O código de cavalaria e os Ideais Maçónicos
Na Maçonaria, os irmãos são homens livres, de bons costumes e dedicados à edificação de um mundo melhor, espelho da perfeição procurada entre colunas.
Humanistas, e homens de fé os maçons sempre pugnaram pela justiça amparo e defesa dos mais fracos e desfavorecidos, bem como pelo auxilio aos mais desprovidos.
Na Cavalaria, o código regia a vida do cavaleiro, que era apenas digno desse título, se o seguisse e honrasse, melhorando-se a si próprio como homem, e ao mundo ao seu redor como elemento fulcral do seu contexto social e histórico.
O código de cavalaria, como o conhecemos hoje é datado da época carolíngia em França e definia as regras de conduta a serem seguidas pelo cavaleiro, que seriam as abaixo discriminadas:
- Ser temente a deus e contribuir para a manutenção da sua Igreja
- Servir o seu senhor com valor e fé
- Proteger os fracos e os incapazes de se defender
- Prestar auxílio a viúvas e órfãos
- Refrear-se de ofender deliberadamente os semelhantes
- Viver de forma honrada e digna de glória
- Desprezar as recompensas materiais
- Combater pelo bem-estar de todos
- Respeitar as autoridades
- Proteger a honra dos seus pares de cavalaria
- Escorraçar a injustiça, a maldade e a mentira
- Manter a fé
- Falar a verdade em todas as circunstâncias
- Ser perseverante
- Respeitar a honra feminina
- Nunca recusar o desafio de um igual, nem virar as costas a um adversário
Olhando com olhos de ver as obrigações contraídas pelo cavaleiro e os juramentos prestados perante Deus e os homens, aquando da cerimónia da espora e da espada, reconheceremos facilmente paralelos que nos tornam herdeiros deste modo de vida nobre, puro e devotado à elevação do mundo.
O Maçom, digno desse nome e do reconhecimento dos seus irmãos como tal, obriga-se a proteger a honra dos seus, a prestar auxilio aos desvalidos. Obriga-se por juramento a combater a injustiça, e a obscuridade em todas as suas formas.
Professa, como requisito de aceitação, a sua fé em Deus, ainda que esta fé possa ser dedicada a qualquer uma das suas faces. Respeita a honra e virtude femininas no apreço que lhes vota em Loja, compromete-se a socorrer as viúvas e órfãos e acima de tudo compromete-se indelével e inelutavelmente com a procura da verdade, com a disseminação da luz, com o combate ao engano, à maldade e a injustiça, com todas as suas armas e munido de uma inesgotável perseverança.
O código de cavalaria, foi celebrizado pelos mitos e lendas que nos chegam do folclore Arturiano.
Cavaleiros, homens bons e virtuosos, votados ao melhoramento da sociedade em que viviam, reunidos como iguais em torno de um círculo, uma mesa redonda, onde a cadeia de união fraterna era a base da acção dos cavaleiros que, embora liderados pelo rei, se sentavam como iguais, como irmãos.
Os cavaleiros, dignos desse nome, e do reconhecimento dos seus pares, baluartes da fé da virtude e da luz, encontram hoje paralelo na maçonaria e nos ideais que lutamos para manter vivos nesta sociedade crescentemente materialista e espiritualmente empobrecida.
O verdadeiro cavaleiro, justo, honrado e valoroso, encontra facilmente espelho no verdadeiro Maçom homem livre, de bons costumes temente a deus e defensor da luz.
Os paralelos entre a simbologia maçónica, a simbologia alquímica, e a mitologia associada á heráldica, bem como os rituais de iniciação e elevação do homem a uma condição / estado mais elevado de consciência e actuação no mundo, são um tema fascinante, que extravasa largamente o paralelismo de ideais que pode e deve ser considerado como a primeira de muitas pontes entre a nossa A∴ O∴ e a cavalaria medieval.
Essa busca é algo que todos os maçons, especialmente os ligados a ritos / regimes de cavalaria como o R∴ E∴ R∴, se devem dedicar, pois a via está no símbolo, e a cavalaria é rica em símbolos e mensagens que importa ser capaz de vislumbrar e entender.
C. E.
