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Simbolismo do azul no Rito de York

✍️ Desconhecido 📅 10/10/2021 👁️ 9 Leituras

símbolos azul

O simbolismo é algo importante dentro da Maçonaria, o Rito de York não fica de fora desta questão, mas como este é relativamente novo no Brasil, ainda temos algumas dúvidas e perguntas por fazer, normalmente agimos conforme os manuais internacionais que recebemos, mas nem sempre estamos por dentro das reais informações sobre os motivos daquilo que é praticado e a sua explicação do uso em loja.

Por isso geralmente buscamos o aperfeiçoamento com o estudo e a busca do conhecimento, neste ponto entra a pesquisa, a leitura, a relação de análise sobre os motivos e as aplicações de tais situações, relações, questões dentro de um rito, acto ou movimento.

A Maçonaria funciona desde sempre com uma filosofia e com alegorias, todas tendo um motivo, um princípio, desde os pedreiros antigos até hoje sabemos que o desenvolvimento simbólico e filosófico é fundamental para o nosso aperfeiçoamento, dentro desta premissa então construímos diferentes saberes para a evolução da mentalidade maçónica.

Na Maçonaria a cor também representa uma gama de significados, os diferentes usos nos aventais, os ritos acabaram elegendo e designando cores para os seus graus, mas de forma geral o azul é a porta de entrada na simbologia, por este motivo vamos entender um pouco sobre esta prática e como é entendido o uso desta cor no Rito de York.

Vamos caminhar um pouco pela perspectiva histórica, mas também pela analogia filosófica, ainda dentro do rito vamos buscar entender o simbolismo alegórico e destacar a relação de força do azul para o delimiar maçónico no apanhado geral da arte real.

O azul na história

Nos Estados Unidos da América o sistema de Blue Lodges é aplicados para as lojas simbólica, ou seja, aquelas que trabalham nos três primeiros graus da Maçonaria, Aprendiz, Companheiro e Mestre, como indica YAMAMOTO (2016).

Para nós no Brasil isto parece mais uma complicação do que uma explicação, mas torna-se simples se pensar da seguinte forma, os três primeiros graus são chamados “lojas azuis” e são conhecidos como monitor de Webb, seguem o ritual de Webb (monitor é o nome do livro publicado pelo irmão Webb), sendo assim normalmente nos EUA, o azul designa a loja nos três primeiros graus e o rito é o monitor.

A loja “Azul” é composta pelos três primeiros graus de Maçonaria, Aprendiz, Companheiro de Ofício e Mestre Maçom.

O azul é emblemático da amizade e benevolência universal, instruindo-nos que, na mente de um Maçom, estas virtudes devem ser tão extensas quanto o próprio arco azul do céu.

Sendo o azul a cor dos graus do antigo ofício, ensina-nos que é o símbolo para a amizade e benevolência universal, como é a cor da abóbada celestial colocada no templo maçónico, que abraça o mundo, por isso cada Irmão Maçom deve ser igualmente extensivo nas suas virtudes de companheirismo e amor fraterno.

Dentro do estudo da bíblia podemos notar que nos relatos os antigos sacerdotes judeus empregavam o uso de uma fita azul por sobre as vestes, esta era chamada de “tekelet” e que simbolicamente significa perfeição, por este facto podemos entender que o neófito ao ser iniciado na ordem logo na loja simbólica ou azul ele está buscando a sua melhoria, tentando chegar à sua perfeição interior com os seus estudos e transformações.

Na Idade Média as cores foram empregadas com grande significado, o azul era representado como o símbolo da imortalidade e o vermelho como sendo o amor divino de Deus, por este facto as ordens religiosas e os militares apelavam para o uso de tais cores nas suas fardas ou vestes, também colocaram tais cores nas alegorias religiosas, a virgem Maria com o azul e o vermelho com o nosso senhor Jesus Cristo.

Observando o estudo teológico podemos destacar de forma rápida que várias sociedades sempre deram enfase para o azul como uma cor de grande simbolismo, na Egipto era a cor da verdade e usada entre os nobres, os babilónios pintavam os seus ídolos com Lápis-lazúli que era a cor da perfeição e o povo Hindu vestia Deus Vishnu com azul já que esta era a cor da sabedoria.

O termo azul vem do persa lazward, “azul, lápis-lazúli” o que é uma clara referência à cor da pedra lápis-lazúli. É a cor do espírito e do pensamento. Simboliza a lealdade, a fidelidade, a personalidade e subtileza. Simboliza também o ideal e o sonho representado por uma cor fria.

O azul claro provoca a sensação de higiene e frescor, mas também estimula a produtividade e transmite sucesso, Já o azul escuro é corporativo, mostrando poder e confiança, sendo uma cor espirituosa que proporciona calma e segurança às pessoas.

Assim como outras superstições, a cor azul tem uma grande influência e faz parte de um simbolismo enorme na espiritualidade, por isto a cor azul é a cor da comunicação e da conexão, abrindo grandes caminhos e conexões inabaláveis pra quem optar pela tonalidade.]

Para a psicologia a cor azul é ligada a confiança, verdade, intelectualidade e serenidade, sendo uma cor fria que provoca o relaxamento e calma, dentro do preceito do cristianismo reflecte o desejo da purificação. O manto da Virgem Maria leva a cor azul, simbolizando neste caso todo o desapego do mundo para uma vida de pureza e de paz.

A cor azul ajuda a baixar a pressão arterial, acalma e traz clareza mental, produz tranquilidade, ternura, afectuosidade, paz de espírito e segurança, também reduz o stress e a ansiedade, promovendo a saúde emocional, ajuda nas actividades intelectuais e na meditação, confiança e tranquilidade.

O azul transmite e favorece a compreensão sendo sim a cor do bem estar e do raciocínio lógico, segundo os psicólogos é a única que tem poder de desintegrar energias negativas, favorecendo a paciência, a amabilidade e a serenidade, sendo normalmente preferida por adultos, demonstra uma certa maturidade.

Segundo ASLAN (2012) o azul é simbolicamente, na Maçonaria, a cor do céu no seu infinito, como infinita deve ser a tolerância condicionada nas atitudes dos Maçons nos três primeiros graus – Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom.

Nicolas Flamel o grande alquimista e precursor dos estudos da química e da física no seu Rosário dos Filósofos destacou que o azul na pedra filosofal é a representação do avanço espiritual e da operação da renovação daquilo que é possível de ser mudado.

Fulcanelli outro importante estudioso da alquimia antiga destaca que as cores são representações fidedignas das acções, o azul é o saber e o poder do conhecimento, o branco a pureza, por este facto o iniciado veste branco na sua entrada na loja durante o seu ritual de iniciação, ademais ainda segundo Fulcanelli o preto é o simbolismo da morte ou da perda, por isto o deus egípcio da morte era pintado de negro.

Ainda historicamente observando o azul foi empregue como o símbolo da realeza na Europa, principalmente na França, o sangue real era dito sangue azul, a designação desta cor era directamente para o uso dos nobres sendo entendida como uma cor de alta capacidade de poder e de grande honra em sua graça, despertando sabedoria nos homens.

O azul do dia e o azul profundo da noite (claro e escuro) são dualidades de uma mesma condição, indicam psicologicamente duas faces de uma mesma moeda, onde o ser humano se pode reflectir, como se ao ver a sua face no espelho sabe que existe um outro eu, não físico, mas mental, interior, ligado ao exterior que são distintos, mas ao mesmo tempo igual.

Conclusão

A Maçonaria emprega cores que são designações para os seus ritos, indicações de actuações dos irmãos em loja, são entendidas como uma divisão de corpos para funções específicas em vários ritos, mas tudo dentro de uma lógica filosófica e única que devemos ter uma noção.

No Rito de York podemos considerar que a primeira das informações é justamente sobre o nome elencado para as lojas dos primeiros três graus, que nos EUA são chamadas de Lojas Azuis (Blue Lodges) que se trata de uma designação normal em referência à cor inicial do corpo maçónico que se forma na América do Norte.

No Brasil chamamos de loja simbólica, mas devemos entender que o azul é empregado como uma relação íntima de contemplação e propagação de conhecimento, tendo em vista que o azul pode e deve ser entendido simbolicamente como uma cor que deve despertar mudança, estamos falando aquela mudança no neófito, aquele iniciado que vai manter os primeiros contactos com a ordem.

Devemos notar que por relação básica sendo o azul dentro da simbologia religiosa de vários grupos em si guarda uma sacralidade o agora iniciado deve compreender que deve buscar reconhecer as suas limitações e revigorar-se como Maçom, combatendo os seus defeitos e edificando as suas virtudes para o seu bem.

Não só no Rito de York sendo empregado o azul mas em outros ritos, podemos compreender que é a busca pela mística de uma revolução intelectual, onde cada elemento acaba por reconhecer a abóboda celeste como o local de contacto com o cosmos, pedindo e emanando energias, e psicologicamente o azul faz com que cada irmão se mantenha firme nos seus propósitos, inclusive contribuído para uma egrégora em loja.

Estando em loja no Rito de York, junto da harmonia, podemos observar e sentir que o tom azul é edificante, contribui para o bom andamento das reuniões, acalma e permite a boa actividade, tanto para os trabalhos quanto para as instruções.

Por fim, metaforicamente, o azul é a cor da ordem, já que entendemos que esta cor nos leva para a busca do conhecimento, para a reflexão e também para a harmonia entre os nossos irmãos, assim, ao final de uma reunião a tonalidade azul nos mantem relaxados, e em paz com os nossos deveres de Maçom.

Adriano Medeiros – ARIS Labor e Concórdia nº 146 Lajes, SC

Bibliografia

  • Nicola, GRANDE DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MAÇONARIA E SIMBOLOGIA. Rio de Janeiro: Ed. Maçónica A Trolha, 2012.
  • Bíblia Sagrada.
  • Boanerges Barbosa de, O Templo Maçónico e o seu Simbolismo. Rio de Janeiro: Ed. Aurora, 1980.
  • Loja Frank Marshall no 170. Rito de York: o rito americano das blues Lodges – volume 1: grau de aprendiz admitido. / Loja Frank Marshall no 170. – Londrina: Ed. Maçónica “A TROLHA”,
  • O Prumo 1970 – 2010: Colectânea de artigos: Grau 1 – aprendiz / [pesquisa : Wilmar Silveira]. Florianópolis: GOSC, 2010. 2v.
  • Proença. Graça, História da Arte. Editora Ática,
  • Ribeiro, J. G. da C. Ritual de Aprendiz – Rito de YORK / Grande Oriente de Santa Catarina, 2010.
  • Webb, Thomas Smith. O Monitor dos Franco-Maçons. 1a Edição. 2017 – Salvador – BA: Curtipiu Publicações

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