A Maçonaria em Macau – A Loja Sun Yat Sen
A Maçonaria surge em Macau quase por acaso quando em 1759, um navio pertencente à Companhia Sueca das Ilhas do Índico Oriental, o Príncipe Carl, singra as águas perto de entreposto português e fundeia no porto. Segundo os registos da Grande Loja da Suécia a tripulação incluía vários maçons que traziam uma carta patente com a autorização de se reunirem em qualquer porto em que atracassem. É provável que se tenham reunido mais de uma vez em Macau iniciando residentes da colónia portuguesa na Arte Real.
Num sentido mais permanente a Maçonaria surgiu em Macau já no século XX, através da criação de uma Loja “Luis de Camões” que adquiriu o número 383 do registo do Grande Oriente Lusitano (GOL). Este facto é confirmado por Albert Mackey na sua Enciclopédia da Maçonaria. É provável também que uma loja inglesa “Amity” que aparece com o número 407 de uma lista de 1768 de lojas dependentes da primeira Grande Loja de Inglaterra tenha tido alguma actividade em Macau mas em algum tempo abateu colunas.
É desconhecido o perfil dos membros da primeira loja portuguesa de Macau mas olhando para as descrições da vida na colónia seriam funcionários do governo, profissionais liberais e militares. A Loja foi fundada por António Alexandrino de Melo, barão do Cercal e teve como Veneráveis Mestres o editor Constâncio José da Silva e o poeta Camilo Pessanha. Camilo Pessanha é considerado um dos expoentes máximos do simbolismo na poesia e foi autor do livro “Clepsidra” (1920). A Loja abateu colunas na sequência da aprovação pela Assembleia Nacional da Lei das Sociedades Secretas, a Lei no. 1901 de 21 de Maio de 1935 que interditou a actividade maçónica em Portugal continental e ultramarino.
Com a Revolução do 25 de Abril de 1974, à Maçonaria foram devolvidos os bens que haviam sido sequestrados pela polícia política (PIDE), designadamente o palácio maçónico do Bairro Alto e restabelecida a actividade da Maçonaria no território português. Na sequência da reintrodução da normalidade maçónica foi impulsionada a criação de uma loja do Rito Escocês em Macau, na dependência do Grande Oriente Lusitano, a qual tomou o nome de “Fraternidade e Progresso”. Foi seu primeiro Venerável Mestre o advogado Jorge Neto Valente, deputado à Assembleia Legislativa do território. Seguem-lhe na cadeira de Salomão o Arquitecto José Maneiras que foi presidente do Leal Senado, o capitão Manuel Geraldes, militar do 25 de Abril, o escultor António Conceição Júnior, que foi presidente do Instituto Cultural, e várias personalidades ligadas à comunidade macaense. Vários assessores da administração portuguesa de Macau, nos mandatos dos Governadores Carlos Melancia e Rocha Vieira, integraram esta loja. Pelo menos dois secretários dos Governadores Carlos Melancia e Rocha Vieira eram maçons.
A loja sofreu os efeitos do regresso definitivo a Portugal da maioria dos quadros portugueses que trabalhavam em Macau, na sequência da transferência da administração de Macau para a China em 19 de Dezembro de 1999. Desde então a loja reúne-se com alguma irregularidade.
Com a criação da Grande Loja Regular de Portugal, foi constituído no início dos anos 2000 por impulso do Mestre Maçom Arnaldo Gonçalves um triângulo com o nome “Luz do Oriente”. O Triângulo seria aprovado por decreto nº 99 do Grão- Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Trovão do Rosário. O Triângulo não seria transformado em Loja por imposição do quinto Grão-Mestre da GLRP, Mário Martim Guia, que entendia que a Maçonaria inglesa localizada em Hong Kong deveria tutelar a Maçonaria de Macau.
Sob o mandato do Grão-Mestre José Moreno o Triângulo Luz do Oriente seria transformado em loja regular, com o mesmo nome. O Irmão Arnaldo Gonçalves foi instalado na Cadeira de Salomão em Junho de 2011, e cumpriu dois mandatos. Era intenção do Grão-Mestre José Moreno que a Loja Luz do Oriente fosse secundada por duas outras lojas e se criasse, com o devido tempo, um distrito da Grande Loja Legal de Portugal, em Macau. No cumprimento desta orientação, o Irmão Arnaldo Gonçalves promoveu com outros Mestres Maçons a constituição de um triângulo com o nome Sun Yat Sen, desta vez praticando o rito de Iorque.
Em Junho de 2014, o Irmão Júlio Meirinhos foi eleito Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal e instalado na Cadeira de Salomão. Tendo o triângulo evoluído para um número mínimo de Mestres foi solicitou a sua transformação em Loja. A petição da Loja Sun Yat Sen seria rejeitada. O Irmão Arnaldo Gonçalves solicitaria a emissão de atestado de quite da Grande Loja Legal de Portugal o qual seria emitido em Janeiro de 2015. Já no mandato do segundo Venerável Mestre da Loja, Irmão Carlos Balona Gomes, a loja Sun Yat Sen a Loja entrou em funcionamento irregular, tendo abatido colunas durante o ano de 2017.
O núcleo de Mestres Maçons que impulsionara a constituição de uma loja regular, do rito de Iorque, em Macau, tomou a decisão de continuar a funcionar como loja independente, observando os 8 Princípios da Regularidade aprovados pela Grande Loja de Inglaterra. A Loja Sun Yat Sen manteve-se em regime de instalação até Dezembro de 2017 sendo seu Venerável Mestre o Irmão Arnaldo Gonçalves.
Na sequência da constituição da Grande Loja Unida de Portugal os sete Mestres Maçons que integravam os corpos da loja solicitaram a adesão àquela Grande Loja. Na reunião do solstício de Inverno de 2017 da GLUP foi aprovada a constituição da Loja Sun Yat Sen, pelo Decreto nº 15 do MRGM Paulo Cardoso, sendo-lhe atribuído o número 8 no registo da Grande Loja Unida de Portugal. A Loja reúne-se na segunda quinta-feira de cada mês a Oriente de Macau, funciona no Rito de Iorque, e realiza os seus trabalhos em língua inglesa. Conta ao momento com uma vintena de membros de diversas nacionalidades.
Arnaldo M. A. Gonçalves, M∴ I∴, Grau 32º do REAA, Scottish Rite USA, Southern Jurisdiction
