Blog Pedro Juk

ESTRELA POLAR (POLARIS)

✍️ noreply@blogger.com (Pedro Juk) 📅 09/06/2026 👁️ 0 Leituras

Em 02.04.2026 o Respeitável Irmão Thales de Alencar Cézar, Loja Obreiros de Macaé, 2075, REAA, GOB-RJ, Oriente de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos para o seguinte:

 

ESTRELA POLAR

 

Estou ajudando um irmão aprendiz a realizar um trabalho sobre abóboda celeste e surgiu uma dúvida. No Ritual novo de 2024 foi incluído a estrela Polar, porém no ritual antigo de 2009 não tem. Como podemos abordar essa inclusão no trabalho, já que em nossa Loja não possui a Estrela Polar?

Desde já, agradeço pelo tempo e atenção no envio da resposta.

 

CONSIDERAÇÕES

 

A justificativa para o aparecimento da Estrela Polar (Estrela Polaris) na abóbada do templo é porque o REAA, nascido na meia-esfera Norte do planeta Terra, tem a sua decoração estelar concernente ao firmamento (abóbada) visto do Norte.

Como o rito em questão nasceu na França, a abóbada do seu templo obedece à imagem aproximada vista do céu europeu.

             Na verdade, primitivamente a decoração da abóbada do REAA é uma das contribuições deixadas pela Loja Geral Escocesa, loja então criada em outubro de 1804 na França para gerenciar a elaboração do primeiro ritual para o simbolismo do Rito, que até então era inexistente na Europa (observe-se essa história).

À vista de tudo isso, a Estrela Polar, ou Polaris, que agora aparece no ritual, não é nenhuma novidade, mesmo que ela tenha sido esquecida por muito tempo por alguns pseudos ritualistas que pouco entendem da estrutura doutrinária do REAA – um rito deísta/teísta e solar por excelência.

Já, sob o ponto de vista histórico que envolve a Estrela Polar na Maçonaria, esse símbolo vem do período atinente à Franco-maçonaria operativa e está diretamente relacionado à orientação noturna em uma época em que os artífices viajantes se deslocavam pelos longínquos rincões nortistas da velha Europa Medieval.

Assim, não há nada a se estranhar com a presença da Estrela Polar do Norte na decoração dos templos maçônicos, lembrando que os artífices, construtores de igrejas e catedrais da Idade Média, nossos ancestrais, tinham o hábito comum de se deslocar pelo norte da Europa em busca de contratos de trabalho que envolviam novas construções, sobretudo pela expansão territorial da Igreja logo após o ano mil.

             É bom lembrar que na Idade Média (séculos X, XI e XII) a Franco-maçonaria foi a principal corporação de construtores (ofícios francos) a serviço da Igreja, para quem eles construíam catedrais, igrejas, mosteiros e abadias góticas. Graças a isso é que esses “pedreiros livres”, viajantes de então, foram por longo tempo protegidos pelo clero, fato que lhes deu notoriedade e crescimento econômico.

Nesse contexto, de canteiros medievais, viagens e construções, a Estrela Polar do Norte foi uma das principais referências de orientação. Ela é a estrela mais brilhante da constelação da Ursa Menor e se caracteriza por se localizar muito próxima de um ponto sobre o polo norte celeste da Terra. Por conta disso, a Estrela ela tem servido a séculos como uma toponímia celeste noturna de navegação, principalmente para se encontrar o norte no Hemisfério Norte.

Por se apresentar praticamente alinhada com o eixo de rotação da Terra, a Estrela Polar, ou Polaris, parece estacionada no firmamento noturno, enquanto que as demais estrelas, à sua volta, aparentemente giram em torno dela.

Como naquela época ainda não existiam lojas maçônicas especulativas e nem templos decorados como hoje os conhecemos na Moderna Maçonaria, a Estrela Polar, que literalmente brilhava no firmamento boreal, servia como referência para guiar os artífices da pedra calcária em deslocamento para porto de salvamento. Nesse tempo era comum que os “pedreiros” se reunissem e se hospedassem em estalagens e tabernas das cervejarias, sobretudo na Inglaterra – as tabernas dos maçons antigos.

Em relação ao aspecto iniciático e esotérico da Moderna Maçonaria (dos Aceitos), o símbolo Polaris, fixado na banda norte da abobada da Loja, simbolicamente revela uma ideia de “estabilidade”, mormente porque essa Estrela literalmente, no firmamento, permanece parada e alinhada com o eixo de rotação da Terra – é uma referência segura para aqueles que buscam orientação, olhando para o Norte.

Esse é um resumo do porquê da aparição da Estrela Polar ao Norte da abóbada celeste da Loja. Nesse sentido, também vale ressaltar que das estrelas que compõem a constelação da Ursa Menor, apenas a Estrela Polaris aparece visível na abóbada celeste da Loja. Assim, é prudente não confundir no firmamento da Loja a constelação da Ursa Menor (que traz a Estrela Polar) com a da Ursa Maior, a qual, de fato, aparece com todas as suas sete estrelas na abóbada. O número sete, de estrelas que a formam, é que dá origem à palavra “setentrião”, termo conexo à região norte da Terra (isso também foi corrigido no ritual de Aprendiz do REAA/2024.

Ao concluir, vale lembrar que a abóbada celeste do templo maçônico é uma figura estilizada e alegórica, portanto está longe de ser um mapa astronômico preciso do firmamento.

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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JUN/2026

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