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A contribuição da Maçonaria para a consolidação do protestantismo no Brasil

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✍️ Desconhecido 📅 19/06/2025 👁️ 0 Leituras

protestantismo

Introdução

Este artigo discute a relação entre a Maçonaria e o Protestantismo no período do Brasil Imperial. Trata-se de uma pesquisa que mostra a relevância política da Maçonaria para os primeiros missionários protestantes que chegaram ao Brasil com o objectivo de propagar o Protestantismo aos brasileiros. Desta forma, as primeiras missões que chegavam ao Estado Brasileiro, que tinha como religião oficial o Catolicismo, tinham como finalidade fazer proselitismo, implantar e expandir o Evangelho Protestante em todo o território nacional.

Como a Maçonaria ajudou o consolidar o Movimento Religioso Protestante no Brasil? Este é o problema que norteia este trabalho e para responder este questionamento esta pesquisa tem como objectivo geral analisar a relação entre a Maçonaria e o Protestantismo no Brasil Imperial. Quanto aos objectivos específicos descrever a chegada do Protestantismo de Missões e da Maçonaria ao Brasil; compreender o envolvimento e a contribuição que trouxe a Maçonaria para a consolidação do Protestantismo no Brasil.

Esta pesquisa é de natureza bibliográfica. Segundo os autores Kuark, Manhães e Medeiro (2010) este tipo de pesquisa permite explorar teóricos já publicados para desenvolver outras ideias. Neste processo de pesquisa foram feitas algumas leituras de intelectuais que estudaram tanto o Protestante quanto A Maçónica, a fim de deixar os factos históricos com maior clareza, visto que a leitura é factor decisivo de estudo propiciando a ampliação do conhecimento e obtenção de informações básicas e específicas (FONSECA 2008).

Para uma melhor compreensão do tema abordado, este artigo na primeira seção, descreve a chagada da Maçonaria ao Brasil; já a segunda seção, trata do Protestantismo e a sua missão no Brasil; e na terceira seção analisa-se a contribuição da Maçonaria para a consolidação do Protestantismo no Brasil.

Chegada da Maçonaria ao Brasil

Durante todo o século XIX são inúmeras as referências à actuação da Maçonaria no Brasil. Nesse período no Brasil, seria difícil encontrar um político do primeiro e do segundo Reinado, ou mesmo dos anos iniciais da República, que não tivesse em algum momento da sua vida se filiado a uma loja maçónica (AZEVEDO, 1997). Deste modo, a história dos maçónicos no Brasil confundi-sea nessa época com a história do próprio país.

Segundo Horrel (1996) as sociedades maçónicas chegam à América Latina no século XVIII, fornecendo estruturas clandestinas e participando de lutas revolucionárias, envolvendo grandes nomes de movimentos por independência como: Simon Bolívar, Carlos Alvear, San Martín e Francisco Miranda. Esta sociedade no Brasil fez parte de movimentos políticos como a Inconfidências Mineira, Carioca e Baiana, além disso, muitos nomes importantes para história brasileira estavam envolvidos com a mesma, como o próprio imperador Dom Pedro I, o qual foi iniciado na Maçonaria e, logo, proclamado Grão-Mestre da Loja Grande Oriente do Brasil em 1822.

Vieira (1980) ressalta que, no Brasil, como em outras partes, a Maçonaria foi um dos veículos da divulgação do liberalismo. Conforme o autor citado, esta corrente filosófica defendia o livre-arbítrio, o progresso e a emancipação do homem. Além dessas ideias defendia o poder do Estado, que deveria ser exercido com o propósito de criar condições para que o indivíduo pudesse crescer e expressar-se livremente. Desse modo, a Maçonaria foi um instrumento de divulgação do liberalismo na colónia portuguesa, e os seus ideais eram liberdade civil, religiosa e política (VIEIRA, 1980).

Horrel (1996), destaca que não se sabe ao certo o tempo exacto da chegada da Maçonaria ao Brasil, mas por volta de 1800 já havia várias organizações com inspiração maçónica. Já Azevedo (1997), mostra que no Brasil há notícias da existência de maçons desde fins do século XVIII, como o envolvimento na Inconfidência Mineira e depois na Conjuração Baiana de 1798.

Mas o que se tem por certo é que a primeira loja brasileira, Reunião, foi criada em 1801 no Rio de Janeiro vinculada ao Oriente da Ilha de França. No ano seguinte, fundou-se uma segunda loja na Bahia, Virtude e Razão. Em 1804 foi a vez do ingresso da Maçonaria portuguesa no Rio de Janeiro, constituindo-se duas lojas, Constância e Filantropia, sob a égide do Grande Oriente da Lusitânia (AZEVEDO, 1997).

Segundo Azevedo (1997), durante os últimos anos da colónia portuguesa, e depois já como país independente, alternaram-se fases de perseguições policiais e proibições oficiais à Maçonaria e fases de tolerância, permissão e mesmo participação activa de altas autoridades políticas nas suas lojas, como foi o caso de D. Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva e o visconde do Rio Branco.

Carvalho (2010), também salienta que os governos coloniais da época tinham instruções precisas para impedir o funcionamento de Lojas no Brasil. Tanto que as Lojas Constância e Filantropia foram fechadas em 1806 no Rio de Janeiro, cessando as actividades maçónicas nesta cidade, mas continuando e se expandindo, principalmente na Bahia e em Pernambuco. O Rio de Janeiro, contudo, não ficou sem Loja, e apesar da proibição os trabalhos prosseguiam com as Lojas São João de Bragança e Beneficência.

A autora Célia Azevedo (1997, p. 181-182) aponta que em 1835 a Maçonaria no Brasil dividia se em quatro Supremos Conselhos e dois Grandes Orientes:

[…] o Grande Oriente do Brasil, criado em 1822 e depois reconstituído em 1831 sob a direcção do grão-mestre José Bonifácio de Andrada e Silva; o Grande Oriente Brasileiro, instituído também em 1831, de obediência ao rito francês moderno; o Supremo Conselho Brasileiro, fundado em 1832 por Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, visconde de Jequitinhonha, sob a autoridade do Supremo Conselho da Bélgica e mediante a introdução dos Altos Graus do rito escocês; em reacção a esse último, cada um dos dois Grandes Orientes mencionados constituíram os seus Supremos Conselhos; e, por fim, um quarto Supremo Conselho surge de uma cisão de um dos Grandes Orientes.

Carvalho (2010), apresenta um breve resumo dos primórdios até a fundação do Grande Oriente do Brasil, a mais antiga, a maior e a mais tradicional Obediência brasileira, a saber:

  • 1796 – Fundação, em Pernambuco, do Areópago de Itambé, que não era uma verdadeira Loja, pois, embora criado sob inspirações maçónicas não fosse totalmente composto por maçons;
  • 1797 – Fundação da Loja Cavaleiros da Luz, na povoação da Barra, Bahia;
  • 1800 – Criação, em Niterói, da Loja União;
  • 1801 – Instalação da Loja Reunião, sucessora da União;
  • 1802 – Criação, na Bahia, da Loja Virtude e Razão;
  • 1804 – Fundação das Lojas Constância e Filantropia;
  • 1806 – Fechamento, pela acção do conde dos Arcos, das Lojas Constância e Filantropia;
  • 1807 – Criação da Loja Virtude e Razão Restaurada, sucessora da Virtude e Razão;
  • 1809 – Fundação, em Pernambuco, da Loja Regeneração;
  • 1812 – Fundação da Loja Distintiva, em S. Gonçalo da Praia Grande (Niterói);
  • 1813 – Instalação, na Bahia, da Loja União;
  • 1813 – Fundações de uma Obediência efémera e sem suporte legal – que alguns consideram como o primeiro Grande Oriente Brasileiro – constituída por três Lojas da Bahia e uma do Rio de Janeiro;
  • 1815 – Fundação, no Rio de Janeiro, da Loja Comércio e Artes;
  • 1818 – Expedições do Alvará de 30 de Março, proibindo o funcionamento das sociedades secretas, o que provocou a suspensão – pelo menos aparentemente – dos trabalhos maçónicos.
  • 1821 – Reinstalação da Loja Comércio e Artes, no Rio de Janeiro;
  • 1822 – 17 de Junho: fundação do Grande Oriente.

Os ideais maçónicos

Vieira (1980) enfatiza que as ideias liberais chegaram ao Brasil por meio da França, através de jornais, livros e por estudantes brasileiros e portugueses liberais. O segundo momento que marca o liberalismo no Brasil, conforme o autor supracitado deu-se por meio do pensamento liberal inglês num momento de forte influência inglesa tanto económica, quanto militar e política sobre portugueses e brasileiros.

O liberalismo brasileiro lutava em favor da imigração, da completa liberdade de religião, do casamento civil, e eventualmente da separação entre a Igreja e o Estado (VIERA, 1980, p. 4546). Os principais ideais maçónicos são:

[…] O Programa da Maçonaria brasileira conservadora, como deduz deste estudo, parece ter sido: Conservar a nação unida a qualquer preço, usando o trono como ponto de apoio; b) controlar a Igreja, conservando-a liberal, dominada pela Coroa, com um do clero não educado e sobretudo, não ultramontano; c) lutar pelo progresso do Brasil por meio do desenvolvimento da educação leiga, da expansão do conhecimento científico e técnico e da importação de imigrantes progressistas e tecnicamente educados, dos Estados Germânicos, da Inglaterra e de outras nações protestantes. (VIEIRA, 1980, p. 46).

A Maçonaria ao apoiar a coroa, estabelece o seu ponto de apoio a fim de alcançar os seus objectivos que é controlar o poder da Igreja Católica, através do poder da coroa. Estabelecer uma nova educação moderna e progressista, com novos conhecimentos que chegavam com os imigrantes vindos principalmente da Europa.

A Igreja Católica logo reagiu ao liberalismo por tratar de uma visão moderna, uma vez que a modernidade era uma ameaça ao sistema doutrinário da mesma. Estes conflitos marcam a Europa e a América Latina por meio de crescentes problemas com o ultramontanismo [1] (MENDONÇA; VELASQUES, 1990).

Vieira (1980), destaca que nos fins da década de 1890 a Maçonaria vai dá ênfase ao republicanismo, pensamento que se fundamenta no ideal republicano americano, tempo depois abraça as ideias positivistas. Segundo o autor, a Maçonaria foi uma das primeiras tentativas para formar-se um ecumenismo religioso em qualquer lugar onde ela se estabelecesse. Bastava o Maçom declarar que cria em Deus o Supremo Arquitecto do Universo, com isso evitava conotações cristãs da palavra Deus. No Brasil, esse ecumenismo foi um dos aspectos que mais perturbou os ultramontanos católicos.

O Protestantismo e a sua missão no Brasil

O Brasil ao abrir as suas portas para o mundo anglo-saxão, também, abriu-se também as portas para o universo protestante. Este Protestantismo que sai de terras europeias para a América do Norte passa por um sem-número de transformações teológicas e culturais, tornando-se um movimento religioso muito forte. Desta forma, este é o Protestantismo que chega ao Brasil, o qual tem origem entre os estadunidenses (MENDONÇA; FILHO, 2002).

Segundo os autores Mendonça e Filho (2002), a tradição protestante, finalmente, se instalou no Brasil no começo do século XIX, sendo que, o primeiro grupo protestante que se instala vai ser definido como Protestantismo de imigração (ingleses e alemães) e o segundo, grupo de Protestantismo missionário (norte-americanos).

Determinados factores foram favoráveis para a penetração protestante no Brasil como o possível afastamento entre o Estado monárquico e a Igreja Católica, bem como a força dos americanos que não estavam nem um pouco interessados em se fixar em espaços geográficos novos. O alvo dos mesmos era ocupar e dominar pela forma mais subtil e poderosa: a cultura. Os Estados Unidos acreditavam ser a nação escolhida por Deus para levar aos povos atrasados os benefícios do Reino de Deus na terra. Esta ideologia era chamada de destino manifesto (MENDONÇA, 1984).

Pereira (1998) destaca que as leis brasileiras facilitavam a entrada dos imigrantes que aqui chegavam, protegendo-os. Esta protecção também atingia a Igreja Católica, que se enfraquecia aos poucos em relação ao seu poder de decisão. É o que se pode verificar nos debates acerca da Constituinte de 1823, onde a liberdade de culto aos imigrantes foi, finalmente, garantida na constituição de 1824. Além disso, à medida que surgiam problemas para os protestantes que viviam nas colónias, bem como para com os brasileiros que aderiam ao Protestantismo, modificações nas leis asseguravam-lhes segurança e convivência na sociedade nacional.

Conforme Mendonça (1984), no Brasil Império a liberdade religiosa foi uma das polémicas mais debatida devido aos parlamentares liberais que eram a favor desta liberdade e pela grande quantidade de padres que compunham o congresso, os quais eram totalmente opostos a esse ideal liberal. Mas, aos poucos o proselitismo foi penetrando a Grande Nação Católica por causa do espírito liberal e do enfraquecimento do Regime de Padroado da Igreja Católica. A partir de então, a chegada de vários missionários foi de forma sucessiva, com o intuito de implantar a missão protestante em terras brasileiras.

De acordo com os autores Mendonça e Filho (2002), a partir do trabalho dos missionários americanos, a sociedade brasileira começou a conhecer a mensagem protestante, os quais evangelizavam os brasileiros por meio da venda de bíblias e distribuição de panfletos [2].

Segundo Kidder (2001), o povo brasileiro não tinha acesso às Escrituras porque Portugal jamais publicara os textos sagrados na língua portuguesa, tão pouco permitia a sua circulação a não ser sob o acompanhamento devidamente aprovado pelo censor inquisitorial [3].

Apesar de o Catolicismo ser a religião oficial do Estado, os políticos adoptaram uma política liberal e tolerante por ocasião da Independência política do Brasil. Isso permitiu que, aos poucos as ideias protestantes fossem se infiltrando, bem como o acesso às Sagradas Escrituras, livro que foi recebido com simpatia, o que facilitou a sua distribuição tanto na cidade como em outras localidades mais distantes.

Kidder (2001) relata que, na sede da sua missão muitos livros foram distribuídos, gratuitamente e, em diversas ocasiões, deu-se o que poderia chamar de corrida de pretendentes ao Livro Sagrado. Logo este interesse popular pelas Sagradas Escrituras provocou o surgimento da imprensa católica. O jornal O católico que durante um mês combateu a obra missionária protestante, e por não conseguir parar o trabalho missionário, os seus idealizadores resolveram parar de publicar artigos contra os missionários.

Conforme o missionário Kidder, esta tentativa de oposição à missão protestante por meio da imprensa, a Igreja Católica acabou atraindo maior interesse por parte dos que procuravam as Escrituras. Este missionário fala de pessoas que consultou diante desta situação:

Aqueles nossos amigos, aos quais consultamos sobre o assunto, quase invariavelmente nos aconselharam a não dar importância aos ataques virulentos e baixos que nos eram dirigidos, com os quais o grande público não comungava e cuja finalidade era patente a todas as pessoas esclarecidas. Tais artigos se refutariam a si próprios e maculariam mais aos autores que a nós mesmos (KIDDER, 2001, p. 124).

Os amigos citados por Kidder são maçons já que demonstram estarem do lado dos missionários protestantes, apoiando-os na sua missão. Prova disso é o conselho que o missionário recebe quanto aos artigos publicados pela Igreja, os quais iriam fortalecer o movimento missionário protestante e enfraquecer a opinião pública referente à Igreja Católica.

Mas a população brasileira só foi directamente afectada pela presença de cristãos não católicos, quando começaram a chegar ao Brasil, nos anos de 1850, os primeiros missionários protestantes que vieram com a finalidade explícita de propagar a sua fé. Através destes instalaram-se no Brasil a Igreja Congregacional, a Presbiteriana, Baptista, e no século XVIII, Metodista (MENDONÇA; VELÁSQUEZ, 1990, p. 12).

Trata-se de igrejas protestantes que marcam o Protestantismo entre os brasileiros, os quais passam a ouvir a mensagem do Evangelho por meio de novas perspectivas, levando-os a conversão e ao abandono do Catolicismo.

Em 1835, chegou o primeiro missionário metodista ao Rio de Janeiro o Rev. Fountain E. Pitts metodista episcopal pregando nas casas. Em 1836, aporta outro missionário, o Rev. Justus Spaulding, que organizou a igreja com 40 membros, todos estrangeiros. Em 1838 chega Daniel Kidder, o distribuidor de bíblias, também metodista. Em 1855 chega ao Brasil no Rio de Janeiro o escocês Robert Reid Kalley, fugindo da Ilha da Madeira por causa da perseguição, a partir de então começa uma actividade proselista em Petrópolis (MENDONÇA, 1984. p. 23).

Estes foram os primeiros missionários que chegaram ao Brasil com a missão de fazer proselitismo, pois, até então, os protestantes instalados são considerados grupos étnicos, por estarem ligados directamente com a sua cultura e não tinham a pretensão de levar a fé protestante aos brasileiros.

Os missionários protestantes norte-americanos que chegavam ao Brasil trouxeram um sistema educacional moderno, diferente da pedagogia católica, obtendo desta forma, êxito junto à elite brasileira (MENDONÇA; VELASQUES, 1990). Para os protestantes, levar formação educacional a elite, seria o caminho mais rápido para implantar os ideais protestantes no Brasil, ou seja, ao mesmo tempo que se educava se evangelizava. Assim, este protestantismo proselitista é um protestantismo da música clássica e dos instrumentos musicais (ALENCAR, 2005).

Todavia, esta elite não estava interessada na religião protestante, mas na educação que os missionários ofereciam. Embora não tivesse este interesse religioso, ela acolheu os missionários como arautos do liberalismo e do progresso. (MENDONÇA E VELASQUES 1990. p. 74).

O interesse em mudar a cultura educacional e o seu sistema, na época de domínio da Igreja Católica, facilitou a implantação de uma nova forma de educação, moderna com novas perspectivas para uma elite que estava cansada de uma educação tradicional e ultrapassada para a época. Esta nova educação era trazida pelos missionários protestantes.

A aproximação entre Protestantismo e Maçonaria

Conforme o autor Lyra (1970), quando chegaram os primeiros missionários protestantes ao Brasil estes precisavam de apoio para cumprir a sua missão devido à pressão clerical católica, pois os primeiros prosélitos que aderiram ao Protestantismo foram perseguidos, pois a força dos Jesuítas levou muitos pais de famílias convertidos, serem despedidos dos seus empregos; e em toda a parte que procuravam trabalho encontravam as portas fechadas. A perseguição era constante por parte dos líderes católicos, tanto aos missionários, quanto àqueles que se convertiam. (LYRA, 1970).

Diante deste cenário, a Maçonaria foi relevante para a entrada do Evangelho Protestante em território nacional. O autor supracitado destaca que, a fim de evitar a propagação do Protestantismo, os católicos procuravam sufocar os que se convertiam, pois os protestantes receberam apoio da Maçonaria porque os seus ideais eram, praticamente os mesmos.

Segundo Vieira (1980), além dos ideais há outros motivos que ajudaram aproximar protestantes e maçons, principalmente, por parte dos protestantes, os quais não se imporam a ajuda da Maçonaria porque os maçons tinham como regra de fé a Bíblia, sendo que os missionários protestantes tinham como principal objectivo divulgar a Bíblia Sagrada no Brasil.

O Rito Escocês colocou a Bíblia no altar maçónico. A Bíblia foi chamada a “regra da vida” e as reuniões começavam a terminavam com citações bíblicas, como ainda hoje é feito. Deste modo o Rito Escocês predispôs o seguidor da ordem maçónica a olhar para a Bíblia como algo especial, merecedor de respeito, e digno de ser propagado. Por esta razão não é surpreendente notar que os grandes defensores da Bíblia no Brasil, no século XIX, que protegeram os vendedores de Bíblias e travaram batalha contra os ultramontanos, em defesa, foram os maçons, tais como Tito Franco de Almeida, Dr. Demétrio Siríaco Tourinho (VIEIRA 1980. p. 47).

Veja que a forma como a Maçonaria dava importância ao principal livro protestante, a Bíblia, fez com que os protestantes não resistissem aos maçons. A Maçonaria aproxima-se dos protestantes, segundo Lyra (1970) por que ambos crêem na Bíblia Sagrada. Dela foi que se originou a maior parte da filosofia maçónica. Os maçons não discutem a Bíblia por ser fonte divina, sendo que em todas as Lojas Maçónicas ela está aberta. Estas informações vieram facilitar a sua relação com os protestantes, os quais, rapidamente, absorveram a ajuda maçónica.

Desta forma, os protestantes contaram com vários defensores maçons, dentre estes estão: Tito Franco, paraense e com ideologia liberal, ajudou o missionário Richard Holden na sua missão no Pará; Demétrio Siríaco, médico e político baiano, o seu empenho foi decisivo para a circulação livre da Bíblia (VIEIRA, 1980, p. 173; 200).

Crabtree (1962) enfatiza que a Maçonaria, ainda que sem credo religioso, sempre zelava pela liberdade religiosa e por um governo liberal. Desta forma, a ordem maçónica sempre esteve do lado dos movimentos evangélicos no Brasil. Segundo Mendonça (1984), não havia certeza quanto aos missionários protestantes serem maçons, porém, certamente, havia uma aliança entre a Maçonaria e o Protestantismo que foi bastante evidente no período da Questão Religiosa.

Léonard (1981) também ressalta que a aceitação da Maçonaria pelos protestantes deveria se explicar por mais outra razão: o movimento de integrismo católico [4] que, sob a influência de D. Vital e os seus rivais se dirigiam, tanto os maçons, como aqueles considerados heréticos. Deste modo, era necessário unir forças a fim de lutar contra o poder católico e defender os protestantes de perseguições.

Horrel (1996) enfatiza que era evidente a protecção maçónica aos protestantes como a facilidade da entrada de missionários ao Brasil e a protecção em relação ao poder católico que era forte na época. Outras vezes, a fraternidade maçónica ajudou a financiar a construção de templos evangélicos, alguns, até com aparência muito semelhante à dos templos maçónicos.

Léonard (1981) destaca a história de Salomão Ginsgburg, judeu convertido e um dos propagandistas do Evangelho protestante, que percorreu a região de Campos no Rio de Janeiro. Na sua autobiografia narra como os maçons o salvaram em várias ocasiões de oposições e dificuldades. Nota-se que, a Maçonaria actuava, constantemente, em auxílio aos protestantes, ora livrando-os da morte, ora suprindo-lhes as necessidades e garantindo-lhes a liberdade de culto e de consciência (LYRA, 1970).

O protestantismo, em muitos momentos utilizou as lojas maçónicas para realização de reuniões de estudo bíblico. O autor Castellani (1996, p. 127) destaca um facto de uma das grandes Lojas Maçónicas de São Paulo, que cedeu um imóvel aos protestantes.

Para ilustrar esta tolerância basta extrair um facto, registrado em acta da Loja Amizade, a primeira da Capital de São Paulo – fundada a 13 de Maio de 1832 – e uma das mais importantes Lojas brasileiras, a 15 de Julho de 1858. Na Sessão desse dia, mostrando a sua vocação liberal e social, a Loja, tendo, como o seu Venerável Mestre o padre Fortunato Gonçalves Pereira de Andrade, resolvia ceder as salas externas do seu Templo aos irmãos protestantes, para que estes pudessem celebrar, aos domingos, os actos da sua religião; na mesma ocasião, era aprovado o auxílio à viúva de um obreiro ratificado o auxílio a outra, no valor de 8$000 (oito mil réis) mensais, importância com a qual, na época, podia-se comprar uma libra ouro.

Locais onde os maçons se reuniam em muitos momentos foram cedidos para a missão protestante para a realização dos cultos. Além disso, a Loja chegou auxiliar alguns obreiros protestantes por meio de valores monetários.

Ribeiro (1981, p. 300) mostra a ajuda que os maçons davam aos missionários presbiterianos em materiais de propaganda e de imprensa. Em Maio de 1872 o reverendo Blackford escrevia a Junta de Nova Iorque [5] o seguinte: Dizem os nossos amigos maçons que o que está ocorrendo é apenas um começo, e eles pretendem chegar a reformas amplas e radicais. Tenho fornecido um dos principais escritores, livros e informações. Continuando a sua carta Blackford fala da contribuição por parte dos maçons aos missionários, também, em jornais. Os editores de um dos jornais diários mais influentes ofereceram-me as suas colunas para debate das doutrinas romanistas. Mas já tenho as mãos cheias. A ocasião é oportuna e urgente para ser multiplicado o esforço em prol do Evangelho.

Para o protestantismo todo o apoio que recebiam da Maçonaria era bem vindo, pois permitia o sucesso da missão em terras brasileiras e era entendido como esforço em prol do evangelho. Ribeiro (1981, p. 303) ainda demonstra, os conflitos e o apoio dos presbiterianos à luta política dos maçons:

O choque foi violentíssimo aqui, no país. Os presbiterianos deram, como vimos apoio logístico aos maçons, mas evitaram escrupulosamente alterar os seus rumos e a sua prioridade. Ao reverendo James Rockwell Smith, recém-chegado de Recife durante a violência do conflito, e desejoso, também de oferecer munição de guerra ao maçons (pede, Estados Unidos, cópia do Acto de Liberdade Religiosa, de Jefferson, para uso dos jornais maçónicos), aconselha o secretário da sua junta Missionária (Igreja do Sul) que não se envolva em disputas políticas, mas limite a pregar o Evangelho.

A missão presbiteriana apoiava os maçons, mas não se desviava das suas prioridades que era a pregação do Evangelho. Num desses momentos, o Reverendo James Rowell pede aos Estados Unidos uma cópia do Acto de Liberdade Religiosa, com a ideia de usar num jornal maçónico, mas é aconselhado pela Junta missionária a evitar envolver-se em disputas políticas. Para a Junta a missão não podia desviar o seu foco principal.

Conforme Castelanni (1996, pág. 127) embora fossem, na sua imensa maioria, católicos, sempre exerceram a mais absoluta tolerância religiosa – numa época de intransigência e intolerância – não opondo restrições a adeptos de outras religiões, adiantando-se, portanto, de muito, às leis do país. Para Castelanni, a Maçonaria não fazia restrições há nenhum tipo de credo religioso e lutava por liberdade religiosa, bem antes de o país estabelecê-la.

Ribeiro (1981) considera que o relacionamento entre a Maçonaria e o Protestantismo estava limitado às acções externas, mas nessa relação, o estudioso destaca que protestantes e maçons não misturavam questões doutrinárias. Prova disso é o apoio que os presbiterianos deram as causas políticas maçónicas no Brasil, todavia não era interesse da Maçonaria influenciar em relação às suas doutrinas.

Vieira (1980, p. 280) aponta como os missionários protestantes encaravam a ajuda maçónica em defesa dos mesmos. O Rev. Blackford numa carta escrita para a Sociedade Bíblica que o enviou para o Brasil disse: Deus está preparando maravilhosamente o caminho por meios indirectos, fazendo que os próprios inimigos da verdade ajudem à sua causa. Toda esta contribuição maçónica era encarada conforme Blackford como meios que Deus está providenciando para que as missões alcançassem êxito em solo brasileiro.

Devido a esta aproximação, o século XIX, período que os protestantes receberam apoio dos maçons para distribuírem Bíblias e divulgação da sua fé, foi marcado por uma movimentação política e religiosa. Trata-se da divulgação de ideologias liberais e protestantes em terras brasileiras. Esta mobilização política e religiosa acabou levando a chamada Questão Religiosa.

Para Vieira (1980, pág. 29) a igreja Católica estava em condições precárias no período do império, principalmente, no que diz respeito a vida espiritual, político e religiosa. No espiritual o clero tendia a ser ignorante, além de envolvimento político e negligente com as regras estabelecidas pela igreja como o caso do celibato.

Na política, segundo Vieira (1980, pág.29), o abuso do directo de padroado da Coroa que dava a coroa o direito de nomear bispos e controlar a Igreja, além de recolher os dízimos. Sob aspecto político o abuso directo de padroado enfraqueceu demais a Igreja, o que fazia com que clero ficasse subserviente ao Governo em troca de cargos públicos. E no aspecto económico estava relacionado a dependência financeira que a Igreja tinha do Estado, o que parecia a Igreja uma mesquinharia as côngruas tendiam a ser mesquinhas.

Conforme Castelanni (1996, pág.15) na raiz do conflito, estava o desejo da Igreja brasileira, não através do seu clero popular, mas a nata do seu bispado, de formação europeia, de acabar com o padroado a Igreja não aceitava estar submissa e nem clero sob o controle do Estado.

Vieira (1980) aponta que os ultramontanos (conservadores católicos) começaram a tomar a proeminência nos negócios da Igreja Nacional. Quando o ultramontanismo brasileiro começa a encobrir o catolicismo liberal é que se encontra a Maçonaria brasileira fazendo causa comum com os liberais, republicanos, protestantes e espíritas, é a partir de então, que começa um grande conflito religioso que marca o século XIX. Para a Igreja católica esses grupos tornaram-se inimigos comuns e que os destruiria a todos, como estavam fazendo o catolicismo liberal em todo o mundo.

A Maçonaria no Brasil estava em posição privilegiada na política controlando o partido Conservador como o liberal, fazendo frente ao movimento ultramontano da Igreja Católica, sendo a Maçonaria como o centro dos principais ataques ultramontano.

O protestantismo estava em causa comum, juntamente, com a Maçonaria, e os demais movimentos como liberais republicanos e espíritas, que desejam a liberdade religiosa e utilizavam-se do momento para unir forças.

Os conflitos entre a Maçonaria e o Protestantismo

A aproximação entre Maçonaria e Protestantismo gerou também conflitos e problemas entre ambos. O estudioso Léonard (1981, p. 149) destaca o facto que desencadeou a crise entre a Maçonaria e a Igreja Presbiteriana, pois sabe-se, como já mostramos, que os Presbiterianos estavam envolvidos com as causas maçónicas. Desta forma, esta crise foi gerada quando […] pareceu, no número de 12 de Dezembro de 1898 do Estandarte, o primeiro de uma série de doze artigos que pretendiam demonstrar a incompatibilidade entre o Evangelho e a Maçonaria. Segundo Leonard (1981) esta crise foi ocasionada por causa da publicação de uma série de artigos, que foi a primeira ideia apresentada entre a incompatibilidade da Maçonaria com o protestantismo, o seu autor Dr. Nicolau Soares de Couto Esher (1867-1943) [6] um antigo membro, da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo, e que agora se encontrava no Rio.

Os artigos mostravam as incompatibilidades do crente como membro da Maçonaria e que levantaram reacções contrárias assim que foram publicados [7].

Para Leonard (1981) este episódio por si só havia trazido um golpe de morte às Lojas, pois em Assembleia Geral a Igreja Presbiteriana, em reunião na cidade de Valença (Rio de Janeiro) em 1916, declarou que esta Igreja jamais reconheceu e não reconhece a compatibilidade da Maçonaria e da profissão do Evangelho. Este foi o principal motivo desta separação. O autor ainda acrescenta que a partir de então, e até aos nossos dias, toda a atenção da Igreja Presbiteriana foi no sentido de que a questão maçónica não fosse novamente proposta, Leonard relata que ainda assim alguns dos seus membros pertenceram e alguns dos seus pastores ainda hoje pertencem às Lojas brasileiras.

Dos meios presbiterianos, a questão passou logo ao resto do protestantismo. Segundo Léonard (1981), a crise se estendeu, especialmente, entre as denominações protestantes que tinham irmãos maçons como o Metodismo Episcopal e por ser comprometido com a Maçonaria, abriu as páginas do seu jornal, o Expositor Cristão, intensificando a polémica.

A Questão maçónica entrara em fase eclesiástica por uma pergunta – Pode um cristão filiar-se à Maçonaria? – levada em Julho de 1899 ao Presbitério de São Paulo. Prudentemente foi ela remetida ao Sínodo, mas o Presbitério já então autorizou a constituição, em São Paulo, de uma nova Igreja presbiteriana, solicitada, havia vários anos, e que agora deveria agrupar os fiéis contrários à campanha antimaçónica.

Em 22 de Setembro esta Igreja foi organizada sob o nome de Igreja Filadelfa – não sabemos ao certo se neste nome havia alusão pretendida ao movimento filadelfiano do século XVIII, que representou um traço de união entre protestantismo e as Lojas (LEONARD, 1981, p. 150).

Crabtree (1962) mostra que este movimento antimaçónico, também, chegou entre os protestantes baptistas.

No seu relatório do ano de 1905, escreveu o missionário Ginzburg: No Estado de Alagoas o trabalho estava prosperando de um modo maravilhoso prometendo para breve, o seu sustento próprio. Infelizmente um pastor presbiteriano antimaçónico visitou Maceió, deixando aí plantada a semente de espírito jesuíta e farisaico, de forma que o trabalho foi dividido, em Dezembro, e está sofrendo bastante.

Não há dúvida, portanto, que o espírito de nacionalismo muito agravou a situação nos arraiais baptistas também. Os próprios missionários contribuíram para isto quando decidiram retirara o auxílio, caso a igreja recusasse revogar o que deliberaria relativamente à Maçonaria. É fácil compreender como o trabalho baptista alagoana quase ficara naufragado por este movimento. A pesar do prejuízo causado pela divisão, o movimento salientou para os baptistas o valor da sua democracia e independência da igreja local (Crabtree 1962 p. 235).

Durante, muito tempo, a Igreja baptista conviveu com os seus líderes ligados a Maçonaria. No entanto, quando surge a crise desta ligação entre os meios protestantes a Igreja Baptista em Alagoas, também, é afectada internamente, o que originou uma divisão no meio baptista desta localidade, mas que logo foi contida por Ginzburg, missionário baptista de grande influência na época.

Para Léonard (1981, p. 159), a manifestação de lamentos do cisma presbiteriano ocasionado pela crise com a Maçonaria foi lamentado pela Igreja Baptista lia-se no seu Jornal Baptista trouxeram males dez vezes maiores à causa evangélica do Brasil do que as razões invocadas pelos separatista para justificá-las. É certo que os meios baptistas, parcialmente ao menos, estavam sob a influência da Maçonaria, o que evidencia das próprias lutas a revezes de alguns dos seus o pastores contra ela […]”.

Analisando a questão da crise Leonard (1981, p. 172) escreve: a primeira crise com fundamento dogmático, e por isso capaz de grande desenvolvimento (como aconteceu), surgiu da discussão da questão maçónica” nesta denominação.

Afinal, a questão maçónica que havia apaixonado extraordinariamente os meios presbiterianos, determinando-lhes uma cisão importante e duradoura, despertou pouco interesse entre os baptistas. O movimento antimaçónico não fora para os baptistas mais do que uma imitação, sem necessidade real, e portanto, sem força nem extensão (p. 172).

A crise no meio presbiteriano que determinou o seu cisma, teve apenas efeito interno para a Igreja Presbiteriana. Para a Igreja baptista, esta crise pouco efeito teve no seu meio eclesiástico.

A Maçonaria e a consolidação do Protestantismo no Brasil

O resultado desta relação de apoio ao Protestantismo dado pela Maçonaria destaca Crabtree (1962) foi o novo momento que o protestantismo começou a viver após a Proclamação da República brasileira. Este momento é marcado pela separação entre a Igreja Católica e o Estado, separação esta que permitiu aos brasileiros e aos protestantes missionários imigrantes liberdade religiosa.

Pereira (1998, p. 09) enfatiza a importância da Maçonaria para o Brasil como a extinção da escravatura, a secularização dos cemitérios, o registro civil, a proclamação da república, o casamento civil, o ensino leigo e a separação da Igreja do Estado.

Com grande entusiasmo o novo momento é destacado por Crabtree (1962, quando cita o que escreve a missionária baptista.

D. Kate S. Taylor: Já ouviram, sem dúvida, da separação da Igreja e o Estado do Brasil. Temos agora inteira liberdade religiosa, o que desejávamos desde muito tempo. Que pena que os trabalhadores sejam tão ocupados que não possam aproveitar as imensas oportunidades que se nos deparam. O Brasil é agora um dos campos missionários mais prometedores do mundo, República imensa que será preenchida por imigrantes. (Crabtree, 1962, p. 89).

O que demonstra o quanto havia mudado as condições do país quando se tratava de liberdade religiosa, e as novas expectativas geradas para o trabalho missionário em solo brasileiro. Era um novo marco para a evangelização e uma abertura para a chegada de novas acções missionárias. A partir deste momento da história do Brasil, foi de grande importância para a consolidação do protestantismo.

A partir da luta dos protestantes e dos maçons pela conquista da liberdade religiosa novos movimentos evangélicos se consolidaram no Brasil. Vários foram os movimentos religiosos que começaram a se estabelecer no Brasil.

Considerações finais

A participação da Maçonaria na consolidação do protestantismo foi importante, porque por meio desta parceria foi possível estabelecer o ideal de liberdade religiosa, o que beneficiou as missões protestantes e aos objectivos maçónicos que era a implantação da república brasileira. Os missionários estrangeiros usufruíram desta ligação para implantar novas igrejas em solo brasileiro.

A Maçonaria participou de vários movimentos que marcaram a história do Brasil, também, foi a grande divulgadora dos ideais liberais que lutava a favor de imigração, da liberdade religiosa e da separação da Igreja do Estado. A Maçonaria apoiava a coroa, com o objectivo de controlar o poder da Igreja Católica, através dos muitos padres que estavam envolvidos com Maçonaria e os seus ideais. Isto provocaria na Igreja Católica uma reacção por parte da ala radical os ultramontanos o que ocasionou a questão religiosa, pois, todos esses novos ideais ameaça o sistema doutrinário da Igreja.

O Protestantismo chega ao Brasil no meio destas mudanças, com o objectivo de fazer proselitismo religioso, num período que a Igreja era a religião do Estado. Mas este protestantismo era favorecido por leis de liberdade de culto da Constituição de 1824. Apesar da censura católica, o protestantismo ganha o seu espaço e recebe o apoio da Maçonaria que foi fundamental para a sua consolidação.

Os novos ideais de progresso e educação do Protestantismo, também foram, recebidos por parte da elite brasileira, interessada nas mudanças como o sistema de ensino, o qual superava o modelo tradicional e ultrapassado da Igreja Católica. Assim, por meio da parceria maçónica, que durante muitas vezes defendeu os protestante em várias esferas da sociedade, o Movimento Religioso Protestante consolidou-se, passando a fazer parte da sociedade brasileira.

Apesar do cisma da igreja presbiteriana, ocasionado pela discussão interna sobre a influência da Maçonaria no meio eclesiástico, não há registros que esta questão tenha afectado a relação entre protestantismo e Maçonaria noutras missões protestantes.

Raimundo José Pereira Sobreiro

Formado em Ciências Teológicas pela Faculdade Boas Novas – Manaus/Amazonas. Professor do Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Amazonas. Endereço Electrónico: raimundosobreiro@hotmail.com

Notas

[1] Termo usado a partir do século XI, pelos cristãos que defendiam e apoiavam os ponto de vista e a política dos papas. Mas no século XIX era representado pelo lado conservador da Igreja. (VIEIRA, 1980).

[2] Pequeno jornal de teor ideológico e militante ligadas às lutas do seu tempo. (RIBEIRO, 2007).

[3] Cabia aos censores a função de proibir tudo que pudesse ameaçar a religião e a moral, o poder instituído e a cultura. Artigo de: Agnaldo Martino (Mestrando da PUC-SP), Ana Paula Sapaterra (Mestranda da PUC-SP) – a censura no Brasil do século XVI ao século XIX, p. 239.

[4] Parte integrante do catolicismo que, pretendendo manter a integridade da doutrina, relutam em se adaptar às condições da sociedade moderna, em aceitar o “progressismo” Vieira (1980).

[5] Junta de Nova Iorque – Junta Presbiteriana responsável pela presença dos missionários no Brasil.

[6] Natural do Rio de Janeiro, médico, membro da I. P. de São Paulo, iniciador da controvérsia maçónica através de O Estandarte. (Disponível em Galeria dos Leigos – Pioneiros Presbiterianos no Brasil. http://www.mackenzie.br/).

[7] (Disponível em http://www.mackenzie.br A IPB e a Maçonaria: Resoluções dos Concílios da Igreja. (Lessa, Anais, 584586.).

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