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A Bíblia na Maçonaria

✍️ Desconhecido 📅 15/08/2026 👁️ 1 Leituras

Bíblia

Na Maçonaria, a Bíblia é tratada como o Livro da Lei Sagrada, um dos principais símbolos que serve de base para os juramentos e rituais da instituição. Ela representa a fé e o respeito a Deus (o Grande Arquitecto do Universo), embora outras crenças usem os seus próprios livros sagrados equivalentes.

A influência da Bíblia reflecte-se em várias situações e tem inspiração por analogia simbólica no Tabernáculo Hebreu e no Templo de Jerusalém. (era uma tenda sagrada e portátil onde Deus habitava no meio do povo durante a travessia do deserto construído por Moisés), Templo de Jerusalém, foi o centro de culto do antigo povo israelita e judaico, o primeiro templo construído por Salomão por volta de 957 a.C.

Isso terá reflexos das raízes operativas da Maçonaria agrupadas na visão dos construtores de catedrais da Idade Média, cujas corporações de Ofícios, eram organizadas e fechadas da época.

Os ritos ingleses são os mais ligados à Bíblia, sem prejuízo de haverem conjugado os seus ensinamentos filosóficos com as tradições dos antigos Canteiros e Pedreiros-livres.

A grande Loja Unida da Inglaterra, resultante de uma fusão posterior de Grandes Lojas Inglesas, nasceu em Londres, na data de São João de 1717. É considera a Potência Mãe da Maçonaria, pois, realmente, dela se originaram todas as potências Maçónicas do mundo.

Não participaram dessa memorável reunião os maçons antigos das lojas da Escócia e, talvez da Irlanda. Somente mais tarde é que estes viriam a unir-se aos modernos da Grande Loja Inglesa.

Estes se consideram os verdadeiros titulares das legítimas tradições da Fraternidade, desde o tempo do Rei Atheistan, ou da Constituição de Yorque, do século X.

Com a fusão dos antigos e modernos, surgiu, em 1813 a Grande Loja Unida da Inglaterra, o mais tradicional corpo maçónico, e a Maçonaria já se encontrava espalhada na Europa. Daí serem designados de Antigos, Livres e Aceitos.

Por isso, quando for necessário buscar a fonte tradicional e original da Maçonaria, os seus símbolos e alegorias, é indispensável consultar, principalmente, os rituais de Yorque. Quem não seguir esses caminhos não aprenderá o que seja Maçonaria.

Esta minha afirmação não constitui qualquer demérito com relação a qualquer outro Rito Universal. É que não podemos negar a verdade histórica.

Todo Maçom que quiser conhecer realmente a simbologia maçónica deve frequentar, quando for permitido, várias lojas do Rito de Yorque, principalmente por ocasião das instruções.

O Rito de Yorque demonstra, realmente, a importância dos textos bíblicos na doutrina maçónica e, com isso, respeita a todas as crenças, pois aproveita os ensinamentos éticos e filosóficos da Bíblia, aplicando-os aos fins da Arte Real e não a qualquer religião.

A Bíblia é o código de Moral e da Consciência de maior projecção e repercussão na humanidade. Pouco importa que ela tenha sido escrita extemporânea e posteriormente aos factos nela narrados.

Menos importa, que ela tenha sido o código nacionalista dos judeus, povo eleito sob a protecção de uma divindade exclusiva de uma nação formada de várias tribos.

Ainda menos importa, que as suas várias versões tenham sido deturpações do original. A verdade é que a Bíblia é a expressão mais transcendental da quinta essência e o maior monumento moral produzido pela humanidade.

Basta verificar que nenhum código místico chegou à concepção transcendental do Deus Uno. Causa primária. Criador Iniciado, Perfeição Suprema. Sabedoria e Justiça Infinitas. Omnipresença e tudo quanto se reúne na denominação maçónica. O GADU.

A própria Bíblia demonstra uma evolução da ética universal do Génesis (Beresith) à palavra dos profetas. A partir de Moshé ou Moisés, príncipe e grande construtor (arquitecto) no Egipto e libertador do seu grande povo, a primitiva moral judaica, influenciada pela superstição e costumes mesopotâmicos, principalmente Caldaico, (Os Caldeus foram um povo semita do sul da Mesopotâmia que fundou o Novo Império Babilónico, conquistou Jerusalém e se destacou em astronomia e matemática), daí passaram a melhorarem-se e a elevarem-se, e atingirem as suas culminâncias, como os profetas.

Finalmente, IESSHUA BEN JOSEPH, o rabino Nazareno, da Galileia (ou outro lugar), o Divino Mestre dos Cristãos, Jesus Nazareno, Rei dos Judeus, passa a ensinar o amor na História da civilização. Já se completavam, então, os ensinamentos Egípcios e Persas, que desde longo tempo se vinham infiltrando nas doutrinas hebraicas. A influência grega também se fez notar.

Assim se completou a Bíblia, obra de um povo semita valoroso e inteligente, grupo histórico e linguístico originário do Oriente Médio, hebreus, árabes e fenícios, o termo veio de SEM filho de Noé, que soube haurir o melhor das culturas egípcias, babilónica, persa e grega.

Mas é bom lembrar, que a Maçonaria não cuida de discussões religiosas, dado o seu carácter de comunhão de homens de todas as crenças. A Maçonaria é uma ordem, uma corporação disciplinada e não uma sociedade comum. Maçonaria não é Religião nem Seita. É uma comunhão que busca o denominador comum de paz e fraternidade de todas as criaturas humanas.

Justifica-se, pois, o lindeiro pelo qual se proíbe nas lojas as discussões de políticas partidárias e de religiões e apenas se admitem referências à ciência política, às demais ciências sociais e às manifestações de consciência, mas tudo sem qualquer crítica ou ataque e somente sentido histórico e evolutiva e no objectivo de congregar e unir.

Isso tudo desfaz as insinuações de livros racistas, como o suspeito e engendrado “Protocolo dos sábios de Sião”,( uma farsa e uma mentira perigosa, o texto trata de um plano secreto dos judeus para dominar o mundo, foi uma fraude inventada pela Rússia no começo do século XX, contra o povo judeu),também, os livros do imaginoso Léon de Poncins, jornalista francês especializado no estudo dos movimentos revolucionários contemporâneos e do papel das sociedades secretas na política como: “A Revolução Francesa em 22 Lições” e “ As Forças Secretas da Revolução”,  ou as obras diatribes do intelectual brasileiro Gustavo Barroso, no seu livro “Judaísmo, Maçonaria e Comunismo” em 1935.

No Rito de York e no ritual de Emulação, a Bíblia é aberta para os trabalhos, mas não é lida, No Rito de Schroeder, permanece fechado. No Rito Adonhiramita, é aberta e lida uma passagem, e no Rito Escocês Antigo e Aceite, são lidos os seus salmos, dependendo do Grau.

No Rito Moderno

não se pergunta aos candidatos qual a religião que professam por ser, isso, da consciência individual de cada um, e não caber, a quem quer que seja, o direito de devassá-la

(Castellani, 1987).

Citando Oswald Wirth, Boucher (2015), afirmava: “Os anglo-saxões, ao exigir a Bíblia, e somente a Bíblia, negam a universalidade da Maçonaria e, se encararmos o problema desse ponto de vista, a “irregularidade” está do lado deles, e não do nosso”.

A Sublime instituição se inspira principalmente na Bíblia, pelo facto de a crença mosaica (são leis e tradições religiosas fundamentadas no Torá e atribuído ao profeta Moisés, sendo a base do judaísmo antigo), pela crença mosaica, haver constituído o governo da lei e não dos homens, por haver exaltado a dignidade individual (Prumo) e as recompensas para os justos; por haver amenizado, já em épocas remotas, a odiosa escravidão e declara, por lei, que os servos deveriam ser emancipados, e por haver chegado à concepção mais evoluída e transcendental de JHWH, aquele que é, foi e é o GADU.

Relembrar os Salmos de Davi, pastor e rei, os Provérbios de Salomão, o Eclesiastes e as lições dos profetas, equivale a estudar Maçonaria. Sinais e palavras sagradas e de passe, tem na Maçonaria, motivos bíblicos e expressões hebraicas. Pelo Landmark, tudo isso é imutável.

À verdade, porém, é que a Maçonaria actual, chamada “especulativa”, resultou de uma complexidade de tradições aliadas a uma síntese de tudo quanto houve de melhor nas crenças e na evolução do pensamento na história da humanidade, de maneira a formar uma doutrina de fraternidade e comunhão de homens de todas as etnias, nacionalidade e credos.

O Livro da Lei é a Bíblia, ou Código de Moral que representa a crença ou a mais alta expressão de fé, na consciência do Maçom.

Desde Agosto de 1938, as Grandes Lojas da Inglaterra, da Irlanda e da Escócia, concordaram que o Livro da Lei poderia ser a Bíblia ou o Código que representasse a crença dos iniciados. Essa regra, já de longo tempo discutida, foi referenciada pela Grande Loja Unida de Inglaterra, aos 7 de Setembro de 1949.

A Bíblia não menciona directamente a Maçonaria, pois a ordem surgiu séculos após o fechamento do cânon bíblico moderno. No entanto, estudiosos cristãos aplicam princípios bíblicos para avaliar a compatibilidade da fé com a Maçonaria.

Em 1534, no Acto de Supremacia em que Henrique VIII consolidou a Reforma Anglicana, com o rompimento entre a Inglaterra e o Papa Clemente VII, autoproclamando-se o chefe da Igreja do seu país, dentre outras medidas, pregou-se a popularização da leitura da Bíblia.

A primeira versão bíblica autorizada na Inglaterra, traduzida do original hebraico e grego para o inglês, a pedido do rei James I da Inglaterra, foi publicada em 1611, conhecida como a Bíblia do Rei James. Até então, era utilizada a versão em inglês da Bíblia de Genebra de 1560.

A introdução da Bíblia nas reuniões maçónicas foi sugerida por George Payne, em 1740, como bajulação à Igreja Anglicana, e não a Católica, pois, naquela época, era a primeira que predominava na Inglaterra, conforme ensina Castellani.

Embora citada em vários documentos, não se tem notícias da Bíblia permanecendo sobre o Altar dos Juramentos, durante as Sessões de trabalho. Há autores que registram o seu uso em 1670. Nos Rituais de cerca de 1760 é referenciada como uma das três grandes luzes, com lugar de honra nas Lojas.

Os “Antigos Deveres” ou “Old Charges” (antigas obrigações, ou antigas acusações), não permitem comprovar que a Bíblia fosse empregada nas Lojas operativas inglesas, antes da Reforma.

O banimento dos judeus de toda a Grã-Bretanha e com eles, todos os seus costumes, as suas leis, as suas tradições pelo Édito do rei Eduardo I, em 1290, foi motivo para o sumiço do Velho Testamento. A anulação se deu por acto de Oliver Cromwell, mais de 350 anos depois, em 1656.

O que se sabe é que os novatos juravam ser fieis às confrarias, estendendo a mão direita sobre o Livro dos Evangelhos, sendo o preferido o de São João, festejado por ocasião das colheitas.

Consta que no manuscrito “Halliwell”, também chamado de Poema Régius, é o documento mais antigo da Maçonaria operativa datado por volta de 1390, o seu fechamento é marcado por uma longa peroração final com conselhos morais e religiosos, a obrigação de um Iniciado, com as palavras: “Me ajude Deus e o conteúdo deste livro sagrado”.

A Maçonaria moderna buscou ainda, na Bíblia, os mistérios relativos às “Palavras de Passe” e às “Palavras Sagradas”, além de acontecimentos históricos e nomes sagrados emprestados aos Graus Filosóficos, de forma que o Maçom possa inspirar-se, juntamente com cada objecto, utensílio e adorno, transferindo a filosofia desses elementos para o terreno espiritual, a fim de erigir, dentro de si mesmo, um Templo da Virtude, um local de comunhão íntima dedicado ao culto ao Criador.

Dos seus membros, a Maçonaria exige a crença em Deus, na condição de que cada um, livremente, encontre conforto espiritual na sua crença. Já a questão envolvendo religiões é objecto de estudos históricos, filosóficos e de reflexão.

Como considerações finais, cito uma frase de Jules Boucher: “Os Maçons não tentam reconstruir materialmente o Templo de Jerusalém; é um símbolo, nada mais é o ideal jamais terminado, onde cada Maçom é uma Pedra, preparada, sem machado nem martelo, no silêncio da meditação”.

José Carlos de Almeida Carreiro – Mogi das Cruzes – SP

Referências Bibliográficas

  • A Bíblia Sagrada, Editora Pastoral, SP
  • Barros, Zilmar de Paula, A Maçonaria e o Livro Sagrado. Ed.Mandarino, RJ.
  • Castellani, José. A Maçonaria Moderna. Gazeta maçónica, 1987;
  • Theobaldo, Varoli Filho. Curso de Maçonaria Simbólica, A Gazeta Maçónica.
  • Camino, da Rizzardo. Maçonaria Mística, Aurora, RJ.

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