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Livrai-nos de toda antimaçonaria. Amém!

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✍️ Desconhecido 📅 03/02/2025 👁️ 0 Leituras

antimaçonaria

“O papel aceita tudo” é um ditado no meio jornalístico e literário, que reflecte a facilidade de se publicar mentiras, enquanto as pessoas tendem a acreditar em tudo que é publicado.

No mundo da dualidade, há bem e mal, certo e errado, doce e salgado, amor e razão, etc. De certa forma, para que um exista e se identifique como tal, o seu oposto também precisa existir. Isso porque você nunca saberia que algo é salgado até experimentar algo doce…

A Antimaçonaria existe no Brasil desde que a Maçonaria aqui se instalou. Ela teve os seus momentos de efervescência, como quando na Questão Religiosa, nos anos 1870, e também na Era Vargas, com Gustavo Barroso e os Integralistas. E actualmente, com o crescimento de um conservadorismo mais extremista, os intolerantes e reaccionários estão saindo dos porões e dos armários, livres para pedir ditadura, realizar saudações nazistas, perseguir umbandistas e… falar mal da Maçonaria.

É nesse contexto que novas peças antimaçónicas têm surgido no Brasil. Apesar de “novas”, não inovam na mensagem, repetindo aquelas mesmas mentiras tão desmentidas de Leo Taxil e seus seguidores. Elas têm feito companhia a peças antiprotestantismo, anti laicismo, anti-república, etc. Recentemente, comentei sobre uma dessas peças, um vídeo apresentado com ares de documentário, mas que, na verdade, era 100% doutrinação: “Como a Maçonaria destruiu o Brasil?”, de Danuzio Neto.

Agora, algumas editoras católicas independentes entraram na brincadeira. É o caso da obra “A REPÚBLICA MAÇÓNICA: como produzir a corrupção universal”, da editora Santa Cruz. O sumário do livro traz uma série de “documentos maçónicos” para comprovar a sua teoria: Instrução secreta e permanente da Alta Venda, Novos planos da Alta Venda, Escrúpulos da Alta Venda, O fracasso da Alta Venda, Últimas esperanças da Alta Venda, etc.

Se você se sentiu envergonhado, pois, enquanto um Maçom experiente, nunca nem ouviu falar desses “documentos maçónicos” tão importantes, e nem sabe o que é essa tal de “Alta Venda”, não se preocupe. Esses documentos não são maçónicos! São da Carbonária Portuguesa. Mas os editores da obra não se importam, pois o objectivo é exactamente difamar a Maçonaria para seus leitores.

Outro que vem prestando esse desserviço é o Centro Dom Bosco. Na sua apresentação, o centro afirma que “o Brasil é uma nação católica que foi adormecida pelo veneno liberal das casas maçónicas” e eles surgiram para “contrapor o erro”. Que erro? O da liberdade religiosa, promovida pelo “veneno liberal” da Maçonaria no Brasil. Aos evangélicos, espíritas, umbandistas, judeus, muçulmanos, budistas e demais não-católicos, sentimos muito pelo inconveniente.

O Centro Dom Bosco tem até um combo de cinco livros, intitulado “Maçonaria, inimiga da Igreja”. Num deles, “Assassinato em 33º grau”, sugere que a Maçonaria estaria por trás da morte de um Papa. Na sinopse de outro, “Católicos, ao combate!” (“ao combate”??? Perdoai-os, Deus…), afirma que “A revolução franco-maçónica de 1789 criou uma fractura na sociedade que até hoje não foi resolvida”. De facto, acabar com uma monarquia absolutista, onde não havia liberdade religiosa, política e intelectual, e onde ainda imperava a Inquisição, foi uma grande “fractura na sociedade”… Eu ficaria orgulhoso se tivesse sido a Maçonaria a protagonista da Revolução Francesa, mas não… foi a própria sociedade, cansada de abusos.

Venho, desde pelo menos, Fevereiro de 2022, alertando sobre essa onda crescente de ultraconservadorismo no Brasil e, consequentemente, de antimaçonismo. Estamos revivendo a década de 30, nesse sentido. Se quem não conhece a sua história está fadado a repeti-la, devo recordar que a Maçonaria acabou sendo fechada naquela época. Esse, infelizmente, é o sonho e o projecto de vida das pessoas que estão por trás de toda essa propaganda antimaçónica. E, pelo Paradoxo da Tolerância, para que possamos continuar a ensinar e a praticar a tolerância, não podemos ser tolerantes a isso.

Kennyo Ismail

Fonte

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