Catastrofismo e Maçonaria
Religiões, lendas antigas e mitos relatam que o nosso planeta Terra foi atingido não uma, mas várias vezes por sucessivos acontecimentos catastróficos globais que puseram brutalmente fim a uma Idade de Ouro, durante a qual a humanidade atingiu um elevado grau de civilização, gozando de uma vida perfeita, feliz, livre de doenças e preocupações, numa espécie de Jardim do Éden.
A história do Pecado Original do Homem, tal como narrada no Génesis, a tentação de Adão e Eva pelo anjo caído Satanás, resultando no seu castigo e expulsão do Jardim do Éden, é a versão bíblica do arquétipo de um “Paraíso Perdido”.
Segundo alguns autores maçónicos, esta epopeia mítica traduz-se na Maçonaria especulativa pela impressionante alegoria e simbolismo desenvolvidos no 3º grau em torno da morte do Grão-Mestre Hiram Abiff. Este tema é ricamente ilustrado pela “Palavra Perdida”, a busca por “aquilo que se perdeu”, a busca e a recuperação do “nome inefável” do GADU, bem como a migração final das nossas almas para aquelas mansões etéreas, não feitas por mãos humanas, eternas nos Céus, situadas naquela bem-aventurada “Jerusalém Celestial”, onde todos os bons Maçons esperam finalmente ser acolhidos.
Nesta perspectiva particular, os mistérios da Maçonaria, reflectidos nos nossos rituais e cerimónias, não consistem em verdades secretas que teriam sido intencionalmente ocultadas, mas, em vez disso, apontam para uma mensagem codificada, herdada da antiguidade clássica, que atesta a existência de um estado avançado de conhecimento que foi destruído e perdido num passado muito distante, mas que nós, como Maçons, somos encorajados a redescobrir.
A Maçonaria não ensina dogmas ou teorias específicas, não obriga ninguém a acreditar em nada. Permanecemos independentes para interpretar livremente os mistérios maçónicos.
Nem todas as pessoas estão aptas a tornarem-se maçons, mas para aqueles que foram iniciados e estão preparados para seguir o caminho tradicional, o céu é o limite para o seu progresso!
Deixando de lado as diferenças mesquinhas e os preconceitos que, infelizmente e com demasiada frequência, dividem os homens, a Maçonaria considera todos os seres humanos como membros de uma grande família e ensina-nos a comportarmo-nos em todas as circunstâncias e sempre como homens rectos e íntegros, dedicando o nosso tempo de forma diligente e útil a ajudar os nossos semelhantes, especialmente os necessitados, tendo sempre presente os três princípios mais excelentes que caracterizam a nossa querida, antiga e honrada Fraternidade: o Amor Fraterno, o Auxílio e a Verdade.
Quanto ao resto, a Maçonaria ensina-nos a reservar alegremente parte do nosso tempo diário para estudar e aprender, a fim de melhorar o nosso conhecimento e reflectir seriamente sobre a extensão do vasto universo que nos rodeia e as muitas estupendas reviravoltas da natureza e da vida que ele contém, levando, em última análise, à serena aceitação do nosso destino pessoal, da nossa sina e da morte, reconhecendo humildemente que todos nós somos meros mortais, limitados nas nossas possibilidades pela nossa natureza humana e, claro, totalmente incapazes de descobrir “os segredos do Universo” durante o curtíssimo período de uma vida.
Actualmente, os geólogos acreditam que a vida começou na Terra há cerca de 350 milhões de anos. Segundo os astrónomos, existem milhares de milhões de estrelas na nossa Via Láctea e milhares de milhões de galáxias. As estrelas são tão incontáveis como os grãos de areia na praia!
Qual é, nesta perspectiva, o significado dos curtos 70 ou 80 anos que podemos esperar viver em média, num ambiente cósmico que, medido pelos nossos diminutos padrões humanos, não é nada menos do que eterno e imenso?
O fluxo das eras astronómicas, abrangendo milhões de anos, representado simbolicamente por uma lenta viagem circular nos céus através dos signos do Zodíaco, os ciclos cósmicos sempre repetidos de criação e destruição do universo, como já descrito há milhares de anos nas antigas escrituras hindus e egípcias, são temas fundamentais que despertaram o interesse apaixonado dos nossos pais, antepassados e sábios de todas as épocas, países e culturas, desde o alvorecer da humanidade.
Esta busca sincera e constante, reflexão e aspiração pelas verdades mais profundas, pelas raízes da raça humana, pelo sentido da nossa existência, e a partilha das nossas descobertas como verdadeiros amigos com os nossos Irmãos, é de facto o que torna a Maçonaria tão interessante.
Jacques Huyghebaert
Colombo, 14 de Outubro de 2019
- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
