EXISTÊNCIA - Adilson Zotovici
Estaremos homenageando os irmãos que postam com mais frequência neste blog, publicando seus trabalhos durante toda uma semana. O homenageado desta semana é o...
Desde os primórdios da arte real, o material fundamental para a construção de templos e edifícios duradouros era extraído da terra em seu estado mais primordial. Sem forma definida, repleto de arestas irregulares e imperfeições visíveis, este elemento rochoso chegava da pedreira carregando consigo apenas a promessa de seu potencial latente. Era a matéria-prima em sua forma mais intocada, um testemunho da natureza indomável, aguardando a intervenção da mão hábil do obreiro. Sem o trabalho árduo do maço e do cinzel, sem o desbaste cuidadoso que removeria as protuberâncias e nivelaria as superfícies ásperas, jamais poderia ser integrada a uma estrutura coesa. Representava o ponto de partida, o caos inicial do qual a ordem e a beleza seriam gradualmente esculpidas, um símbolo universal da condição original de tudo o que aguarda polimento e aperfeiçoamento para cumprir seu propósito mais elevado na edificação. Esta era a base, o alicerce simbólico de toda a construção, aguardando ser lapidada para se encaixar perfeitamente no grande plano arquitetônico, refletindo a jornada de transmutação de um estado bruto para a perfeição geométrica.
No contexto da nossa augusta Fraternidade, este símbolo milenar adquire uma profundidade ainda maior, representando o neófito que adentra os portais do Templo. Ele chega com suas paixões ainda por dominar, seus preconceitos ainda por desbastar, suas virtudes em potencial, mas ainda não plenamente manifestas, tal qual a rocha recém-extraída da pedreira. A Loja, com seus ritos, suas instruções, seus ensinamentos e o exemplo dos Irmãos mais experientes, torna-se a oficina onde o trabalho de autoaperfeiçoamento se inicia. Cada lição assimilada, cada reflexão profunda, cada superação de um vício ou imperfeição moral, é um golpe do cinzel que remove uma aresta, uma faceta que é polida, um passo em direção à retidão. É um convite constante à introspecção, ao conhecimento de si mesmo, à humildade de reconhecer as próprias imperfeições e à perseverança na busca pela retidão de caráter. O objetivo é transformar este elemento primordial em uma peça perfeitamente cúbica, apta a ocupar seu lugar no edifício espiritual da humanidade, contribuindo para a solidez e harmonia do conjunto. Este trabalho é contínuo, uma jornada que se estende por toda a vida maçônica, pois mesmo o Mestre mais experiente sempre encontra novas superfícies a polir em seu próprio ser, sempre buscando aprimorar sua contribuição para a Grande Obra.
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