Freemason

Ser Maçom

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✍️ Desconhecido 📅 22/04/2026 👁️ 1 Leituras

esquadro e compasso vermelho, Ser Maçom

Custa-me crer que alguém possa ser ensinado a ser Maçom. Ser Maçom acarreta a defesa de valores que dificilmente se depositarão em alguém à espera que cresçam. Ser Maçom é ver o mundo sem formatos e enxergar a verdadeira lógica. Ver de cima e reconhecer tanto a grandiosidade como a pequenez do Homem. O Homem que segue a sua natureza e que, ganhando consciência do seu papel, se esforça para dignificar o que mais Humano existe em cada um de nós. Intransigente na defesa da Humanidade e de tudo o que nos torna Humanos – O respeito pelo próximo, a curiosidade pelos mistérios do Universo, a consciência de que juntos somos mais fortes mas que o um é indissociável e inegociável como tal, o perseguir do próprio potencial, do ideal. Ser Maçom é uma caminhada, um compromisso com o próprio eu e com os outros que me reconhecem tal como sou.

Sou Maçom pelo caminho do compasso que mede os passos e actos do Homem e que ao mesmo tempo os delimita. Pelo compasso que simboliza o progresso que o Homem alcançou e o que ainda alcançará.

Sou Maçom regido pela justiça e rectidão de carácter representados pelo esquadro. Pelo esquadro que implica o acordo com a norma e com a lei, com os direitos e com os deveres e com a virtude de seguir em linha recta, sem desvios, a direcção indicada pela igualdade em proporção. Pelo justo.

Sou a razão e inteligência do cinzel que descobrirá a pedra cúbica na pedra bruta pela força e pelo carácter impostos pelo malhete. O malhete é o espírito. O cinzel é o físico.

Seguirei o caminho da régua. Polegada a polegada, com disciplina, moral, exactidão e justiça.

Terei sempre em consideração a defesa dos valores do nível e do prumo. A igualdade e o equilíbrio e estabilidade. De cada um de como cada qual. Porque um somos todos e todos somos um.

Será minha caminhada, o desbastar, esquadrejar, polir e regularizar da minha pedra bruta que é o objecto do meu trabalho. O mesmo farei ao meu espírito. Serei recto, serei integro e esforçado, no caminho. Serei o Maçom e serei a pedra bruta.

Procurarei sempre no oriente o nascer da luz do Sol, do conhecimento e do esclarecimento mental e intelectual. Em loja reconhecerei essa luz emanada pelo guardião da Lei – o orador.

Reconhecerei a Lua como a mãe universal. O feminino que fertiliza todas as coisas. A representante da alma, do carácter magnético. Da oposição às forças do Sol. O necessário equilíbrio.

Ao entrar no templo, reconhecerei no pavimento em mosaico de quadrados pretos e brancos, os opostos da vida de cada Homem. A boa e má sorte, a virtude e o vício, a alegria e a tristeza, a riqueza e a miséria, a mistura das raças, as condições sociais e todo o dualismo.

Fui criado pela espada flamejante do venerável mestre e por ela aperfeiçoar-me-ei como Maçom.

Sobre o venerável mestre poderei sempre encontrar o nó central da corda de 81 nós que percorre todos os pontos cardeais da loja, terminando seus extremos, em ambos os lados da porta do templo (a ocidente), em duas pontas que representam a Justiça, ou equidade e a Prudência, ou moderação. Esta abertura da corda representa também a capacidade da Maçonaria ser dinâmica e progressista, sempre aberta a novas ideias que contribuam para a evolução do Homem e para o progresso da Humanidade.

Na entrada do templo, entre as colunas gregas que sustentam simbolicamente a loja, está um painel da loja de aprendiz que mostra uma porta e as colunas que representam a entrada no templo. A pedra bruta, a pedra trabalhada (cúbica) e a prancha de traçar- símbolos dos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre respectivamente. O compasso e o esquadro, cruzados, o nível e o prumo, simbolizam as três luzes da Oficina (templo) – O venerável Mestre, os 1.º e 2.º vigilantes, respectivamente. O maço e o cinzel são os instrumentos de trabalho do Aprendiz no desbastamento da pedra bruta. Três janelas que simbolizam a marcha do Sol, a corda de 81 nós e uma orla dentada que enquadra todo o conjunto e que simboliza os opostos.

As três colunas que sustentam a loja de Aprendiz representam cada uma das três ordens arquitectónicas gregas (dórica, jónica e coríntia) e são por isso assimiladas ao Venerável Mestre e aos vigilantes. A coluna Dórica é a mais forte. Sem base e com um capitel simples, não deixa de apresentar uma alta plasticidade e é a personificação da força do Homem, sendo por isso a personificada pelo 1.º vigilante que é o responsável pela coluna da força. A coluna Jónica, mais esbelta, com base e capitel trabalhados e com quatro voltas é a representação da Sabedoria, sendo personificada pelo Venerável Mestre. A coluna Coríntia, com capitel de maior beleza plástica é a representação da beleza, personificada pelo 2.º vigilante.

Em loja, o símbolo máximo é o Delta, que simboliza a sabedoria divina e a presença de Deus. O delta ou triangulo equilátero é o símbolo das tríades divinas. O Delta Maçónico, além dessa representação, tem, no seu interior, as letras do nome hebraico de Deus, ou o Olho Omnividente, conotado com o olho da Sabedoria de Hórus.

O meu lar é a Terra; Minha Pátria, o Mundo; minha família é a humanidade; meu Deus é o Grande Arquitecto do Universo e meus irmãos são todos os maçons.

E o meu caminho é cumprir todo o meu potencial.

Nuno Drummond, M. M. – R. L. Luis António Verney nº 92 (GLLP / GLRP)

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