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O Templo Ecuménico e a Proporção Divina, livro de Isabel Bello

✍️ Desconhecido 📅 26/09/2026 👁️ 1 Leituras

O Templo Ecuménico e a Proporção Divina, livro de Isabel Bello

Edição da Fundação ADF, Miranda do Corvo, 2026

A par do templarismo, a geometria é um dos campos mais importantes onde os esoterismos vão respigar materiais para as mais variadas teorias e interpretações. Umas mais arrojadas, outras mais simbolistas ou mesmo matemáticas, a descrição e desenho da realidade através de formas regulares sempre fascinou aqueles que se debruçam sobre a compreensão do mundo.

E, por mais que muitas vezes nos cruzemos com as visões mais delirantes, a geometria e a aritmética são imagem das constâncias que temos ao nosso redor e que, desde a mais remota antiguidade, os nossos antepassados intuíram ou descobriram. A regularidade numérica, a par da geometria das formas simples na natureza, sempre foi vista como a demonstração, pelo menos, da existência de uma Ordem que dessa forma se apresenta perante as capacidades de entendimento humano.

Desde os mais antigos sistemas de numeração que a nossa espécie viu a ciclicidade do cosmos, a forma como o passar do tempo, do ano e dos ciclos lunares às medidas mais pequenas do nosso quotidiano, como demonstração da capacidade que existe de manter a criação ativa. Do Caos se passou à Ordem e, nesse equilíbrio, entre forças que a procuram destruir, se deseja que o Caos final não surja na manhã seguinte.

A Geometria e as quantidades pela qual ela se apresenta como uma equação que conseguimos dominar, porque a descrevemos, são a franca prova da singular frase de Saramago: “O Caos é uma Ordem pro decifrar”. Sim, o trabalho com os números e as formas tem desvendado e aberto fronteiras para lá do que até há pouco se julgava impossível de conhecer.

E é essa obviedade que nos espanta e, ao mesmo tempo, nos dá serenidade: não apenas a geometria e as regularidades numéricas nos mostram que o macro e o micro se espelham, interligando naturezas que antes pareciam imensamente distantes, como, e fundamentalmente, afastam do espetro do devir as dúvidas do acaso. A ideia da omnipresença da geometria implica a existência de uma arquitetura e de um arquiteto. O Grande Arquiteto do Universo surge como o centro de uma visão do mundo onde tudo obedece e um plano centrado na Sabedoria, onde o acaso não tem lugar e onde, no limite, o desconhecido é isso apenas, desconhecido: pode vir a ser conhecido.

O livro da Isabel Bello, centrado no Templo Ecuménico Universalista é uma magistral lição de Geometria aplicada ao mundo dos significados. Porque as regularidades e as harmonias poderiam existir, mas elas são mais que elas: elas são os significados que lhes damos porque nelas encontramos os ecos da criação, da essência dessa afirmação da Ordem sobre o Caos.

Seguindo as variadas componentes desse projeto da Fundação ADFP, de Miranda do Corvo, idealizado por Jaime Ramos, o livro O Templo Ecuménico e a Proporção Divina, abre-nos a porta para que cada visitante desse magnífico espeço melhor compreenda a razão de cada opção, o sentido de cada medida ou de cada forma. Nada está ao acaso, e tudo significa.

Com este breve, mas rico volume, todos os cidadãos poderão agra aceder, de forma didática, simples, mas não simplista, e muito menos delirante, a um guia sólido e sério sobre simbologia e geometria.

Paulo Mendes Pinto

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