O espelho imutável
O termo caveira é derivado do latim “calvaria” ou “crânio”.
Carrega um misticismo com a sua imagem, carregada de alegria ou pavor, para muitos representa a morte, o azar, alguns demonizam a imagem, muito utilizada em filmes de terror, o que de certa forma contribui para a popularização vinculada com presságios ruins, por outro lado, os que realmente possuem um entendimento mais abrangente, a entendem e inclusive a difundem, esses agregam uma representatividade que contribui para que a imagem, além de utilizada em ritos, seja aculturada em povos.
Dentro da cultura mexicana, é celebrado o dia dos mortos, onde as caveiras coloridas lembram com alegria e festividade amigos e familiares que já partiram, uma festa que tem por principal caracterização a caveira. Na cultura nórdica, eram utilizadas caveiras em rituais pagãos, normalmente representando a passagem da vida para a morte. Algumas tribos indígenas cultivam uma tradição antiga nos seus festivais, usando caveiras e ossos como símbolo de conexão com os seus ancestrais. Outra data também muito conhecida e difundida, que hoje já se apresenta representada com mais formas, não somente com a caveira, é o Samhain, data festiva que deu origem ao Halloween, originária na Irlanda e disseminada nos Estados Unidos, onde se celebra a transição para o Inverno.
Na Bíblia Sagrada, algumas traduções apresentam a palavra caveira como local onde Cristo foi crucificado, citado como monte da caveira, um lugar onde os condenados eram mortos. No início do texto, trouxe a origem do latim “calvaria”, por isso existe a definição conhecida por todos nós como calvário, que lá Cristo entregou a sua vida. Não à toa foi neste local onde ocorreu o marco da sua história, o seu último acto e as suas últimas palavras, que foram de fé e confiança: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” Como escrito no evangelho de Lucas 23:46. Aqui faço uma ponte entre Cristo e a caveira, onde ambos representam vida e morte, representam, pois, diante da doutrina Cristã, todos crêem no Cristo vivo, aquele que ressuscitou.
Na Maçonaria, o primeiro contacto que de facto faz uma alusão técnica do que ela realmente representa é tido na câmara das reflexões, ali o crânio representa a morte dos vícios, ali morre o profano, que renasce Maçom.
Para nós, maçons, a caveira continua se mostrando ainda, tanto em imagem quanto em simbolismo, tanto na matéria quanto no quinto elemento, muito mais latentes no grau de mestre, onde o renascimento e elevação de nível da consciência é atingida, ou pelo menos deveria ser.
Uma das principais missões da Maçonaria é mostrar a todos os seus membros a igualdade, que independe de classe social, bens etc. Somos todos iguais, isso pode soar confuso e ao mesmo tempo esclarecedor, confuso para aqueles que não conhecem a forma que realmente é a Maçonaria e esclarecedor para todos nós, maçons, livres-pensadores, pois temos na nossa mente que a vida é uma passagem e a morte propriamente dita é o mais inevitável destino.
O mais incrível de tudo é a transformação, de matéria em pó, de vida em morte, a transcendência do corpo. Tolo aquele que julga a morte, que julga a desigualdade sem praticar a benemerência, julga o outro e crucifica as suas atitudes como se fosse um juiz que corruptamente se vende por poder. O que mais contempla uma vida toda são os actos, pois eles se tornarão lembrança, seja na vida da nossa família, na vida dos nossos amigos, dos nossos irmãos ou na vida de estranhos que no nosso caminho ajudamos e praticamos a honorabilidade.
Por fim, a “calvaria”, ensina e nos repreende, mas ao mesmo tempo transmite a sincera mensagem de que a caveira é um símbolo que transcende a vida. Ela é o único espelho que te vai mostrar a tua imagem fiel. Nesse espelho, você não escolhe a imagem, não muda, não tem poder nenhum que vá alterar a imagem final.
O grande médium Chico Xavier, na obra Libertação, por André Luiz cita: “A morte é simples mudança de veste, somos o que somos. Depois do sepulcro, não encontramos senão o paraíso ou o inferno criado por nós mesmos.”
Mateus Hautt Nörenberg, M. M. – Loja Hiram Abiff nº 535 – Oriente de Porto Alegre, RS
Bibliografia
- BÍBLIA SAGRADA, Versão Almeida revista e corrigida.
- XAVIER, CHICO, Libertação Livro 6.
