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O corpo, os vícios e as virtudes

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✍️ Desconhecido 📅 24/07/2025 👁️ 0 Leituras

vícios

Esta peça tem como objectivo a relação entre os vícios e as virtudes, representados pelos três companheiros e os três mestres que encontram Hiram. A sua base foi extraída do livro “Do sexo à divindade” do autor Jorge Adoum, também conhecido como Mago Jefa, onde ele aborda as conexões existentes nas religiões, desde as mais antigas até as actuais, navegando pelas Fálias, Mítrica, Osíris, Druidas, védicas, budista e Cristã, fazendo referência ao acto sexual, ou o acto de procriar, como sendo algo sagrado.

Mas aqui me atenho às observações que o Mago Jefa faz no livro, falando sobre o mito de Hiram.

Os obreiros citados no livro e que estão presentes na história, são classificados como companheiros, possuíam dentro de si as vontades latentes e a ânsia em se tornar mestre, porém, somos sabedores que nenhum dos três estava pronto ou sequer era merecedor ou estava apto à passagem do grau. Os três companheiros foram considerados e relacionados pela trindade dos vícios, sendo eles a ignorância, o fanatismo e a ambição. O autor menciona no livro: “Os três malditos assassinos são os três meses do Inverno”, levando-nos à reflexão de que, quando consumidos pelos vícios, causamos a cegueira nas acções e pensamentos, falhando na nossa proposta maior de contemplação, vagando pelo vale escuro, onde o frio é intenso e pouco ou nada se vê de luz e calor. Neste ponto, os três companheiros, representados pela ignorância, fanatismo e ambição, querem ocupar o lugar da verdade, lucidez e generosidade. Sabemos que esses três vícios matam o homem, fazem-no sucumbir, se perder nos propósitos, não dando espaço aos valores de uma vida pura e limpa.

A ignorância, é representada por toda a falta de instrução, a deficiência de absorver práticas e de colocá-las a prática em todos âmbitos, seja externo ou interno. Ela é uma das principais responsáveis pela carência de responsabilidade, causando cegueira parcial no indivíduo.

O fanatismo, é representado pela intolerância obsessiva e irracional, esse por vez cria uma paixão extrema por algo, tanto emocional quanto material, nunca está aberto a ouvir ou aceitar algo que não seja aquilo que entende por correcto na sua visão de mundo, causando cegueira parcial no indivíduo.

A ambição, esta última abrangendo a ignorância e o fanatismo, pois a característica de um ambicioso é que ele é tanto ignorante quanto fanático, possui dentro de si um forte desejo de alcançar algo, passando por cima de tudo e todos para alcançar o que ele tem por objectivo, normalmente o ambicioso não mede o que terá de ser feito para que consiga alcançar o que procura e dificilmente quando alcançar para, pois a ambição se torna um vício, pois o desejo de ter tudo a qualquer custo causa a obsessão deteriorando tudo e todos a volta, causando cegueira total no indivíduo.

Vemos na história de Hiram os três vícios, ou os três companheiros, que aguardam o mestre nas principais portas do templo, para que o mestre lhe dê a palavra secreta do grau, porém a resposta do mestre foi “trabalha, e obterás.” O templo referenciado no texto tem a conexão com o nosso templo interior, o corpo do homem, quando agimos pelos impulsos e vontades, colocando em evidência os três vícios ou os três companheiros, deixo que eles façam o trabalho sujo e saiam impunes, denegrindo o nosso corpo, imagem e todos aqueles que nos rodeiam. O livro mostra que não morremos quando, por motivos, nos deixamos agir com algum desses vícios, desde que deixemos que os três mestres, esses que buscaram a verdade, nos mostrem e corrijam os caminhos e acções, sendo eles o mestre saber, o mestre fé e o mestre Amor.

O saber, envolve a capacidade de entendimento, ele é importante para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo, trazendo consciência e sensatez nas suas decisões, cautela nas suas colocações e sabedoria no seu agir.

A fé, envolve a fidelidade a um propósito, a esperança em algo que se crê e que se acredita, é a condição de acreditar na verdade, mesmo que não a conheça ou esteja na sua busca, sem a fé a verdade torna-se uma alusão.

O amor, envolve os sentidos, envolve tudo que se movimenta, sendo portador desse sentimento nos pensamentos e atitudes tudo se torna mais verdadeiro, porém sem ele, o nosso corpo sucumbe, caindo nas garras da ignorância, fanatismo e ambição.

Os três mestres eliminam do corpo estes vícios, desde que não sucumbamos a cair neles de novo, de novo e de novo.

“O corpo é o templo de Deus vivo”,

cita o Mago Jefa, é nele que ocorre a manifestação dos vícios e virtudes, tudo agindo de acordo e sendo reflexo do nosso trabalho e das nossas acções.

O templo conforme a sua descrição histórica, é um local sagrado, de santidade, habitado por Deus. Quando referimos ao templo interno, a descrição não se muda, pois torna o nosso corpo um local sagrado e habitado por Deus.

Possuímos dentro de nós estes vícios, aqueles que controlamos e a todo o instante cavamos masmorras, mas sabemos que se formos falhos iremos sucumbir e deixar que eles nos consumam. Se isso ocorrer e estivermos com a ciência de que falhamos, os três mestres irão encher o nosso corpo com saber, fé e amor. Mas se formos ignorantes, fanáticos e ambiciosos a ponto de não conseguir controlar os vícios, é o momento de retirar o avental e repensar o propósito e sentido da vida, pois dentro do nosso templo interior somos aquilo que optamos por evidenciar, ou vícios ou virtudes, sempre irá vencer aquele que mais fortalecida estiver, ou seja, aquela que mais alimentarmos com as nossas atitudes ou pensamentos.

Por fim, o texto causa complexo entendimento, trazendo a referência do templo como um corpo, dos três companheiros como os vícios e dos três mestres como as virtudes. Trabalhemos incansavelmente o nosso saber, que é a fonte do conhecimento e que combate a ignorância, trabalhemos a nossa fé, que traz a segurança naquilo que cremos combatendo o fanatismo e que possamos transbordar de amor nas nossas vidas, para que nunca nos deixemos levar nem sucumbir pela ambição. Todas estas coisas sem nenhuma excepção são fundamentais para que o mestre cumpra o seu papel dentro e fora do templo, ou seja, no templo maçónico e no seu templo interior, buscando a todo o momento identificar e corrigir a ignorância, ou fanatismo e a ambição.

Mateus Hautt Nörenberg, C. M. – CIM nº 26414, ARLS Hiram Abiff nº 535, GORGS

Bibliografia

  • Do sexo à divindade – Adoum, Jorge

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