Freemason

O Maçom Booker T. Washington

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✍️ Desconhecido 📅 17/09/2025 👁️ 0 Leituras
Booker T. Washington
Booker T. Washington

Booker Taliaferro Washington (5 de Abril de 1856, em Hale’s Ford no Condado de Franklin, na Virgínia, nos Estados Unidos – 15 de Novembro de 1915) foi um educador e líder afro-americano estadunidense. Foi o primeiro presidente e principal desenvolvedor do Tuskegee Normal and Industrial Institute (agora Tuskegee University), e o porta-voz mais influente dos negros americanos entre 1895 e 1915 [1]. Filho de pai branco desconhecido e mãe negra escrava. Aos nove anos, Booker foi libertado, com a sua mãe, Jane, a irmã, Amanda, e o irmão mais velho John, quando da rendição do Sul na guerra civil, em 1865. [WASHINGTON, 1900, p.5; GLEDHILL, 2020, 76-7.] [2]

“Em todas as coisas puramente sociais, podemos ser separados como os dedos, mas um como a mão em todas as coisas essenciais ao progresso mútuo”

(Booker Taliaferro Washington)

Foto de 1895, fotografado por Frances Benjamin Johnston (15 de Janeiro de 1864 – 16 de Maio de 1952) fotógrafa e fotojornalista americana cuja carreira durou quase meio século. Mais conhecida pelos seus retratos, imagens da arquitectura sulista e diversas séries fotográficas de afro-americanos e nativos americanos na virada do século XX.
Foto de 1895, fotografado por Frances Benjamin Johnston (15 de Janeiro de 1864 – 16 de Maio de 1952) fotógrafa e fotojornalista americana cuja carreira durou quase meio século. Mais conhecida pelos seus retratos, imagens da arquitectura sulista e diversas séries fotográficas de afro-americanos e nativos americanos na viragem do século XX.

Booker T. Washington foi Maçom, e um membro notável da Maçonaria Prince Hall, um ramo da Maçonaria para afro-americanos. Washington foi elevado ao grau de Mestre Maçom na Loja Cherokee nº 4, Tuskegee, Alabama, em 1883 e Grão-mestre da Grande Loja Prince Hall de Massachusetts.

A Maçonaria Prince Hall desempenhou um papel significativo na vida de Washington, assim como na de muitos outros líderes negros, incluindo W. E. B. Du Bois e Thurgood Marshall. A fraternidade ofereceu uma rede de apoio e uma plataforma para o desenvolvimento de lideranças, além de promover ideais de irmandade e serviço comunitário numa época de profunda segregação e discriminação nos Estados Unidos.

Como contraponto, o historiador Louis R. Harlen afirma que Booker T. Washington não era membro da Maçonaria Prince Hall, mas mesmo assim tentava influenciar as suas acções – o que gerou resistência entre maçons. Harlen disse que, apesar de Washington não ser Maçom, buscava exercer controle sobre ordens fraternais negras (como os Odd Fellows e os maçons da Prince Hall). (Louis Rudolph Harlan (13 de Julho de 1922 – 22 de Janeiro de 2010) foi um historiador académico americano que escreveu uma biografia em dois volumes do educador e líder social afro-americano Booker T. Washington e editou vários volumes de materiais sobre Washington.).

Por outro turno, embora a maioria das referências sobre a afiliação maçónica de Washington não venha dos seus próprios livros, como a sua autobiografia, a informação é amplamente confirmada por documentos e registros históricos da sua iniciação e participação activa na fraternidade. As fontes a seguir atestam a sua participação:

  • Cherokee Lodge nº 4, Tuskegee, Alabama: Washington foi iniciado no grau de Mestre Maçom nesta loja em 1883. Ele continuou a ser um membro activo e, posteriormente, alcançou o Grau 33, o mais alto do Rito Escocês Antigo e Aceito. (gerada por Gemini IA em 08.09.2025).
  • Publicações de Lojas Maçónicas: Existem diversos artigos e registros publicados por lojas e grandes lojas maçónicas que celebram a vida e a obra de membros notáveis, incluindo Booker T. Washington. Muitos destes materiais detalham a sua afiliação e o papel que a Maçonaria desempenhou na sua vida e trabalho, oferecendo uma rede de apoio e promovendo ideais como a fraternidade e a caridade.
  • Museus e arquivos: O Scottish Rite, Northern Masonic Jurisdiction (NMJ) e outras instituições maçónicas possuem acervos que citam Washington como um notável Maçom, especialmente no contexto da Prince Hall Freemasonry. Ele é citado frequentemente ao lado de outras figuras históricas importantes que também eram membros, como o Dr. W. E. B. Du Bois e Thurgood Marshall.
  • Livros sobre a história da Maçonaria e de figuras notáveis: Muitos livros que abordam a história da Maçonaria, especialmente nos Estados Unidos, fazem menção a Booker T. Washington. Embora seja mais comum encontrar essa informação em artigos de websites de lojas maçónicas, ela também aparece em publicações dedicadas a figuras históricas e a sua relação com a fraternidade.

Booker T. Washington nasceu escravizado. Só conseguiu frequentar a escola após o fim da Guerra da Secessão em 1865, quando ele e a sua família foram libertos. Aos nove anos, começou a trabalhar para ajudar a família: inicialmente, numa fábrica de sal, e, depois, em minas de carvão.

Cabana onde nasceu Booker T. Washington
Cabana onde nasceu Booker T. Washington [3]
Nascido numa cabana de escravos, após a emancipação, mudou-se com a família para Malden, Virgínia Ocidental. Determinado a estudar, matriculou-se no Instituto Normal e Agrícola de Hampton (hoje Universidade de Hampton), na Virgínia (1872), onde trabalhou como zelador para ajudar a pagar as despesas. Alfabetizou-se dos 16 aos 19 anos, formou-se em 1875 e retornou a Malden, onde por dois anos leccionou para crianças numa escola diurna e para adultos à noite. Após estudar no Seminário Wayland, em Washington, D.C. (1878-1879), juntou-se à equipe de Hampton.

Com palavras do próprio Irmão Booker, aqui extraído de Up from Slavery (A Escada da Escravidão), traduzido pelo escritor brasileiro Graciliano Ramos, com o título Memórias de um Negro, 1940, no seu capítulo I, UM ESCRAVO ENTRE ESCRAVOS, assim registrou Booker T. Washington:

“Nasci escravo numa fazenda, em Franklin, na Virgínia. Não sei com exactidão o lugar e a data do meu nascimento; creio, porém, que vim ao mundo em 1858 ou 1859, perto do Forte de Hale, encruzilhada onde havia uma agência do correio. Mês e dia ignoro. As lembranças mais remotas que guardo ligam-se à fazenda, especialmente à parte dela ocupada pelos escravos — a senzala. Comecei mal a vida, num meio triste e miserável, embora os meus senhores não fossem particularmente cruéis. Nasci numa cabana de madeira, de quatorze a dezasseis pés quadrados, e nela vivi com a minha mãe, o meu irmão e a minha irmã até a guerra civil, quando nos libertaram.”

Conforme More Light #58, [4],  por Ed Halpaus, Oficial de Educação da Grande Loja A. F. & A. M. de Minnesota, “O Irmão Booker T. Washington (o “T” significa Taliaferro) foi feito Maçom “à vista” pelo Grão-Mestre da Grande Loja Prince Hall de Massachusetts. O Irmão Washington formou-se no Hampton Institute em 1875 e recebeu graus honorários das universidades de Harvard e Dartmouth. Ele fundou o Instituto Tuskegee em 1884 e foi seu Presidente. Como escritor, educador, líder e palestrante nacionalmente conhecido, ele publicou muitos livros e falou amplamente sobre questões raciais e educacionais. Foi firme nos seus esforços para melhorar a independência económica por meio do avanço da educação dos afro-americanos. Em certos momentos, os seus métodos foram alvo de debate entre os seus pares. É por tudo o que fez para melhorar a educação e o bem-estar económico dos afro-americanos que ele é tão bem lembrado hoje.

Para Booker T. Washington, as virtudes maçónicas eram inseparáveis da sua filosofia de vida e do seu trabalho em prol da comunidade afro-americana. Ele via a Maçonaria Prince Hall não apenas como uma fraternidade, mas como uma escola de moralidade e de desenvolvimento de carácter.

As virtudes que Washington mais valorizava e que buscava instilar nos seus alunos no Instituto Tuskegee ecoam directamente os ensinamentos da Maçonaria:

  • Diligência e Trabalho Árduo: A Maçonaria valoriza o trabalho como uma ferramenta para o progresso pessoal e social. Washington, por sua vez, defendia a importância do trabalho manual e da habilidade profissional como o caminho principal para a independência económica e para a superação do racismo. Ele acreditava que a prosperidade e o respeito seriam conquistados através da dedicação e da competência no trabalho.
  • Fraternidade e Ajuda Mútua: A fraternidade é o pilar central da Maçonaria. Washington aplicou este conceito na sua comunidade, promovendo a solidariedade e a união entre os afro-americanos. Ele via a necessidade de que os indivíduos se apoiassem mutuamente para construir instituições fortes, como escolas e empresas, que pudessem sustentar a comunidade.
  • Moralidade e Carácter: A Maçonaria enfatiza a construção de um carácter moral sólido. Para Washington, a integridade, a honestidade e a conduta moral eram a base para qualquer tipo de progresso. Ele acreditava que um carácter irrepreensível era a melhor resposta ao preconceito, provando que os afro-americanos eram dignos de respeito e de igualdade.
  • Educação e Conhecimento: A Maçonaria incentiva a busca pelo conhecimento e o aperfeiçoamento constante. Washington era um defensor incansável da educação pragmática e da capacitação técnica. Ele fundou o Instituto Tuskegee com a visão de que a educação prática era a chave para que os afro-americanos pudessem prosperar, tornando-se agricultores, artesãos e empreendedores bem-sucedidos.
  • Auto-suficiência e Prudência: A busca pela auto-suficiência é um valor tanto maçónico quanto central na filosofia de Washington. Ele advogava que a comunidade negra deveria focar em construir a sua própria base económica e não depender da benevolência de outros. A prudência nos negócios e na vida era vista como fundamental para garantir a estabilidade e o crescimento.

Booker T. Washington vivia e promovia as virtudes maçónicas de trabalho, moralidade, fraternidade e educação em cada um dos seus empreendimentos. Para ele, essas não eram apenas virtudes abstractas, mas os pilares práticos e essenciais para a dignidade, a liberdade e a prosperidade do seu povo.

Bibliografia de Booker T. Washington

Up from Slavery (A Escada da Escravidão): Publicado em 1901, este é o trabalho mais conhecido de Washington. Ele narra a sua vida, desde a infância como escravo na Virgínia até se tornar o fundador do Instituto Tuskegee. O livro expõe a sua filosofia e a sua crença de que o progresso económico e a auto-suficiência eram os caminhos para a liberdade e a igualdade para os afro-americanos.

Além da sua autobiografia, ele escreveu diversas outras obras, incluindo:

  • The Future of the American Negro (O Futuro do Negro Americano): Publicado em 1899, este livro aprofunda as suas ideias sobre a importância da educação industrial e da capacitação profissional como forma de avanço para a comunidade negra.
  • Working with the Hands (Trabalhando com as Mãos): Um livro mais técnico, que detalha os métodos de ensino e a filosofia educacional aplicada no Instituto Tuskegee.
  • The Story of the Negro (A História do Negro): Uma obra histórica em dois volumes, que abrange a história do povo negro da África aos Estados Unidos.
  • The Man Farthest Down (O Homem mais abaixo): Washington viajou pela Europa e escreveu este livro comparando as condições dos caminhos de vida para os afro-americanos e os de europeus das classes mais baixas.
  • Character Building (Formação de Carácter): Uma colecção de palestras e ensaios que Washington proferiu para os alunos de Tuskegee.

Estes livros, juntamente com inúmeros discursos e artigos, ajudaram a consolidar a posição de Booker T. Washington como uma das vozes mais poderosas e influentes da história afro-americana.

Factos rápidos sobre Booker T. Washington:

  • Conhecido por: Escravizado desde o nascimento, Washington se tornou um importante educador e líder negro durante o final do século XIX e início do século XX, fundando o Instituto Tuskegee.
  • Também conhecido como: Booker Taliaferro Washington; “O Grande Acomodador”
  • Nascimento: 5 de Abril de 1856 (o único registro desta data de nascimento estava numa Bíblia de família agora perdida), em Hale’s Ford, Virgínia
  • Pais: Jane e pai desconhecido, descrito na autobiografia de Washington como “um homem branco que vivia numa das plantações próximas”.
  • Faleceu: 14 de Novembro de 1915, em Tuskegee, Alabama
  • Educação: Como trabalhador infantil, após a Guerra Civil, Washington frequentou a escola à noite e, depois, uma hora por dia. Aos 16 anos, frequentou o Instituto Normal e Agrícola de Hampton. Frequentou o Seminário Wayland por seis meses.
  • Obras publicadas:  A partir da escravidão, A história da minha vida e obra, A história do negro: a ascensão da raça a partir da escravidão, a Minha educação superior, O homem mais distante.
  • Prémios e Honrarias: Primeiro negro americano a receber um título honorário da Universidade de Harvard (1896). Primeiro negro americano convidado para jantar na Casa Branca, com o presidente Theodore Roosevelt (1901).
  • Cônjuges: Fanny Norton Smith Washington, Olivia Davidson Washington, Margaret Murray Washington
  • Filhos: Portia, Booker T. Jr., Ernest, sobrinha adoptiva de Margaret Murray Washington
  • Citação notável: “Em todas as coisas que são puramente sociais, nós [negros e brancos] podemos ser separados como os dedos, mas um como a mão em todas as coisas essenciais para o progresso mútuo.””[5]“.

Legado

De escravizado a fundador de uma universidade negra, a vida de Booker T. Washington traça as vastas mudanças sofridas e as distâncias percorridas pelos negros americanos após a Guerra Civil e no século XX. Ele foi educador, escritor prolífico, orador, conselheiro de presidentes e considerado o negro americano mais proeminente no auge da sua carreira.

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Notas

[1] Fonte: https://www-britannica-com.translate.goog/biography/Booker-T-Washington

[2] Fonte: (https://contrapoder.net/colunas/booker-t-washington/)

[3] Fonte: https://www.nps.gov/places/reconstruction-of-dr-booker-t-washington-s-birth-cabin.htm

[4] https://share.google/D4V3bsAUyWW7AI37f

[5] (Ver https://www-thoughtco-com.translate.goog/booker-t-washington-1779859?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc)

Fontes

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