Fernando Pessoa – uma apologia da Maçonaria portuguesa (III)
(Continuação – Ligação para a Parte II)
Actuação internacional e a divisão da Maçonaria
Sobre a actividade ou a actuação internacional da Maçonaria, Fernando Pessoa traça primeiramente uma estimativa, um tanto que por alto, da quantidade de maçons então existentes no mundo. Procura também destacar claramente as regiões do globo onde mais se concentrariam e a divisão das diversas Potências Maçónicas em actuação no ano de 1935:
“(…) Existem hoje em actividade, em todo o mundo, cerca de seis milhões de maçons, dos quais cerca de quatro milhões nos Estados Unidos e cerca de um milhão sob as diversas Obediências independentes do Império Britânico. Assim, cinco sextos dos maçons hoje em actividade são maçons de fala inglesa. O milhão restante, ou conta parecida, acha-se repartido pelas várias Grandes Obediências dos outros países do mundo, das quais a mais importante e influente é talvez o Grande Oriente de França.(…)” (Idem).
Em seguida, procurando explicar o facto de a Maçonaria apresentar-se dividida em potências que são independentes entre si, Fernando Pessoa registra e enfoca também o facto de que muitas destas potências existentes não manterem um contacto e uma maior ligação e relacionamento entre si. Procura desta forma destacar também, o facto de que algumas potências e obediências maçónicas, facto que se mantém ainda hoje, não reconhecerem a existência de outras potências. Noutras poucas palavras, Fernando Pessoa discorda, chegando mesmo a duvidar de maneira bastante aberta e bastante clara da existência de um acordo internacional maçónico, boato ou lenda que de tempos em tempos ressurge sob a forma de propaganda, visando as mentes mais incautas. Afirmações estas, que eram usadas pelos perseguidores e opositores da Maçonaria:
“(…) As Obediências maçónicas são potências autónomas e independentes, pois não há governo central da Maçonaria, que é por isso menos “internacional” que a Igreja Romana. Há Obediências maçónicas que poucas relações têm entre si; há até Obediências que estão de relações suspensas ou cortadas (…) a Maçonaria necessariamente toma aspectos diferentes – políticos, sociais e até rituais – de país para país, e até, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência se houver mais que uma. (…)” (Idem).
Fernando Pessoa destaca ainda as diferenças de pensamento e ideologia que existia entre os maçons da já distante década de 1930, mas que de uma certa maneira ainda hoje chegam a existir. Ele faz uso, como um exemplo que se apresenta de maneira extremamente eloquente, o caso que era representado pelas três Obediências independentes que havia àquela época em França. Devemos procurar salientar também que estas diferenças eram bastante e profundamente acentuadas:
“(…) Há em França três Obediências independentes – o Grande Oriente de França, a Grande Loja de França (prolongada capitularmente pelo Supremo Conselho do Grau 33) e a Loja Regular, Nacional e Independente para França e as suas Colónias. O Grande Oriente é acentuadamente radical e anti-religioso; a Grande Loja limita-se a ser liberal e anticlerical; a Grande Loja Nacional não tem política nenhuma. Dou outro exemplo. O Grande Oriente de França tem uma grande influência política, mas, excepto através dessa, pouca influência social. A Grande Loja de Inglaterra não se preocupa com política, mas a sua influência social é enorme. (…)” (Idem).
Porém, apesar da Ordem Maçónica estar e normalmente apresentar-se materialmente dividida, a sua união espiritual é também indiscutível sendo que é plenamente e facilmente identificável:
“(…) O espírito dos rituais, e sobretudo o dos Graus Simbólicos (nos quais, e sobretudo no Grau de Mestre, está já, para quem saiba ver ou sentir, a Maçonaria inteira), é o mesmo em toda a parte, por muitas que sejam as divergências verbais e rituais entre graus idênticos, trabalhados por Obediências diferentes. Em palavras mais perspícuas, mas necessariamente menos claras: quem tiver as chaves herméticas, em qualquer forma de um ritual encontrará, sob mais ou menos véus, as mesmas fechaduras. (…)” (Idem).
Esta união espiritual ligada por princípios morais e éticos, é destacada e tornada evidente, quando algum perigo grave ameaça a existência e a sobrevivência de alguma das diversas Potências existentes, atingindo por extensão o conjunto e o Universo da Ordem Maçónica, que é considerada Universal justamente por esta sua união espiritual, moral e ética:
“(…) Resulta desta comunidade de espírito profundo, deste íntimo e secreto laço fraternal, que ninguém quebrou nem pode quebrar, que uma Obediência, ainda que tenha poucas ou nenhumas relações com outra, não vê todavia com indiferença o ser esta atacada por profanos Os maçons da Grande Loja de Inglaterra não têm, como disse, relações com os do Grande Oriente de França. Quando, porém, recentemente surgiu em França, a propósito dos casos Stavisky e Prince uma campanha antimaçónica, de origem aliás ultra-suspeita, a vaga simpática, que potencialmente se estava formando em Inglaterra pelos conservadores que atacavam o Governo Francês, desapareceu imediatamente. O Times, conservador mas acentuadamente maçónico, relatou as manifestações contra o Governo Francês com uma antipatia que roçou pela deturpação de factos. E há muitos casos semelhantes, como o de certo escritor maçónico inglês, que nos seus livros constantemente ataca o Grande Oriente de França, mudar completamente de atitude ao responder a uma escritora inglesa antimaçónica, que afinal dissera pouco mais ou menos o mesmo que ele tinha sempre dito. Nisto tudo, que serviu de exemplos, trata-se de coisas de pouca monta, simples campanhas de jornal, e por certo de atitudes espontâneas e individuais da parte dos maçons que as tomaram. Quando porém se trate de factos maçonicamente graves, como seja a tentativa, por um governo, de suprimir ou perseguir uma Obediência maçónica, já a acção dos maçons não é tão individual, e isolada, nem se resume a uma maior ou menor antipatia jornalística. (…)” (Idem).
Os elementos que compõem a Maçonaria
A respeito da união de princípios compartilhados pelas diversas Potências Maçónicas, podemos concluir como o escritor português também assim o fez e colocou, que a Maçonaria se compõe de três elementos:
- O Elemento Iniciático
- O Elemento Fraternal
- O Elemento Humano
São estes três elementos que, uma vez considerados comuns a Ordem Maçónica, a tornam uma instituição espiritualmente, doutrinal e até mesmo ideologicamente unida e coesa. Elementos estes que devidamente analisados podem ser considerados como os factores da profunda coesão da Maçonaria:
“(…) A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita, portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto à atitude social, diferentemente. Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como, aliás, qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia – a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama “doutrina maçónica” são opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São diversíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Athur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos anti maçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má-fé. (…)” (Idem) .
Fernando Pessoa coloca-nos mais uma vez que a Maçonaria, apesar de se encontrar unida espiritualmente, encontra-se também do ponto de vista material e institucional profundamente dividida. O escritor aproveita-se desta particularidade para concluir e apontar esta evidência para novamente apontar um outro erro estrutural dos anti maçons, o facto de ainda àquela época, como hoje ainda acontece, a acção social da Maçonaria apresentar e sofrer profundas variações de país para país, de um contexto histórico para um outro contexto histórico, em função das circunstâncias do ambiente e do tempo em que estas acções venham a ocorrer:
“(…) A sua acção social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afectam a Maçonaria como afectam toda a gente. A sua acção social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue de aqui que nenhum acto político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da Maçonaria em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode porvir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou. (…)” (Idem) .
É esta doutrina espiritual que se encontra unificada nos seus diversos princípios que tornam a Maçonaria uma Instituição Universal. Porém quanto às suas posições políticas, como já citadas, sofrem profundas variações de Potência para Potência Maçónica e de Maçon para Maçon. Estas variações de posições são ditadas pelas especificidades e condicionamentos variáveis de cada época e lugar. Segundo a opinião expressa por Fernando Pessoa, não teria muito cabimento julgar pessoas e principalmente instituições pelas suas acções num passado remoto, como não caberia julgar alguém pelos erros dos seus familiares desenvolvidos em outros países. O não entendimento deste particular detalhe faz com que, na opinião de Fernando Pessoa, as campanhas antimaçónicas sejam fadadas inevitavelmente ao fracasso, a desconsideração e ao descrédito e mesmo ao escárnio por parte daqueles que são detentores de um mínimo que seja de cultura. Talvez seja esta conclusão que tenha levado Fernando Pessoa a escrever este artigo, na nossa opinião, expondo a ignorância, o fanatismo e o anacronismo dos movimentos que se colocam contra a acção da Maçonaria e dos Maçons, contra as liberdades individuais e obviamente contra o desenvolvimento que é próprio dos povos que as cultivam. A sua cultura erudita fez com ele enxergasse muito além das superstições religiosas e muito além das conjunturas locais momentâneas. Esta cultura acumulada por Fernando Pessoa, fez com ele acabasse percebendo a essência e muitos dos profundos ensinamentos contidos e presentes no interior dos princípios maçónicos:
“(…) Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçónicas – baseadas nesta dupla confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão absolutamente erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. (…)” (Idem).
A acção antimaçónica
No final do seu artigo, Fernando Pessoa faz colocações sobre as diversas acusações que a Ordem Maçónica recebeu ao longo dos séculos, que naquele momento recebia e que ainda hoje (século XXI) ainda recebe. Acusações que ele considera infundadas, na sua opinião erudita.
Reclama também Fernando Pessoa, o devido reconhecimento pelos benefícios que foram proporcionados pela Maçonaria e pelos maçons em particular, à Civilização Ocidental. Reconhecimento que ele procurou colocar e reivindicar de maneira bastante fundamentada como um contrapeso aos diversos males que a acção antimaçónica procura imputar a Ordem. Este reconhecimento por acções benéficas que ele toma como uma questão de profunda justiça:
“(…) Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século XVIII – quando, expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio papa – pelo Maçon Frederico II (Rei da Prússia) Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellington e Blücher eram ambos maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a Entente Cordiale, obra do Maçon Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da literatura moderna – o Fausto, do Maçon Goethe (…)” (Idem).
Fernando Pessoa finaliza o artigo, ironizando a falta de conhecimento fundamentado por parte dos anti maçons. Sutilmente destaca o apego dos anti maçons às lendas e ao lugar comum dos velhos chavões anticristãos, que reduzem a Maçonaria a uma simples conspiração contra a cristandade:
“(…) Acabei de vez. Deixe o sr. José Cabral a Maçonaria aos maçons e aos que, embora o não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a anti maçonaria àqueles anti maçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja (Maçónica) de Jerusalém (…)” (Idem).
No final do seu artigo, Fernando Pessoa procura lembrar ao Deputado José Cabral, e através dele ao governo, dos segredos que com toda a certeza bem claramente eram guardados pela Igreja Católica, em especial a Igreja Católica de Portugal, tão defendida e sempre preservada pelo governo de Antonio Salazar. Fernando Pessoa convida o Deputado e o Governo Português para que, juntamente com ele fossem à cidade e ao Santuário de Fátima, no aniversário das aparições da Virgem Maria naquela cidade. Na verdade o convite feito ao deputado, soava mais como uma resposta provocativa do que simplesmente um convite à oração. Ao citar a cidade de Fátima e efectuar o convite, o escritor faz uma referência directa aos “Segredos de Fátima”, que em número de três, àquela época eram guardados a sete chaves pela Igreja Católica e por aqueles que deles tinham tido conhecimento e acesso ao seu conteúdo:
“(…) No dia 13 de Maio de 1917, três meninos pastores – os irmãos Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia dos Santos – presenciaram a primeira de várias aparições da Virgem. Francisco e Jacinta morreram pouco depois da última visão, vítimas da gripe espanhola, enquanto Lúcia se fechou num convento carmelita (…)” (DIAS, 2000, passim).
O Vaticano e a Igreja Católica portuguesa a princípio, olharam os relatos das aparições com relativa desconfiança, mas em 1930 autorizaram o culto a Nossa senhora de Fátima. Quando da publicação do seu artigo em defesa da Maçonaria, Fernando Pessoa já possuía pleno conhecimento sobre as atitudes e o posicionamento da Igreja em procurar preservar os segredos de Fátima e em manter a mística que se desenvolveu em torno destes eventos. Durante muitas décadas foram escritos inúmeros livros e artigos, surgiram cultos apocalípticos baseados nas especulações em torno da totalidade dos segredos, que foram parcialmente revelados na década de 1940. Porém apenas os dois primeiros foram tornados públicos, mesmo assim numa linguagem truncada, cifrada e recheados de metáforas. O Terceiro Segredo de Fátima, seria revelado apenas no mês de Junho do ano Dois Mil pelo Vaticano , sob as ordens do Papa João Paulo II.
O que podemos retirar destes factos, seria a conclusão prática sobre os segredos que são mantidos, ou que eram mantidos por aqueles que se consideravam conservadores e que se colocaram contra a Ordem Maçónica (Sobre a condição da existência e da necessidade de se manter segredos nas instituições, colocadas por Fernando Pessoa, já discorremos neste artigo). Nesta situação destaca-se em especial a actuação dos católicos conservadores portugueses. Devemos recordar que sempre a principal objecção mantida pela Igreja católica à Ordem Maçónica, ficou sempre em torno da existência de segredos entre os seus membros e também de juramentos que envolveriam a manutenção e a segurança destes segredos. Isto ficou bastante claro já no primeiro documento papal condenando a Maçonaria, emitida pelo Papa Clemente XII, denominada Constituição Apostólica “In eminenti“, publicada em 28 de Abril de 1738.
Prólogo
Como já colocamos durante o desenrolar deste trabalho, o Projecto de Lei do deputado José Cabral recebeu na Assembleia Nacional o número dois. A Câmara Corporativa em 27 de Março votou favoravelmente à apresentação do Projecto de Lei Número Dois e ao prosseguir dos tramites normais para a aprovação do projecto. Em 6 de Abril de 1935 a Assembleia Nacional Portuguesa aprovou o “Projecto de Lei Número 02” por unanimidade, tornando-se a Lei número 1901, de 21 de Maio de 1935. De imediato a Ordem Maçónica foi considerada legalmente extinta pelo Governo Português. O próprio Deputado José Cabral chegou posteriormente a responder ao artigo de Fernando Pessoa, ocasião em que o chamou de “mimoso anfíbio”(sic):
“(…) Chove no Templo, da autoria de José Cabral, autor do projecto de lei que pretendia apenas regulamentar um velho preceito do Código Penal Português (artigo 283) publicado como carta ao editor do Diário de Lisboa, também publicado no A Voz. Chama Fernando Pessoa de ‘mimoso anfíbio’, faz referência ao ‘Protocolo dos Sábios de Sion’. Afirma que a Maçonaria causa a ruína de todas as instituições tradicionais, a derrocada de impérios poderosos, um desequilíbrio político e que desse aglomerado de destroços surgiram pela sua mão, as novas fórmulas políticas do liberalismo e da democracia, a queda da monarquia e tantos outros crimes.” (VARELLA, op. cit. Passim)
Restou, portanto, a Maçonaria e aos maçons portugueses actuarem na clandestinidade, sendo que o tempo fez com que muitos se silenciassem e Lojas abatessem colunas. Em 1974, por ocasião da Revolução dos Cravos que colocou fim à Ditadura Salazarista, existiam em todo o território de Portugal cerca de três ou quatro Lojas em funcionamento. Segundo Arnaldo Gonçalves, a história da Maçonaria em Portugal do período do Estado Novo está ainda para ser escrita e completamente revelada. Quanto ao destino de Fernando Pessoa, ele veio a falecer naquele mesmo ano de 1935, aos 47 anos de idade. Após a sua morte, a totalidade da sua obra veio a público e tornou-se bastante conhecida em Portugal e nos países de língua portuguesa. Hoje Fernando Pessoa é um dos mais caros símbolos do Portugal moderno, culto e inteligente, sendo que ele é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa.
Conclusões
Um dos objectivos deste trabalho, e esperamos sinceramente que ele tenha sido atingido na sua plenitude, foi procurar mostrar como ocorre a actuação da Maçonaria na defesa das liberdades humanas. Um outro objectivo foi mostrar como aqueles que enxergam na Ordem Maçónica um poder adversário, actuam. Procuramos demonstrar também como actuam as ditaduras opressoras e os inimigos da Maçonaria e das liberdade individuais. Ditaduras que frequentemente podem vir a surgir nos mais diversos países e sociedades e em qualquer tempo ou situação.
A Maçonaria enquanto defender a liberdade, manifestada em todos os seus aspectos, do ser humano, será sempre um alvo de perseguições e intolerâncias. Onde houver um ditador e uma ditadura haverá alguém opondo-se, e esse alguém poderá ser um Maçon ou contar com o apoio da Maçonaria. A Maçonaria e o ideal maçónico já provaram que podem ser amordaçados, mas nunca emudecidos. Enquanto a Sublime Ordem se portar desta maneira surgiram e permanecerão homens e mulheres de bem que sendo ou não maçons, se postarão na sua defesa, tal qual Fernando Pessoa. Que o Grande Arquitecto do Universo o tenha no seu seio, que o abençoe e o guarde.
Podemos concluir afinal este trabalho que se mostrou um tanto que extenso, mas que esperamos tenha sido informativo e conclusivo, com uma frase do próprio Fernando Pessoa. Uma frase em que ele define o guia da sua conduta e norte do seu pensar, numa alusão bastante clara a um personagem histórico que é bastante caro e importante a toda Ordem Maçónica: o Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários Jacques de Molay, que morreu executado na fogueira da Inquisição.
“Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos: a IGNORÂNCIA, o FANATISMO e a TIRANIA”
Lisboa, 30 de Março, de 1935
Fernando Pessoa
Roberto Bondarik – M∴ M∴ – ARLS Cavaleiros da Luz, nº 60 – Grande Loja do Paraná
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