Aspectos interessantes do comportamento maçónico
É comum encontrarmos pessoas dirigindo-se apressadamente para uma reunião ou encontro, sem que tenham estudado ou, ao menos, se informado sobre o que vai tratar. Estamos diante de alguém que não terá nada a oferecer ou enriquecer o assunto da pauta. No máximo, será um assistente. Certamente não é o melhor comportamento e nem é isto que os demais esperam de quem foi convidado e aceitou o compromisso de comparecer.
Isto também ocorre no meio maçónico. E aí o assunto toma aspectos característicos, pois participamos de uma Instituição que tem pressupostos e princípios definidos, cujo meio de difusão e aprimoramento é a SESSÃO, que difere de “assembleia”, “reunião” ou “encontro”, conquanto possam ter pontos tangenciais. Naquela, há uma ritualística com o objectivo de aprimoramento moral e intelectual através de uma filosofia e doutrina seculares, nas outras existe a informalidade e os assuntos podem ser livres.
Toda pessoa responsável e inteligente, quanto vai realizar uma tarefa pensa na melhor maneira de executá-la, com eficiência e eficácia, raciocinando sobre “o quê” e “como” fazer, informando-se sobre o assunto, estudando, pesquisando, inclusive preparando-se interiormente – espiritual e psicologicamente – e com isto desligando-se paulatinamente da última actividade para entrar no “clima” da próxima. Para o mais elementar dos hábitos humanos – a alimentação – praticamos actos preliminares tais como escolha do cardápio, tempero, local se for o caso, higiene pessoal, etc., e assim é para outras práticas como o desporto, lazer, cultura, etc., em outras palavras, começamos a viver mentalmente e interiormente aquela actividade que nos propusemos realizar. Isto é AMBIÊNCIA.
Agora imaginem que comportamento adoptar quando temos um encontro que chamamos SESSÃO, com pessoas que chamamos de IRMÃO, dentro de um prédio que chamamos de TEMPLO, para formar um ambiente que chamamos de LOJA!
Portar o respectivo ritual do grau, os paramentos e traje adequado é o mínimo esperado. Aliás, portar o ritual é uma prática saudável, visto que de meros assistentes descompromissados assumimos a participação atenta e crítica dos trabalhos, em proveito pessoal e grupal.
Quanto a ritualística não devia haver problemas, pois além de escrita ela é simples e clara, muito embora passível de correcções ou actualizações, mas nem por isso nos autoriza a “inventar”, “improvisar”, pois que tais procedimentos criaram os famosos “cacoetes” que nunca passarão disto, apesar de alguns insistirem que são “usos” e “costumes”. Não esqueçamos a Filosofia do Rito!
Uma óptima e saudável postura é seguir o que está escrito e em caso de discordância, manifestá-la por escrito com os argumentos pertinentes, e encaminhá-la ao Venerável com vistas à Comissão de Ritualística e Liturgia da Loja. Esta, por sua vez, aprecia e manifesta-se por escrito ao Venerável e este remete à Grande Comissão de Jurisdição da sua Potência. Esta poderá, e é aconselhável, fazer a divulgação pelas Lojas para oferecimento de sugestões e até de estímulo para outros estudos, dentro de prazo razoável. Posteriormente, o respectivo Grão-Mestre adoptará a providência adequada.
É difícil, mas temos de perseverar no desenvolvimento da ritualística, de maneira uniforme em todas as Lojas, pois assiste-se “coisas inacreditáveis” por aí! Ora é a profissão de fé religiosa dos dirigentes, ora é a doutrina, ora é a crença, tudo influindo naquilo que é imutável e universal na sua essência; ora é o catolicismo, ora o espiritismo, a umbanda, rosacrucianismo, filosofia pessoal de vida, criando os “cacoetes”, “verdades” e outros que tais, mas influindo na ritualística e com mistura de ritos, afectando a liturgia do grau. Por exemplo, que é mais importante: acender velas nas mesas dos Vigilantes ou a “Chama Votiva”? Em ambiente fechado, os produtos químicos tóxicos usados na fabricação de velas podem prejudicar? Pintar painéis com figuras inexistentes na simbologia do Rito? E por aí seguem as “invencionices”.
E a POSTURA em Loja? Se for de pé, os rituais orientam; se for sentado, procuramos a posição adequada ao funcionamento dos órgãos vitais sentindo o respaldar da cadeira em toda a sua extensão e o assento também, as mãos apoiadas sobre o joelho, numa atitude confortável e respeitosa. Isto é elementar e biológico. Inalterável. Mas há outras “posturas” importantes. A postura do Maçom ante as dificuldades sociais do Brasil; postura do Maçom ante a corrupção nos altos escalões do Poder Executivo; postura ética ante os governantes; postura profissional, familiar, pessoal, etc. Estas também são importantes e igualmente exigem meditação.
Eis assuntos que podem ser colocados em Loja para que cada um se manifeste e produza estudos para divulgação. A Loja é uma “Família” reunida, por isto erra quem diz que vai colocar “a Loja em Família”. A postura maçónica ou de um Maçom deve ser única e integral e não aquela que assume que está sentado.
Luiz Eugénio Figueiredo Fiad
