Espiritualidade versus Secularidade e Realidade (I)
Vivemos numa época em que o espírito humano oscila entre dois pólos tão poderosos quanto opostos: de um lado, a espiritualidade, busca milenar de sentido, transcendência e ligação com o invisível; do outro, o secularismo, baluarte da razão pública, garante da neutralidade e da coexistência das crenças. Entre essas duas forças, a realidade – crua, mensurável, às vezes cruel – impõe-se como um árbitro implacável.
Este tema é ao mesmo tempo intemporal e muito actual: intemporal, tal como a própria Maçonaria. Somos um grupo de homens e mulheres que procuram a luz através dos caminhos da espiritualidade, vivendo plenamente no seio da sociedade e do tempo presente.
Actual porque cada obra, cada artigo, cada programa de televisão, para além das imprecações paranóicas de uns e das defesas mais ou menos inspiradas de outros, é um convite para nos questionarmos sobre qual é o lugar certo do Maçom ou da Maçona na sociedade contemporânea.
É, portanto, lógico começar uma reflexão sobre o tema “Espiritualidade versus Secularidade”. “
Cada um de nós tem uma definição de espiritualidade. Na verdade, cada um de nós sente de forma mais ou menos confusa o registo em que se inscreve esta palavra e o que ela abrange.
As enciclopédias concordam, de modo geral, em definir a espiritualidade como aquilo que se refere à vida espiritual ou ao misticismo; é também o termo que designa um conjunto de crenças e práticas que caracterizam a vida espiritual de um grupo.
A espiritualidade abrange, portanto, tudo o que se refere à vida espiritual. Mas o que é a vida espiritual?
O termo espiritual tem pelo menos três níveis de significado.
O espiritual é o que diz respeito ao espírito, à alma, às relações com o divino. Neste sentido, espiritual opõe-se a material e espiritualidade opõe-se a materialidade.
Para alguns, precisamente, a espiritualidade é a qualidade do que está livre de qualquer materialidade. Sabe-se que muitos teólogos do século XVII, chamados espiritualistas, defenderam a posição filosófica de que a alma existe como um princípio independente da matéria e superior a ela. O espírito seria, assim, descrito como uma realidade substancial. Esta doutrina, ilustrada, por exemplo, por Victor Cousin, é conhecida como espiritualismo. Ela opõe-se directamente, é claro, ao materialismo defendido pelos ateus.
Mas a palavra espiritual também designa o que diz respeito às igrejas, à religião. Aqui, espiritual opõe-se a temporal, e espiritualidade a temporalidade, no sentido do que, tendo uma duração limitada, faz parte das contingências, do que, fugaz, se limita aos interesses do aqui e agora. Entre parênteses, notemos que os papas têm tanto poder espiritual como poder temporal, enquanto soberanos do território que constitui a Cidade do Vaticano e alguns enclaves territoriais.
Por fim, o termo espiritual aplica-se ao que diz respeito às realidades e convicções de ordem moral. Os valores espirituais são, de facto, as crenças, os princípios morais em que os membros de uma comunidade se reconhecem. Trata-se aqui de uma construção imaterial elaborada pela mente humana para servir de quadro, de referência, para os seus pensamentos e, além disso, para as suas acções.
A espiritualidade dos maçons inscreve-se naturalmente nesta última acepção, mas participa sem dúvida das duas anteriores. A nossa espiritualidade é orientada e fundamentada na defesa de valores morais. Ela esforça-se por se apegar aos princípios em vez das contingências e coloca-se sob a inspiração do Grande Arquitecto do Universo, “muito acima das preocupações da vida material”, como lembra o ritual durante a cadeia de união que encerra cada uma das nossas reuniões.
A espiritualidade do Maçom é uma abertura para uma dimensão mais interior da nossa humanidade do que a do mundo e das coisas que nos rodeiam. É, de certa forma, o quadro de um retorno a si mesmo para encontrar o que, em nós, nos constitui e, no entanto, nos escapa, a própria essência e o próprio sentido da Vida.
A espiritualidade maçónica é, assim, orientada para a realização de si mesmo, em vez de para o meio de garantir o seu domínio sobre os outros. É um caminho de elevação onde aquele que sobe não o faz em detrimento ou às custas dos outros, mas, sem dúvida, em última análise, em seu benefício.
A Maçonaria não é uma religião. No entanto, é, de certa forma, profundamente religiosa. Não limitaremos aqui o discurso às obediências que exigem que o candidato à iniciação seja um homem religioso, crente em Deus e na sua vontade revelada, bem como na imortalidade da alma.
No entanto, a Maçonaria tal como a entendemos aqui, aquela que se coloca de forma mais aberta, mais universal e tolerante, sob a invocação do princípio criador que é o GADU, é profundamente religiosa nos seus fundamentos históricos e na sua moral. Se o Volume da Lei Sagrada que figura obrigatoriamente nos nossos altares é a Bíblia, é certamente porque nela se encontram todas as referências aos mitos e símbolos utilizados nas nossas lojas azuis. Mas esse referencial em si não tem nada de fortuito, nem é indiferente ao próprio conteúdo da nossa abordagem. Progredir ao longo de um caminho iniciático marcado por referências emprestadas de uma tradição religiosa, mesmo que cuidadosamente desconectadas de qualquer prática, não é evidentemente neutro.
Dito isto, a Maçonaria pretende situar-se acima das religiões, não as superando, mas reunindo-as ou, melhor dizendo, federando o que elas têm em comum e de essencial.
Ao contrário do que os profanos ávidos por mistérios podem imaginar ou temer, a Maçonaria não revela aos iniciados nenhuma verdade superior àquilo que outras fontes de moral e sabedoria ensinam. A iniciação é um convite a trilhar o caminho da busca da verdade, tal como ela pode ser realizada em si mesmo. Aqui, no carácter pessoal e íntimo dessa realização e das suas etapas sucessivas, reside o único segredo que o Maçom será convidado a partilhar com os seus Irmãos e Irmãs.
É somente em si mesmo que o Maçom será chamado, grau após grau, a descobrir a verdade, fruto dos seus esforços e da sua perseverança. Nenhum ensinamento dogmático. Nada que seja imposto ou que se deva comprometer-se a acreditar.
Ao contrário das religiões, que impõem a sua verdade aos seus adeptos sem que estes tenham de a procurar, a Maçonaria considera que a verdade continua a ser procurada e que essa procura é precisamente o objecto do compromisso assumido por aqueles que a reivindicam.
A nossa espiritualidade está voltada para a Luz.
Há quase três séculos, as nossas lojas combatem a ignorância, os preconceitos e as superstições. Aliás, não é o menor dos paradoxos constatar que muitos dos nossos irmãos se apaixonam pelo ocultismo e outras manifestações das quais nunca está ausente um certo grau de obscurantismo. Maçons esclarecidos e maçons obscurantistas coexistem nas Lojas, por vezes na mesma pessoa. As faculdades plásticas do espírito humano são consideráveis!
De qualquer forma, vemos claramente até que ponto o pensamento maçónico é plural, rico em múltiplas facetas, sem dúvida ligado às suas múltiplas componentes históricas, às diversas contribuições que o constituíram e enriqueceram.
É o que sublinha, por exemplo, Patrick Négrier na conclusão do seu importante panorama do pensamento maçónico do século XIV ao século XX.
Ele observa que, desde o manuscrito Regius, primeiro marco conhecido do pensamento maçónico em 1390, este representa uma quadrupla oportunidade hermenêutica, no sentido em que permite a interpretação dos sinais como elementos simbólicos de uma cultura. A hermenêutica, ciência da explicação, permite determinar ao mesmo tempo o sentido literal dos escritos ou de outras traduções do pensamento e o seu sentido universal na história da humanidade.
De facto, o pensamento maçónico esclarece as fontes salomónicas da arte gótica, pelas suas origens operativas e companheiras. Fazendo ampla referência às sete artes liberais herdadas de Platão, ela esclarece a permanência destas últimas na tradição arquitectónica. Defendendo a religião natural numa abordagem meta confessional, a Maçonaria abre um caminho experimental para a compreensão das diversas religiões. Por fim, praticando amplamente a interpretação do simbolismo do templo de Salomão, a Maçonaria constitui um instrumento privilegiado para a exegese dos símbolos bíblicos.
Além disso, ela está predisposta a abordar o estudo comparativo das diversas tradições espirituais e simbólicas, realizando, nesse registo como em outros, uma obra de universalidade.
Não é, portanto, surpreendente que encontremos aqui a noção de “tradição primordial” de René Guénon.
A pluralidade das suas fontes, tal como a universalidade que reivindica, fundamentam o apego dos maçons à tolerância. A tolerância, um valor fundador da Maçonaria moderna, tornou-se uma virtude primordial num mundo em que o respeito pelo outro e pelas suas diferenças, a verdadeira laicidade, estava longe de ser a regra, se é que hoje em dia é mais comum.
Talvez a tolerância maçónica seja também consequência da importância que o Maçom atribui à pessoa. À sua própria pessoa, uma vez que está empenhado em descobrir e realizar em si mesmo a verdade, e sabe que esse caminho só pode ser percorrido como homem livre, sem subjugação nem obrigação.
Atenção: livre e independente não significa sozinho e isolado.
Ajudado e guiado pelos seus irmãos, o Maçom não pode nem deve ser solicitado ou coagido. Portanto, o que o Maçom reivindica para si mesmo como condição para o seu progresso, ele deve reconhecer e conceder ao Outro.
E do respeito e valor que atribui à sua própria pessoa, o Maçom passa naturalmente, necessariamente, ao respeito e valor concedidos à pessoa do Outro.
Procurar o que se perdeu e reunir o que está disperso. Toda a nossa espiritualidade está voltada para esta ambição.
Uma ambição simples, natural, lógica e razoável para quem prefere a ordem ao caos. Uma ambição que, no entanto, constitui um objectivo que uma vida humana não é suficiente para alcançar, talvez nem mesmo para se aproximar. Uma ambição que, no entanto, justifica os esforços incansáveis daqueles que se comprometem no caminho iniciático, fortalecidos pelo amor dos seus irmãos. Uma ambição, enfim, que nada perdeu da sua actualidade nem da sua pertinência, face às questões que, hoje como no século XVIII, interpelam o homem honesto.
“Secularidade”. É, segundo o dicionário, o carácter do que é secular.
Secular é um adjectivo formado a partir do latim vulgar saeculari, que remete para saeculum, o século. É secular o que é temporal, ligado ao aqui e agora.
Sabemos que a palavra “secular” também é usada para designar o clero que vive em contacto com os fiéis, formado por padres que não pertencem a nenhuma ordem ou instituto religioso.
O clero secular opõe-se assim ao clero regular, aquele que vive de acordo com as regras de uma ordem monástica ou não, mas sobretudo, de certa forma, fora dos limites estreitos e contingentes do espaço e do tempo.
O termo “secular” também era usado antigamente para designar a justiça laica, temporal. Daí a expressão “braço secular”, usada para significar o poder ou o executor dessa justiça laica temporal.
Uma expressão do vocabulário eclesiástico pode, aliás, chamar a nossa atenção. A Igreja chama, de facto, Instituto secular a uma “associação religiosa cujos membros tendem para o estado de perfeição, mas não se encontram na situação canónica das ordens religiosas e das congregações religiosas”. Não estamos, manifestamente, sozinhos no árduo caminho que conduz à Sabedoria e ao estado de perfeição…
Reteremos aqui para a palavra “secularidade” um sentido mais global, que reflecte as preocupações materiais do momento, as interrogações e as fracturas do mundo profano, os entusiasmos e os medos da época, as interrogações dos cidadãos, no sentido primeiro do termo “político”…, muito distante do espectáculo afligente que nos impõe o debate político.
Em que medida o trabalho do Maçom pode ou se deve interessar pelo que diz respeito ao mundo profano, à actualidade do aqui e agora? Uma resposta apresentar-se-ia em três níveis:
Primeiro nível: O ritual convida-nos a deixar os nossos metais à porta dos nossos Templos. Isto visa sobretudo as preocupações materiais e os sentimentos passionais, ou mesmo impulsivos, que lhes estão associados, bem como as expressões violentas ou agressivas que, naturalmente, não têm lugar na Loja.
Mas podemos acreditar que as interrogações do exterior, as questões que interpelam cada um de nós ou as tensões que dividem o corpo social desaparecem do nosso campo de consciência no momento em que o Perito desenrola o tapete da Loja?
Temos uma mente capaz de se compartimentar a tal ponto ou de criar um estado de pausa durante o tempo de uma reunião?
O ritual tem, naturalmente, entre outros objectivos, o de criar esse espaço sagrado. “Não estamos mais no mundo profano”, assegura o Venerável Mestre. Certamente. Mas, inevitavelmente, porque somos apenas homens, um pouco do mundo profano sem dúvida penetrou no Templo com cada um de nós. Assim, a questão não é saber se o maçom pode se interessar, em seu trabalho na Loja, pelo que diz respeito ao mundo profano, mas sim se ele pode não se interessar por ele.
Tudo depende, portanto, do efeito que os resquícios do mundo profano que invadiram o Templo terão sobre o trabalho na Loja.
Algumas obediências dedicam a maior parte das suas reuniões a temas ditos “sociais” ou “cívicos”, que outros qualificam de “políticos” quando não são francamente “políticos”.
Outras obediências não desejam seguir esse caminho, que consideram um desvio dos princípios fundadores da ordem maçónica em geral, e do REAA em particular.
Aqui, as questões levantadas no mundo profano encontram pouca repercussão directa e ainda menos respostas que possam servir de reservatório de ideias para qualquer poder temporal. No entanto, estas questões que pairam no mundo exterior são, quer se queira ou não, o pano de fundo imutável, embora em constante mudança, do trabalho intelectual e espiritual dos Irmãos reunidos nas Lojas.
Por outras palavras, o nosso campo de consciência tem como pano de fundo um conjunto invariante comum a todas as culturas e épocas, uma espécie de fundo de consciência da humanidade. Mas, além disso, o nosso campo intelectual integra permanentemente, por um lado, o que diz respeito à nossa cultura, às nossas raízes, aos nossos conhecimentos pessoais e colectivos e, por outro lado, o que emerge do mundo circundante, a actualidade imediata tal como ela impacta o nosso espírito e a nossa sensibilidade. Assim, a mais simbólica, a mais espiritual, ou mesmo espiritualista das intervenções, a mais etérea das nossas ideias é ontologicamente condicionada pelo mundo de onde viemos e no qual estamos imersos fora do espaço-tempo sagrado que constitui a Loja.
Segundo nível de resposta: O mundo profano está, como se costuma dizer, em busca de sentido, em défice de valores, em falha de moral. As religiões tradicionais das nossas regiões têm dificuldade em propor respostas adequadas, pelo menos respostas que satisfaçam as questões e as expectativas da maioria. Estas mesmas religiões secretam fundamentalismos que, apesar de minoritários, não deixam de mostrar os seus limites, e alguns diriam mesmo os seus perigos.
Alguns dos nossos contemporâneos voltam-se para filosofias provenientes de civilizações distantes, asiáticas ou mesmo ameríndias. Outros, desapontados com os limites das religiões ou rebeldes à sua visão ou exigências, pensam poder prescindir de qualquer elemento de natureza espiritual para fundamentar a sua reflexão moral.
Neste contexto, como não considerar que uma resposta seja proposta pela Maçonaria, um caldeirão de espiritualidade onde se encontram os valores das religiões e filosofias fundadoras da nossa civilização, mas também a fraternidade baseada no respeito e na tolerância mútuos, recusando os dogmas e as suas restrições?
Terceiro nível: Os maçons formam uma sociedade que, nos nossos ambientes, não se considera secreta, mas discreta. O segredo faz parte da nossa disciplina interna, mesmo que diga respeito à impossível transmissão de uma experiência iniciática muito mais do que a qualquer informação confidencial. É verdade que os dados das nossas obediências constam na lista telefónica ou na Internet, que somos associações regidas pela lei de 1901, o que implica que os responsáveis são conhecidos das autoridades. É verdade também que a essência dos nossos rituais, lendas e símbolos está acessível aos profanos nas prateleiras de livrarias, mesmo que não sejam especializadas. Mas isso não impede que a opinião pública nos considere uma sociedade secreta e, portanto, preocupante.
Esta desconfiança é fundamentada? O que fazem e o que querem os maçons? É possível ser Maçom e bom cidadão, funcionário público leal, profissional íntegro? Não podemos, não devemos evitar a resposta. Isto não significa que nos devemos espalhar pela comunicação social, nem fazer da revelação excessiva a prova redentora da nossa boa-fé.
Mas é claro que teremos de dizer, mais e sobretudo melhor do que os nossos antecessores, o que somos e o que não somos, qual é o nosso objectivo, o que pretendemos fazer, não tanto entre nós, mas na e para a sociedade a que pertencemos. Está em jogo a imagem da nossa Ordem no mundo profano e, portanto, a sua credibilidade. E a nossa credibilidade é, evidentemente, decisiva, uma vez que pretendemos ter alguma influência na sociedade profana, na ordem espiritual e moral que é a do nosso compromisso, e com exclusão, naturalmente, de qualquer implicação material directa.
Expressar-se e comunicar é, portanto, tão necessário quanto inevitável. Mas isso só pode ser feito de forma ordenada, ponderada e moderada. Seria conveniente deixar que as nossas instâncias legislativas e executivas decidissem o modo e o grau de abertura e transparência compatíveis tanto com o respeito pelas nossas regras e tradições como com as exigências de um ambiente profano em busca de transparência democrática.
Por fim, convém distinguir claramente o que pode e deve ser dito sobre a Maçonaria, enquanto instituição única e plural, e o que poderia ser dito sobre os maçons, ou maçonas, pessoas privadas cujos compromissos pessoais são precisamente um assunto estritamente pessoal e privado.
Não é dada qualquer explicação para o termo do título: “versus”. No sentido literal, esta preposição significa “em oposição a”. Talvez por abuso, ou melhor, por deriva, “versus” é utilizado num sentido um pouco mais amplo de “em comparação com”. A nuance semântica é subtil, mas parece importante se considerarmos que “em oposição” poderia significar que os dois termos colocados de cada lado de “versus” designam entidades incompatíveis. Opostas no sentido de adversárias. “Em comparação” sugere uma alternativa, dois termos que não se excluem necessariamente um ao outro.
De qualquer forma, é esse o sentido que escolhemos reter aqui.
De qualquer forma, retenhamos sobre este capítulo da secularidade que não podemos seriamente pretender não ser afectados pelas preocupações do exterior, assim como não podemos refugiar-nos duradouramente atrás da tradição do segredo maçónico para recusar comunicar o que nos impõe a legítima exigência de transparência que se expressa em relação a nós.
Jean-Jacques Zambrowski
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:
- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
