O Escrol
Na Maçonaria, o termo “Escrol” (ou às vezes grafado como Scroll, do inglês) refere-se genericamente a um pergaminho, rolo de escrita ou lista oficial.
Para encontrar o termo exacto “Scroll” (ou a adaptação “Escrol”), a referência mais precisa e respeitada mundialmente é a obra de Albert Mackey, considerada uma das melhores da terminologia maçónica, em: MACKEY, Albert Gallatin. Encyclopedia of Freemasonry and Its Kindred Sciences. Página 681 (Volume II, na maioria das edições padrão em inglês e traduções integrais). Verbete: Scroll (Pergaminho).
Os Significados de “Scroll”, Segundo Mackey
No contexto maçónico, Mackey define o Scroll sob 3 acepções e dois prismas principais:
- Suporte de Leis Antigas: É a representação do rolo de pergaminho que contém as Antigas Constituições e os registros históricos da Ordem. Antes da invenção do livro encadernado, todas as comunicações e leis eram mantidas em scrolls.
- O Livro da Lei (Arco Real): No Grau de Maçom do Arco Real, o Scroll é o rolo encontrado nos escombros do Primeiro Templo, identificado como o “Livro da Lei” (Pentateuco), simbolizando a recuperação da Verdade perdida.
- Simbolismo de Conhecimento: Representa a continuidade da instrução maçónica e a preservação da sabedoria através das eras.
Em Língua Portuguesa, O Significado de “Escrol”, Conforme Nicola Aslan
Em língua portuguesa, em que utilize o termo para designar “lista” ou “pergaminho”, Aslan explica que, embora o termo seja de origem inglesa, ele se refere ao “Rol” ou “Matrícula” (a lista oficial de obreiros de uma Loja), em: ASLAN, Nicola. Dicionário de Maçonaria. Página 1128 (Edição de volume único).
1. Num Significado Literal e Prático de Escrol
Na prática, em algumas lojas, o escrol é o documento onde se registram nomes e dados importantes de uma Loja ou Jurisdição. Ele funciona como uma matrícula ou um livro de presenças histórico. (Muito embora tal palavra encontre-se em desuso hodiernamente, sendo mais utilizado termos como: “Quadro”, “Quadro de Obreiros” ou mesmo Livro de “Registros de Graus”.
- Membros Activos: É a lista oficial de todos os maçons regulares de uma oficina.
- Registros de Graus: Documenta quando um membro foi iniciado, passado ou elevado (RY) ou como noutros ritos, iniciado, elevado e exaltado.
2. O Simbolismo do Escrol
Para além da burocracia, ele carrega um peso simbólico:
- Posteridade: Representa a permanência da Ordem através do tempo. Estar “no escrol” significa que o seu nome faz parte da linhagem histórica daquela fraternidade.
- Vínculo: Simboliza o compromisso assumido. O nome escrito no pergaminho é o selo de que aquele indivíduo pertence ao corpo histórico/tradicional da Maçonaria.
3. Definição e Etimologia
O termo “Escrol” deriva do inglês scroll e, no contexto maçónico, é sinónimo de Rol ou Matrícula. Segundo Joaquim Gervásio de Figueiredo, no seu Dicionário de Maçonaria, o escrol é a lista nominal dos membros que compõem uma Loja, servindo para o controle de presença e regularidade dos obreiros (FIGUEIREDO, 2010).
4. A Função Administrativa (O Secretário)
A guarda e actualização do escrol é uma atribuição directa do Secretário da Loja. Conforme aponta Nicola Aslan, em Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, o “Rol de Obreiros” (ou Escrol) é o documento legal que a Loja apresenta às Grandes Potências para provar a sua composição e para o cálculo de taxas per capita (ASLAN, 2012). Sem o nome no escrol, o ;Maçom é considerado “adormecido” ou irregular perante a administração central.
5. O Simbolismo do Registro
Simbolicamente, o escrol representa a memória colectiva da Ordem. Jules Boucher, na obra A Simbólica Maçónica, argumenta que os registros e pergaminhos nas cerimónias simbolizam a transmissão do conhecimento e a perenidade das tradições, garantindo que o nome do iniciado não se perca no tempo (BOUCHER, 2003). É o elo entre o passado administrativo e o futuro histórico da oficina.
6. Os “Old Charges” (Antigos Deveres)
Muitos dos documentos históricos que datam de antes de 1717 são fisicamente pergaminhos (escrols). O exemplo mais famoso é o Manuscrito Regius (c. 1390) e o Manuscrito Cooke (c. 1450). Segundo Harry Carr, esses pergaminhos são a base da “Constituição” maçónica, contendo a história lendária da profissão e as leis que os pedreiros deviam seguir (CARR, 1984).
7. O Escrol como Registro Sagrado
Em ritos como o de York, o escrol não é um documento administrativo, mas um objecto ritualístico que representa as “Escrituras Sagradas” ou “Antigos Escritos” perdidos e redescobertos. Ele simboliza a busca pela Verdade que foi preservada em pergaminhos através dos séculos.
8. O Termo “Escrol” em Alguns Ritos
O termo “Escrol” (ou Scroll) é um anglicismo. Por isso, ele é praticamente inexistente nos rituais de origem ou influência francesa ou latina (como o REAA ou Rito Moderno), onde se usa “Pergaminho”, “Prancha” ou “Balaústre”.
Os ritos que utilizam o termo “Scroll” de forma técnica e ritualística são de matriz inglesa ou americana:
8.1. Rito de York (Americano)
É o rito onde o termo é mais forte e central.
- Contexto: No grau de Maçom do Real Arco.
- Uso: Refere-se especificamente ao “Scroll of the Law” (Pergaminho da Lei). É o rolo de escrita que contém os primeiros cinco livros de Moisés, encontrado durante as escavações do Segundo Templo.
- Referência: Duncan’s Ritual, pág. 250.
8.2. Rito Emulação (Emulation Rite / “Inglês”)
Embora no Brasil se traduza muito para “Pergaminho” ou “Lista”, no original em inglês o termo Scroll é usado para:
- O Rol de Membros: A lista oficial de obreiros da Loja.
- Instalação de Mestres: Em algumas cerimónias de instalação de origem inglesa, o Mestre eleito recebe ou assina um Scroll com as antigas obrigações.
- No York (GOB): É comum ver o termo “Rol” (tradução directa de Roll/Scroll) para listas de nomes, e “Pergaminho” para documentos sagrados.
8.3. Rito de Schroeder (Origem Alemã, influência Inglesa)
O Rito de Schroeder foca na simplicidade e no resgate das tradições inglesas antigas.
- Uso: Pode aparecer na designação da “Matrícula” da Loja ou em documentos históricos que o rito busca mimetizar.
8.4. Graus de Aperfeiçoamento (Ordens de Sabedoria/Aperfeiçoamento)
- Ordem dos Cavaleiros Templários (York): Onde ordens e decretos são lidos a partir de um scroll.
- Cripta (Mestres Reais e Escolhidos): Onde registros selados são referidos como pergaminhos.
8.5 Uma Tabela Simples de Equivalência
| Termo em Inglês | Termo no REAA (Brasil) | Termo no Rito de York |
| Scroll | Pergaminho / Prancha | Escrol / Scroll |
| Scroll of Members | Quadro de Obreiros | Rol de Membros |
| Long-lost Scroll | Livro da Lei | Pergaminho Sagrado |
9. Conclusão
Laconicamente: Escrol é o registro oficial e histórico dos membros. Se um Maçom não está no “escrol”, administrativamente não consta como membro activo daquela unidade. Ou, ainda, “Escrituras Sagradas” ou “Antigos Escritos” perdidos e redescobertos.
“Quão bom e quão louvável é ser um Maçom de ESCOL e estar no ESCROL”
Alexandre L. Fortes
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Referências Bibliográficas
- ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. Rio de Janeiro: Editora Maçónica, 2012.
- BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçónica. São Paulo: Editora Pensamento, 2003.
- CARR, Harry. The Freemason at Work. Londres: Lewis Masonic, 1984.
- FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria: Seus Mistérios, Seus Ritos, Sua Filosofia, Sua História. São Paulo: Pensamento, 2010.
- LOMAS, Robert. The Invisible College. Londres: Headline, 2002.
- MACKEY, Albert G. Encyclopedia of Freemasonry (referência para o termo original Scroll/Roll). Richmond: Macoy Publishing, 1946.
- QUATUOR CORONATI LODGE. Antigrapha: Masonic Manuscripts. No. 2076, London.
- RITUAIS MAÇÓNICOS.
