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O ideal e o real

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✍️ Desconhecido 📅 16/10/2025 👁️ 1 Leituras

esquadro, compasso, pedras, ideal e real

As duas principais tarefas para uma vida com sentido e propósito são a compreensão e a execução dos valores que dignificam o homem em todas as suas esferas. Estas duas tarefas, quando andam juntas e partilham do mesmo ideal, resultam numa realidade virtuosa.

Mas o principal desafio, de qualquer pessoa, excepcionalmente do Maçom, é que este sentido e propósito da vida realmente se faça com a construção de virtudes permanentes e não transitórias.

Entendendo a palavra sentido, podemos ver que ela traz amplos significados. O primeiro, referente às faculdades sensoriais, ou seja, os nossos cinco sentidos: visão, audição, olfacto, paladar e tacto. O segundo, como raciocínio e intelecto de uma palavra, como colocar um sentido em algo. O sentido que aqui lidamos é o sentido da vida, uma magnitude ampla, uma junção de ambos os significados, buscando compreender quais as necessidades básicas que forjam o nosso quotidiano e o nosso modo de operar no dia a dia. A união destes dois sentidos resulta na consciência, na acção e na maneira como lidamos com as adversidades.

Em palavras sábias, o Sereníssimo Grão-Mestre do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, Marcus Vinícius Bortolotto, menciona:

“O sentido da vida, conceituado ou definido numa palavra, é igual a evolução”.

A frase é forte, pois evoluir parece fácil, afinal é uma consequência da existência humana. A evolução na vida de qualquer que seja o indivíduo é inevitável, o ciclo evolutivo tende a se completar e ninguém pode, em nenhuma circunstância, mudar isso, porém, temos o imenso poder de mudar o que acontece no período de duração ou existência deste ciclo.

Os conceitos de necessidade são absolutamente individuais; para alguns, carro, telefone, casa e coisas materiais são os elementos que fazem o maior sentido. Para outros, a família, o conhecimento, a dedicação e o trabalho são esses elementos. A questão é qual está certo, e é uma resposta também individual, haja vista que as necessidades vêm do quanto desejamos algo, e, neste ponto, chegamos a uma via com dois caminhos. Um destes caminhos é livre à passagem; o acesso é fácil, quase nem se nota que existe outro caminho. Esta estrada de fácil acesso alimenta-te com o materialismo, com o status, com coisas que as paixões transitórias te satisfazem. Fazendo com que realizemos impulsivamente tudo, custe o que custar.

O outro caminho tem um portão discreto, quase secreto, com um esquadro e um compasso na porta. Ali não entra qualquer um, mas engana-se muito, e tolo é quem pensa que este caminho é fácil, pois ali é que se forjam homens com valores. Ali que o real sentido da vida é tido como o maior bem que dignifica o homem, em que se trabalha para que os valores morais, aqueles que no nosso íntimo acreditamos e temos por verdade, sejam transformados em valores sociais. Esta transformação é o que mais mexe com o Maçom: o desafio de evoluir, de executar a liberdade de consciência na responsabilidade de prover um mundo melhor. Responsabilidade, uma palavra de significado forte e também individual, remete à obrigação e, quando somos obrigados a fazer algo, seja por motivo maior ou menor, saímos da nossa zona de conforto. É ali que se extrai o mais puro sentido da vida; é fora da zona de conforto que evoluímos. Verdade seja dita, não é um local amistoso, exige agir com extrema responsabilidade, seja em pensamentos ou acções. Evoluir é uma consequência, mas evoluir com sabedoria, é uma obrigação, e a pergunta que fica e que certamente afasta tantos de sair da zona de conforto é que nem sempre saímos dela da forma que queremos, mas certamente, e isso é um facto que só quem já esteve lá pode afirmar com vigor, é que sempre que fizermos isso evoluímos. Cada indivíduo possui a sua zona de conforto; ela significa o lugar mais tranquilo dentro da mente de cada um. Ali se evitam riscos, desconfortos, desafios e, principalmente, limita-se a capacidade de crescimento, de evolução, apodrecendo e adoecendo a vida pessoal e profissional.

O Maçom não pode nunca se esquecer de que a Maçonaria não selecciona homens desordenados ou com pensamentos confusos para trilhar essa estrada, e sim homens bons para deixá-los melhores. Este processo de evolução consiste em vencer as paixões e vícios. “A paixão faz com que busquemos o ideal e não o real”, como cita o Sereníssimo Grão-Mestre do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, Marcus Vinícius Bortolotto. A nossa consciência tem o poder de construir, destruir e transformar. O principal desafio é a busca constante do equilíbrio entre o ideal e o real.

O ideal actua na nossa mente como uma busca, um sonho, uma imaginação, ou seja, uma imagem mental de perfeição. Cito exemplos: a busca por um corpo mais saudável, a busca por beleza, a busca por bens materiais, todos são protótipos de desejos. No entanto, o risco que ele apresenta quando não existe o equilíbrio entre ideal e real estimula a frustração, ansiedade e depressão.

O real se apresenta naquilo que é baseado em factos, comprovado e verdadeiro. A realidade baseia-se na existência, na ciência como base fundamental do entendimento das coisas, o estado do presente, o hoje, o agora.

Quando conseguimos equilibrar o ideal com o real, chegamos à palavra objectivo, e é neste momento que saímos da zona de conforto. Saímos para buscar algo, com estratégias desenhadas de como chegar lá. Podemos chamar esse objectivo de meta, que numa linguagem comercial significa o objectivo, somado a um valor, dentro de um período estabelecido, se isso não for claro na nossa mente, ou não for algo possível de se executar, vira desejo, paixão, ideal, qualquer coisa menos um objectivo real.

Por fim, a busca do Maçom precisa ser contínua, com base forte e firme rumo à evolução, exercendo a liberdade de consciência, nunca deixando de lado a busca por conhecimento, pois a sabedoria está no tanto que a nossa mente consegue processar e criar. A nossa responsabilidade, enquanto livres-pensadores, é com o todo, em transformar valores morais em valores sociais. Só assim conseguiremos atingir e compreender o real significado do sentido da vida.

“A evolução é a lei da vida, o número é a lei do universo, a unidade é a lei de Deus.”

Pitágoras

Mateus Hautt Norenberg, M. M.

  • Membro da ARLS Hiram Abiff, nº 535 e da ARLS Hipólito José da Costa, nº 410
  • Eminente Académico da AMLERS (Academia Maçónica de Letras do Rio Grande do Sul) ocupante da cadeira nº21 do patrono Frederico II

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