Sócrates e a sabedoria
Fédon de Elis disse ao Sábio Sócrates:
– Querido amigo, por favor, esclareça-me a respeito do caminho da sabedoria. Estou confuso com tantas opiniões diferentes. Um sábio de Atenas ensinou-me Filosofia e iniciou-me nas artes espirituais. Mostrou-me o valor das coisas simples da vida. Ensinou-me a apreciar a beleza das flores, o canto dos pássaros, o sorriso das pessoas, os sentimentos da música e o estudo inteligente das capacidades humanas. Fez-me ver a importância de viver e lutar pelos bons princípios. Aprendi com ele o valor da acção positiva, a participação sadia nas questões humanas e espirituais. Porém, conheci um andarilho místico, pessoa de grande encanto e cordialidade, com quem estudei durante algum tempo. Ensinou-me que toda acção é transitória, pois tudo segue o curso da evolução naturalmente. Explicou-me que as acções externas não são muito importantes. Disse-me que a viagem pelo interior de nós mesmos é a mais importante. Aprendi com ele que tudo é relativo e que as nossas acções podem ser fruto das nossas ilusões sensoriais. Caro Sócrates, um mestre estimulou-me a agir no mundo e o outro a desligar-me das coisas externas e seguir um caminho puramente espiritual. Qual dos dois tem razão? Qual é o melhor caminho, o externo ou o interno?
O sábio grego estava sentado ao lado de Apolodoro. Calado, levantou-se e colheu uma flor de um jardim próximo. Inspirado, começou a rir e conversar com a flor. Disse-lhe:
– Minha pequena amiga, o que acha da pergunta de Fédon? Ele deve ir para dentro ou para fora? Tenho certeza de que você sabe a resposta. As potências divinas devem ter inserido no desabrochar das suas pétalas a sabedoria da natureza. Ensine-me o que o céu, o sol, a lua, as estrelas, a terra, a chuva e a luz divina lhe ensinaram. Revele-me a sabedoria da sua simplicidade, terna amiga flor.
Sócrates encostou suavemente a flor no seu peito e fechou os olhos. De alguma maneira por ele conhecida, fez um acoplamento áurico do seu chacra cardíaco com a aura da flor. Ficou em sintonia com ela por vários minutos. Enquanto isso, Fédon e Apolodoro observavam o desenrolar daquela cena inesquecível: o maior sábio da Grécia consultando uma flor. Quando Sócrates abriu os olhos havia um brilho maravilhoso no seu semblante. Sentou-se no chão e começou a rir novamente. Chamou os dois discípulos para sentar com ele e disse-lhes:
– Esta flor tem mais sabedoria do que todos os livros de Filosofia do mundo. Disse-me que o sol brilha tanto porque tem uma luz invisível inspirando-o dentro do seu núcleo. Contou-me que cada elemento da natureza lhe serve de referência na sua aprendizagem. Aprendeu com a terra, a firmeza; com a luz da lua, a suavidade; com a chuva, a adaptabilidade ao meio; com o céu, a amplitude dos horizontes. Dentro de si mesma aprendeu a meditar, ponderar e fluir com os ciclos da natureza. Dentro do seu equilíbrio interno, seguiu o fluxo da sua própria natureza e desabrochou para o mundo a sua beleza, a sua cor e o seu perfume. Não seguiu caminho algum, de dentro ou de fora. Apenas se expandiu na sua própria essência. Ela apenas vive e cumpre a sua missão na vida: ser uma maravilha da natureza e foco de inspiração de sábios, místicos, poetas, músicos, artistas e pessoas de coração aberto. Meus caros Fédon e Apolodoro, o caminho da sabedoria é o caminho da flor. É apenas SER! A luz invisível que ensinou esta flor é a mesma que está dentro e fora de nós. Se viajarmos para dentro encontraremos essa luz no nosso coração. Se viajarmos para fora a encontrá-la-emos nos outros corações e no coração da própria vida. Foi isso que a flor me disse: a luz divina está em tudo! Caminhos de dentro ou de fora, são apenas caminhos da luz. Alegrem-se, a sabedoria é um caminho sem fronteiras! Vivam, meus amigos, e prestem mais atenção nas flores. Cada uma delas tem beleza, cor, perfume e sabedoria.
Fonte
- Grupo de estudos Rosa-Cruz
