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O Valor do Ritual e seu Simbolismo

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✍️ Desconhecido 📅 27/03/2026 👁️ 0 Leituras

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Ritual é um sistema de Ritos e cerimónias. Chama-se também, Ritual ao livro que indica os Ritos ou consigna as formas que se devem observar na prática de uma religião ou de um cerimonial.

Em Maçonaria é o livro que contém a ordem, as fórmulas e demais instruções necessárias para a prática uniforme e regular dos trabalhos maçónicos em geral, dentro de uma Loja. Cada Grau tem o seu Ritual particular e, também para cada espécie de cerimónia, eles se modificam para dar a cada uma delas a conotação prevista.

Para o dicionarista Maçom Joaquim G. de Figueiredo, Ritual em Maçonaria, é o livro que contém a ordem, fórmulas, e demais instruções para a prática regular e uniforme dos trabalhos e cerimónias em geral, de Iniciações, Aumento de Salário, Exaltações ou Consagrações de Graus, Instalações de Oficinas e seus Oficiais, festas e Banquetes da Ordem, Actos Fúnebres, etc.

Na verdade, o Ritual nada mais é do que a configuração de Ritos, que são conjuntos de Sinais externos, Palavras, gestos, fórmulas, e cerimónias, acompanhados ou não de emprego de elementos materiais, que integram a celebração sagrada ou maçónica. Num sentido místico é um método de conferir a luz maçónica por um colégio de distribuição de Graus.

Todavia, já houve quem afirmasse, que se pode dar o nome de Rito ao conjunto de fiéis ou Maçons, submetidos a determinado regime, não só litúrgico, mas, também, e sobretudo, disciplinar. Por exemplo, na Igreja Católica distingue-se o Rito Latino dos Ritos Orientais. Na Maçonaria, Rito Escocês, Rito Brasileiro, Rito de York ou do Santo Real Arco, Rito Adonhiramita, Rito de Perfeição, Rito Escocês Antigo e Aceito, etc. (“A TROLHA”, pág. 32, n° 102, Ano XXV).

Na nossa Loja, praticamos o Rito Escocês Antigo e Aceito, que compreende 95% das demais, sendo que no Brasil, já encontramos opção para um total de 6 Ritos, mas segundo o Caderno de Pesquisas Maçónicas (vol. I, pág. 17), do Irmão londrinense Assis Carvalho da Editora “A TROLHA”, conseguiu ele catalogar mais de 200 Ritos praticados evidentemente no mundo inteiro.

E evidente desta forma, meus Irmãos, que determinada Oficina pode trabalhar com um Ritual, mais ou menos assemelhado, somente se modificando em algumas nuances e dependendo da Potência. E através destas Potências, ou destas organizações regionais, igualmente que uma Loja vai praticar este ou aquele Rito ou Ritual nos seus trabalhos e Sessões. Mas estas diferenciações às vezes nem sempre são entendidas, havendo Irmãos que nunca participaram ou assistiram um cerimonial de outra Loja, v.g., das Grandes Lojas, já que o Escocês é predominante, o que certamente não é interessante para a Maçonaria como um todo.

Estabelecidos estes esclarecimentos, pretendemos realçar neste trabalho, qual a importância que o Ritual e a sua simbologia, tem ou deveria representar para cada Maçom e para a Maçonaria em geral, pouco importando em que Rito esteja sendo exercitados os trabalhos numa Loja. Como afirmei em meu trabalho anterior, apresentado em Loja: “São os Símbolos que têm mantido a tradição maçónica, posto que o Ritual dirige o método de trabalho. Poder-se-ia praticar um Ritual adaptado às ideias modernas, mas os elementos principais devem ser preservados. Os Símbolos haverão de permanecer, apesar da modernização que se tem imprimido nos “Rituais”.

Para os Irmãos Aprendizes, Iniciados na última Sessão, por exemplo, o Ritual foi um pouco modificado, no que diz respeito a indumentária utilizada pelo Venerável Mestre, que na ocasião usava para quem observou um chapéu na cabeça, hábito introduzido com as modificações no Ritual, (não no Rito que nada mais é do que a prática maçónica de se conferir a luz a um profano), e autorizado pelo nosso Grande Oriente, o que certamente para a maioria dos Irmãos representou uma diferenciação dos hábitos anteriores.

Estas modernizações, no entanto, precisam ser acompanhadas de algo mais importante que a simples modificação em si, já que o Rito no sentido que deve ser entendido, como o que qualifica às vezes um ramo particular da Maçonaria é o seu alicerce, a base, a sustentação, a coluna mestra e dorsal, em qualquer das suas ramificações. Cada Rito tem o seu conteúdo, a sua própria característica que o diferencia dos demais. Há Ritos, que possuem uma estrutura maciça de Liturgia, enquanto outros são completamente desprovidos de simbolismo e ritualística. Lins são simples demais, outros complicados.

Na verdade, estes Ritos deveriam ser um só, como sempre aconteceu na Maçonaria até 1740, quando um amontado deles foi surgindo, até formarem esta verdadeira enxurrada deles, como se conhece actualmente, fruto de uma separação lamentável, que precisa ficar bem entendida e sem fanatismo, para não fomentar qualquer cisão profunda na Ordem, com os seus conceitos pétreos e que deverão rasgar séculos.

Feita esta digressão, para melhor compreensão deste modesto trabalho, interessa para nós sabermos como o Ritual e a sua simbologia devem agir esotericamente nos Obreiros da Nossa Arte Real, tal a importância do tema.

Colocando a questão da importância da liturgia em Loja, o sempre citado Irmão José Castellani, em trabalho publicado na Revista “A TROLHA”, n° 56, assim pontifica: “E evidente que sendo a Maçonaria na sua forma moderna, uma instituição racional e evolutiva e progressista, deve ser colocada na vanguarda das lutas e pelas grandes reformas sociais, através da sua participação nos grandes movimentos de libertação humana, da sua presença nos conflitos de ideias e da sua decisiva intervenção na solução dos grandes problemas internacionais.

Não sendo a nossa Ordem pertencente a nenhum partido político, ela deve estudar, impulsionar todos os problemas da vida humana, com a finalidade de assegurar a paz, ajustiça e a fraternidade entre os homens e povos, sem distinção de raças, cores, religiões ou nacionalidades. E esta missão não é para ser exercida apenas pelas Lojas, pelas obediências ou grupos de Obreiros. Cada Maçom, individualmente, deve ser doutrinado, no seu meio social e profissional, através da sua acção e do exemplo da sua vida e dos seus actos.

Continua o nosso renomado Irmão escritor, que faltam autênticos líderes para tanto, mas a sua formação pode ocorrer dentro da doutrinação maçónica. E como ela se opera, senão por meio da simbologia e da mística? E acrescentou o estudioso Irmão Castellani:

É por meio de símbolos, linguagem crítica inarredável, que a instituição maçónica transmite os sadios princípios da rectidão, da honra, da ética e da moral, necessários para que o Maçom seja um autêntico líder no seu meio social. Não um autocrata, nem um carismático, mas um democrático, que se impõe pelo exemplo, pela ascendência moral, pela solidariedade e pelo respeito aos direitos aos homens livres.

E por meio das práticas ritualísticas, hauridas do pensamento social, político e metafísico das antigas civilizações que a Maçonaria transmite ao Iniciado a sua doutrina, muitas vezes directamente, muitas outras pelas metáforas, máximas e alegorias.

E arremata: ‘‘Por isso é fundamental a preservação desses valores que muitos querem postergar, taxando-os, por desconhecimento de ultrapassados e irrelevantes, porque essas fontes de espiritualidade e de doutrina social serão sempre, por mais que a materialidade e a cibernética dominem o mundo, uma Luz no caminho dos Maçons, e de toda a humanidade. Sem elas, a Maçonaria torna-se um corpo robotizado, cheio de músculos, mas descerebrado”. (op. cit. pág. 37).

O que o nosso Irmão Castellani quis transmitir, bem reflecte a importância do Ritual e o simbolismo, na vida de cada Maçom, e do seu aprimoramento diuturno, para enfrentar, e suprir a ignorância dos que nada fazem, dentro dela e no mundo profano.

Vê-se, pois, que a execução do Ritual deve ser exercitada na sua plenitude, dentro do sincretismo religioso, simbólico e esotérico da Maçonaria. Outro grande escoliasta da nossa Ordem, o Irmão Carvalho Neves, tem lição que merece ser transcrita.

Afirma ele: “Se não executarmos o Ritual na sua inteireza, na sua plenitude, os benefícios esotéricos, simbólicos, iniciáticos, que o mesmo produz, não trará os efeitos benéficos e vivificadores para a ordem e os seus Obreiros .

Assim meus caros Irmãos, todo o Ritual que se estabelece em Loja, que o Irmão Castellani chama de Loja Litúrgica, tem a sua importância capital, porque se a Maçonaria se propõe a formar pensadores dentre os Irmãos, certamente na liturgia é que será atingido o alvo. E isto se consegue com a união de todos os Irmãos presentes à Sessão, com os seus pensamentos positivos, desde o Venerável até aos Aprendizes. Deve existir o ambiente para o magnetismo salutar que torna a ritualística factor da transcendência imprescindível aos seres.

Se é formada a corrente mental favorável à purificação do pensamento, desde quando saímos do átrio para o interior do Templo, todos ouvindo sons inefáveis os problemas do mundo profano, actuando como grilhões, deixam de existir, para sentirmos momentos de indizível alegria, comparável à dos êxtases experimentados pelos santos, o verdadeiro Maçom deve buscar a palavra perdida.

É nestes momentos, também, que o Maçom deve vencer as suas paixões e submeter as suas vontades, e como não dispomos de uma mente infinita de bondade e rectidão, que busquemos em Loja, a intuição indispensável a essa compreensão e esse entendimento, sendo que sem dúvida alguma, essa ajuda a encontraremos no alto sentido da ritualística.

Precisamos entender a mensagem expressa pelos Símbolos e o movimento litúrgico que a completa. Quando participamos do Ritual maçónico, nas nossas mentes surgem perguntas como: Por que o Altar do Venerável Mestre deve ser rectangular? Por que velas, e quando devem ser acesas? Tendo luz em todo Templo, por que este ou aquele lado é escuro? Por que só o Irmão 2o Vig. pode chamar os Obreiros para o trabalho? Por que devemos escutar a toda hora o som dos Malhetes do Venerável Mestre, dos Irmãos 1o e 2o Vigilantes?

Numa análise objectiva isso tudo não passa de objectos e de alguns adornos em Loja, sem importância ou fundamento. Porém, se virmos neles aquilo que representam, que simbolizam, e o que faz o Maçom verdadeiro, sentir e reflectir, então eles se transformam realmente em elementos necessários à Divina Química da Transformação, num meio para atingir o fim desejado com muito amor.

Temos ouvido falar que o Ritual mágico deve ser praticado dentro de um círculo para ter mais eficiência, mais força e, consequentemente melhor resultado. O Templo é esse círculo e como ele representa também o homem, cada um de nós é um círculo menor. Trabalhamos em conjunto com todos dentro do Templo, mas reservadamente, no Templo interno.

Executando com toda a nossa vontade, com todo a nosso Coração, Amor e toda a nossa mente, o Ritual de elevação, de integração, cada pensamento, cada gesto, transforma-se numa força poderosa, posto que cada célula do corpo responderá a esse estímulo e nós na condição de alquimistas, transformaremos, o material bruto do homem comum no ouro de um Ser superior.

Assim, quando o Maçom procura individualmente atingir o GADU, está gerando uma força construtiva, mas só entre ele e o GADU, enquanto que no Ritual, os pensamentos e aspirações de todos os participantes, unindo-se as forças da Natureza e energias divinas, criam um poderoso e concreto vértice para o Bem, um pensamento absoluto, que atrai para a terra a Glória do criador. O Maçom ao participar do Ritual, assim, está ajudando a gerar uma força redentora para toda a Humanidade.

E para terminar, peço vénia aos pacientes Irmãos, para citar trechos de um trabalho que encontrei, sob o mesmo título do que ora vos apresento, de autoria do Grupo de Estudos da Loja “Harmonia nº 1114”  do Rio de Janeiro, pelo sentido profundo do conteúdo da sabedoria e beleza que encerra:

“Em todo trabalho maçónico há sempre um significado aparente e outro de sentido mais profundo e, por isso mesmo, mais verdadeiro”.

“O estudo e compreensão do cerimonial maçónico, leva o Maçom ao encontro de si mesmo, pois ao desvendar o que se acha oculto, e ao que transcende ao simbolismo que nele se contém, humildemente descobre estar a sua mente, unindo-se ao coração, fazendo enlevar-se a um mundo de luz, paz e harmonia, proporcionando-lhe assim aquele tão esperado encontro de si próprio, com a sua natureza Superior”.

“A poesia da ritualística maçónica sobrepuja a qualquer outra poesia, não levando em conta o transcorrer do tempo e nem mesmo as transformações das épocas conseguem alterar os seus antigos e imutáveis fundamentos”.

“O verdadeiro propósito dos Rituais é também proporcionar ao homem uma compreensão mais profunda da própria vida e, num trabalho de magia no seu sentido mais perfeito, colocá-lo em condições de entrar em comunhão com entidades de luz que se acham sempre prontas a auxiliar o ser humano, quando este almeja ser um colaborador do GADU, na sua excelsa obra, que é plano de evolução da humanidade”.

“A Franco-Maçonaria aproveita todas as oportunidades que se lhe oferecem para inculcar-nos a existência de inefáveis mistérios por trás de toda vida e da natureza, valendo-se para isso do Rito e da cerimónia. Estes lançam-nos Símbolo após Símbolo, a sugestão dos eternos princípios que representam, como mudos testemunhos, lembrando-nos que os planos do GADU, se desenvolvem lentamente por esses princípios, trabalhando em silêncio para ordenar todas as coisas em SABEDORIA, FORÇA E BELEZA”.

Para arrematar este meu singelo trabalho, quero dizer aos meus Irmãos, que mudarão os tempos, os idiomas, as nações, mas as Verdades Eternas estarão sempre visíveis nos Símbolos Sagrados da Arte Real, para aquele que buscar incessantemente o GADU.

Rui Santos de Sá – Or. de Londrina – PR

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