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O Iluminismo, a Revolução e a Maçonaria

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✍️ Desconhecido 📅 04/09/2025 👁️ 0 Leituras

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O Iluminismo, um movimento filosófico do século XVIII, promoveu o uso da razão como ferramenta principal para entender e transformar a sociedade. Os seus pensadores acreditavam que a humanidade poderia alcançar o progresso ao se libertar da ignorância, dos dogmas religiosos e das tradições insustentáveis diante da razão.

As suas ideias eram baseadas na racionalidade, na liberdade de pensamento e na valorização do conhecimento científico. Rejeitavam a superstição e buscavam reformular a sociedade com base em princípios racionais, promovendo valores como a liberdade individual, a tolerância religiosa e a igualdade perante a lei.

Naquela ocasião, filósofos como John Locke (1632–1704) defendia o empirismo e a ideia dos direitos naturais do homem: vida, liberdade e propriedade; Montesquieu (1689–1755) propunha a separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) como base para um governo equilibrado; Voltaire (1694–1778) criticava o fanatismo religioso e defendeu a liberdade de expressão; Rousseau (1712–1778) desenvolvia a teoria do contrato social, defendendo a soberania popular; e Diderot (1713–1784) e d’Alembert (1717–1783) organizaram a Enciclopédia, obra fundamental para a difusão do pensamento iluminista.

Os fundamentos do Iluminismo podem ser resumidos em alguns pontos que acabaram por influenciar profundamente a sociedade ocidental. São eles:

  • Razão como guia principal – Os iluministas acreditavam que a razão era a chave para o progresso da humanidade. A verdade não deveria ser imposta pela tradição ou pela religião, mas descoberta por meio da análise crítica e do pensamento racional;
  • Libertação da ignorância e da superstição – O conhecimento deveria ser acessível a todos, e a educação era vista como um instrumento fundamental para combater a ignorância e o obscurantismo religioso;
  • Questionamento da autoridade – O Iluminismo desafiou a autoridade absoluta da monarquia e da Igreja, defendendo que o poder deveria vir do povo e que os governos deveriam ser baseados na razão e na justiça;
  • Direitos naturais e individuais – Os pensadores iluministas sustentavam que todos os homens nascem com direitos inalienáveis, como liberdade, igualdade e propriedade. Este conceito influenciou documentos como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789);
  • Liberdade de pensamento e expressão – A liberdade de crença, de imprensa e de expressão eram pilares do Iluminismo, sendo defendidas por filósofos como Voltaire, que criticava a censura e o fanatismo;
  • Separação entre Igreja e Estado – Os iluministas propunham um Estado laico, onde as decisões políticas fossem tomadas sem interferência religiosa, garantindo maior liberdade de consciência e tolerância religiosa;
  • Progresso e crença na ciência – A ciência era vista como um motor para o avanço da sociedade. O método científico, baseado na observação e experimentação, deveria substituir explicações supersticiosas e dogmáticas;
  • Contrato social e soberania popular – Jean-Jacques Rousseau formulou a ideia de que o poder legítimo de um governo deveria ser baseado na vontade do povo, estabelecendo um contrato entre governantes e governados. Isso influenciou directamente as revoluções democráticas;
  • Igualdade perante a lei – Os iluministas defendiam que todos os cidadãos deveriam ser tratados de forma igual perante a lei, sem privilégios para a nobreza ou o clero, o que confrontava o sistema feudal e o absolutismo.

Estes fundamentos moldaram o pensamento moderno e tiveram um impacto profundo nas revoluções políticas, sociais e científicas dos séculos seguintes.

Os iluministas defendiam que as tradições deveriam ser questionadas e reformuladas sempre que não se alinhassem à razão e ao progresso. Isso levou a mudanças significativas em áreas como a educação, com incentivo à universalização do ensino e à ênfase na ciência, a economia, com o surgimento do liberalismo económico, com Adam Smith (1723–1790) e a sua defesa do livre mercado, e os Direitos Humanos, com posicionamentos e discussões sobre igualdade, liberdade e justiça social.

O pensamento iluminista moldou o mundo moderno, dando origem a conceitos como a Democracia representativa e direitos humanos, o Estado laico e liberdade de crença, e o Método Científico como base do conhecimento.

Revolução Francesa (1789-1799)

O Iluminismo fez a Revolução Francesa (não o contrário). O movimento iluminista forneceu a base intelectual que inspirou os revolucionários a questionar o absolutismo, a desigualdade social e o domínio da Igreja sobre o Estado. As ideias de liberdade, igualdade e soberania popular foram amplamente debatidas antes da Revolução e serviram como fundamento para as suas acções.

O Iluminismo, fornecendo a base intelectual de inspiração contra o absolutismo,  influenciou a Revolução Francesa quando Montesquieu propôs a separação dos poderes para evitar o despotismo e enaltecendo a soberania do povo; quando Rousseau defendeu que o governo deveria ser baseado na vontade geral, pela igualdade e direitos individuais; através das ideias de Voltaire e outros pensadores que criticaram privilégios da nobreza e do clero; e pela racionalidade e progresso, promovendo o uso da razão para reformar as instituições políticas e sociais.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, emanada pela Revolução Francesa foi a concretização das ideias iluministas, reflectindo directamente os seus princípios, garantindo liberdade, igualdade e propriedade. No entanto, deve-se ter em conta que a Revolução tomou rumos radicais, conhecido como o Período do Terror, que não estavam alinhados com o ideal original do Iluminismo.

Muitos filósofos iluministas eram deístas, ou seja, acreditavam num Deus criador, mas que não interfere no mundo nem dita regras através de religiões. Para eles, a razão e a ciência eram os melhores instrumentos para compreender o universo, e não a revelação religiosa.

Por exemplo, Voltaire que, apesar de criticar a Igreja, dizia

“Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo”

John Locke, que defendia a tolerância religiosa, mas via Deus como fundamento da moralidade, e Rousseau que falava de uma “religião natural”, sem dogmas ou rituais.

Os iluministas não rejeitavam Deus, mas criticavam a intolerância, o fanatismo e o abuso de poder das igrejas. Voltaire, por exemplo, atacava a perseguição religiosa e a Inquisição com o seu lema “Esmagai a infame”, referindo-se à hipocrisia e a violência da Igreja do seu tempo.

Embora menos comuns, havia iluministas ateus e materialistas, como Denis Diderot, que argumentava que a matéria e a natureza explicam tudo, sem necessidade de Deus, e o Barão d’Holbach (1723–1789), que afirmava que a religião era um produto da ignorância humana.

Maçonaria

No ambiente do Iluminismo, a Maçonaria foi institucionalizada a partir de 1717, em Londres, expandindo-se em seguida, pela Europa e pelo mundo.

A Maçonaria Especulativa, formalmente institucionalizada em 24 de Junho daquele ano, com a fundação da Grande Loja de Londres e Westminster, é considerada a primeira Grande Loja Maçónica do mundo. Este evento marcou a transição da Maçonaria Operativa, ligada aos antigos pedreiros construtores, para a Maçonaria Especulativa, focada no aprimoramento moral, intelectual e filosófico dos seus membros.

A Maçonaria e o Iluminismo cresceram paralelamente no século XVIII, compartilhando muitos ideais, como:

  • Racionalidade e conhecimento – A Maçonaria incentiva o estudo e o debate, promovendo a busca pelo aprimoramento humano;
  • Liberdade de pensamento – Assim como o Iluminismo, a Maçonaria defende que cada indivíduo deve pensar por si mesmo, sem imposições dogmáticas;
  • Fraternidade universal – O lema maçónico “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” influenciou a Revolução Francesa e reflecte os princípios iluministas;
  • Separação entre Igreja e Estado – A Maçonaria promove a liberdade religiosa e defende que o governo deve ser laico.

A Maçonaria Especulativa ajudou a preservar e disseminar os valores iluministas e o seu ambiente intelectual, tornando-se um espaço de debate e aprendizagem, onde grandes pensadores e líderes puderam se reunir sem o controle da Igreja ou da monarquia, e promovendo uma rápida expansão pelo mundo e o seu impacto na história continua até hoje.

Giovanni Angius, M. I. – 33º REAA, ARLS Orvalho do Hérmon nº 21 – Grande Loja Maçónica do Estado do Espírito Santo – Brasil

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