O TEMPLO MAÇÓNICO E A REGULARIDADE
✍️ noreply@blogger.com (Rui Bandeira)
📅 20/11/2017
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A\G\D\G\A\D\U\
i) Preliminar
ii) Conceito de Templo
iii) Conceito de Templo Maçónico
iv) Desenho do Templo Maçónico
v) Organização do trabalho no Templo
vi) Significado esotérico do Templo Maçónico
vii) Epílogo
i) Preliminar
Aspectos
gerais do Templo Maçónico, de acordo com a prática do R\E\A\A\ no Gr\ de A\
ii) Conceito de Templo
Templo
– segundo o Dicionário da Lingua
Portuguesa é um edifício destinado ao
culto de uma religião; um monumento em honra de uma divindade, ou um qualquer lugar
sagrado ou venerável. O dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz-nos ainda
que é o lugar onde a maçonaria celebra as suas sessões e que também assim
pode ser chamada a Ordem dos Templários.
Templo – segundo a wikipedia, vem do latim templum, "local sagrado" e é uma estrutura arquitectónica dedicada a um serviço religioso ou a um culto. O termo no sentido figurado é o
reflexo do mundo divino, a habitação de Deus sobre a terra, o lugar da Presença
Real. É o resumo do macrocosmo e também a imagem do microcosmo: 'um corpo humano é um templo'.
As tradições religiosas, entre outros, dão-lhe nomes
diversos, como:
Igreja, Casa de oração, Capela,
Catedral
e Basílica;
no caso do Cristianismo;
Templo
de fogo, no caso do Zoroastrismo;
Mandir,
no caso do Hinduísmo;
Pathi,
no caso do Ayyavazhi;
Terreiro, no caso das Religiões Afro-brasileiras;
Casa de Adoração, no caso da Fé Bahá'í; e
Centro Espírita, no caso do Espiritismo.
Pode ainda ser considerado Templo o lugar onde se
presta culto a uma Arte ou a uma Ciência.
iii) Conceito de Templo Maçónico
Do ponto de vista esotérico e partindo dos conceitos
anteriormente referidos, poderemos concluir que: Templo Maçónico é o lugar no
qual os maçons prestam culto ao G\A\D\U\ e sob
os seus auspícios realizam o seu Trabalho Espiritual.
Estas definições que conceptualmente se apresentam simples,
de facto complicam-se pelas mais variadas razões, sejam elas de índole
política, religiosa ou outra.
É por isso que algumas estruturas, ditas maçónicas, ou
para/pseudo maçónicas, substituem o termo Templo por Loja ou Oficina, sendo que
essas designações existem, mas são outra coisa, tendo o significado conceptual
destas palavras sido indevidamente equiparado a Templo, encontrando-se na para/pseudo-maçonaria
definições como: “a Loja/Oficina é local no qual os francomaçons celebram as
suas assembleias ou reuniões”; e assim suprimem-lhe toda e qualquer conotação
espiritual, procurando desse modo ocultar toda a natureza “religiosa” que,
mesmo não sendo nem tendo uma religião, tem caracterizado a maçonaria ocidental
desde as suas origens, abrindo-se assim as ditas maçonarias a um trabalho dito “maçónico
laico” que não é de todo compatível com o esoterismo iniciático que está na
essência da Arte Real.
Parece-me pois claro que o trabalho maçónico autêntico
exige que o mesmo se cumpra num Templo Maçónico e como tal terá que ocorrer A\G\D\G\A\D\U\ para que o seu ritual assim
celebrado permita que os membros que o executam tenham um Despertar Espiritual
e alcancem níveis espirituais inimagináveis para os profanos e lamentavelmente,
também para alguns iniciados que, por não terem interiorizado correctamente a
sua iniciação, se deixaram levar em correntes de todo incompatíveis com a
essência da actividade maçónica.
Ter um
Despertar Espiritual mais não é do que perceber que há muito mais na vida do
que aquilo que nos foi induzido a acreditar; é algo mais interior e mais profundo,
com um significado à espera de ser descoberto.
É um
conjunto de muitas pequenas coisas e muitas coincidências que não são mais que
o início desse despertar, o início da percepção de que somos atemporais, não
físicos; eternos.
Quando
começamos a não nos preocupar com coisas como a reputação social, a
popularidade, e a aprovação, quando descobrimos que a nossa identidade vem de
algo mais profundo do que isso; quando iniciamos um relacionamento com o
Universo, sendo que o Templo é o Universo, e quando nele nos aceitamos
integrar, normalmente deixamos também de ter medo, até o medo da morte vai
diminuindo conforme a nossa parte atemporal ao Universo se vai ligando, aí e
então vamo-nos aperceber que apenas caminhamos, e que caminhamos pelo caminho
certo, rumo ao G\O\E\.
Quando o
Despertar se inicia abandonamos muitas das preocupações profanas ficamos mais
interessados na busca do Conhecimento, na busca da Sabedoria e por isso
aceitamos e abraçamos como experiências enriquecedoras todas as ocorrências da
nossa passagem por esta “vida”.
iv) Desenho do Templo Maçónico
A compreensão da forma como os nossos Templos foram
desenhados requer ter em conta que a maçonaria especulativa tal como foi
pensada no século XVIII, aquando do seu surgimento proveio de uma concepção do
mundo e do homem que tinha por base, fundamentalmente, a Arte Construtiva intrinsecamente
ligada às restantes disciplinas que compõem o Hermetismo: a Alquimia, a
Teurgia, a Magia Natural e a Astrologia; sem nos esquecermos também das várias
correntes de pensamento procedentes das Religiões dos Mistérios, do Pitagorismo,
do Neoplatonismo e das Gnoses, Judaica e Cristã, bem como da herança da Antiga Sabedoria
Egípcia.
É claro que, três séculos volvidos, os avanços
científicos fizeram com que nos afastássemos do que era fábula e superstição;
mas para lá da evolução ocorrida a maçonaria tem sido rigorosa em conservar os
conhecimentos perenes, intrínsecos da própria natureza do ser humano e do
cosmos que o contém.
No respeito por essas verdades eternas o bom senso tem
prevalecido e os símbolos primitivos do Templo Maçónico continuam a ser
imprescindíveis para executar o trabalho espiritual que é a essência maçónica.
Na simbologia maçónica o Templo representa ainda o
Templo do Rei Salomão, aquele erigido em honra e por ordem de Yahvé
, seu Deus.
Este Templo foi edificado em Jerusalém e segundo
referências escritas nos Livros Sagrados contava com três espaços perfeitamente
bem delimitados:
- O Pórtico [’ülâm] que delimitava o
profano do sagrado;
- O Sancta [o “lugar” Santo = hékâl ou hekhal, que deriva do Sumério: É
GAL = Casa Grande] que continha a nave central do
Templo;
- O Sancta Santorum [o “lugar” Santo dos Santos] que na sua parte mais recôndita, o Debir (דְּבִיר), abrigava a Arca da Aliança.
O Templo Maçónico obedece igualmente a esse mesmo plano,
sendo o que a seguir se indica o seu traçado:
- O Pórtico, que vai desde a parede ocidental, onde se
encontra a porta de entrada no recinto, até uma linha imaginária, que se
projecta desde a parede Norte até à parede Sul, traçada à altura das Colunas, a
B\ e a outra a Sul dela,
linha essa que delimita a zona a partir da
qual, estando o espaço sacralizado, os profanos não passam; apenas adentram
essa linha os iniciados e o neófifo no dia da sua iniciação.
- O Sancta que se estende desde a linha onde termina
pórtico até à blaustrada do Or\ e é o
espaço onde todos os iniciados se arrumam por Oficinas. É neste espaço que o
nosso Templo tem o seu apogeu, bem no centro da L\, o
local onde é possível o contacto com a Divindade, o local que é atravessado
pelo eixo do mundo, o único caminho que permite o trânsito entre o mundo
superior e o mundo inferior.
- O Sancta Sanctorum que vai desde a balaustrada até à
parede Oriental. O Sancta Sanctorum da maçonaria é um local que pode ser
alcançado por todo e qualquer maçon que tenha progredido em conhecimento e
auto-controlo; que tenha acrescido Luz, da que brilha desde o Or\, à sua luz estando assim preparado para a etapa final do
grande drama do desenvolvimento do Espírito: a busca da Palavra Perdida.
Um Templo, com as dimensões rigorosas, deverá ter a
forma de um paralelipípedo que por sua vez é composto por dois cubos perfeitos,
representando o cubo do Oc\ a Matéria e o cubo do Or\ o Espírito.
É mesmo no início do cubo no Oc\ que estão as Colunas, a B\ e a
outra a Sul dela, e no
fim do cubo no Or\ que
se econtra o Trono de Salomão, a Cadeira do V\M\.
Forma-se ainda
um terceiro cubo que é composto pelas duas metades dos cubos do Oc\ e do Or\; este terceiro cubo representa o
homem que é composto por Matéria e por Espírito. É no centro deste terceiro
cubo, que é o ponto onde os dois primeiros confluem, que se coloca o Quadro da
L\, simbolizando o ponto de chegada
da nossa viagem, o nosso encontro com o G\A\D\U\.
A figura geométrica do cubo corresponde em aritimética
ao número quatro. Na simbologia dos números o 4 tem várias conotações e ligações
das quais destacamos apenas:
Os 4 pontos
cardeais: Norte, Sul, Este e Oeste;
As 4
estações do Ano; Primavera, Verão; Outono e Inverno;
Os 4
elementos da Natureza: Terra, Ar, Água e Fogo
As 4 Fases
da Lua: Nova, Crescente, Cheia e Minguante.
Este terceiro cubo encerra a mais complexa e mais rica
das simbologias; o seu pavimento é de ladrilhos pretos e brancos alternados, um
mosaico também chamado de piso axadrezado, que reflete a cosmovisão dualista da
maçonaria, recordando a harmonia que deve reinar nas LL\ quaisquer que sejam as condições ou convicções dos seus
obreiros.
Essa dualidade albi-negra contém ainda uma alegoria
extra L\; aquela que recorda a todos os II\ as características do universo
profano, onde têm que percorrer a maior parte das suas vidas sem que perca de
vista os atributos que caracterizam um maçon.
Um Templo Maçónico é atravessado pelo Trópico de Câncer
(Solstício de Verão), uma linha imaginária que vai da Coluna B\ à Lua; é também atravessada pela linha do Equador Celeste (Equinócios
do Outono e da Primavera) que vai do Oc\ a Or\; e é ainda atravessada pelo Trópico de Capricórnio
(Solstício de Inverno), a linha imaginária que vai da Coluna a Sul da Coluna B
ao Sol.
Ao deslocarmo-nos de uma para a outra Coluna,
simbólicamente representamos os movimentos da terra (Rotação e Translacção)
estando assim a deslocarmo-nos de um solstício ao outro, de um equinócio ao
outro, percorrendo passo a passo as diferentes etapas e provas que provocam a evolução
do Espírito na sua aventura transcendente da sua passagem por este mundo, ou se
preferirmos, por este estadio da sua vivência múltipla.
Nos estremos Sudeste, Nororeste e Sudoeste do pavimento de ladrihos estão as três colunetas, a saber: a da Sabedoria (Jónica), a da Força (Dórica) e a da Beleza (Coríntia); são elas que suportam as três Luzes, que para lá de terem literalmente iluminado os trabalhos nos Templos primitivos, tinham e têm também a sua simbologia: a Jónica, associada ao V\ M\ orienta-nos no caminho da vida; a Dórica, associada ao 1.º Vig\ anima-nos e sustenta-nos em todas as dificuldades; e finalmente a Corintia, associada ao 2.º Vig\ adorna todas as nossas acções, o nosso caráter e o nosso espírito.
Na parte superior dum Templo Maçónico está presa uma corda
com 81 nós que representa todos os maçons espalhados pela superfície do globo terrestre
e a união que entre eles deve reinar. Este símbolo representa ainda a
solidariedade maçónica, que jamais deve ser quebrada.
Ao tecto dum Templo Maçónico cabe ainda destacar as
características da Abóbada Celeste.
v) Organização do trabalho no Templo
Tanto o traçado do templo quanto a organização dos
trabalhos em L\ seguem sempre a orientação dada
pelos quatro pontos cardeais:
Oriente: é o lugar onde nasce o Sol, e alegóricamente é
o ponto donde surge a Luz; daí o Oriente ser considerado a fonte da Sabedoria,
o lugar para onde caminhamos em busca do Conhecimento, e por isso mesmo ali tem
assento o V\M\.
Ocidente: é o lugar do pôr-do-Sol; é por aí que se
adentra a L\ e simboliza a passagem das Trevas à Luz, sendo por isso que é
aí, no sector oposto ao V\M\, que tem assento o 1.º V\.
Norte: é o
primeiro sector da L\,
aquele a que é mais fácil aceder, é o sector chamado de Coluna do Norte, e é o lugar
onde tomam assento os II\ AA\ que ficam nesse lugar porque
acabaram de saír das trevas da ignorância e as suas débeis pupilas não poderiam
olhar de frente a Luz. A Coluna do Norte vai desde a Coluna B\ à balaustrada do Or\.
Sul: é o
meio-dia, é o lugar onde tem assento o 2.º V\, sendo o sector chamado de Coluna do Sul e é neste
lugar que têm assento os II\ CC\; ficam nesse lugar porque já conseguem,
embora ainda com algumas limitações, suportar a Luz que ali chega com
intensidade superior àquela que chega à Coluna do Norte. A Coluna do Sul vai
desde a Coluna a Sul da Coluna B à balaustrada do Or\.


