A Maçonaria pela paz
Face à dramática situação atual, apelámos à contenção, ao diálogo diplomático, ao respeito pelo Direito Internacional Humanitário e, em geral, à observância dos princípios e regras consagrados na Carta da Nações Unidas
A guerra da Rússia contra a Ucrânia completará quatro anos em fevereiro próximo. Quatro anos de mortes, destruição e angústia. É a guerra mais próxima de nós, a de maior impacto geopolítico, não apenas a nível europeu, mas mesmo global.
No entanto, é um entre os mais de cem conflitos armados atualmente a ocorrer no mundo, de acordo com os números certificados pela Geneva Academy, a Academia de Direito Humanitário Internacional e de Direitos Humanos; 45 no Médio Oriente e Norte de África, 35 no restante continente africano, 21 na Ásia, sete na Europa e seis na América Latina.
Segundo afirmou Siri Aas Rustad, professora e investigadora do Instituto de Pesquisa da Paz em Oslo (PRIO) e principal autora do relatório do PRIO intitulado ‘Tendências de Conflito: Uma Visão Geral Global’: “A violência no mundo atingiu níveis recordes desde o fim da Guerra Fria. Os números sugerem que o cenário de conflitos se tornou cada vez mais complexo, com mais atores atuando dentro do mesmo país”. E a somar aos conflitos existentes, temos as ameaças latentes, de que é maior exemplo a situação de Taiwan.
Face ao evidente dramatismo da situação atual, que além das vítimas mortais e feridos provoca a deslocalização de milhões de cidadãos para fora dos seus lares e países, causando ruturas profundas nas tessituras familiares e comunitárias, a Maçonaria Regular resolveu encabeçar um movimento inédito que inclui também a Grande Loja Feminina de Portugal (GLFP) e o Grande Oriente Lusitano (GOL).
Em junho passado, emitimos um comunicado publicitando um apelo dirigido aos líderes políticos, às organizações internacionais, à sociedade civil e aos cidadãos de todo o mundo. Apelámos à contenção, ao diálogo diplomático, ao respeito pelo Direito Internacional Humanitário e, em geral, à observância dos princípios e regras consagrados na Carta da Nações Unidas. E prometemos que a Maçonaria Regular, a GLFP e o GOL iriam exercer toda a pressão junto dos nossos contactos – inclusive internacionais – para que esta mensagem fosse recebida e entendida pelos decisores e, em especial, pelos líderes das potências envolvidas nestes conflitos.
A somar ao comunicado e às consequentes diligências, as principais organizações maçónicas juntaram-se para uma iniciativa comum que reúne diversos especialistas com o intuito de debater os Direitos Humanos e o Direito Internacional, a Cultura de Paz e o Tempo de Guerra. Não num plano de diálogo teórico, mas para um debate coletivo focado na reabertura de caminhos de negociação, entendimento e reconciliação, pondo fim à a lógica da escalada de guerra.
Num discurso famoso após a II Guerra Mundial, ‘The Sinews of Peace’ / ’Os Tendões da Paz’, que marcou o início da Guerra Fria com a referência que se tornaria corrente a uma “Cortina de Ferro”, Winston Churchill declarou: “A terrível ruína da Europa, com todas as suas glórias desaparecidas, e de grandes partes da Ásia, encara-nos de frente.
Quando os desígnios de homens perversos ou o ímpeto agressivo de Estados poderosos dissolvem, em vastas áreas, a estrutura da sociedade civilizada, as pessoas humildes veem-se diante de dificuldades insuperáveis. Para elas, tudo está distorcido, tudo está destruído, tudo está reduzido a pó”. Acrescentando:
“A nossa tarefa e dever supremos são os de proteger os lares das pessoas comuns dos horrores e sofrimentos de outra guerra. Todos concordamos com isso”.
Assim, é por toda a Maçonaria concordar também com isso que organizámos esta grande conferência. E que, após a conclusão da mesma, continuaremos a insistir através de outras ações. Conscientes, como disse Einstein, que a Paz apenas pode ser alcançada através do entendimento.
Paulo Rola
Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP
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