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Anti-Maçonaria

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✍️ Desconhecido 📅 15/12/2025 👁️ 0 Leituras

anti-maçonaria

Século XVII

Mesmo antes da constituição da primeira Potência Maçónica, a Grande Loja de Londres (1717), já surgiram os primeiros ataques antimaçónicos, o que comprova, inclusive, que a Maçonaria Especulativa já vinha tomando o lugar da Maçonaria Operativa.

Em 1652 um pastor presbiteriano de Kelso, Escócia, Maçom Especulativo, já levantara suspeita e estranhara o facto de se ter palavras secretas.

Em 1698, um panfleto anónimo, endereçado “a todas às pessoas piedosas de Londres”, a Maçonaria era qualificada de “seita diabólica”, e os seus membros de “sequazes do anticristo”, sob o argumento – ainda usado até aos nossos dias – de que “se esses homens não fazem o mal, por que se reúnem em segredo e têm sinais secretos?”

Século XVIII

Com o surgimento da Grande Loja de Londres, os ataques antimaçónicos tornaram-se mais intensos e mal-intencionados, até porque o escândalo é rentável para uns e desperta grande curiosidade no público em geral. É muito fácil – até aos nossos dias – entreter na imaginação do público, o que de pior se possa conceber sobre o “segredo” dos Maçons!

Os Maçons eram acusados de serem beberrões que se reuniam misteriosamente para confraternizarem unicamente entre eles, sugerindo, inclusive, que seriam homossexuais, razão pela qual não admitiam mulheres na fraternidade.

Nesta época surgiram os “Mock Masons” (Maçons de Brincadeira), anti-maçons que, em Londres, realizavam procissões burlescas com personagens fantasiados de Maçons.

É desta época, também, a publicação das “exposures” (exposições), em que se revelavam certas práticas maçónicas. Algumas destas publicações, como a “Masonry Dissected” (Maçonaria Dissecada) de Samuel Pritchard em 1730, acabaram tornando-se importantes fontes de pesquisas sobre como era a Maçonaria Especulativa nos seus primórdios. Por esta publicação, sabe-se que em 1730 o Grau de Companheiro já se tinha dividido em dois para constituir o Grau de Mestre.

Outra acusação curiosa era a de que os Maçons eram “papistas”, em virtude da Inglaterra ser um país de maioria protestante e um Grão-Mestre (1729-1730), o Duque de Norfolk, ser católico.

Na França, não foi diferente e as “exposures” proliferavam. Citaremos como exemplo apenas algumas:

Uma publicação em “La Gazette d’Amsterdam” mostra-nos que desde 1738 já havia o cargo de Orador e que todos em Loja portavam espadas.

Em 1742 o Abade Perau publicou “O Segredo dos Franco-Maçons”, descrevendo uma iniciação no Grau de Aprendiz.

Em 1744 Léonard Gabanon publica o “Catecismo dos Franco-Maçons” que descreve uma iniciação no Grau de Mestre.

Em 1745 surge “A Ordem dos Franco-Maçons Traídos”.

Em 1746, o Padre Abeé Larudam em “Les Francs-Maçons Écrasés” (Os Franco-Maçons Esmagados) revela-nos como surgiu o termo “Goteira”.

Século XIX

Começam a se distinguir os temas antimaçónicos preferenciais:

  • A Teoria Conspiratória Anglófoba, em que a Maçonaria seria uma fachada do Serviço Secreto Inglês para obter o domínio mundial;
  • A Teoria Conspiratória Anti-Semita, em que as altas finanças judias, especialmente dos Rotchschild, estariam por trás dos Maçons. Surgiram caricaturas de marionetes vestidas de Maçons com cordéis sendo manobrados por judeus e que o simbolismo do Templo de Salomão utilizado pela Maçonaria significava, na verdade, a dominação mundial pelos judeus;
  • A Tema Satanista, em que os segredos maçónicos ocultavam o culto ao demónio e que as Lojas seriam “sinagogas de satanás”, tema que ainda perdura até aos nossos dias.

O mais célebre propagador dessa mentira foi um impostor que se utilizava de diversos pseudónimos, entre os quais o de Léo Taxil, tema já tratado em capítulo anterior.

Séculos XX e XXI

Continuam recorrentes os ataques antimaçónicos, sempre utilizando os temas do passado, sobretudo o tema Satanista e as Teorias Conspiratórias para obter a dominação mundial.

A Internet tornou-se um importante veículo de propagação de ridículos ataques antimaçónicos dos Detractores da Maçonaria, que não passam de uns idiotas, que acreditam piamente nas inverdades sobre a Maçonaria que ouvem e as disseminam. Por mais que se tente esclarecê-los, adoptam a postura do avestruz e não aceitam qualquer tipo de argumentação. Alguns são pretensamente mais esclarecidos, mas nem por isso deixam de ser igualmente idiotas. São geralmente fanáticos arraigados a conceitos religiosos distorcidos ou meramente pessoas de má-fé, que produzem elucubrações mirabolantes e desenvolvem teorias pretensamente eruditas, que uma mente sugestionável acaba acreditando tratar-se de verdades absolutas.

Muitas destas ideias aberrantes, de certa forma, são alimentadas inconscientemente pelos próprios Maçons, com conceitos erróneos sobre quais são verdadeiramente os segredos maçónicos e achando que tudo é segredo na Maçonaria.

Almir Sant’Anna Cruz

Fonte

  • Do livro *Maçonaria para Maçons, Simpatizantes, Curiosos e Detratores*

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