SINAL DE SOCORRO
✍️ noreply@blogger.com (Pedro Juk)
📅 11/07/2017
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Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão
Alex Martins de Oliveira, Loja Mensageiros da Luz, REAA, GOB-ES, Oriente de São
Mateus, Estado do Espírito Santo, formula a questão seguinte:
SINAL DE SOCORRO
Venho através dessa, solicitar mais uma vez, seus conhecimentos. No
ritual de Mestre Maçom existe uma forma de pedirmos auxílio (socorro) a outros
Irmãos.
Minha pergunta é: como devemos instruir os Aprendizes e Companheiros que
por ventura necessitarem desse auxílio?
CONSIDERAÇÕES.
De modo geral o Sinal de Socorro na
Moderna Maçonaria, desde a criação do Terceiro Grau especulativo em 1725, tem
sido de domínio apenas daqueles que atingiram a plenitude maçônica. Assim, os
Aprendizes e os Companheiros dele ainda não podem ter conhecimento.
Essa norma se prende principalmente ao hábito
de que no passado operativo (Maçonaria de Ofício), apenas tinham a liberdade
para contratar obras aqueles que comprovadamente dominavam a arte de construir
e eram proprietários de guildas de construtores.
Na época da Maçonaria Operativa ainda não
existia o grau de Mestre especulativo tal como hoje o conhecemos, já que na
realidade existiam apenas duas classes de profissionais (Aprendizes e
Companheiros) dos quais deles, apenas um Companheiro experiente era escolhido
para liderar a guilda de construtores. Em síntese esse Companheiro era eleito
pelos membros da confraria de pedreiros e tido como o Mestre da Obra e, pelo
seu padrão profissional lhe era dado o direito de pleitear junto às
autoridades, principalmente as eclesiásticas, seu livre deslocamento pelos
longínquos rincões da Europa medieval em busca de contratos profissionais.
Naquelas ocasiões, sobretudo se levando em
conta as dificuldades enfrentadas e comuns àquele período da história, esses
profissionais ao se deslocarem geralmente careciam de ajuda para encarar as
agruras do ambiente. Em face dessa situação eles então adotavam, diante das
necessidades, sinais convencionais e discretos que objetivavam chamar atenção e
pedir ajuda àqueles que os reconhecessem também como construtores da pedra
calcária. Na verdade esse sinal era propriamente um pedido de socorro (não
confundi-lo com os sinais de reconhecimento profissional).
Como os Aprendizes Admitidos e os
Companheiros do Ofício (nomes dado às classes profissionais da época) geralmente
permaneciam nas guildas e só se deslocavam eventualmente, porém sempre
acompanhados do seu líder, eles não detinham o conhecimento do Sinal de
Socorro, ficando o mesmo restrito apenas ao Mestre da obra que era também o
líder da guilda de pedreiros e, havendo necessidade de pedir ajuda para alguém,
ele é que assim procedia pelo Sinal.
Foi desse costume que mais tarde muitos ritos
da já Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, adotariam também um simbólico
Sinal de Socorro que, diga-se de passagem, pode variar de acordo com as
práticas ritualísticas dos diversos ritos hoje existentes e conhecidos. Nessa
concepção, sugestivamente apenas os Mestres Maçons dele têm conhecimento.
Na Moderna Maçonaria, esteticamente essa
conotação ganharia reforço a partir de 1725, sobretudo pelo aparecimento da
Lenda do Terceiro Grau, cuja alegoria destaca o suplício simbólico recebido
pelo Mestre Hiran e que fora aplicado pelos três maus Comp\
- J\, J\, e J\.
Não obstante a importância que tem para a
Maçonaria todos os seus Sinais, sobretudo como elementos do seu verdadeiro penhor
de segredo, o de Socorro geralmente se mantém mais como figura decorativa decalcada
na tradição do que uma prática efetiva que possa se apresentar diante de uma
real necessidade, pois isso obviamente se dá pelas circunstâncias atuais em que
vivemos onde, devido à evolução das coisas, existem hoje inúmeros meios para que
se possa pedir ajuda, ou mesmo identificar alguém que dela esteja carecendo,
inclusive, se for o caso, também dos Aprendizes e Companheiros, mesmo que na
liturgia maçônica tradicional o Sinal de Socorro continue sendo ainda privativo
dos Mestres Maçons.
Na Maçonaria da atualidade não cabe mais a
regra de que um pedido de socorro fique restrito a um Sinal. Embora ele exista
entre os Mestres, a sua presença possui apenas uma faceta emblemática haurida dos
nossos ancestrais.
Precisamos avaliar que vivemos hoje em dia
num mundo onde nenhum maçom que porventura precise de ajuda, dar-se-á
satisfeito apenas em compor um Sinal e ficar aguardando providências. Pensar
assim é fugir à realidade, portanto deixemos que as nossas tradições permaneçam
como respeito aos nossos antepassados e se perpetuem como nossos usos e
costumes, mas não ao ponto de se imaginar que atualmente um maçom carente de
ajuda (seja ele Aprendiz, Companheiro ou Mestre) precise ficar fazendo Sinal
até que outro Irmão eventualmente possa perceber.
Essas práticas antigas eram válidas nos
tempos dantes e que serviam às vezes até para que um maçom pudesse preservar a
sua própria vida ao se encontrar diante de uma situação onde Irmãos lutavam em
ambos os lados de uma contenda, mas isso nem sempre foi uma regra, senão uma exceção.
Na Moderna Maçonaria fica a tradição simbólica
de que o Sinal velado de Socorro só é reconhecido entre os Mestres Maçons,
porém ratifica-se que isso não implica que socorrer ou pedir ajuda para alguém
seja coisa restrita aos detentores do Terceiro Grau. Diante da justa necessidade,
todos os maçons, sem qualquer exceção, têm o direito e a obrigação de dar,
pedir e receber ajuda, seja por meio de um Sinal ou não.
Por fim, aproveito a oportunidade para
alertar que sinais maçônicos são privativos dos maçons, e dentre eles próprios
existem regras particulares relativas aos seus graus. Assim é oportuno
salientar que não existe e é fruto da mais pura invenção e absoluta imaginação
a tal “estória” da existência de um Sinal de Socorro feito com as luvas e
restrito às esposas dos maçons. Isso é pura bobagem e não existe na tradição
maçônica. Sinais maçônicos, sejam eles quais forem, somente são conhecidos
daqueles que foram iniciados na Maçonaria regular. A propósito, a entrega de
luvas femininas ao iniciado não é regra maçônica universal.
T.F.A.
PEDRO
JUK
JULHO/2017
