Freemason

A arma do Maçom

Compartilhar:
✍️ Desconhecido 📅 02/12/2025 👁️ 0 Leituras

palavras, arma do maçom

Mãe, o professor disse que é só para tu leres. Ninguém mais. Só tu.

Ela pegou o papel com calma. Sentou-se na beira da poltrona velha da sala.

Desdobrou a carta lentamente…

Leu em silêncio.

E então… algo estranho aconteceu.

Os seus olhos encheram-se de lágrimas, mas… ela sorriu.

E aquele sorriso — suave, corajoso, doce — nunca mais saiu da minha memória.

Com a voz firme e cheia de ternura, ela disse:

Filho, o teu professor escreveu que és um génio. Que és especial. E que a escola não tem os recursos nem os professores certos para te ensinar como mereces. Por isso… ele pediu que eu te ensine, em casa.

E foi exactamente o que ela fez.

A partir daquele dia, a minha casa tornou-se numa sala de aulas.

A cozinha tornou-se um laboratório. A varanda, biblioteca.

E a minha mãe… a minha doce e determinada Helena, tornou-se a minha professora, a minha guia e o meu mundo inteiro.

Ela ensinava com paciência. Com criatividade. Com amor.

Nunca me tratou como alguém “diferente”.

Tratou-me como alguém capaz de tudo.

Mesmo quando eu errava. Mesmo quando eu me frustrava.

Ela dizia sempre:

Pensas de uma forma que ninguém mais pensa. Isso é um dom.

O tempo passou… · Os anos voaram como folhas levadas pelo vento. A minha mãe ficou mais frágil. Mais silenciosa.

E um dia… partiu.

A dor da sua ausência era profunda, mas a força das palavras que ela deixou ecoavam dentro de mim como uma promessa.

Eu necessitava de honrar tudo o que ela acreditou que eu era.

E foi assim que aquele menino “diferente”, que muitos não entendiam…

Se tornou, inventor, cientista, sonhador.

Anos depois, já adulto, já reconhecido, mexendo numa velha caixa no sótão, encontrei algo inesperado, aquela carta.

A mesma com a caligrafia que eu jamais esqueceria.

As minhas mãos tremiam quando a abri.

O meu coração parou por um segundo.

E o que li…, mudou tudo.

“O seu filho tem sérios problemas mentais. Ele não pode continuar a estudar aqui. É inapto para o ambiente escolar.”

Fiquei imóvel.

As palavras pareciam gritar.

Chorei. Por horas.

Mas depois… respirei fundo. Peguei no meu no diário. E escrevi:

“Fui um menino com dificuldades. Mas tive uma mãe tão corajosa… que me fez acreditar que eu era um génio. E por causa dela… eu fui.”

O poder que ninguém vê.

A minha mãe poderia ter-me contado a verdade.

Poderia ter lido aquela sentença cruel em voz alta.

Poderia ter-me feito carregar o peso da exclusão, da vergonha, do rótulo.

Mas ela escolheu outro caminho.

E, naquele momento, deu-me um presente maior que qualquer diploma:

Fez-me acreditar em mim… quando ninguém mais acreditava.

As palavras marcam. Ou salvam.

Porque as palavras entram nos ouvidos… mas ficam no coração.

Elas podem acorrentar, ou libertar.

Podem ferir ou curar.

E, acima de tudo, podem construir um futuro inteiro.

. . . / / / . . .

Utilizei este texto de autor desconhecido para mostrar que uma das armas do Maçom é a palavra.

A palavra que eleva em vez de derrubar.

A palavra que acaricia em vez de magoar, que apoia, que auxilia, que aquece.

Em loja treinamos a utilização da palavra com elevação, com respeito pelo outro, pela diferença e com amor fraterno.

Mas depois do treino temos por obrigação trazer connosco um pouco da luz que recebemos em loja e espalhá-la no mundo profano.

É nossa obrigação falar em voz alta quando outros só podem falar em voz baixa, defender a verdade e derrubar a mentira, defender o amor contra o ódio, dar uma palavra de esperança onde só mora o desalento, dar a mão a quem está sozinho, ser o abrigo numa tempestade.

No final do ritual do grau 32º é referido:

“Um soldado da liberdade exige para o povo voto livre e voz, e alcança para si a liberdade de voz, voto e opinião“

É um trabalho muito mais difícil do que parece e que acarreta muitos perigos.

Esta é apenas uma das nossas batalhas, com a palavra e a verdade plantamos a liberdade.

Tal como o bago de romã não está sozinho, assim nós temos o apoio de um exército de irmãos na luta pela liberdade contra a tirania.

Rui Mouzinho

Artigos relacionados

Sugestões de Estudo