Sinais, Toques e Palavras
P.: Quantos são os Sinais Principais?
R.: Quatro.
P.: Quais são eles?
R.: Gutural. Peitoral. Manual e Pedestal.
P.: Explique-os.
R.: GUTURAL (na garganta); PEITORAL (no peito); MANUAL (com as mãos); PEDESTAL (com os pés).
Os Documentos Manuscritos – THE GRANDE MYSTERY OF FREE-MASONS DISCOVERED (1724) e o “INSTITUTION OF FREE-MASONS” (1725), também estabelecem estes QUATRO SINAIS, ou fonte de Sinais: o GUTURAL, o PEITORAL, o MANUAL e o PEDESTAL.
O Sinal Gutural, praticado ainda hoje, teve como origem, segundo autores americanos e Ingleses, no “DUE GUARD”, isto é, no primitivo juramento ou compromisso, prestado pelo Candidato, sobre o Livro da Lei Sagrada, nas Lojas Primitivas, da Irlanda, da Escócia e Norte-Americanas. O seu nome primitivo era DUE GUARD. Na Europa, só era praticado no 1° e 2o Graus – isto porque, nesse período, só eram praticados os Graus de Aprendiz e Companheiro. O Grau de Mestre não havia sido inventado ainda. Na América do Norte, com o advento do 3o Grau, esse, também, passou a ter o seu DUE GUARD.
Como para a Leitura deste Livro, contamos com a gratificante presença de Irmãos Aprendizes, vamos nos ater somente ao Due Guard de Aprendiz, para não melindrar alguns Irmãos. Muito embora, no Monitor DUNCAN’S RITUAL, da Maçonaria da América do Norte, tudo isso está explicito, inclusive com ilustrações elucidativas e são vendidos até pelo Reembolso Postal e para não Maçons.
Mas, no final das contas, o que é, mesmo, um DUE GUARD? Segundo o Escritor Maçónico, HARRY CARR, já falecido, é o seguinte:
“Nas Lojas, sob a jurisdição das Grandes Lojas da Irlanda, Escócia e Estados Unidos da América do Norte, (além mar), quando o Candidato presta sua Obrigação, ou Juramento, no Primeiro Grau, com a mão esquerda segurando a Bíblia e a mão direita sobre a mesma, o candidato termina seu juramento com estas palavras… DUE GUARD, isto é, Que Deus me Guarde e me ajude a cumprir esta solene Obrigação que faço como Aprendiz Maçom”.
Assim, esta expressão “DUE GUARD”, passou a ser um dos Sinais Guturais, de reconhecimento maçónico. Quando, após o juramento e outras Práticas, o Candidato era dado como Iniciado, o Venerável, no centro da Loja, ajudado pelos demais Irmãos, ministrava algumas Lições sobre o DUE GUARD, como sendo o principal Sinal de Reconhecimento Maçónico. Esta Instrução Ministrada, consistia em fazer a Postura do DUE GUARD, isto é, sem Livro da Lei e sem Altar, e sem ajoelhar-se, fazer o gesto como se estivesse segurando uma Bíblia imaginária, como fizera quando prestara o seu juramento de Ingresso. Esta Postura e este gesto, deu origem ao Sinal Gutural, ainda hoje usado. A Lição Moral, com referência à degola de João Baptista, veio algum tempo mais tarde. A Lição sobre as Penalidades Simbólicas, para os perjuros para aqueles que revelassem os “SEGREDOS”, só se incorporou à Maçonaria, quase meio Século depois:
Havia, sim, em alguns Manuscritos estes Catecismos. No Catecismo de Wilkinson, encontramos as Perguntas:
P.: Quais são os Sinais?
R.: Todos os Esquadros, Níveis e Perpendiculares.
No Catecismo do Livro Maçonaria Dissecada, encontramos:
P.: Que são os Sinais?
R.: Todos os Esquadros. Ângulos e Perpendiculares.
P.: Quais são os Toques?
R.: São certas normas de garras fraternais.
No Catecismo de Wilkinson (1727) diz que:
“Resp. Certas Garras”.
Nas questões sobre Sinais somente 4 Documentos fazem menções sobre os mesmos. O “THE WHOLE INSTITUTION OF MASONRY” (1724) dá a seguinte resposta sobre Sinais:
P.: Quais são os Sinais?
R.: Todas as Esquadrias são Sinais, de acordo com o objecto que se tem à mão.
O Volante: “THE WHOLE INSTITUTIONS OF FREE-MASONRY OPENED” (1725), diz a mesma coisa e o “MYSTERY OF FREE-MASONRY (1730), diz:
…“Todas as Esquadrias são Sinais. Isto é, a mesma coisa.
Para melhor entender as Origens destes Sinais, é preciso que façamos uma pequena incursão, num outro campo. Por exemplo: nos Manuscritos de “THE EDINBURGH REGISTER HAUSE” (1696), o mais antigo deles todos, nós encontramos esta passagem:
P.: Quais são os primeiros Pontos?
R.: Diga-me o primeiro Ponto que vos direi o segundo.
O primeiro Ponto é OUVIR, e o segundo Ponto é OCULTAR, sob pena de, se não fizer isso, se não tiver o cuidado de OUVIR e OCULTAR, ter a sua garganta cortada, como era feito antigamente.
O mesmo Manuscrito regista que o Irmão que estava sendo Telhado fazia aquele Sinal Gutural, que ainda hoje, usamos no Grau de Aprendiz, quando saudamos o Venerável ou os Vigilantes. Aí, fala-se, pela primeira vez em ter a garganta cortada, ou cortar a própria garganta se não fosse forte o suficiente para guardar os “Segredos” ouvidos, todavia esse Sinal Gutural, em outros Manuscritos, substitui a expressão Garganta Cortada, por: “ARRANCAR A LÍNGUA PELA MINHA GARGANTA”, isto é, arrancar a língua por baixo do queixo.
Analisando estes dois Sinais Primitivos que indicam “Cortar a Garganta” e “Arrancar a língua por baixo do queixo“, verificamos que a nossa Postura de Hoje, está mais para ARRANCAR, do que para CORTAR
Os Sinais Guturais, não são muitos, todavia, podemos citar mais alguns exemplos para ilustrar este Trabalho. Nos Manuscritos “THE EDINBURG REGISTER HAUSE (1696)”, “THE CHETWODE CRAWLEY” (1700), e “THE KEVAN (1714)”, quando se trata de Aprendizes, todos mencionam o Sinal, o Gesto de colocar a mão sob o queixo, ao longo da garganta. Todavia, tudo indica que estes Sinais só eram praticados no interior das Lojas. Para reconhecimento externo, havia outros Sinais, outros Toques e outras Palavras.
Segundo Harry Carr, não há dúvida de que o primeiro Sinal praticado pelos Maçons Primitivos, como senha de reconhecimento, foi o Sinal Gutural.
No Manuscrito de SLOANE (1710):
“…é feito um Sinal, levando a mão direita através do Peito até o lado esquerdo com a ponta dos dedos ficando. 3 ou 4 polegadas abaixo do queixo…”
Outros Sinais Peitorais como esse, são descritos, inclusive, um que era feito com o Chapéu – na época todo mundo usava chapéu -, na maioria das vezes, fora do recinto das Lojas. O Sinal consistia em, estando com o Chapéu na mão direita, “colocá-lo sobre o peito, com a aba, poucos centímetros abaixo do queixo”.
Outro Sinal bastante usado na Maçonaria Primitiva, consistia – segundo o Manuscrito “THE TRINITY COLLEGE OF DUBLIN (1711) – em “ESFREGAR A MÃO DIREITA SOBRE A BOCA, EM CRUZ, cruzá-la NA GARGANTA E DEIXÁ-LA CAIR SOBRE O PEITO”.
Com um copo, também se fazia Sinais. Especialmente como aquele feito com o Chapéu. Havia até Sinais Guturais, feito com a Mão Esquerda, como consta no Manuscrito de “A MASON’S EXAMINATION (1723). Uma outra versão de Sinais, consta no Manuscrito “A MASON’S CONFESSION (1727), sobre o Grau de Aprendiz, que:
…ele deixa a Direita, próxima do ombro Esquerdo… puxando-a para o lado direito do corpo.
No “Maçonaria Dissecada”, de Prichard, encontramos esta explicação:
“…estendendo os 4 dedos da Mão Direita e, atravessando-os através da garganta, exige o Toque”.
Se fôssemos vasculhar, encontraríamos mais Sinais. No “L’ORDRE DES FRANCS-MAÇONS TRAHI”, (1745) do Abade Perau, por exemplo, existem estas explicações:
“O Primeiro Sinal Gutural que os Aprendizes fazem, é o Gutural. Coloca-se a Mão Direita ao lado esquerdo do Pescoço, sob o queixo. É preciso que esteja colocada horizontalmente, os 4 dedos estendidos e unidos, o Polegar abaixado de maneira que forme uma espécie de “Esquadria”. Este é o primeiro estágio. O Segundo consiste em retira ra mão. levando-a na mesma linha até o lado Direito da garganta e, o Terceiro, deixar cair a mão sobre a coxa, batendo sobre a aba das vestes. Isto deve ser feito de forma natural, sem marcar os Três estágios. Se distinguiu aqui, para melhor entender o Texto, e melhor compreender o Sinal”.
Sinal Peitoral
No Manuscrito de SLOANE (1710), encontramos na parte sobre Catecismo, esta passagem:
“Outro Sinal, algumas vezes usado, é, dobrando o seu braço direito, em forma de Esquadria, e levando a palma da mão esquerda, sobre o coração”.
Este Sinal, com pouca variação vai aparecer num Alto Grau Filosófico, do Rito Escocês Antigo e Aceite. Assim como este muitos outros que foram abolidos dos Graus Simbólicos, foram adoptados pelos Corpos Filosóficos, para atender a avalancha de Graus, todavia, essa parte não deve ser estudada aqui. Ela necessita de um espaço próprio.
O Sinal Peitoral, a exemplo do DUE GUARD de Aprendiz, também se aplicava ao Companheiro. Só que a Postura do Companheiro era um pouco diferente. Enquanto o Aprendiz se ajoelhava com o joelho esquerdo, o Companheiro, ajoelhava-se sobre o joelho direito. Enquanto o Aprendiz segurava o Livro da Lei Sagrada com a mão esquerda, ficando esta sob a mesma, o Companheiro, tendo a Bíblia sobre o Altar do Venerável, colocava a sua mão direita sobre a mesma, enquanto que a mão esquerda, ficava levantada e espalmada para frente, formando uma Esquadria. Dai a origem do nosso actual Sinal Peitoral.
Nos juramentos Primitivos, o Aprendiz tinha, em volta do pescoço, uma corda (CABLETOW) com nó, corrediço. O Companheiro, tinha uma Corda Amarrada sobre o tórax, do ombro esquerdo para ilharga direita. Os primeiros Mestres (após 1725) traziam uma corda, enrolada em volta da cintura. Hoje, embora se use a corda, usa-se de forma diferente.
Os Sinais Peitorais, também, não são muito numerosos. Todavia, são encontrados em muitos Graus Filosóficos.
No Livro de Prichard, “MASONRY DISSECTED” (1730), encontramos o seguinte Catecismo sobre o Mestre da Loja:
P.: Onde fica o Mestre (da Loja)?
R.: No Oriente.
P.: Porquê?
R.: Como o Sol nasce no Oriente para abrir o Dia. assim o Mestre ali está, no Oriente, (com a mão direita sobre o Peito Esquerdo, sendo um Sinal, tendo o Esquadro pendurado sob o queixo) para abrir a Loja e levar seus homens ao trabalho.
P.: Onde ficam os Vigilantes?
R.: No Ocidente.
P.: Quais são suas ocupações?
R.: Como o Sol se põe no Ocidente para fechar o Dia, assim os Vigilantes, ficam no Ocidente (com as mão direita sobre o peito esquerdo, como Sinal, e o Nível e a Régua-Prumo, pendurados no pescoço) para fechar a Loja e pagar os seus Salários”.
Como vemos, lá nos dias primitivos, as posturas do Venerável e Vigilante, com os seus Malhetes, quando estão, de pé, eram feitas com as Mãos.
O Sinal Manual
É bem verdade que para se completar os Sinais GUTURAIS e PEITORAIS, é necessário o uso das mãos. Não só os Guturais e os Peitorais – série imensa de outros Sinais, numa série não menor, de Graus. Todavia, especificamente Manual, são poucos os Sinais, tanto na Maçonaria Primitiva, como na actual. Nos velhos Manuscritos, só três deles, trazem informações sobre Sinais Manuais. São eles:
- “A MASONS EXAMINATION” (1723);
- “THE GRAND MYSTERY DISCOVER’D” (1724) e
- “INSTITUTION OF FREEMASONS” (1725).
O Manuscrito “THE GRAND MYSTERY DISCOVER’D” (1724), diz o seguinte:
“Bater com a MÃO DIREITA, no lado interno do dedo mínimo, da MÃO ESQUERDA, três vezes”.
Num outro local ele diz:
“Tomas as Mãos com os Polegares, direito e esquerdo, fechados e tocar três vezes os pulsos com os dedos indicadores”.
Já o texto do “INSTITUTION OF FREE-MASONS (1725). apesar de estar meio defeituoso, não permitindo entender parte dele, diz o seguinte:
“…Tomar as mãos… etc. …e tocar 5 vezes, com força com o dedo indicador no pulso”.
No Manuscrito, “A MASONS EXAMINATION” (1723), está expresso que:
“Após três passos – o Primeiro com o Pé Direito, o Segundo com o Pé Esquerdo, e o Terceiro, leva o seu calcanhar direito até o lado interno do pé esquerdo do Irmão, formando, assim, um Esquadro. Isto feito, caminhar alguns passos para a frente e outro tanto para trás e a cada três passos fazer uma pequena parada, tocando o seu pé em Esquadria .. após os três passos deixar cair a Mão Direita sobre o próprio pulso”.
Estes, são alguns dos Sinais Manuais, da Maçonaria Primitiva. Outros existiram, mas que, não sendo adoptados pela Maçonaria Simbólica, acabaram por ser adoptados pela Maçonaria Filosófica que. na sua formação, no fim da primeira metade do Século XVIII, aproveitou muito dos Costumes Operativos, abandonado pela Maçonaria Especulativa.
Sinal Pedestal
Na última citação acima, do Manuscrito “A MASONS EXAMINATION”( 1723), vemos, já, um Sinai Pedestal, completando um Sinal Manual. Esse Sinal Pedestal, deu origem ao Sinal Pedestal, que usamos hoje em alguns Ritos. Digo alguns Ritos, pelo detalhe de se começar a marcha com o pé direito. Pois, há aqueles que começaram com o pé esquerdo. Como fazemos, hoje, para cada Grau, há um Sinal Pedestal, incorporado na marcha de cada Grau. Sobre a marcha, que não é bem o conteúdo principal deste trabalho, todavia, precisamos colocá-los em pauta, porque eles têm uma origem nos mesmos Documentos – fontes do nosso trabalho.
Tanto o Manuscrito, “THE GRAND MYSTERY OF FREE-MASONS DISCOVER’D (1724) e o “INSTITUTION OF FREE-MASONS” (1725), constam:
“SINAIS PARA RECONHECER UM VERDADEIRO MAÇOM”. FAZ- SE UM ESQUADRO, COLOCANDO SEUS CALCANHARES JUNTOS, UNIDOS EM ESQUADRIA, COM OS DEDOS DE AMBOS OS PÉS, abertos a uma certa distância, ou por outro meio Triangular. ”
Este texto está em ambos os Manuscritos, virtualmente igual. Estes dois Documentos, também, falam, nos seus Catecismos, em TRÊS PASSOS, todavia, não dão detalhes. Só falam sobre os “Passos do verdadeiro Maçom”, do “Perfeito Maçom”. O “MASONRY DISSECTED” (1730), de Prichard, também fala sobre os “Três Passos”, para o Mestre, mas sem descrever como eram esses Passos. No Manuscrito “A MASONS EXAMINATIONS” (1723), encontramos:
“Para encontrar um Irmão, você dá o PRIMEIRO PASSO com o PÉ DIREITO; o Segundo Passo, com o PÉ ESQUERDO e o Terceiro Passo, você avança o calcanhar direito até o lado interno do Pé do seu Irmão”.
O Manuscrito de “WILKINSON” (1727), diz:
“…três Grandes Passos”.
O que se deve levar em consideração é que, naqueles tempos primitivos da Maçonaria, na fase de transição da Maçonaria Operativa, para a Maçonaria Especulativa, os Passos eram somente TRÊS. Dava-se o PRIMEIRO PASSO, rompendo-o com o PÉ DIREITO e fazia-se o SINAL GUTURAL; seguia-se o Sinal Gutural e o SINAL PEITORAL e dava o SEGUNDO PASSO, com o PÉ ESQUERDO. Isto no sistema de DOIS GRAUS. Ao nascer o Terceiro Grau (1725), acrescentaram mais um Passo, que consistia em ao dar o Segundo Passo, fazer o Sinal Peitoral e formar o SINAL VENTRAL e dava mais um passo com o PÉ DIREITO. É bom esclarecer que estes Três Passos já eram dados pelo Mestre da Loja, quando do seu ingresso no Recinto ou durante as Instruções dadas nas Sessões Especiais, ainda nas antigas Tavernas. Dois Sinais famosos, para serem dados fora da Loja, como afirma o Manuscrito de “SLOANE” (1710) e ”A MASONS CONFESSIONS” (1727). são os seguintes:
SLOANE – “Para mostrar que se é Maçom, em FRANÇA, na Espanha ou na Turquia, o Sinal é: Ajoelhar-se sobre o joelho Esquerdo e Levantar a Mão Direita em direcção ao Sol (isso quando era Dia, com relação a noite, nada é esclarecido)”
A MASONS – “Se você está numa terra, onde sua língua não é conhecida, você ajoelha-se e levanta as suas mãos para o alto”.
Como vemos, havia uma série de Sinais. Um dos Grandes Sinais é aquele que se refere a Moisés e os Efrainitas, que, quando ele estava com as duas Mãos Levantadas, os seus soldados venciam, quando abaixava as Mãos, os seus soldados eram derrotados. Dai colocaram uma pedra para ele ficar sentado, e duas pessoas, uma de cada lado (ver o meu livro – O Mestre Maçom) – para manter os seus braços erguidos até ao fim da Batalha. Os Irmãos do terceiro Grau sabem que Sinal é este. Há, também, o Sinal de Socorro, muito conhecido pelos Mestres. Há, também, o Sinal de “Bom Pastor”, conhecido pelos Príncipes Rosa-Cruz, que era a forma tradicional com que os Pastores Bíblicos carregavam as suas Ovelhas doentes, ou muito cansadas, sobre os ombros. Como os Sinais ainda não se esgotaram, vamos, a seguir, mostrar, uma sequência de Sinais curiosos.
Sinais – Batidas – Barulho
No Manuscrito de “SLOANE” (1710) encontram-se estas descrições curiosas, mas que ilustram bem os Usos e Costumes dos nossos antepassados Maçons. São Sinais que. com a evolução e progresso da Humanidade, perderam a razão de ser e foram, aos poucos, descartados dos usos e práticas maçónicas. Só servem, mesmo, como marco inicial de uma longa e bonita História.
SLOANE – “…se ele pegar uma ferramenta ou seu próprio Bastão e bater, firmemente, na Parede dizendo – ESTA É A BASE. ESTE É O BURACO. Se houvesse por perto um Irmão livre para o trabalho, ele responderia – ESTAS PAREDES SÃO SÓLIDAS. Assim surgiam outras palavras’.
Ainda no mesmo Manuscrito, está escrito:
“…e se fosse à noite, ou escuro, eles davam duas pequenas Pancadas e uma Grande, como se elas fossem feitas com um osso ou um pequeno cacete”.
Em seguida, ainda no SLOANE, encontramos:
“Um outro Sinal, é pegar um lenço com a Mão Direita e levá-lo até em frente do nariz. aí. prendendo-o com os dedos, daria duas sacudidelas pequenas e uma mais forte… “
No mesmo texto, encontra-se:
“Outro Sinal é bater na porta com duas pequenas pancadas e com uma terceira mais forte”.
No Manuscrito “A MASONS EXAMINATION” (1723), na parte em que se refere a Sinais, encontramos estas passagens:
“Para chamar um Irmão de entre os Companheiros, você deve tossir TRÊS VEZES, ou bater contra alguma coisa TRÊS VEZES”.
Logo a seguir, no mesmo texto, está registrado:
“Quando você chegar numa Loja, você deve bater TRÊS VEZES, e eles, então, chamarão você’
No Livro “Maçonaria Dissecada” (1730) de Samuel Prichard. está registrado o seguinte texto:
“Indo a uma casa, onde mora um Maçom, você dará TRÊS BATIDAS na Porta; Uma Pancada fraca, seguida de uma segunda Pancada mais Forte e uma terceira bem forte.
O Manuscrito de Wilkinson (1727), em seu Catecismo registra esta passagem:
P.: Como você foi admitido numa Loja?
R.: Por TRÊS PANCADAS.
O “Maçonaria Dissecada” (1730) apresenta:
P.: Como você, foi admitido?
R.: Por Três Grandes Pancadas.
No mais antigo Documento aqui citado, o “THE EDINBURG REGISTER HAUSE” (1696), segundo Henry Carr, consta a seguinte passagem, relacionada com um ridículo arco… que é feito com o Chapéu de maneira muito idiota.
“Pega-se o Chapéu e faz um círculo no espaço com o mesmo”.
O Manuscrito de Sloane (1710) registra que:
“Para fazer com que você perceba que ele está sem dinheiro, o Irmão pega um pedacinho de cano ou algo parecido, e pergunta se você quer comprá-lo por: (diz um valor qualquer bem pequeno)”.
No Manuscrito “A MASONS EXAMINATION (1723). consta:
“Um Maçom para mostrar a sua necessidade, pega uma pequena pedra de ardósia, arredondada, jogando-a sobre um balcão, ou uma mesa e diz:
P.: “Você pode trocar esta moeda?”
E o outro se for Maçom, responde:
R.: “Trocarei”.”
Entre todos os Manuscritos pesquisados, o que mais traz curiosidades, mais detalhes, é o Manuscrito “SLOANE” (1710). É nele que encontramos o maior número de Sinais, que aqui transcrevemos e que vamos continuar a transcrever.
SLOANE – “Um Sinal Gutural é feito com um copo. Pega-se o copo com a mão Direita, leva-o até a altura do Ombro Esquerdo. depois traz o mesmo até o Ombro Direito”.
SLOANE – “Outro Sinal. Com a sua Mão Direita, pega um dos seus Lenços por um dos Cantos e. displicentemente, joga-o sobre o Ombro Esquerdo, deixando-o pendurado sobre as costas…”
SLOANE – “Se o Irmão estivesse precisando de dinheiro, ele puxava a sua faca para fora da Bainha e dava-a para o Irmão a quem desejava socorro Se o Irmão estivesse em condições de socorrê-lo, pegava a faca e recolocava-a na Bainha, do contrário, deixava-a desembainhada em cima de qualquer móvel, ou mesmo, no chão”
No Manuscrito “THE GRAND MYSTERY OF FREE-MASONS DISCOVER’D” (1724). encontramos um sinal feito com Chapéu, para reconhecimento:
Tirar o Chapéu com dois dedos (Médio e Indicador), mais o polegar.
…
“A MASONS CONFESSION” (1727)… “Para cumprimentar um Irmão, você coloca a sua mão Direita sobre o lado Direito do Chapéu e. baixando-o, coloca sob o queixo: o Irmão cumprimentado, coloca sua Mão Direita sobre o lado Esquerdo do Chapéu trazendo-o até sobre o coração”
“A MASONS… “O Cavalo de um Maçom, é reconhecido, entre outras coisas, pelo facto de se jogar o Estribo Esquerdo sobre o arreio”.
“A MASONS… “Se ele estiver a Cavalo, deverá chicoteá-lo com a Mão Direita, sobre a Paleta Esquerda”,
“A MASONS EXAMINATION” (1723)… “Quando o Maçom apeia do seu cavalo, joga o Estribo Esquerdo sobre o pescoço do mesmo”.
‘‘A MASONS CONFESSION” (1727)… “Quando enviar alguma carta, desenhe num dos cantos da mesma, um pequeno Esquadro”.
“A MASONS… “Se lhes enviar as suas Luvas, que elas tenham desenhado na primeira junta do segundo dedo, um pequeno Esquadro”.
Ainda dentro do Tema – Sinais, devemos esclarecer que. para os Maçons Primitivos, todos os Esquadros (ou desenho de Esquadros); todos os Níveis e Perpendiculares (ou desenho de Níveis e Perpendiculares) eram considerados Sinais de Reconhecimento Na História dos povos, foram buscar muitos Sinais, que hoje fazem parte dos Altos Graus de alguns Ritos. Todavia. embora seja do nosso interesse, não vamos descrevê-los aqui, por este ser um ambiente impróprio para isso.
As Garras, os Toques, alguns gestos muito conhecidos dos Irmãos de Graus mais elevados, também, têm a sua História, a sua origem. Todavia, vamos deixar esses Sinais para as Reuniões onde estejam trabalhando nesses Graus.
Vamos antes de encerrarmos este Trabalho, falar um pouco sobre Sinais Orais.
No Manuscrito de “DUNFRIES” (1710). ainda não citado neste trabalho, consta um Sinal Oral, ainda hoje usado, com pequenas variações. Por exemplo:
“Quando você entrar numa Sala, faça a pergunta: “Esta é uma Casa Coberta?””
Se alguém disser que a casa tem “goteira”, ou “é coberta de Sapé”, fique em silêncio”
No Manuscrito de “WILKINSON” (1727), encontramos Sinais idênticos, todavia, com outras palavras – por exemplo:
“Quando uma ou mais pessoa está na sua companhia e você não sabe se algumas delas, são Maçons, é bom usar a expressão. CHOVE, GOTEIRA, quando um Irmão se aproxima”.
WILKINSON – “Quando alguma coisa lhe é dada por um Maçom e ele faz a pergunta: QUE CHEIRO É ESSE?
Você deverá responder-lhe:
– Um Maçom”.
No Livro, “MASONRY DISSECTED” (1730). de Samuel Prichard, encontramos o seguinte: (que os Irmãos de um certo Grau entenderão bem).
“Se algum trabalhador – Maçom (isto é, pedreiro) estiver de pé ou sentado, descansando, e você desejar saber se ele é Maçom – Aceite ou Operativo – você entrega-lhe um pequeno pedaço de pedra e pergunta-lhe:
“Que cheiro tem isto?”
Se ele for Maçom, replicará:
“Nem de Bronze, nem de Ferro, nem de Aço, mas o de um Maçom”.
Você, ainda poderá perguntar-lhe:
Que idade tendes?
Se ele responder:
“Acima de sete anos, é porque ele galgou aquele determinado Grau.”
Uma variedade muito grande de Sinais, Toques e Palavras, ainda poderia ser transcrita, todavia, vamos ficando por aqui para não cansar muito os Irmãos. Num outro dia. com um outro Trabalho, talvez tentemos esgotar este assunto porque ele é muito importante para os Estudiosos de Maçonaria.
Conclusão deste Trabalho
Do que trouxemos no bojo deste trabalho, nada foi inventado, apenas traduzimos e transcrevemos documentos que vão do período de 1696 a 1730. Nenhum Documento com menos de 260 anos. Isto é muito importante porque vamos às fontes, ao Berço da Maçonaria Especulativa, Londres – no período de 1696 a 1730. A Maçonaria Especulativa foi fundada em 1717, em Londres. Portanto…
Sempre gostamos de conhecer a Origem das coisas, o Berço de certos Factos; a Terra Natal de muitos Costumes e a Marca de Fábrica de determinados ídolos. Não conseguimos esgotar este assunto, pois ele é por demais extenso. Mas deixamos uma pequena amostra do que já existiu e que deixou de existir devido a força avassaladora do Progresso da Humanidade. Nós não conseguimos esgotar o assunto, mas trouxemos uma pequena amostra daquilo que foi.
Em cada País, na aurora da Maçonaria, quando a mesma ainda não estava atrelada, subordinada a nenhuma Lei Geral, a não ser ao Vínculo da Tradição, representada pelas Constituições Góticas – ou Old Charges (Antigos Deveres); a um Estatuto estratificado, ou a uma Obediência – os Costumes e Usos, não eram praticados, indistintamente por todas as Lojas. Isto só se tornou possível, após a Universalização dos Princípios Maçónicos. No entanto, mesmo assim, os Costumes, alguns Costumes, permaneceram regionalizados. A Padronização dos mesmos, apesar das boas intenções, nunca foi conseguida.
Os SINAIS, TOQUES e PALAVRAS, usados e praticados na Maçonaria Primitiva, muitos deles se perderam. Até hoje não sabemos quais eram esses Sinais, esses Toques e essas Palavras. Era absolutamente, proibido desenhar, escrever ou traçar. A ninguém era permitido o registro de uma ÚNICA palavra relacionada com a Ordem. Se não fosse os SAMUEL PRICHARD, da vida, jamais teríamos conhecimento do que se passava nas Reuniões Maçónicas Operativas. E o pouco que sabemos, ainda é oriundo da última metade do Século XVII, e Século XVIII. Do que se passou nos Séculos XIV, XV e XVI, nenhum registro ficou.
Ainda vamos encontrar, no desenrolar deste Livro, algumas passagens que virão complementar o que aqui registramos. A nossa intenção é trazer o maior número, possível, de práticas maçónicas – obsoletas, carcomidas, riscadas do rol das práticas modernas, pelo seu completo anacronismo. Por exemplo – o Sinal de Reconhecimento, através dos Estribos. Isso só foi possível, quando o meio individual de transporte era o Cavalo. Hoje o Cavalo, como meio de transporte, só existe nos confins da Pátria, onde nem mesmo a Maçonaria já chegou. Se. por acaso, um Maçom Cavaleiro, usar o Sinal do Estribo, ninguém, mas ninguém mesmo vai tomar conhecimento, vai entender o significado.
A Maçonaria, pela sua Idade, pelo número de Séculos que acumula sobre seu costado, já passou por muitas fases distintas, já se adaptou a muita coisa. Embora ela sempre tenha sido uma Ordem, uma Organização Conservadora – para não ser soterrada pela avalancha do Progresso, ela foi-se adaptando. Daí o Grande Oriente do Brasil, ter adoptado o Vexilo – NOVAE SED ANTIQUAE – ANTIGA, porém NOVA. Tendo um pé no passado e outro no Presente; conciliando o Passado com o Presente, como demonstra o Logotipo, abaixo.
Com essas palavras de informação, encerramos este capítulo, onde inserimos algumas novidades para alguns Irmãos. Gostaríamos de possuir um maior número de dados sobre a Maçonaria Primitiva. Aquele Velho chavão de que “A Maçonaria se perde na Noite dos Templos”, não vale, não tem sentido. E é por isso que gastamos uma preciosa parte do nosso tempo. em Leituras e Estudos da nossa Sublime Ordem, na busca de subsídios para nossos Livros e mesmo para nossos conhecimentos pessoais.
Francisco de Assis Carvalho
| Francisco de Assis Carvalho – Xico Trolha (4 de Outubro de 1934 – 3 de Novembro de 2002), escritor, editor, professor e pesquisador. Formado na Faculdade de Ciências e Letras de Jandaia do Sul, PR, como Professor de Português – Inglês em 1973. Tornou-se um dos maiores pesquisadores e estudiosos da actualidade na literatura da Maçonaria, deixando um vasto acervo, fonte de pesquisa e bibliografia maçónica.
Foi iniciado na Maçonaria na Loja “Ciência e Trabalho” em Rolândia, PR em 27 de Novembro de 1965. Foi Venerável Mestre da Loja de Pesquisa “Brasil” (87/88 e 94/95) em Londrina, PR. Membro da Academia Brasileira Maçónica de Letras (cadeira 46). Membro Correspondente da Loja “Quatuor Coronati” em Londres (1978). Recebeu mais de 150 honrarias e comendas. Pertenceu a 36 Entidades Maçónicas, incluindo 14 Lojas como membro efectivo e 7 Academias Maçónicas de Letras. Fundou em 1971, o maior grupo editorial maçónico da América Latina, “Editora Maçónica A Trolha”; que publica uma revista de periodicidade mensal – “A Trolha” – e conta com um catálogo de publicações com mais de 300 livros. |
Nota
Este trabalho foi apresentado no III Congresso de Membros Correspondentes da Loja de Pesquisa “BRASIL” em 1991. Foi posteriormente publicado numa Monografia distribuída gratuitamente.
