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As principais Escolas de Pensamento Maçónico

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✍️ Desconhecido 📅 06/02/2026 👁️ 0 Leituras

pensamento

As escolas de pensamento maçónico não foram “criadas” por uma única pessoa ou numa data específica como instituições físicas, mas sim categorizadas por historiadores e estudiosos para organizar as diferentes visões sobre a origem, a finalidade e a filosofia da Ordem.

O autor que consolidou a nomenclatura moderna dessas escolas (especialmente as oito divisões clássicas) foi o pesquisador H. L. Haywood na sua obra The Great Teachings of Masonry (1923). No Brasil, autores como Roberto Bondarik e José Castellani são as referências principais para o estudo dessas correntes. As escolas dividem-se conforme o “foco” de estudo do Maçom (histórico, antropológico, místico, filosófico, religioso, científico, social, etc.).

O pesquisador H. L. Haywood (Harry LeRoy Haywood), na sua obra seminal de 1923, The Great Teachings of Masonry (Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria), foi de facto um dos primeiros a organizar o pensamento maçónico em escolas específicas. Embora outros autores como Roscoe Pound tenham listado quatro ou cinco vertentes, Haywood expandiu essa análise para oito escolas principais, conforme detalhado no Capítulo 17 do seu livro.

As Oito Escolas de Pensamento (segundo H. L. Haywood)

Estas divisões representam as diferentes abordagens que os maçons utilizam para interpretar a Ordem:

  1. Escola de William Preston (Instrução): Foca na Maçonaria como um sistema de educação e disseminação de conhecimento (ciências e artes liberais).
  2. Escola de Karl Krause (Sócio-Política): Vê a Maçonaria como uma ferramenta para a perfeição da humanidade e a organização da sociedade sob princípios morais.
  3. Escola de George Oliver (Religiosa): Interpreta a Maçonaria estritamente sob a óptica cristã e teológica, vendo-a como uma instituição divina.
  4. Escola de Albert Pike (Filosófica): Busca a “Verdade Absoluta” e a harmonia do universo através de uma síntese profunda de filosofia e religião.
  5. Escola Histórica (ou de Roscoe Pound): Defende que a Maçonaria deve ser interpretada através da sua própria evolução histórica contínua.
  6. Escola Simbólica (ou Esotérica): Foca no significado oculto atrás dos rituais e símbolos como chaves para o despertar da consciência.
  7. Escola Romântica: Formada por aqueles que acreditam em origens lendárias e românticas (como a conexão directa e ininterrupta com os Templários).
  8. Escola Autêntica (Científica): Baseada no rigor documental da Loja Quatuor Coronati, rejeitando mitos em favor de evidências históricas comprovadas.

Historicamente, o desenvolvimento dessas vertentes deve muito a autores da Escola de Pesquisa (Quatuor Coronati), na Inglaterra, que separaram o “facto histórico” da “lenda”:

Escola

Foco Principal

Principais Expoentes

Autêntica (Histórica) Baseia-se estritamente em documentos e registros (ex: Regius MS). Nega origens lendárias (Egipto, Salomão). Robert Freke Gould, Hughan.
Antropológica Estuda a Maçonaria como parte da evolução dos costumes humanos e ritos de passagem. Andrew Lang, Sir George Frazer.
Mística (Iniciática) Foca no despertar espiritual e no simbolismo como ferramenta de desenvolvimento interno. A. E. Waite, W. L. Wilmshurst.
Oculta Busca as origens em sociedades secretas antigas, na Cabala ou nos Templários. Papus, Eliphas Levi.

A Loja de Pesquisa Quatuor Coronati nº 2076 (Londres), fundada em 1884, é o berço do que chamamos de Escola Autêntica de pesquisa maçónica. Embora a Quatuor Coronati seja a representante máxima da Escola Autêntica, a classificação das “escolas de pensamento” como um todo (que inclui as vertentes não-históricas) é frequentemente atribuída a autores que analisaram o movimento iniciado por ela.

As Escolas do Pensamento Maçónico (Ars Quatuor Coronatorum – AQC)

De acordo com a metodologia científica e os estudos publicados nas Transactions da Loja (conhecidas como Ars Quatuor Coronatorum – AQC), as escolas são geralmente divididas em quatro categorias principais:

1.1 Escola Autêntica (ou Histórica): Criada pelos fundadores da Quatuor Coronati. Rejeita lendas e mitos, exigindo provas documentais e evidências históricas. Considera que a Maçonaria evoluiu das guildas de pedreiros medievais (Teoria da Transição).

1.2 Escola Antropológica: Aplica os métodos da antropologia e sociologia. Estuda a Maçonaria como um sistema de ritos de passagem e costumes humanos universais, buscando paralelos em civilizações antigas, mas sem necessariamente afirmar um vínculo directo de sucessão.

1.3 Escola Mística (ou Iniciática): Vê a Maçonaria como um sistema de desenvolvimento espiritual e autoconhecimento. Foca no “Trabalho Interno” e na jornada da alma, utilizando o simbolismo como linguagem para verdades metafísicas.

1.4 Escola Oculta (ou Esotérica): Busca as raízes da Ordem em sociedades secretas, como os Templários, os Rosa-cruzes, a Cabala ou os Mistérios do Egipto e da Grécia. Muitas vezes é criticada pela Escola Autêntica pela falta de rigor documental.

Embora haja outras classificações na literatura maçónica, poder-se-ia, sem sacrifícios às pesquisas existentes e sem imposições ou determinismos sobre quais classificações estariam “correctas” (entre aspas), sobre as escolas ou correntes do pensamento maçónico teríamos, de um modo geral:

As Principais Escolas de Pensamento Maçónico e seus Idealizadores (uma outra classificação geral)

Escola

Descrição / Foco

Principais Exponentes

Autêntica ou Científica Baseia-se rigorosamente em documentos e factos comprováveis. Rejeita mitos salomónicos. Rejeita “achismos”. Robert Freke Gould, William J. Hughan.
Antropológica Estuda a Maçonaria como uma evolução de antigos ritos de iniciação da humanidade. Andrew Lang, Sir George Frazer. George William Speth.
Mística ou Iniciática Foca no despertar espiritual e no simbolismo esotérico da alma. Arthur Edward Waite, W. L. Wilmshurst.
Filosófica Analisa a Maçonaria como um sistema ético e moral para o aperfeiçoamento humano. Albert Pike, Karl Friedrich Krause.
Religiosa ou Cristã Defende que a Maçonaria é uma auxiliar da religião (originalmente cristã). Reverendo George Oliver.
Escola de William Preston (Instrução) Foca na Maçonaria como um sistema de educação e disseminação de conhecimento (ciências e artes liberais). H. L. Haywood
Escola de Karl Krause (Sócio-Política) Vê a Maçonaria como uma ferramenta para a perfeição da humanidade e a organização da sociedade sob princípios morais. Karl Krause, H. L. Haywood
Escola Histórica (ou de Roscoe Pound) Defende que a Maçonaria deve ser interpretada através da sua própria evolução histórica contínua. Roscoe Pound, H. L. Haywood
Escola Romântica Formada por aqueles que acreditam em origens lendárias e românticas (como a conexão directa e ininterrupta com os Templários). H. L. Haywood

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Referências Bibliográficas

  • BONDARIK, Roberto. Escolas do Pensamento Maçónico: Origens Históricas e Influências Percebidas na Compreensão da Maçonaria. Londrina: A Trolha, 2013.
  • HAYWOOD, H. L. The Great Teachings of Masonry. Richmond: Macoy Publishing, 1923. (Obra que definiu as escolas).
  • HAYWOOD, H. L. Schools of Masonic Philosophy. (Tratado originalmente publicado na revista The Builder, consolidando essas ideias).
  • CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito: História, Doutrina e Prática. Londrina: A Trolha, 1996.
  • GOULD, Robert Freke. The Concise History of Freemasonry. Londres: Gale & Polden, 1903. (Base da Escola Autêntica).
  • ISMAIL, Kennyo. Desmistificando a Maçonaria. São Paulo: Madras, 2012.
  • WAITE, Arthur Edward. The Secret Tradition in Freemasonry. Londres: Rebman, 1911. (Base da Escola Mística).
  • PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry. Charleston, 1871. (Base da Escola Filosófica).
  • POUND, Roscoe. Lectures on the Philosophy of Freemasonry. Anamosa: National Masonic Research Society, 1915. (Obra que influenciou Haywood e estabeleceu as primeiras quatro escolas).

Referências Internacionais (Quatuor Coronati e Escola Autêntica)

  • GOULD, Robert Freke. The Concise History of Freemasonry. London: Gale & Polden, 1903. (Gould foi um dos fundadores da QC e consolidou o método histórico).
  • SPETH, George William. Quatuor Coronati: The Lodge of Research. Ars Quatuor Coronatorum (AQC), Vol. 1, 1886.
  • HAMILL, John. The Craft: A History of English Freemasonry. Crucible, 1986. (Obra moderna de um dos maiores historiadores da UGLE).
  • WAITE, Arthur Edward. A New Encyclopaedia of Freemasonry. London: Rider, 1921. (Referência principal para a Escola Mística/Oculta).

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