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Será a homossexualidade anti-Maçónica?

✍️ Desconhecido 📅 09/06/2021 👁️ 10 Leituras

homossexualidade

Nota do editor:

Decidi republicar este artigo porque ele foi publicado pela primeira vez há cerca de seis anos. Um recente tópico numa rede social deixou-me desapontado com alguns dos meus Irmãos que estavam a usar “Deus” como uma razão para odiar, o que me fez ver que o argumento do artigo ainda ressoa hoje. Para aqueles de vós que ainda querem usar a crença religiosa como desculpa para a sua ignorância, por favor, leiam: https://www.sthugh.net/lgbtq-affirming-scripture

Darin A. Lahners

Na sexta-feira, 26 de Junho de 2015, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos proferiu uma decisão histórica em apoio à igualdade do casamento homossexual. Esta declaração nacional de igualdade e as mudanças nas normas sociais que ela representa exigem que se olhe severamente para a Maçonaria – há muito tempo reconhecida como uma organização que celebra todos os homens como iguais – e sua atitude em relação à homossexualidade, a fim de se fazer a pergunta: “Se todos os homens são iguais e agora têm direitos iguais ao casamento em todos os Estados Unidos, a prática da homossexualidade por si só é ‘anti-Maçónica’? ”

Antes de nos aprofundarmos em tal discussão, é necessário definir o termo “não maçónico” para os propósitos desta nossa discussão. A conduta não maçónica é frequentemente referida – até mesmo por Albert Mackey em várias ocasiões – mas raramente foi definida. Na maioria das vezes, é utilizada como sinónimo de “imoralidade” ou descrita como “conduta imprópria de um Maçom”. No entanto, estes dois usos são profundamente subjectivos e a interpretação pode variar amplamente dependendo de uma determinada cultura ou circunstância, visto que as leis morais diferem muito de cultura para cultura. Para os fins desta nossa discussão, proporíamos uma definição mais objectiva e mensurável de conduta não maçónica: “uma acção que causa dano grave dentro da Fraternidade ou à sua imagem pública fora da Fraternidade”. Como uma sociedade de homens bons que se esforçam para se tornarem uns aos outros, homens melhores, é importante manter a harmonia dentro da organização para que ela não desmorone por dentro, mas também é importante manter uma imagem pública positiva para que a organização possa persistir e atrair membros.

As leis maçónicas relativas à homossexualidade variam amplamente de jurisdição para jurisdição. Muitas jurisdições não têm uma política declarada sobre o assunto, mas algumas Grandes Jurisdições (que permanecerão anónimas) listam o travestismo, o comportamento homossexual ou mesmo a simples promoção da homossexualidade como ofensas maçónicas puníveis com suspensão ou expulsão. Muitas das regras e Landmarks da Maçonaria tiveram origem em tempos imemoriais; contudo, as leis, regras e decretos de cada Grande Loja soberana compreendem uma estrutura governamental estabelecida por homens com autoridade num determinado período de tempo, com base em visões pessoais do mundo – e, portanto, subjectivas – influenciadas por normas sociais. Nós postularíamos que conforme as normas sociais mudam e evoluem, os regulamentos ao nível das Grandes Lojas devem ser revalidados e actualizados para reflectir a sociedade maior dentro da qual a Maçonaria opera. Como tal, a decisão do Supremo Tribunal na sexta-feira dá aos líderes da Fraternidade Maçónica uma excelente oportunidade para reavaliarem as políticas existentes sobre a homossexualidade.

Mas voltando à questão original deste artigo, se olharmos para a conduta não Maçónica a partir das lentes objectivas postuladas anteriormente, acharemos difícil de chamar à homossexualidade, “não Maçónica”. A homossexualidade não causa danos inerentes à Loja. Independentemente de raça, idade ou orientação sexual, espera-se que os irmãos se tratem uns aos outros com o máximo respeito. Além disso, como as normas sociais mudaram e a homossexualidade já não é o tabu social que era há várias décadas, a presença de homossexuais na Loja não prejudica a imagem pública da Fraternidade. Muito pelo contrário – como vimos recentemente com organizações acusadas de sentimento anti-gay (https://en.wikipedia.org/wiki/Chick-fil-A_same-sex_marriage_controversy), mesmo uma percepção de falta de tolerância pode prejudicar a imagem pública de uma organização. Se nos preocupamos com a percepção do público – e devemos considerar as tendências de adesão dos últimos 50 anos – então é prudente um reexame das nossas regras e percepções em relação à homossexualidade.

Se a homossexualidade agora é aceite com normalidade (assim como as minorias foram cada vez mais aceites como membros iguais da sociedade após o movimento pelos direitos civis dos anos 1970) e não causa nenhum dano inerente à Fraternidade ou à imagem pública da Fraternidade, então onde estão estes regulamentos enraizados? Indiscutivelmente, grande parte da resistência à homossexualidade na Maçonaria tem raízes no Cristianismo, cujos princípios e dogmas foram interpretados como condenando a prática da homossexualidade.

Mas se um determinado Irmão ou Grande Oficial subscreve ou não estas interpretações é irrelevante no que diz respeito à Maçonaria, uma vez que a religião não tem lugar dentro das paredes da Loja. A mais recente adição aos Landmarks da Maçonaria (https://en.wikipedia.org/wiki/Masonic_Landmarks) é que religião e política (e às vezes nacionalidades / fronteiras) não devem ser discutidas em Loja, pois esses tópicos servem apenas para dividir Irmãos, em vez de os unir. Para o bem da Fraternidade, os Irmãos são exortados a celebrar a crença comum de um Ser Supremo dentro da Loja, enquanto, ao mesmo tempo, respeitam o direito de cada Irmão de subscrever o seu próprio dogma religioso.

Como resultado, a crença de inspiração religiosa de um Irmão de que a homossexualidade é imoral (e, portanto, “não Maçónica”) não tem lugar dentro dos limites do espaço da Loja. Da mesma forma, a orientação sexual de um homem não deve ter qualquer influência sobre ele ser aceite ou rejeitado como candidato para receber os graus da Maçonaria. Afinal, os candidatos são votados dentro da Loja, durante uma sessão. Como tal, preconceitos religiosos e políticos não devem ter qualquer influência nas qualificações internas de um candidato para a filiação Maçónica.

A decisão do Supremo Tribunal, deu à nossa Irmandade uma oportunidade distinta de avançar em linha com os ideais sobre os quais nossa grande Fraternidade foi fundada: tolerância, harmonia e unidade. Ao abraçar a tolerância para todos os homens sob a paternidade de Deus, independentemente de raça ou orientação sexual, podemos colocar-nos acima da sociedade polarizada de hoje. Essa tolerância, por sua vez, irá promover harmonia e construir unidade dentro das nossas Lojas. Ao celebrar a nossa diversidade, em vez de a condenar, a nossa Fraternidade ficará mais forte e atrairá jovens inovadores e excepcionais para se juntarem nos próximos anos às nossas fileiras, como homens e Maçons,.

Jason Richards e Jon Ruark

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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