídeos de variados conteúdos; divertidos, deprimentes e alguns enfrentamentos; até circulam notícias envolvendo os “mal feitos” dos homens não tão públicos, pois, embora exerçam função pública, preocupam-se unicamente com os seus interesses.

E finda a responsabilidade da maioria.

A Maçonaria é um todo fechado em si mesmo ou faz parte do todo, com a sua óbvia parcela de responsabilidade?

Esta responsabilidade se esgota em atitudes ou acções filantrópicas pontuais, individuais ou de entidades criadas nas nossas hostes e que assumindo as nossas responsabilidades livram-nos dos compromissos?

Lavamos as mãos, como conhecida e antiga história?

Ah… história! Contam-nos os historiadores maçónicos feitos antigos.

Participação em eventos chaves da história brasileira e mundial. Maçons ilustres são peças capitais ou mesmo artífices de verdadeiras revoluções. E vivemos como arautos do rei, replicando aos mais jovens.

Criamos expectativas nestes jovens maçons. Contudo, logo aprendem a rotina, ficando satisfeitos por participarem de um grupo tão divertido e amigo. Somos irmãos!

Escrevem alguma peça de arquitectura, abordando a nossa ritualística ou aspectos filosóficos e, menos frequentemente, temas de interesse da sociedade. Recebem elogios e arquiva-se. Seguimos em frente.

Temos responsabilidades com a Instituição em primeiro lugar e com o obreiro, em segundo. Ou seja, aquela máxima: aperfeiçoemos o homem e estaremos, consequentemente, aperfeiçoando a sociedade.

Terminamos aqui. A nossa responsabilidade é aperfeiçoarmos integralmente o homem Maçom para que actue no edifício social seguindo ditames éticos rígidos. Esta boa nova criará a sociedade ideal!

Não temos, pois, responsabilidades no combate aos “mal feitos” dos que não tiveram a oportunidade de cursar esta faculdade do bem.

A corrupção não é, pois, responsabilidade da Maçonaria!

Esta abordagem, propositalmente sarcástica é para despertar indignação e revolta, bradando-se bordões de injustiça, desfaçatez e oportunismo, beirando insubordinação.

Indignação, contudo, é pensar que esta Instituição de força descomunal fica atada a trâmites burocráticos internos e externos, exigindo comportamento de franquia cuja matriz, lá fora, só exige.

Indignação é entender que a Maçonaria, apesar de algumas iniciativas pontuais de entidades relacionadas, não demonstra preocupação objectiva e não tem, a meu conhecimento, qualquer planeamento para actuação efectiva nos problemas da sociedade brasileira, como nos contam as “histórias” do passado.

A Maçonaria é o que é secularmente e não necessitaria da criação de novas pessoas jurídicas para fazer o papel que é intrinsecamente dela.

Absolutamente não!

Embora, seguramente, venhamos a ter escritores e textos brilhantes, esta iniciativa não se deveria limitar a escolher e premiar uma “redacção”, arquivando contribuições.

A multiplicidade de ideias é uma das forças desta Instituição. Então, que não se resuma ao reconhecimento das belezas e fluidez linguísticas dos textos, mas sim e especialmente, aos seus conteúdos contributivos.

Poderíamos mudar o futuro da participação maçónica nas mazelas sociais da nossa Nação. É esperançoso trabalho!

Não aceito que se questione a nossa responsabilidade quando o tema é corrupção. Estou convicto que a pergunta deveria ser: Porque não fazemos o que deveríamos fazer para amenizar os efeitos deste cancro social?

Afinal estamos ou não intrinsecamente ligados à sociedade? Somos ou não parte deste todo?

Se estamos e somos, obviamente a nossa responsabilidade é intrínseca!

Não há o que questionar! A nossa responsabilidade é directa e irrefutável.

Qual o resultado objectivo de passeatas vestindo aventais e colares (medalhas também?), enquanto seguramos alguma faixa alusiva? E de expressarmos energicamente posicionamentos nas redes sociais em geral? E de espalharmos outdoors com frases de impacto? E de patrocinarmos publicações de textos indignados, fortes, categóricos e com certo ar ameaçador, como se isto provocasse receios em grupos envolvidos nos “mal feitos”? Há ainda as correntes mediáticas: antes e-mails; hodiernamente, a feira de vídeos e mensagens no “WhatsApp“; indignações, impropérios contra políticos, etc.; afora as “fakes news” ou “hoax” repassados sem qualquer verificação.

Repassamos e pronto! Dever cumprido! Contribuímos e exercemos a nossa cidadania!

O que a Maçonaria tem feito para ajudar e apoiar efectivamente os que combatem os horrores criminosos de políticos e administradores públicos?

Em nome da manutenção da egrégora interna (nós antes de tudo!), considerando possíveis facções políticas existentes nas nossas hostes, alheamo-nos evitando insatisfações de poucos.

A Maçonaria tem algum planeamento de acções efectivas para combater a corrupção?

Apoiar? Ah, sim! Até “apoiamos o Observatório Social”!

Insisto, criamos ou apoiamos instituições que fazem o papel que intrinsecamente é nosso, da Maçonaria!

Seja nas acções relacionadas à fraternidade, na luta pela diminuição da desigualdade social ou na preservação da liberdade, diuturnamente ameaçada.

Qual a nossa responsabilidade no combate a corrupção? Arrisco-me a dizer que no máximo fica arrolado como item bem-intencionado no programa das administrações maçónicas.

Somos uma organização social que reúne, acredito plenamente nisto, homens livres e de bons costumes. Mas seguramente desinteressados ou desmotivados.

A Maçonaria como Instituição não estabelece metas instruindo e estimulando a participação dos seus membros com programas discutidos e aprovados no seu seio.

Não podemos aceitar que iniciativas pessoais por coincidência temporal, pelo exercício de postos chaves no edifício social ou por interesses individuais ou colectivos dos mais variados matizes, mesmo considerando a sua boa natureza, sejam arroladas como “obra maçónica”.

A Instituição, através das suas lideranças, deveria estimular a discussão dos grandes temas que afectam impiedosamente a sociedade brasileira.

É assim que nos vamos integrar; perdoe-me, mas não é em festas e jantares ritualísticos; é no sentimento de ser útil que crescerá o orgulho de ser Maçom.

A Maçonaria e o GOB/SC, por resumo, deve ser a indutora de acções; mentora de programas que busquem a efectiva participação no abrandamento das mazelas sociais desta Pátria amada, através dos inúmeros especialistas nas mais variadas áreas do saber que nela labutam e que hoje, apenas participam comodamente de reuniões e ágapes.

A regra actual é participarmos na necessidade e não por planeamento.

Ou seja, envolvimento sem comprometimento.

O GOB/SC tem mais de 160 Lojas espalhadas pelos municípios deste Estado, com quase 5000 membros. É uma força abrangente e considerável!

Sabemos quantos engenheiros, arquitectos, advogados, políticos, médicos, enfermeiros, tecnólogos da informação, publicitários, escritores, artistas plásticos, educadores, administradores, policiais, bombeiros, juízes, promotores, etc., temos nas nossas hostes?

Se estes números são conhecidos, não são divulgados e nem aproveitados.

Podemos e devemos utilizar esta força sem necessidade de criarmos outras pessoas jurídicas utilizando o nome da Maçonaria.

Que não o utilizemos em vão!

Poderíamos ter planos e planeamentos para a Educação, Saúde, Segurança, etc., e ainda, combatermos firme e objectivamente a corrupção.

É nosso dever social! É nossa responsabilidade! Não há “qual”, há “toda nossa” responsabilidade.

Como exemplo desta dificuldade, deixando ao lado discussões de detalhes comportamentais, relembro que em 2004, membros da ARBLS Palmeira da Paz iniciaram movimento que resultou na entidade que se tornou conhecida no Estado, dentro e fora da Maçonaria: a AMASANTA (Associação dos Amigos de Santa Catarina). Enquanto existiu, inúmeras acções objectivas foram realizadas no intuito de criar uma mentalidade na Maçonaria e na sociedade de combate à corrupção. Na época falava-se de “Operação Mãos Limpas” na Itália. Nem imaginávamos uma “Lava a jacto”.

Em 2009 expusemos ao GOB/SC um apelo: “AMASANTA, passado e futuro – Constructo de uma Marca”; ali apontávamos dificuldades, desafios e formas de enfrentá-los; a ideia fundamental era criar condições necessárias para actuação estadual municipalizada, ou seja, uma AMASANTA em cada município ou ainda, “pensar estadual e agir local”. Imaginávamos cada Loja ou grupo de Lojas fiscalizando in loco as actividades públicas e privadas relacionadas ao sector público, com apoio e disseminação das informações para todo o Estado.  Era um sonho grande; talvez grande demais para obtermos o apoio logístico necessário dentro da Instituição.

Em Abril de 2011, foi realizada a reunião de encerramento das actividades da AMASANTA que nasceu e morreu melancolicamente na Maçonaria com muitos envolvidos e poucos comprometidos.

Esta é uma das maiores responsabilidades da Maçonaria: adoptar iniciativas que impliquem em trabalho colectivo para o bem da sociedade e com isto criar motivação individual e grupal; criar a ideia de que se participa de uma Instituição actuante na questão pessoal sem, contudo, desligar-se da sociedade a que pertence!

Dela somos oriundos, dela somos parte e fora dela nada somos.

Como grupo heterogéneo com educação privilegiada e saberes acumulados em todos os sectores, as nossas responsabilidades são conhecidas, portanto, claras e óbvias.

Basta que escolhamos nossas prioridades com visão fraternal, sem apegos, mas com organização, vontade e planeamento.

A discussão não é “qual a nossa responsabilidade”, mas sim, quando e como vamos efectivamente exercê-la!

Walter Roque Teixeira – GOB – GOB/SC – CIM 184.372 – ARBLS Palmeira da Paz nº. 2121, Oriente de Blumenau – Santa Catarina – Brasil

Artigos relacionados

Sugestões de Estudo