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Simbolismo e filosofia da Maçonaria

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✍️ Desconhecido 📅 16/03/2026 👁️ 0 Leituras

gold symbol, maçonaria

A Maçonaria é uma ESCOLA “sui generis”. Isto é, não existe em nenhuma parte ESCOLA igual à Maçonaria. É que na Maçonaria não existem professores, não há exames, não há formatura e, consequentemente não há solenidade de entrega de diplomas.

Na Maçonaria todos os seus membros são ALUNOS.

A Maçonaria também está organizada de uma maneira diferente de qualquer outra instituição, seja civil, militar, social, esportiva, beneficente ou religiosa.

O ingresso na Maçonaria, outrossim, faz-se de modo especial, a que chamamos INICIAÇÃO. Entretanto, o recém-ingresso na Maçonaria ainda não é um iniciado, porque ele vai ter um longo caminho a percorrer para que possa ser chamado de INICIADO.

Aquele que ingressa na Maçonaria não precisa dizer a ninguém que é Maçom nem fazer alarde desta condição privilegiada. O Maçom identifica-se pela sua conduta ilibada, pela sua dignidade, pelo exemplo que dá a todos os que o circundam.

O MAÇOM é Maçom, não há meio termo.

O Maçom vive a Maçonaria. O Maçom faz Maçonaria no tempo e no espaço. O Maçom é maçom na Loja e fora dela. O exercício da qualidade de Maçom é constante. O Maçom faz questão de frequentar os trabalhos maçónicos. O Maçom pratica leal e francamente a doutrina maçónica e participa dos encargos que esta qualidade lhe imprime, seja na Oficina seja no mundo profano. O Maçom não é diferente de ninguém, mas também não é igual O carácter que a Maçonaria imprime no cidadão é indescritível, não tem similar. O Maçom é humilde sem subserviência, tolerante sem conivência, sincero sem arrogância, é respeitador e fraterno.

Se fizermos uma pesquisa sobre a Maçonaria, não encontraremos a sua origem. Os estudiosos, os historiadores, os pesquisadores, sejam maçons ou profanos, nada conseguiram. Apenas formulam hipóteses, às vezes, até absurdas. O que sabemos é que, como é hoje a Maçonaria foi devidamente organizada com a fundação, aos 24 de Junho de 1717, da Grande Loja de Londres. Em 1753, também na Inglaterra foi fundada a Grande Loja dos Antigos Maçons que, por isto, chamavam-se, diziam-se os únicos que obedeciam às Antigas Obrigações, chamando os membros da Grande Loja de Londres de modernos. Esta rivalidade durou até 1813, quando se entenderam e formaram a Grande Loja Unidade dos Antigos e Francos Maçons da Inglaterra, cujo rito dos antigos, chamados maçons de YORK recebeu o nome de Rito de York.

Por falar em rito, devo dizer que desde a mais remota antiguidade que os filósofos, os místicos, os esoteristas, os teosofistas, os rosa cruzes, usaram nos seus trabalhos um ritual reservado somente aos iniciados. Também assim procediam as sociedades antecessoras da Maçonaria propriamente dita, como a dos Pedreiros, dos construtores, que davam à sua sociedade o nome de LOJAS e a elas só pertenciam os profissionais que, pelo zelo e dedicação, passaram a ser protegidos pelos nobres, intelectuais, e outras pessoas estranhas à arte da edificação. Por isto estas pessoas ilustres foram aceitas, admitidas como honorários daquelas sociedades. Os profissionais – pedreiros, canteiros, construtores – eram os maçons operativos e os honorários eram os ACEITES. E, ao organizarem as suas Lojas, passaram a exercer a maçonaria ESPECULATIVA, uma vez que adoptaram os instrumentos de uso na arte de construir: régua, esquadro, compasso, maço, cinzel, alavanca, trolha, cordel, prancheta e outros como sol, lua, estrelas, ponto, linha, ângulo, triângulo, polígonos como SÍMBOLOS do seu trabalho especulativo na investigação da VERDADE, pois o objectivo era justamente OCULTAR aos olhos estranhos à sociedade a VERDADE que investigavam e continuam a investigar. Por isto a MAÇONARIA foi chamada de SECRETA por esconder e guardar os seus segredos. E os seus inimigos, principalmente o CLERO CATÓLICO ROMANO, diziam que tinha pacto com o DIABO, para derrubar o Trono e o Altar. Como estes instrumentos são apenas SÍMBOLOS, a Maçonaria chamou-se SIMBÓLICA.

Além do RITO DE YORK adoptado pela Grande Loja Inglesa, muitos outros RITOS foram criados. Otaviano de Menezes Bastos na sua Pequena Enciclopédia Maçónica dá-nos uma relação de mais de cem ritos.

Ao fazermos referência ao RITO vêm-nos à mente LITURGIA e CERIMÓNIA, dada a grande afinidade entre estes termos.

Se consultarmos os dicionários sobre o significado dessas palavras, ficaremos um tanto ou quanto embasbacados porque nem sempre a maneira de defini-las esclarece-nos convenientemente.

Por isto vamos dizer o seguinte: RITO – sistema de organização ou regras que se devem observar na prática de algo. LITURGIA – culto público ou oficial. CERIMÓNIA – formalidades e cortesia entre pessoas com as quais não há familiaridade.

Já vi muita gente, até de certo conhecimento e cultura, não entender nada destas definições. Então resolvemos pesquisar e chegamos à conclusão de que podemos dizer a respeito de cada um desses termos, o seguinte:

  • CERIMÓNIA – maneira de se tratar com respeito e consideração alguma autoridade ou pessoa idosa ou alguém que não conhecemos e que nos parece merecedora de reverência.
  • LITURGIA – formalidades especiais ou reverência para o que seja digno de alta consideração ou respeito.
  • RITO – ordenamento sistemático das diversas liturgias com que cerimoniosamente se desenvolve um trabalho. Mais ou menos assim entendido, podemos dizer “RITO é ordenamento litúrgico de cerimónias que se devem obedecer num trabalho”.

Voltemos ao nosso assunto depois desta pequena digressão.

A fundação da Grande Loja de Londres contribuiu para a expansão da maçonaria nas colónias inglesas da América, Ásia e África, especialmente nos actuais Estados Unidos da América do Norte, bem como por toda a Europa.

Com mais de uma centena de RITOS existentes e praticados, nem todos porém seguiram o Rito de York.

Sem querermos entrar em consideração de ordem histórico-filosófico-política, porque não constitui objecto do nosso estudo, devemos todavia esclarecer que as diversas divergências entre as Nações contribuíram para o surgimento de coisas interessantes, a saber:

  • Na Alemanha, a Maçonaria adoptou o Rito Schröder.
  • Na França, criou-se o Rito Francês (ou Moderno) e a sua federação de Loja denominou-se Grande Oriente.
  • Em 1776 ou 1787, o Barão de TSCHOUDY criou o Rio Adonhiramita.
  • O Rito Escocês Antigo e Aceite foi criado em 1758 na França pelo “Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente – Grande Loja Escocesa de São João de Jerusalém”, portanto nada tem com a Escócia.

O Rito Maçónico para que seja aceite e obedecido terá de ser impessoal e universal, isto é, ser de modo que em qualquer PAÍS que o aceitar e adoptar não seja “patriotada”.

Por isto é que actualmente dos cento e tantos ritos a que se referem os estudiosos de maçonaria, somente CINCO RITOS são reconhecidos: YORK, FRANCÊS, SCHRÖDER, ADONHIRAMITA E ESCOCÊS.

E por que isto acontece? Porque apesar de que em cada PAÍS a MAÇONARIA seja SOBERANA, há necessidade do reconhecimento recíproco sem o que o MAÇOM de um país não é recebido como tal em outro.

O número de graus de cada RITO é variável

Todavia os graus 1, 2 e 3 são comuns em todos os RITOS, com ligeira discrepância de nomes.

A LOJAS que trabalham nestes três primeiros graus, como já disse, chamam-se SIMBÓLICAS. E a sua federação recebe o nome de GRANDE LOJA ou GRANDE ORIENTE.

Ou por desejo de ampliar estudos e conhecimentos, (ou mesmo até por vaidade), criaram-se graus superiores aqueles três e os diversos ritos possuem-nos diversamente.

Assim o Rito de York possui acima do dos três mais quatro graus, mas recebe o nome de Rito do Real Arco.

O Rito Francês (ou Moderno), o alemão – Schröder, sete.

O Adonhiramita era de 12 (doze) graus e depois aumenta mais um, o 13 ficando pois de treze graus.

O Escocês Antigo e Aceite era de 25 graus e depois da reforma de Frederico o Grande, Rei da Prússia, passou para 33 graus.

Aqui cabe uma ligeira crítica: a vaidade humana fez com que se transformasse também o Rito Adonhiramita de 13 para 33 graus, isto porque este Rito é actual e exclusivamente praticado no Brasil.

Rito Brasileiro – Por mais pesquisas a que me propus fazer não encontrei quase nada a seu respeito. Apenas consegui o que vou expor, sujeito a rectificações futuras. Ignora-se quem teve a ideia da criação do Rito Brasileiro, sabe-se que foi aprovado em 1914, regulamentado em, mais ou menos, 1944, sendo reestruturado para 33 graus em 1968 (era inicialmente sete graus).

Todo cidadão que ingressar na Maçonaria, claro numa Loja Simbólica, e alcançar o grau três está dentro do simbolismo na plenitude, desde que cumpra o preceito maçónico de investigação da VERDADE, e, se quiser, poderá permanecer neste grau, qualquer que seja o rito em que tiver sido iniciado.

Como é do conhecimento de todos, o BRASIL era colónia portuguesa, mas não tinha escolas, e por isto os filhos tanto de portugueses quanto de brasileiros, ricos, eram mandados para estudar em Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha ou Inglaterra. Aí, muitos se iniciaram na Maçonaria, como por exemplo José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo, Domingos José Martins e muitos outros. Ao regressarem ao Brasil, conforme o costume da época faziam maçons à vista, pois não havia Lojas, e nestas condições por falta de registos, há dúvidas sobre os que realmente foram maçons, como Tiradentes e outros.

No século XVIII não se tem conhecimento da existência de Lojas no Brasil, por mais pesquisas que os estudiosos têm feito.

Sabe-se que no início do século XIX fundaram-se Lojas Maçónicas em Niterói, Pernambuco, Bahia e no Rio de Janeiro. Aqui nesta última cidade, fundou-se em 1815, a Loja Comércio e Artes da qual fazia parte Joaquim Gonçalves Ledo que teve a ideia de fundar um Grande Oriente, para não se subordinar a Portugal, maçonicamente, vez que os maçons, quer brasileiros quer portugueses, queriam a INDEPENDÊNCIA do BRASIL.

Para dirimir uma questão que tem trazido muitas controvérsias, as razões seguintes provam que o Grande Oriente, do Brasil foi fundado no Rito Francês (ou Moderno):

  • A loja “Comércio e Artes” trabalhava no Rito Moderno.
  • O desejo dos maçons brasileiros não quererem qualquer vinculação maçónica com Portugal
  • No sorteio dos irmãos para constituírem as três Lojas Mães da Maçonaria Brasileira, foram escolhidas as cores da Bandeira da França: azul, branca e vermelha.
  • Adoptaram provisoriamente a constituição do Grande Oriente da França.

Fundado o Grande Oriente do Brasil a 17 de Junho de 1822, foi escolhido Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva, entretanto, com a iniciação de D. Pedro em Agosto e logo a seguir elevado ao grau três, foi escolhido para o cargo de Grão-Mestre. Todavia, a 26 de Outubro, Dom Pedro ordenou a suspensão dos trabalhos do Grande Oriente por algum tempo, mas não mandou o reinício, facto que somente ocorreu após a sua abdicação em 1831, quando José Bonifácio reassumiu o Grão-Mestrado e fez um manifesto em que declara que o Grande Oriente tomou força e vigor. (Há quem diga que este manifesto foi redigido por Joaquim’ Gonçalves Ledo). Faz portanto 165 anos de existência o Nosso Grande Oriente do Brasil com profícuos serviços prestados ao Brasil

O nosso Rito Escocês Antigo e Aceite, praticamente chegou aqui no Brasil quando o Visconde de Jequitinhonha – Francisco Gê de Acayaba Montezuma – recebeu Carta Patente do Supremo Conselho da Bélgica, a fim de fundar o Supremo Conselho do Brasil Embora esta autorização lhe tivesse sido outorgada em 1829, o Supremo Conselho do Brasil somente pôde ser criado a 12 de Novembro de 1832, uma vez que deveria haver pelo menos nove Inspectores Gerais (grau 33) para constituir o número legal Montezuma ficou sendo o Soberano Grande Comendador e José Bonifácio o Grande Chanceler. Mesmo assim as duas potências eram independentes. Houve muitas rivalidades, apareceram outros Supremos Conselhos, mas em 1864 o Supremo Conselho dirigido por Montezuma, o legítimo, uniu-se ao Grande Oriente do Brasil e passaram a constituir uma Potência MISTA. Entre 1958 e 1964 houve entendimentos para separação e organização de duas potências soberanas, o que foi confirmado com o -TRATADO de AMIZADE e ALIANÇA MAÇÓNICA.

O Grande Oriente do Brasil ficou com o governo administrativo dos três primeiros graus e o SUPREMO CONSELHO com o dos graus superiores. Estabeleceram-se assim os limites de competência de cada uma das partes signatárias do tratado. O Grande Oriente do Brasil POTÊNCIA SIMBÓLICA – o Supremo Conselho POTÊNCIA FILOSÓFICA. O Supremo Conselho para desenvolver os conhecimentos filosóficos aprovou e incentivou a fundação de Lojas de Perfeição, Sublimes Capítulos Rosa Cruz, criou Ilustres Conselhos Filosófico de Kadosch e Mui Poderosos Consistórios.

O Tratado de Amizade e Aliança Maçónicos foi assinado aos 15 de Novembro de 1965, consolidando-se a separação dos Corpos Simbólico e Filosófico.

Este tratado está em pleno vigor, pois foi assinado por tempo indeterminado. Dele destacam-se os artigos V, VII, IX, X, XII, XVI, XVII, XXII, XXIII e XXVI. .

É importante destacar aqui que o estudo dos ensinamentos contidos nos graus 4º a 33º faz com que entendamos melhor e cumpramos também os ensinamentos dos graus 1,2 e 3.

Não me lembro agora em qual grau que nos diz o seguinte: os graus simbólicos 1, 2 e 3, são o curso primário, os ensinamentos dos graus 4 a 18 são o curso secundário, o que aprendemos nos graus 19 e 30 é o curso superior e finalmente os 31, 32 e 33 são a pós-graduação. E o que se vai estudando, pesquisando depois, é o Mestrado e aí então podemos dizer que o MAÇOM é um INICIADO. De modo que o Maçom que não estuda é semelhante àqueles estudantes que passaram, mas nada sabem.

Agradeço a todos a atenção que me dispensaram, peço-lhes desculpas se não correspondi ao que esperavam ou desejavam, e que o GRANDE ARQUITECTO DO UNIVERSO nos ilumine e guarde.

Alfredo Barroca

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