Freemason

A chamada da Maçonaria

✍️ Desconhecido 📅 25/03/2021 👁️ 7 Leituras

olho, maçonaria

Todo aquele que sente os ideais da Maçonaria deve alguma vez ter-se perguntado por que esta Ordem o atrai, e o que nela o retém. Na realidade, somos muitos os que fazemos esta pergunta continuamente e formulamos respostas que não afectam senão as bordas do problema, porque sempre há um elemento que nos escapa, algo intangível e indefinido que não podemos localizar, definir ou analisar, ainda que seja absolutamente real que esteja definido de um modo perfeito, e que existe, sem dúvida alguma, algo que exerce inconfundível sedução; algo que, ao mesmo tempo em que acalma o homem interior, aumenta-o em grau extraordinário, algo misterioso, sedutor e estimulante, que nos impele perpetuamente para diante, como finito impulso para um infinito objectivo.

Mais notável, entretanto, é que, muito tempo antes de sabermos o que é, na realidade, a Maçonaria (que, não obstante, sentimos no fundo do nosso coração), já nos damos conta disso, pois, ainda que a maioria dos candidatos à Maçonaria tenha uma ideia vaga e geral de que esta é digna de respeito e crêem que é uma venerável instituição que inculca elevados ideais relativos à vida, não lhes é possível saber muito mais acerca desta associação. Pouco ou nada pode saber o profano das suas cerimónias, embora saiba que estas existam. Não obstante, a absoluta ignorância dos ensinamentos e métodos da Maçonaria – não é obstáculo para que os homens se iniciem na sua Fraternidade. Tão pouco explica o problema, a cínica afirmação de que a atracção que os homens sentem pela Ordem, se deve à mera curiosidade, pois quase todos os Mestres sabem, por experiência própria, que isto não é verdade.

Em todas as demais coisas costumamos olhar, antes de dar um salto e procuramos informar-nos antes de dar um passo definido ou lançar-nos a alguma empresa. A mais elementar prudência nos aconselha que averiguemos em que consiste a instituição a qual nos desejamos aderir, ou o plano que havemos de seguir. Não obstante, pouco ou nada podemos saber de antemão a respeito da Maçonaria, pois até os próprios Mestres Maçons seriam as últimas pessoas do mundo a revelar algo referente a eles ou à sua instituição. Apesar de tudo isto entramos na Fraternidade convencidos, plenamente, de que não vamos por mau caminho, e nos submergimos nas trevas sem sentir escrúpulos nem timidez, respondendo a uma chamada interior que não sabemos explicar nem compreender.

Ainda mais, é sabido que nenhum homem sensato é capaz de opinar sobre os assuntos da corrente da vida, antes de ter feito um detido exame. Pois bem, quando se trata da Maçonaria ocorre o contrário, porque todos costumamos ter uma ideia favorável e preconcebida da nossa Ordem que é a que nos induz a penetrarmos nela. Isto prova que a Maçonaria tem um selo característico que a diferencia de todas as demais coisas do mundo, e que nos impressiona ainda antes de começarmos a nossa vida Maçónica.

No entanto, antes de sondarmos profundamente este factor misterioso e intangível que constitui o coração e a entranha da atracção que nos impulsiona para a Maçonaria, é conveniente que passemos revista a alguns dos aspectos desta atracção, cujo isolamento e exame não é difícil fazer. O ritual simples, dignificado e belo, já desapareceu quase por completo do mundo moderno. É certo que a Igreja Católica e a alta Igreja Anglicana conservam ainda grande parte do ritual. Na vida cívica, subsistem ainda algumas cerimónias, como as de abertura do Parlamento, coroações, jubileus, inaugurações de estátuas e algumas outras, porém estes acontecimentos são relativamente escassos, além disso, nada há na sua natureza que forme parte da vida regular do cidadão corrente. Com efeito, durante muitas gerações, a crescente influência do materialismo procurou eliminar da nossa vida as cerimónias, como se tratasse de uma superstição.

Não resta dúvida de que esta tendência é sã e boa, enquanto impedem que os homens tomem parte em cerimónias ritualísticas que, não tendo senão aparato externo, não se baseia em nenhuma realidade interna, nem se fundamentam no que, nos tempos primitivos, recebia o nome de “magia” e considerava-se como a chamada, para que estudassem as forças mais ocultas e internas da natureza, e os seres pertencentes a um mundo distinto do nosso.

No entanto, é indubitável que quase todo o mundo abriga um secreto amor pelas cerimónias ou pelo ritual. Prova disso é a adesão do povo a certas instituições, como por exemplo, a extravagante e desconcertante guarda de corpos, as procissões do Lorde Maior, as perucas dos Juízes e coisas deste estilo. O entusiasmo pelas exibições históricas, assim como os caprichosos vestidos que as mães idealizam para os seus filhos, e a perene fantasia do traje dos jovens e dos anciãos, são outros tantos exemplos deste irreprimível amor pelas cerimónias.

Rituais e cerimónias são, indubitavelmente, um dos principais atractivos que tem a Maçonaria para a maioria dos seus iniciados. Há na vida moderna tanta agitação, tanta precipitação, tanta confusão, tanta indecência, tanta insistência pelos direitos próprios, tão pouca consideração pelos sentimentos alheios e tão pouca dignidade ou cortesia que brote espontaneamente de bondosos corações, que nos causa extraordinário prazer, o facto de entrar na atmosfera tão oposta das Lojas, onde reina a dignidade e a ordem em vez da indigna inquietude a que estamos acostumados no mundo externo.

Maravilhoso tónico para os nervos fatigados pela tensão da vida ordinária é a entrada no recinto de uma Loja Maçónica, onde tudo é quietude, ordem e paz; onde cada cargo da Oficina e cada irmão têm o seu lugar fixo e o seu dever prescrito; onde ninguém usurpa as funções alheias; onde uma vez que tenha sido eleita ou determinada a forma do rito, todos cooperam harmoniosamente e de bom grado, para levar a cabo as cerimónias, de tal forma que se crie o ambiente que algum dia há-de caracterizar até mesmo o mundo externo, quando os homens cessarem a sua disputa, aprenderem a lição da fraternidade, e cooperarem para a suprema Vontade da evolução, a fim de ordenar todas as coisas, bela, forte e sabiamente.

Também é agradável o gozo estético que produz o tomar parte numa cerimónia bem dirigida, em que todos os irmãos, não só tenham estudado intensamente os actos e palavras que lhes correspondem, mas também, que compreendam o seu significado e ponham o melhor da sua alma em tudo quanto façam ou digam.

A própria disposição da Loja, a ordenada e digna colocação das colunas, os Oficiais e as suas insígnias especiais que enfeitam a assembleia com pinceladas de cores agradáveis, a situação das Luzes e todas as demais coisas adjuntas com as quais estamos familiarizados, contribuem para formar um “tout ensemble” que conforta a vista, agrada aos sentidos, apraz a mente, satisfaz a natureza religiosa e, ao mesmo tempo em que contrasta com a maioria, com a maior parte da nossa vida diária, constitui-se numa esperança para o porvir do nosso mundo.

Outro elemento de grande beleza que comove todo aquele que sente a poesia e a música, é o requintado ritmo e emoção plena que emana do nosso antigo ritual, cujas palavras e frases não há igual na literatura inglesa com excepção da Bíblia e das obras de Shakespeare.

O antigo provérbio inglês de que “uma coisa bela proporciona gozo eterno” pode aplicar-se às simples e profundas palavras da nosso ritual, porque, apesar de serem ouvidas continuamente, todos os anos, nas diferentes cerimónias, nunca perdem o seu atractivo, nem cansam, nem envelhecem; melhor, a sua beleza, a sua majestade, o seu significado, aumentam à medida que nos familiarizamos com elas que são verdadeiras provas de suprema literatura, de satisfação ética e de religioso significado.

Quão admirável é a tradição de que as palavras do nosso ritual hão de repetir-se sem acrescentar, omitir nem alterar nada, porque, a maioria das sentenças foram redigidas de forma tão perfeita, que qualquer variação romperia a sua sonoridade e corromperia o seu significado.

A formosura da linguagem contribui tanto quanto os demais factores, para que as palavras do ritual produzam intensa impressão. Estes amplos e profundos ensinamentos não devem o seu poder a subtilezas metafísicas nem a análises filosóficas, nem a sua novidade intrínseca, senão melhor, à sua simplicidade, concisão e universalidade. Propriedade comum de todos os sistemas religiosos conhecidos e a identidade dos preceitos éticos, não obstante, o método de apresentação às antigas verdades de moral e de amor fraternal, assim como a franqueza, a restrição, a grandeza e verdadeira sinceridade do ritual Maçónico, com o seu transcendental significado, fazem com que estes ensinamentos nos pareçam sempre novos, vívidos, inspiradores e práticos.

Muitos intelectuais modernos que acham curtas, estreitas e anticientíficas as ideias de certas ortodoxias religiosas, aceitam, com verdadeira complacência, a carência absoluta de dogmas teológicos e de outros géneros de que se vangloria a Maçonaria. Grande parte dos pensadores de cultura mediana reconhece a fraternidade, aceitam uma lei ética e um código moral baseado na fraternidade; porém não deriva esta de preceitos religiosos externos, senão dos ditames dos seus corações e da inata benevolência que sentem pelos seus camaradas.

A Maçonaria expõe estes ensinamentos com tanta universalidade e catolicismo, que os homens pertencentes a qualquer dos credos, assim como os que não aceitam nenhum, podem aceitá-los sem escrúpulos, reconhecendo-os como norma de verdade que eles conhecem por experiência interna, sem necessidade de apoio de muletas teológicas.

Além disto, já não é possível negar que nos tempos modernos existe muita gente que não professa uma fórmula definida de crença religiosa, quiçá, porque está convencida, de que não pode aceitar honradamente os credos que satisfaziam os homens ao passado. A necessidade de expressão de fé religiosa que esta gente experimenta sem podê-lo evitar, e que praticamente todos sentimos, pode satisfazer-se em grande parte com a sinceridade simples da ética Maçónica e a sua declaração de fraternal benevolência.

O conjunto desta ética, verdadeiro coração e nervo da Maçonaria, constituem a palavra Fraternidade, a palavra sem par em todos os idiomas. Se o Maçom a aceita sem evasivas, equívocos nem reservas mentais de nenhuma espécie, alcançará o pleno desenvolvimento Maçónico; porém, se a rechaça, não terá direito de penetrar no sagrado recinto do Templo ainda que ostente o mais elevado dos graus. A fraternidade é para o Maçom o que a luz do sol é para os seres vivos. Assim como a luz do sol pode dividir-se em infinitos matizes e cores, e o seu poder transmutar-se em incontáveis forças e manifestações de vida, assim o espírito de Fraternidade resplende no coração do homem, podendo iluminar a sua natureza e inspirar as suas acções de modos tão infinitos como as areias do mar e tão diversos como as flores do campo. O espírito fraternal é tão penetrante como o éter existente em todas as formas de matéria, porque se infunde em toda a vida do Maçom, iluminando-a com a sua Sabedoria, sustentando-a com a sua Força e fazendo com que a sua Beleza se irradie até os confins mais longínquos da terra.

Os homens seguidamente vêem-se obrigados a agir sob normas éticas de nível inferior às que desejariam por inumeráveis razões. Os motivos a que se deve este estado de coisas são subtis e complexos. Assim, por exemplo, muitos temem que a sua bondade se tome por debilidade ou a sua generosidade por sentimentalismo. Outros têm medo de que se acredite que são mais virtuosos que os seus camaradas e, violentando as suas ideias e emoções, não desenvolvem a virtude que sentem pulsar no seu coração. Muitas vezes os homens não se atrevem a realizar um acto virtuoso em público, porém experimentariam grande alegria se pudessem realizá-lo sem que ninguém se inteirasse dele.

A Maçonaria proporciona aos homens deste género – dos quais há muitos no mundo – um meio de expressão seguro e secreto. O facto de que a Loja esteja a coberto de profanos – o que constitui o primeiríssimo e constante dever de todo o Maçom – dá uma sensação de segurança e de reserva, pois impede que possa penetrar os olhares do mundo externo e proporciona ao Maçom a oportunidade de “soltar” as rédeas que lhe restringem e de ser o seu eu real, esse Eu Superior que teme apresentar-se livre e francamente, em todas as partes, menos nos sagrados recintos do Templo, onde os homens confiam nele e lhe chamam de Irmão. Porque o nome de Irmão é altamente mágico.

Assim como “todo o mundo é um cenário e todos os homens são comediantes”, assim o Maçom tem que representar um papel na sua Loja, na qual pode tirar a falsa máscara que, forçosamente, há-de levar no mundo e colocar a outra muito mais nobre de Maçom. E desta maneira, ao mesmo tempo em que se regozija de que o modo de Maçom lhe permita falar e agir como muitas vezes houvesse desejado fazer no mundo, se tivesse atrevido, encontra na sua Loja tal oportunidade para manifestar qual a verdadeira natureza do seu ser que, raríssimas vezes, poderia encontrá-la noutra parte. De maneira que o elemento de ficção, associado a algo de carácter dramático, torne possível que o homem real seja, por uns momentos, aquilo que pretendia ser.

Devem haver muitos maçons que anseiam a chegada de um dia em que seja possível sentir e agir no mundo externo do mesmo modo como o fazem na Loja, e em que as normas desta sejam as do mundo. A bondade, a tolerância, a benevolência e a amizade mútuas, a cortesia e a ajuda, a camaradagem e a fidelidade são os verdadeiros elementos da nossa obra na Loja, são os fundamentos do Templo, que cimentado na virtude, há-de ser erigido pela Ciência, cada vez com maior Sabedoria. Porém, estas coisas não podem existir mais que parcialmente no mundo, porque o coração dos homens é ainda duro e a ignorância lhes cega. Por isto, temos de fechar à força as nossas Lojas, para evitar que as suas sagradas coisas sejam maculadas e que seja manchado o tapete do Templo.

O ideal da Maçonaria constitui um factor imenso na vida de todo o verdadeiro Maçom, porque se enraíza mais profundamente do que qualquer “sprit de corps” e é o espírito mesmíssimo da vida. Para o Maçom, a Ordem é uma Divindade que não pode ser maculada jamais com a mais leve mancha, é uma estrela eterna, um imóvel sol dos céus, um centro do qual não pode afastar-se, a menos que seja falso consigo mesmo.

Quanta poesia encerra o nome da Ordem! Os homens têm sentido através de todas as épocas a sua ideologia e em todos os países do mundo têm feito cerimónias semelhantes às que fazemos agora e as que os filhos dos nossos filhos ensinarão aos seus descendentes. A celebração dos rituais Maçónicos remontam à noite dos tempos pré-históricos. As cerimónias das quais as nossas se derivam, foram celebradas por homens de todas as raças e centenas de idiomas e dialectos, em climas escalonados desde o tórrido Equador até os polos gelados, na cidade, bosque, em férteis planícies e áridos desertos e sobre as montanhas mais altas e os vales mais profundos. A Maçonaria tem existido onde quer que hajam vivido os homens e as suas eternas tradições e “Landmarks” tem sido transmitidos de geração em geração, enlaçando o passado com o presente, e este com o futuro numa humana solidariedade e ligando tudo numa indissolúvel unidade com o GADU que do centro traçou as linhas em que temos de construir o seu Sagrado Templo e ordenou aos seus fiéis obreiros que trabalhassem nele para completar a obra das Suas Divinas Mãos.

A poesia da Maçonaria sobrepuja todas as outras poesias, porque estas são temporais e fugazes, enquanto que aquela não tem em conta o transcorrer do tempo, nem as mutações modificam em nada os seus antigos e imutáveis fundamentos (Landmarks). Que mistério encerra isto? Que mistério se oculta por trás destas singelas e profundas cerimónias? Pode alguém satisfazer satisfatoriamente esta pergunta? Será capaz algum homem de dar uma resposta satisfatória antes de chegar a ser mais que homem e de ler estes verdadeiros sinais dos quais unicamente ouvimos nas nossas lojas os sinais substitutos?

Assim retornamos como sempre a esse misterioso e intangível elemento que nos prende com garra mais poderosa que a do leão. É este elemento que constitui a verdadeira razão para que os homens se façam Maçons e que “uma vez que alguém seja Maçom, o seja para sempre!”. Cada segredo comunicado é o prelúdio de ulteriores segredos; cada novo toque não é, em realidade, senão uma chave de passagem que nos abre a porta de regiões cada vez mais próximas ao oculto coração, do que se sustenta o esoterismo da Maçonaria.

Todos os diversos elementos de que temos falado em particular, dizendo que fazem chamamentos isolados ao Maçom, não são mais que os instrumentos individuais que formam uma orquestra. Considerada em si, a grande sinfonia é mais sublime que todas as partes apesar de que a harmonia combinada destas é a que a torna audível. Ela murmura-nos coisas que nenhum instrumento do mundo pode expressar, a não ser em fragmentos, em sucessões de notas que interpretam na terra, submetidas às leis do tempo e do espaço, as melodias do céu, as quais só os celestes ouvidos podem escutar em toda a sua íntegra.

Antes de nos fazemos Maçons, devemos sentir um leve rumor que, infiltrando-se através dos espessos muros da Loja fechada, desperte esses ténues estremecimentos melódicos nos nossos corações. Isto é o que aviva esse secreto estímulo que nos arrasta para o esquadro, onde o nosso primeiro passo é dado em ignorância, se bem que tendo a certeza interna de que a luz há-de chegar com toda a segurança.

Enquanto damos os nossos primeiros passos secretos, descobrimos muitos elementos agradáveis no Ritual Maçónico que nos produzem estranho assombro e tanta satisfação, que jamais nos arrependeremos, de ter posto a proa para a aventura. As magníficas frases antigas, a dignidade e a harmonia dos movimentos, da cor e da emoção, agradam aos sentidos e às almas dos homens fatigados pela tensão e pela distracção das coisas mundanas.

A ampla e singela filosofia de vida, a simples declaração de fraternidade, a ética de fidelidade e amizade, a verdade sem dogmas, a religião sem seita, a reverência sem sacrifícios da dignidade, e o amor sem sentimentalismo. Todos estes são elementos importantes a contribuírem para despertar a Maçonaria no coração do Maçom. E o gosto de viver num ambiente de fraternidade, a oportunidade de se livrar da armadura que, por necessidade, há-de vestir o homem nos campos de luta do mundo exterior da Loja, o livre intercâmbio de sentimentos fraternais, sem temor às más inteligências e repulsas, constituem, também, valiosos elementos da chamada Maçonaria.

Alguns dos factores que unem o Maçom com a Ordem através de laços que nada pode romper, nem afrouxar, são as seguintes: uma troca de máscara, um novo papel a aprender, um pretexto que é o nosso secreto ideal, um conhecimento antecipado do futuro que temos a certeza de chegar um dia, uma homenagem gloriosa a uma sublime Divindade, uma submersão no mais grandioso sonho que o mundo tem conhecido, um laço secreto que nos une com todas as classes de homens que a terra produziu e uma tradição mais antiga e venerável que todas as havidas e por haver.

Mas, o que é a chamada em si? Todas estas coisas não são senão nomes e acessórios. Qual é a substância de que todas elas são sombras? Que coisa há na selva virgem que chama aos seres selvagens? Que são essas secretas e sagradas coisas que murmuram as montanhas ao ouvido do homem de forma tão silenciosa e ao mesmo tempo tão sonora, que apaga o fragor dos demais cânticos da Terra. Essas coisas que o mar sussurra ao marujo; o deserto ao árabe; o gelo ao explorador dos polos; as estrelas ao astrónomo; a sã filosofia ao observador e os materiais do ofício ao artesão?

No homem existe algo que é mais que o homem, o qual se chama a Maçonaria. Esta chamada recorre ao mais santo e maior que nele existe, ao que só ele poderá conhecer, quando se converta no Mestre da Loja da sua própria natureza, quando chegue a ser ele mesmo. Assim como o golpe do malhete repercute em todo o Templo, encontrando eco no ocidente, sul e noroeste e transpassando até mesmo os muros da Loja para chegar ao mundo externo, assim também a Maçonaria lança uma chamada aos mais recônditos santuários do sacratíssimo ser humano; uma chamada que há-de ser respondida, que não admite rechaço, que lhe ordena voltar-se para enfrentar a Luz. Assim como todos os irmãos respondem à ordem do Mestre pelo sinal, assim responde o homem à chamada da Maçonaria, ainda que não conheça em que esta consiste, e responde com a sua vida. Ele não pode fazer outra coisa que obedecer; abandonar a empresa e morrer; ele deve responder e prosseguir na eterna busca da palavra perdida, que não é nenhuma palavra, porém algo que está oculto no ‘centro’.

De maneira que, a chamada da Maçonaria é complexa e múltipla, ao mesmo tempo em que é simples e única. Na Maçonaria existem muitas coisas que hão de acalmar os anelos dos corações humanos, e, no entanto, a Maçonaria em si, isto é, na sua esplêndida perfeição, é uma coisa que nunca poderá encher-nos até transbordar, até que o homem deixe de ser homem, para se converter num Ser Divino, o que há-de ocorrer seguramente, na consumação dos tempos.

A Maçonaria é virtude e ciência, ética e filosofia, religião e fraternidade. Nenhuma destas coisas, porem, por si só a define. Não há multidão de células que possa fazer um organismo vivo, nem galáxia de estrelas que possa formar um cosmos, nem raios de luz que possam fazer um sol. Do mesmo modo, nenhum agrupamento de elementos de beleza ou de fraternidade pode fazer a Maçonaria; esta cria todas essas coisas, transmite ao ser muitos pontos de companheirismo, mas continua sendo um mistério que apesar de poder ser sempre descrito nunca pode ser explicado. A isto se deve que a chamada da Maçonaria seja o que é, e que nós a amamos, porque o homem é também um ser que se pode descrever perpetuamente, porém, jamais, explicar-se. De modo que, na Maçonaria, o homem se busca a si mesmo, e através dos seus mistérios e cerimónias “Júpiter faz aceno a Júpiter”.

Arthur Edward Powell

Artigos relacionados

Sugestões de Estudo