Para onde vai a Maçonaria? Uma Resposta

Vai para o lugar de onde veio, de onde nunca saiu, onde sempre esteve, onde está e onde estará para sempre.
A Maçonaria não é o fruto da utopia de um ou meia dúzia de visionários a exemplo das seitas ou religiões que se auto-extinguem após o seu período de gestação.
A exemplo da natureza, tem dinamismo próprio capaz de se transformar, evoluindo de acordo como os tempos sem no entanto mudar os seus princípios. Por ter existência própria, está acima da profusão de Ritos, de cisões, de Potências, de alarmismos ou de conformismos. Caminha de braços dados com a evolução cumprindo o seu objectivo sem alardes, intervindo ou fazendo a história quando necessário.
Não sendo uma sociedade pública ou privada, sem donos ou herdeiros, não tem que responder a desafios.
Ela é o próprio desafio. Um desafio a ser correspondido por aqueles que transpõem as suas colunas, um objectivo a ser alcançado, uma luz a clarear a consciência daqueles que a vêem. Visa, única e exclusivamente a perfeição do Homem, não importando se pobre ou rico, preto ou branco, intelectual ou analfabeto, não importando ainda, o credo professado.
O Homem não é por outro lado incapaz de mudar o mundo. Na verdade, nós o mudamos a cada milésimo de segundo, tornando a existência mais prática, mais racional. A inteligência, aliada ao livre arbítrio, são dádivas divinas que evoluem continuamente transformando a tudo e a todos e somente a neblina ou catarata da obtusidade não enxerga este processo.
A Maçonaria não precisa viver do seu passado, mesmo porque muito pouco dela se conhece. Ao longo dos séculos foi aglutinando o que de melhor existia nas sociedades ou associações de cunho filosófico até ter a sua própria personalidade, livre de influências, imutável.
A decadência portanto não é da Maçonaria mas sim daqueles que não sabem o que é Maçonaria, daqueles que se limitam ao seu parco campo de visão.
As grandes mudanças introduzidas na história por força deste ou daquele pensamento, defenderam interesses próprios, foram radicais e centralizadoras sem jamais visar o bem de toda a humanidade. Como desastrosos exemplos citemos apenas os mais recentes: Inquisição, cruzadas, comunismo, nazismo, fascismo…
Deixemos então os pensadores e ensinemos Maçonaria aos Aprendizes, aos Companheiros e aos Mestres para que não procurem a verdade na gaveta do Venerável Mestre. Uma Loja sem instrução é como uma sala sem Professor com uma pequena agravante; enquanto os alunos brincam numa salutar algazarra, os Irmãos olham os relógios e remexem-se nas cadeiras criticando intimamente os assuntos apócrifos difusamente explanados. Outros ainda, com a garganta seca, desviam-se dos sublimes objectivos quebrando a cadeia de pensamentos positivos não vendo a hora de fazer uso do freezer, no fundão da Loja previamente abastecido.
Filosofia é o produto da inteligência aliada à experiência, o que possibilita tanto ao autodidacta quanto ao analfabeto terem cada um a sua filosofia ou estilo de vida. Os livros apenas a refinam.
A Maçonaria entra neste contexto sepultando com a morte profana os conceitos filosóficos que com ela não se coadunem, que conflitem com os seus princípios e objectivos, elevando os ideais do Iniciado rumo ao domínio do espírito sobre a matéria.
Ignorantes e incultos dentro da Maçonaria são apenas o fruto da irresponsabilidade daqueles que os precederam pois cultura e sabedoria não dependem das letras. Citemos as tribos indígenas como exemplo mais próximo.
A fraqueza de carácter e o materialismo, embora inerentes à condição humana são de facto incompatíveis com a Maçonaria que tem as suas próprias leis para coibi-los. Quanto a idiotas na ordem, acreditamos possível somente nas Potências espúrias que vendem Graus da mesma forma que os falsários vendem diplomas ou carteira de motorista.
Procurar candidatos que bastem a si mesmos, espiritual e filosoficamente e que não dependam da opinião alheia, seria subverter os princípios da ordem. Teríamos que extinguir 32 Graus pois já entrariam sabendo de tudo. Se é que entrariam. Para que?
E necessário realmente seleccionar melhor os candidatos. Seleccionar melhor e fazer rigorosas sindicâncias, não para que tenhamos uma elite ou casta de intelectuais, de génios, de filósofos, de milionários, mas apenas de Homens livres e de bons costumes mesmo que tenham as qualidades acima.
Quem tem que mudar é o Maçom e não a Maçonaria. Quem tem que evoluir é o Homem através da Maçonaria que tem os caminhos a serem trilhados em bases sólidas, sedimentadas.
Faz-se necessário extirpar não só os materialistas, os fracos de carácter, mas também os hipócritas, os cobiçosos, os invejosos e aqueles que não frequentam. Assim procedendo, num futuro não muito distante teremos PHDs em Maçonaria e não PODs que visam apenas cargos, status, sumptuosos paramentos.
A Maçonaria estava precisando de trabalhos como o que ensejou esta resposta para reacender os debates e distribuir carapuças pois a rotina absorve aqueles que nela modorram e o despertar é sempre tardio, irreparável.
António Aguiar de Sales, Or. de Sete Lagos – MG
