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O Santo Arco Real: história e significado

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✍️ Desconhecido 📅 14/02/2026 👁️ 0 Leituras

Santo Arco Real

Como indiquei nos meus artigos sobre os graus de Companheiro e Mestre Maçom, por volta da primeira década do século XVIII (1710) houve uma modificação considerável no ritual e na organização em relação ao que antes era apenas um, ou no máximo dois graus, que constituíam a filiação da loja maçónica revivida e os seus trabalhos.

O Aprendiz Entrado tornou-se distinto, como novato, aprendiz, discípulo; o Mestre Maçom era igualmente distinto do primeiro grau e quase tão distinto do grau intermediário, quase operacional, de Companheiro.

E isto envolveu não apenas uma divisão do ritual, mas um arredondamento do cargo, uma introdução e um final, e uma indicação especial do significado de cada grau.

Quando as Constituições do Dr. Anderson foram alteradas em 1723, o período de transição chegou ao fim.

O conflito e a comparação dos trabalhos foram gradualmente resolvidos, passando da totalidade das diferenças para uma unidade simbólica; e, embora a existência separada e o carácter essencial do Grau de Arco não tivessem qualquer base evidente e oficial, há poucas dúvidas de que o grau estava a ser trabalhado.

Às vezes como um grau adicional, outras vezes como um grau superior e, em outros casos, como uma conclusão do Grau de Mestre Maçom.

A princípio, parece ter sido trabalhado tanto na Loja da Ordem como em Lojas do Arco especiais, e há muitos indícios de que as Lojas Escocesas na França fizeram muito para fixar o carácter do grau e torná-lo popular.

Descobrimos, de acordo com o Dr. Crawley, que numa procissão maçónica em Youghal (Irlanda) em 1743, dois Excelentes Maçons carregavam “O Arco Real”.

Uma característica particularmente significativa do renascimento da Maçonaria na Inglaterra em 1813 é a posição exaltada dada, em todas as ocasiões, ao grau do Arco Real. Essa ênfase fica clara no facto de que, em 1813, de acordo com os Artigos da União,

“É declarado e pronunciado que a Maçonaria Antiga pura consiste em três graus, e nada mais; a saber: os de Aprendiz Entrado, Companheiro e Mestre Maçom (incluindo a Suprema Ordem do Santo Arco Real)”.

Anteriormente, o grau do Santo Arco Real era trabalhado em ambas as Grandes Lojas; mas agora o seu lugar definitivo é reconhecido oficialmente, e os Grandes Capítulos de ambas as Grandes Lojas tornaram-se um só em 1817.

Quando dizemos que o Santo Arco Real era considerado como a conclusão do grau de Mestre Maçom, não devemos concluir que todos os Mestres Maçons podiam legitimamente alcançar essa distinção, uma vez que apenas os Mestres que tinham passado pela cadeira eram elegíveis para a candidatura.

Era uma espécie de Loja de Excelência dos Antigos Veneráveis Mestres e, para que os irmãos dignos de longa data na Maçonaria se pudessem qualificar, o grau ou cerimónia irregular de “Mestre Instalado” ou “Antigo Venerável Mestre Virtual” foi trabalhado até se tornar um escândalo devido ao seu abuso, e uma resolução foi aprovada no Grande Capítulo em 1783 de que apenas “Mestres e Antigos Veneráveis Mestres deveriam ser admitidos como Mestres do Arco Real”.

Em toda a parte, praticamente, a lenda é a mesma e não passa de um meio de transmitir a verdade.

A busca pela Palavra Perdida, pelo Logos, leva à descoberta do significado e da imortalidade da vida.

Na minha digressão preliminar sobre os Mistérios Pagãos, referi-me à única experiência que foi explicada nos Mistérios dos Giblitas e nos de Eleusis.

O ideal do Arco Real é a revelação da vida absoluta do nosso Criador.

Temos esta figura em várias formas em toda a história da humanidade. Na expulsão de Adão do Paraíso e no nascimento de Caim, na desolação de Caim e na descoberta das Artes e da Ciência, na fidelidade de Noé e na flutuação da Arca, nas solenidades de Adonis ou Tamnuz, há a mesma afirmação da segurança daquilo que está oculto, daquilo que, por causa da justiça, está oculto no solo.

Quando o hebreu Moisés se encontrou diante da Sarça Ardente, junto ao fogo sagrado em solo santo, lamentando os fracassos de Israel e as desgraças dos seus irmãos, mas obedecendo com fortaleza ao chamado do Criador para o serviço, a palavra foi-lhe revelada, o Logos da Vida Eterna e do poder.

Você já leu muitas vezes a oração profunda, o anseio melancólico de alguém que busca o Grande EU SOU. Você já leu sobre os cativos que choravam junto aos rios do Oriente porque os seus senhores lhes pediam que cantassem uma das canções de Sião na terra da escravidão ou do exílio; e você pode compreender a alegria dos judeus que reafirmaram a suficiência absoluta do Deus Infinito ao dedicarem o Templo da Restauração.

O sistema do Arco Real é esta cena de alegria. Esta alegria da Páscoa, esta afirmação da imortalidade, esta demonstração clara da Coroa que se segue ao Sacrifício

A Maçonaria é um sistema de moralidade; e os Mestres Maçons sabem como o sistema resulta na pesquisa e no serviço leais daqueles que enfrentam a tragédia das trevas que os introduz à Luz do Mestre.

Isto, como indiquei no meu artigo publicado na revista Freemason em 23 de Dezembro de 1906, não poderia continuar.

A esperança brota, eterna, no peito humano; e quando o túmulo é fechado, o verdadeiro maçom fixa o seu olhar no Véu que separa a vida da morte.

Para o Mestre Maçom Leal, o grau Capitular está aberto; e no Arco Real ele encontra a glória de um Sacrifício consumado e de uma ressurreição esplêndida e persistente.

O Sol não se perde: ele volta. A luz não se perde: ela aumenta na sua aplicação alargada a cada dia. Ao verdadeiro maçom que aprendeu a servir, é concedida a recompensa da visão. “Aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.” “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” E a alegria ninguém pode tirar, porque é inspirada pela persistência absoluta de um Criador Eterno e Arquitecto da Vida.

Os quatro graus estão em sequência contínua: são os estágios do desenvolvimento e crescimento maçónico.

Isto é mostrado na cor e na insígnia da Ordem.

No avental há a pele de cordeiro branca; há também, como constituinte do roxo da borda, o azul da Ordem (mantido na túnica do Terceiro Principal e nos colares dos Grandes Oficiais), e há também (sobrepondo-se parcialmente ao azul da Ordem e produzindo roxo, e parcialmente sobre o branco-claro) o vermelho real do Rei.

Temos então no avental o vermelho supremo, que é a cor do Arco Real, o azul da Ordem, no roxo, e o branco da inocência e do sacrifício no avental de pele de cordeiro.

Os ideais da Ordem não são descartados com o passar dos véus, eles são apenas absorvidos em uma experiência maior e mais perfeita.

Mas a série de cores é ainda mais gradual quando consideramos as vestes dos principais. Lá temos o azul da Ordem na veste do Sumo Sacerdote (Josué), o roxo na veste do Profeta (Ageu) e o vermelho na veste do Rei (Zorobabel).

Há também uma gradação significativa de credo e ênfase. Numa loja da Ordem, o triângulo da Vida não é desenhado, embora seja sugerido pelo arranjo gradual das rosetas no avental.

Quando o Mestre Maçom é elevado, ele coloca uma roseta (ou sinal de vida) no centro da aba do avental, completando assim os três pontos a partir dos quais os lados de um triângulo podem ser desenhados.

Na borda recortada carmesim e púrpura do avental do Arco Real, o carmesim, ou cor do rei, aponta para o centro desta aba, para o que era o vértice de um triângulo – imaginado, mas não desenhado. Mas agora não há um triângulo imaginado, mas um completo, contendo um símbolo ainda mais significativo no triplo tau.

A sugestão é inequívoca. O irmão A. H. Morgan, numa das suas palestras, indicou muito apropriadamente que a Igreja Cristã não descobriu pela primeira vez o significado da cruz quando a utilizou como emblema religioso.

É o mais antigo dos símbolos. Nos tempos antigos, era o sinal da vida do Vale do Nilo e sempre foi o indicador da Vida. Retire o elemento da Vida da cruz cristã e nada resta além da afirmação de um facto histórico.

O número três é sagrado em todos os mistérios humanos — para pagãos e cristãos. O triplo tau envolve a ideia da vida que é sagrada para o Criador, e o triângulo significa a Energia Criativa do GADU. Esta é a vitória pela qual superamos as dificuldades de uma vida árdua — a fé no Direito e no Poder do Todo-Sábio.

O avental do Arco Real simboliza isto. E a faixa tem o mesmo significado, com o seu diamante vermelho sempre do lado de fora e o diamante azul, ou da Ordem, do lado de dentro.

Há uma parte do emblema no avental que requer atenção especial, que é o triângulo. Um Antigo Venerável Mestre numa loja da Ordem pode substituir as rosetas comuns de um Mestre Maçom pelas linhas horizontais e perpendiculares. Mas ele não pode usar o triplo tau ou o triângulo descrito até ter passado pelos véus.

Porquê? Não se trata de um regulamento arbitrário, nem meramente de um distintivo de posição. O significado do triplo tau mais o do triângulo é geométrico. O Antigo Venerável Mestre de uma loja da Ordem estuda a descoberta da 47ª proposição de Euclides e encontra um mundo de possibilidades no facto de que o quadrado sobre a hipotenusa é igual à soma dos quadrados sobre os outros dois lados de um triângulo rectângulo.

E ele usa um emblema que descreve duas vezes 90°, ou um quarto de um círculo.

Quando é exaltado ao grau de Arco, ele lembra-se de que a soma dos ângulos de qualquer triângulo é igual a dois ângulos rectos. Ele também vê que no Emblema R. A. está a tríade de dois ângulos rectos; e, à medida que é metaforicamente restaurado da morte para uma vida de potencialidades imensuráveis, ele pondera sobre o significado dessa combinação.

Ele deve perceber também que, assim como não há morte para a vida, também não há limite para o crescimento e a progressão da humanidade dentro do círculo do Universo que foi traçado em torno de sua vida pela mão infalível do Grande Geómetra. O grau do Arco Real é repleto de sugestões surpreendentes e revelações espantosas. A ideia é tão antiga quanto a humanidade, embora a forma actual do Mistério não possa registar uma idade de quase dois séculos. É também a conclusão da Maçonaria Simbólica.

Adaptado de um artigo do Rev. John George Gibson (1906)

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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