Os Chakras
Os “Chakras” são concebidos como redemoinhos de energia – pequenos “cones giratórios” ou “funis subtis” – que actuam como veículos e centros de conexão entre o corpo físico e o corpo energético. Funcionam como delicados mecanismos de “captação, transformação e emissão” de energia, em constante movimento. Nos seres humanos comuns, cada um desses vórtices apresenta um diâmetro aproximado de “5 a 10 centímetros”, pulsando conforme o fluxo vital que permeia o organismo.
Estes centros são responsáveis por “incontáveis funções energéticas” no corpo humano. É por meio deles que perdemos ou redistribuímos energia quando atravessamos estados de sofrimento físico ou emocional, pois cada Chakra actua como um “ponto sensível de aprendizagem, conflito e desenvolvimento interior”.
Os escritos antigos mencionam cerca de “88.000 Chakras”, o que indica que praticamente não há ponto no corpo humano que não possua alguma forma de sensibilidade energética. A maioria, entretanto, desempenha “funções secundárias”, servindo de suporte aos “sete Chakras principais”, mais amplamente conhecidos e estudados, situados ao longo do eixo central do corpo – da “base da coluna” até o “topo da cabeça”.
Dentre estes sete centros fundamentais, “dois são simples”, possuindo apenas “um vórtice de acesso”: o “primeiro”, na base da coluna, e o “sétimo”, no alto da cabeça. Os “demais são duplos”, apresentando “vórtices anterior e posterior”, o que lhes permite interagir simultaneamente com o mundo interno e o externo, equilibrando o fluxo das energias subtis.
A “aura humana”, campo luminoso que envolve o corpo, está directamente interligada a esses sete principais Chakras, reflectindo o seu estado de harmonia, vitalidade e consciência.
Os Chakras e a Ciência da Luz Interior
O ser humano é uma complexa composição de forças, energias e centros subtis de consciência. Não é apenas um corpo físico delimitado pela pele, mas um sistema energético multidimensional, permeado por correntes de luz e vibração. Segundo a tradição esotérica, o corpo humano contém cerca de “88.000 chakras”, centros energéticos que absorvem, distribuem e transformam a energia vital proveniente do universo. Dentre esses, sete são considerados principais – os grandes vórtices que regulam o fluxo de energia entre o corpo físico, o corpo etérico, o corpo astral e os planos mais elevados do ser.
O Plexo Solar e o Sol Espiritual
Quando o homem se expõe à luz do sol nascente, ele não recebe apenas calor ou iluminação física, mas um influxo de partículas subtis, esferas de vitalidade luminosa. Esta energia solar penetra o corpo através do “plexo solar”, situado na região do diafragma, logo acima do estômago. O plexo solar age como um prisma vivo: ele capta a luz branca do Sol e a decompõe em sete raios coloridos – as mesmas sete cores do espectro visível, que correspondem aos sete principais chakras.
Cada cor vibra num comprimento de onda que se relaciona a uma função corporal e espiritual:
- “Vermelho e laranja”: nutrem os órgãos sexuais e a base da vitalidade física.
- “Amarelo”: energiza coração e pulmões.
- “Verde”: harmoniza estômago, fígado, rins e intestinos.
- “Azul”: actua sobre a garganta, a voz e a expressão.
- “Violeta”: ilumina o topo da cabeça e conecta o homem às esferas superiores.
A medicina oculta ensina que o baço – responsável pela formação das hemácias – é também o centro etérico da vitalidade. Pela manhã, meditar sobre esse ponto e visualizar a luz solar penetrando-o fortalece o corpo, renova as células e amplia o vigor interno.
O Sistema dos Sete Chakras
Os “Iniciados da Índia”, guiados por milénios de observação e prática meditativa, descobriram e mapearam o sistema dos sete chakras ao longo da coluna vertebral. “Chakra” significa “roda” ou “lótus”, e representa o movimento espiralado da energia. Quando a energia vital começa a girar em cada chakra, este “floresce”, como um lótus abrindo as suas pétalas à luz da consciência.
Os sete centros são:
- “Muladhara” – na base da coluna, lótus de quatro pétalas, centro da força vital e da ligação com a Terra.
- “Svadhisthana” – acima dos órgãos genitais, lótus de seis pétalas, centro da emoção e da criatividade.
- “Manipura” – na região do umbigo e plexo solar, lótus de dez pétalas, centro da vontade e do poder pessoal.
- “Anahata” – no coração, lótus de doze pétalas, centro do amor e da harmonia.
- “Vishuddha” – na garganta, lótus de dezasseis pétalas, centro da palavra, da expressão e da verdade.
- “Ajna” – entre as sobrancelhas, o “terceiro olho”, lótus de duas pétalas, centro da visão espiritual e da intuição.
- “Sahasrara” – no topo da cabeça, o lótus de mil pétalas, sede da iluminação e da união com o divino.
Estes centros podem ser agrupados em três níveis:
- “O grupo inferior (Muladhara e Svadhisthana)”: ligado à matéria, ao instinto e às forças telúricas.
- “O grupo intermediário (Manipura, Anahata e Vishuddha)”: domínio da alquimia das emoções, do amor e da expressão.
- “O grupo superior (Ajna e Sahasrara)”: esfera do espírito, da mente divina e da transcendência.
Cada um destes grupos reflecte os três aspectos do Divino na tradição hindu: “Brahma” (criação, energia da base), “Vishnu” (preservação, energia do coração e do meio) e “Shiva” (transformação, energia do alto). Esta trindade encontra eco também na oração do “Pai Nosso”, que alude aos três mundos do homem: pensamento, sentimento e acção – espírito, alma e corpo.
A Serpente de Fogo: Kundalini
No coração do ensinamento dos chakras encontra-se o mistério da “Kundalini”, a serpente de fogo adormecida no Muladhara. Ela é descrita como uma chama espiralada, enrolada três vezes e meia sobre si mesma, contendo o potencial cósmico da evolução interior. Quando o discípulo, por meio da pureza, do autocontrole e da meditação, desperta a Kundalini, ela ascende pela coluna através do canal central, “Sushumna”, encontrando e activando cada chakra na sua passagem.
As tradições descrevem este processo como o “casamento alquímico” entre o princípio feminino (a energia ascendente de Kundalini) e o princípio masculino (a consciência divina em Sahasrara). Quando a serpente toca o lótus de mil pétalas, o ser humano torna-se iluminado – o pequeno universo interno se une ao grande cosmos externo.
Este caminho é simbolizado também pelo “Caduceu de Hermes”, em que duas serpentes – “Ida” e “Pingala”, as correntes solares e lunares – entrelaçam-se em torno de uma haste central (Sushumna). O mesmo princípio aparece na “Árvore da Vida Cabalística”, nos “stupas tibetanos”, no “lingam” hindu e nas colunas duplas dos templos maçónicos. Em todas estas representações, vemos a união dos opostos e a ascensão da energia pela coluna do mundo – o eixo da existência.
A Aura e o Círculo de Luz
Da ascensão da energia resulta a expansão da “aura”, o campo subtil que envolve o corpo e reflecte o estado espiritual do ser. Os santos e iniciados são tradicionalmente representados com um halo, símbolo de uma aura purificada e luminosa. Esta luz não é apenas simbólica: ela é a manifestação visível da harmonia interior.
A aura funciona como escudo e canal de comunicação entre o microcosmo humano e o macrocosmo divino. Assim como o cavaleiro medieval portava o seu escudo e a sua espada – símbolos da protecção e da projecção da vontade – o iniciado usa a sua aura e o seu pensamento como armas de luz. Uma aura pura repele influências negativas e atrai forças superiores; uma aura turva, ao contrário, abre brechas pelas quais penetram os inimigos invisíveis – o medo, a inveja, o orgulho e o egoísmo.
O Propósito Iniciático
Toda a ciência dos chakras, da Kundalini e da aura aponta para um mesmo objectivo: a “transformação interior”. O homem não está na Terra para sofrer ou expiar, mas para evoluir, transmutando as sombras do ego em virtudes luminosas. Cada emoção negativa é uma matéria-prima que deve ser alquimicamente trabalhada – o chumbo do instinto tornando-se o ouro do espírito. Esta é a verdadeira “Grande Obra”: a união do masculino e do feminino, da matéria e do espírito, do Céu e da Terra.
O alquimista Basil Valentine expressou isso no famoso axioma “VITRIOL” – *Visita Interiora Terrae, Rectificando Invenies Occultum Lapidem*, “Visita o interior da Terra e, rectificando, encontrarás a pedra oculta, o verdadeiro remédio”. Esta “terra interior” é o próprio ser humano; o “lapis philosophorum”, a consciência desperta.
O século XXI, como previu André Malraux, será o século do Espírito – ou não será. A humanidade encontra-se no limiar entre a decadência materialista e o renascimento espiritual. A Maçonaria, a Cabala, o Yoga e as antigas tradições de Mistérios convergem num mesmo ponto: o despertar do homem interior, o verdadeiro templo vivo.
Ser iniciado é acender esta chama dentro de si, é tornar-se uma coluna de luz entre o Céu e a Terra. Cada chakra desperto é uma pétala aberta do lótus da alma; e quando todas se abrem, o homem torna-se o reflexo consciente da Divindade.
Leonardo Redaelli, CIM 348202 – ARLS Progresso da Humanidade n° 3166 – GOB – RS
Bibliografia
- Miller, Joan P.; O Livro dos Chakras, da Energia e dos Corpos Subtis. 1° Edição; São Paulo, SP; Editora Pensamento; 2015
