Freemason

A história do Rito Moderno no mundo

✍️ Desconhecido 📅 18/09/2026 👁️ 3 Leituras
avental de mestre, rito moderno
Avental de Mestre – Rito Moderno

O trabalho concentra-se na parte cronológica propriamente dita, que levou a criação do Rito do Rito Moderno, partindo do movimento que levou a instalação da Maçonaria na França e todas as suas influências da Maçonaria inglesa.

Posto isto, é importante destacar um outro movimento que influenciou significativamente a Maçonaria no século XVII e XVIII, para compreender o que motivou a sua instalação na França e como se deu a influência na organização do Rito Moderno, tendo por clareza que foi a partir do momento em que as Lojas operativas passaram aceitar novos membros, que houve a transformação em Lojas especulativas. Com esta mudança, deixou de tratar dos assuntos de construção e passou a se concentrar em assuntos simbólicos que assumiram uma nova dimensão, onde o Homem é o centro da discussão e originando um novo pensamento, no qual o homem deixou de ser somente construtor de catedrais, templos externos para construírem e desenvolverem o seu próprio templo interno, o seu Eu.

Em síntese, a diferença fundamental entre Maçonaria operativa e Maçonaria especulativa não é apenas o Maçom operativo que deixou de trabalhar no seu ofício e aprimorou o seu espírito. Foram as Lojas operativas que se moldaram em Lojas especulativas pela substituição progressiva dos membros operativos por membros especulativos.

Alguns autores entendem que esta Maçonaria especulativa deu origem à Maçonaria moderna, que posteriormente culminou com a criação do Rito Moderno. Documentalmente, a Maçonaria estabeleceu-se em 24 Junho de 1717, quando quatro Lojas de Londres (Inglaterra), chamadas a) A Coroa, b) O Ganso e a Grelha, c) A Taça e as Uvas, d) A Macieira, se reuniram na taverna “O Ganso e a Grelha”, fundando a Grande Loja de Londres, a primeira no mundo.

Inicialmente, ela resumia-se a uma festa anual para Lojas, mas, em 1721, por meio de uma “comunicação trimestral”, começou a se estabelecer como um corpo regulador, atraindo para as suas reuniões Lojas fora de Londres.

Os maçons se reuniam em Lojas (aLojamentos) para poder descansar e se alimentar. Estas Lojas, com o tempo, tornaram-se também um local para as reuniões que serviam para definir os parâmetros de organização da Ordem dos Pedreiros. Em comum com outras organizações, desenvolveram as primitivas cerimónias de iniciação para novos aprendizes. Como os pedreiros costumavam viajar por todo o País, passaram a adoptar uma palavra secreta, quando chegassem a um novo local de trabalho, a fim de provar que são Maçons regulares e que eram membros de uma Loja.

Cinco anos mais tarde foi escrita a Constituição de Anderson, texto redigido pelo Maçom James Anderson, um pastor escocês, colocando no papel todas as normas e rituais transmitidos oralmente até então.

1717, portanto, é o marco documental inicial da criação da Maçonaria conhecida hoje como “Maçonaria Moderna”, nos seus moldes especulativos ou filosóficos.

Em meados de 1726 começam a chegar à França Lojas maçónicas vindas da Inglaterra, as “escocesas”, fundadas pelos partidários dos Stuarts, postulando uma configuração própria.

Este seria o contexto, a Maçonaria Operativa era a Maçonaria dos pedreiros e construtores de catedrais que “praticavam” a sua arte desde o século X ao século XVI e que durante esse tempo desenvolveram o estilo gótico, que hoje em dia ainda se pode observar nas catedrais que sobreviveram até aos tempos actuais.

Os pedreiros e construtores desses tempos, tinham uma espécie de “carta de alforria” que os libertava de certas obrigações e impostos, e por isso eram designados por pedreiros-livres (freemason), termo que hoje em dia prevaleceu na Maçonaria actual para diferenciar os pedreiros de ofício (stonemasons) em relação aos pedreiros do espírito (freemason).

Todavia, com o fim do Renascimento, o movimento gótico lentamente se extingue e as Lojas de pedreiros operativos começam a declinar e a perder membros, mas em contrapartida, começam a ser visitadas por burgueses e estudantes de ciências ocultas (alquimistas, Rosacruzes…) que tentados pelos conhecimentos e forma de estar dos pedreiros operativos, desenvolveram a Maçonaria especulativa.

Temos, ainda, além das duas grandes influências na Maçonaria Francesa do século XVIII (a Maçonaria dita “stuartista”, mais tradicional e teísta e a Maçonaria dita “moderna”, deísta e com tendências racionalistas) a influência iluminista.

Nesta situação histórica, em 1728, é fundada a Grande Loja da França, fazendo com que a Maçonaria francesa passasse para a mão dos próprios franceses, já que até então eram os escoceses e ingleses que a dominavam.

Os grão-mestres passam a ser franceses e esta Grande Loja da França sofre grande resistência por parte da Grande Loja de Londres, que queria manter a Maçonaria francesa sob sua tutela.

O adjectivo “Moderna” ao qual se refere até este momento denota um sentido não como se conhece nos dias actuais. Tem referência a um conflito de ideias que ocorreu ainda na Inglaterra em meados do século XVIII, entre a primeira Grande Loja de Londres de 1717 e a segunda organização maçónica que aparece um pouco mais tarde – em 1753 (A Grande Loja da Inglaterra). Embora fosse cronologicamente mais nova, ela postulava manter os usos antigos, entre eles a influência da Igreja, daí a qualificação “Antigos”, para manter a oposição e praticado na França, que abolira qualquer citação à religião. E isto repercutiu, e muito, dentro do seio da Maçonaria imperante na época, que era visceralmente religiosa. Haja vista a disposição do templo, na época e ainda hoje, quanto à semelhança da distribuição interna de uma catedral.

No entanto, apenas posteriormente é que os franceses houveram por bem adoptar o nome de RITO FRANCÊS OU MODERNO nome pelo qual ficou conhecido e reconhecido tanto na Europa como no resto do mundo, especialmente na América do Sul e dentro dela, no Brasil.

A situação histórico, portanto, fez com que, inicialmente, se denominassem “Modernos” os irmãos da primeira Grande Loja de Londres fundada em 1717 que sempre é indicada como a emergente da Maçonaria especulativa e que terá prosseguimento na França.

Se olharmos convenientemente este factor, devemos observar que o manto da religiosidade é característica que desenvolve dentro dos vários ritos que se passa a praticar.

O Rito Moderno, por sua vez, também conhecido como Rito Francês, criado em Paris no ano de 1761, instituído em 24 de Dezembro de 1772 e proclamado em 9 de Março de 1773, pelo Grande Oriente de França, sendo instalado solenemente em 22 de Outubro de 1773, teve conformação diversa. Na sua fundação, adoptava as primeiras Constituições de Anderson, de 1723, e compunha-se apenas dos graus simbólicos de aprendiz, companheiro e mestre, distinguindo-se dos outros sistemas conhecidos como “Escoceses”.

De facto, o Rito Francês ou Moderno, que teve como base o rito original da Grande Loja de Londres, de 1717 foi criado com objectivo de dar uma identidade nacional a Maçonaria Francesa e também para pôr fim à anarquia ali reinante criados muitas vezes com o objectivo de vender paramentos, jóias e títulos.

Essa anarquia era causada pela proliferação desenfreada de ritos e graus que ocorriam por influência da cavalaria, da nobreza e de misticismos e que, em última análise, apenas desfiguravam à ordem.

Na época, havia grande paixão pelos altos graus, surgindo a cada momento novos ritos e novos graus, esses que, na maioria das vezes, eram concedidos sem nenhum critério, bastando pagar para recebê-los. Em virtude da pressão dos irmãos, O Grande Oriente da França se viu obrigado a procurar uma fórmula para harmonizar as diferentes doutrinas que vicejavam desordenadamente num emaranhado proliferar de altos graus por influência da cavalaria, da nobreza e de misticismos, que serviam à vaidade dos que procuravam a Maçonaria, desfigurando a ordem.

Assim, O Grande Oriente da França na sua Assembleia de 27 de Dezembro de 1773, nomeou uma comissão de maçons de elevada cultura para a redacção de um regulamento dos Altos Graus que pretendia coibir a proliferação de Altos graus, tendo a ideia de que essa comissão compusesse um Rito que fosse a síntese do que houvesse de melhor, contemplando um menor número de graus possíveis, e ainda assim mantivesse os ensinamentos maçónicos antigos.

Diante destas mudanças, os maçons escoceses, vindos da Inglaterra, reagiram ao que chamaram de redução dos altos graus, pois queriam justamente o contrário, aumentar o número de graus, e criaram o que hoje conhecemos como o Rito Escocês Antigo e Aceito que, de facto, não é escocês quanto à sua origem, mas também francês e que posteriormente, sofreria forte influência norte-americana.

Como já dito anteriormente, a Maçonaria nasceu e cresceu sob a tutela e influência da igreja, que dava um carácter teísta para a Maçonaria, o qual foi atenuado significativamente com a instituição da Constituição de Anderson. Já com a implantação do Rito Moderno ou Francês, houve uma clara manifestação pelo Deísmo, minimizando aspectos da religião, principalmente quando se aboliu o uso da Bíblia como Livro da Lei, assim como as invocações de Deus nos seus rituais das Lojas, passando o juramento a ser realizado sobre os Estatutos da Ordem e sobre a espada. Esta atitude do Grande Oriente da França significou a dissociação da religião, pois era preciso admitir na Maçonaria homens de todas as religiões, sem especificar nenhuma delas, para não obstaculizar esta tendência. Este facto gerou incompreensões para com o Rito Moderno, o qual tem por objecto de pesquisa a verdade, o estudo da moral e a prática da solidariedade, trabalhando para melhorar a condição material e moral, assim como o aperfeiçoamento intelectual e social da humanidade. Isto o levou a consolidar o princípio da tolerância mútua, o respeito aos outros e a si mesmo, na tentativa de dissociar a afirmação ou a negação de qualquer dogma.

Para garantir que a Maçonaria Francesa tivesse uma dimensão nacional, o Grande Oriente de França organizou a padronização dos ritos chamados “modernos” a partir de 1782, e em 1785 foi fixado para um modelo que previa os três primeiros graus, que apresentava uma forte influência inglesa em contraste com os ritos escoceses.

No entanto, foi apenas em 1801 que o Grande Oriente da França imprimiu as regras deste rito sob o título “Régulateur du Maçon”, contendo várias adições e emendas à versão anterior, que circulou de Loja em Loja na forma de manuscrito. O Rito passou por várias outras reformas, e em 1858 foi imposto o “Rito Francês de Murat” (retornando aos fundamentos das Constituições de Anderson sem fazer mudanças duradouras no rito).

Assim outras alterações pontuais foram introduzidas de modo que chegamos ao que hoje é o nosso Rito Moderno, porém algumas implantações se mantêm fiéis às origens, como a Grande Loja da Inglaterra praticava antes da sua fusão com a Loja dos antigos.

Deste modo, oficializou-se no Rito Moderno os Graus Simbólicos que são:

  • Aprendiz Maçom (Grau 1);
  • Companheiro Maçom (Grau 2) e;
  • Mestre Maçom (Grau 3).

E nos graus filosóficos ou de sapiência na seguinte ordem:

  • 1ª Ordem – 4° Grau – Eleito Secreto;
  • 2ª Ordem – 5° Grau – Eleito Escocês;
  • 3ª Ordem – 6° Grau – Cavaleiro Do Oriente Ou Da Espada;
  • 4ª Ordem – 7° Grau – Cavaleiro Rosa Cruz.

Mas não é somente esta característica que distingue o rito moderno dos demais ritos praticados no Brasil. Os padrões de pensamento da Maçonaria francesa são racionais e científicos. marcado pela época moderna, pelo humanismo.

Da mesma forma, concluo que no rito moderno o Maçom deve ter a faculdade de pensar livremente, de trabalhar para o bem- estar social e económico do cidadão, de defender os Direitos do Homem e uma melhor distribuição de renda.

Esta forma de pensamento, ao que se pode observar, até este momento da minha trilha maçónica, não contempla dogmas próprios da religião, que ficarão reservados ao foro intimo de cada um.

Clevio Luiz da Silva – ARLS Acacia Porto Alegrense nº 3612

Fontes

Artigos relacionados

Sugestões de Estudo