O cargo de Mestre de Cerimónias
A Loja Simbólica é o alicerce do Templo Moral da Maçonaria.
É a escola primária para a formação dos Mestres e, entre estes, os que são elevados à proeminência dos postos administrativos.
Na Loja Simbólica é que aprendemos o que é Maçonaria e o que é ser Maçom.
Na Loja Simbólica é que os valores morais e intelectuais se manifestam para a preferência do merecimento e da confiança que são atributos dos Mestres. Estes atributos é que constituem ou deveriam constituir o critério na escolha e na distribuição dos diversos cargos que compõem a Nominata das Lojas.
Em Loja “todos os Irmãos são iguais” e com a exagerada distensão desse princípio, cada um se julga com o direito de ocupar qualquer cargo administrativo, sem uma prévia consulta à própria consciência, se possui ou não os requisitos exigidos pela liturgia, para completa exactidão de funções, a fim de que os trabalhos se executem na devida “ordem e perfeição”.
A Instituição, desde os seus primórdios, legou à posteridade o princípio de igualdade com que os Maçons se devem reconhecer. A compreensão deste princípio não pode ser tomada em carácter absoluto. A verdade está em que, em Loja não são reconhecidas as posições do mundo profano, em qualquer das múltiplas condições sociais em que estão seriadas.
Zoroastro que precedeu de séculos a era cristã, colocou o seguinte dístico no lugar onde fazia reuniões secretas para instruções dos seus discípulos:
Aqui não há senhores nem servos, ricos ou pobres: todos são iguais.
Os antigos Landmarks da Ordem, compilados pelos historiadores e estudiosos, são unânimes em que há uma condição geral para os que batem à porta do Templo Maçónico, em busca de admissão: Que sejam livres e de bons costumes. Esta exigência tem a dupla significação de liberdade e igualdade, e porque, a liberdade dentro da Lei e a igualdade devidamente compreendidas é que produzem a fraternidade.
A Fraternidade não pode ser imposta por leis ou regulamentos, mas por um sentimento espontâneo do coração; como a flor do campo, nasce, tem beleza e perfume.
Plantagenet afirma que “a igualdade não implica no nivelamento de valores” e, neste caso, a igualdade pode ser considerada abstracta.
Aquele que pauta a sua vida segundo os ditames morais dos Símbolos Maçónicos, concernentes aos Graus Azuis que formam a Maçonaria Universal, reconhecerá que em Loja os Irmãos se distinguem pela sabedoria, pelo trabalho e pela virtude. Estes são os Mestres indicados para as funções dos diversos cargos que, no seu complexo, dão beleza aos Trabalhos, estímulo para o progresso moral e intelectual da Fraternidade.
O dever do Mestre é ensinar aos ignorantes e corrigir os que erram, donde o corolário natural de que a Maçonaria é uma Escola de Moral.
Os Maçons em Loja, na plenitude dos seus deveres, não podem ultrapassar o círculo que delimita a Lei. A Lei é que especifica as funções de cada cargo e esse deve ser confiado a quem esteja realmente em condições de exercê-lo com brilho, com segurança, enfim, com perfeição, porque somente dessa forma a Loja tornar-se-á para os seus Obreiros, o ideal que os congregou, dando-lhes o espírito maçónico. Espírito maçónico é a Fé na Instituição, Amor, Justiça, Tolerância e dedicação para o seu progresso moral e espiritual. Espírito maçónico é a convicção que tem cada um, de construir um Templo dentro do seu próprio coração, para cultivar as virtudes que tornam o homem o artífice do Bem.
Os que atingirem este grau de relativa perfeição, sentirão, inevitavelmente, a responsabilidade do exercício dos Cargos, para demonstrarem desprendimento e a modéstia que é a virtude que emoldura a personalidade de cada um.
E, a primeira condição para a vida feliz de uma Loja, é a perfeição dos seus trabalhos, pois dela depende a paz, a harmonia e a dignidade dos que têm a verdadeira noção do Dever.
Como deve o Mestre de Cerimónias apresentar-se em Loja?
Com as insígnias inerentes do Grau e a Jóia característica do cargo.
Com o Bastão ou Vara, usados também pelos Diáconos.
São funcionários mensageiros ou arautos, conservando o cajado tradicional como símbolo de apoio à Lei ou obediência a que todo Maçom é obrigado.
Candido Figueiredo diz que o arauto é o encarregado de anunciar as funções públicas.
Além do Bastão, o Mestre de Cerimónias deve apresentar-se em Loja, com a Espada oposta ao quadril esquerdo. Na transmissão de ordens emanadas do Venerável Mestre e no cerimonial das Sessões Económicas, ele conduz o Bastão na mão direita. A Espada ele usará nas Cerimónias em que a liturgia a requer.
Quais as suas funções em Loja?
É o responsável pela direcção dos diversos trabalhos, como sejam:
- introdução dos visitantes;
- colocar os Irmãos no lugar que lhes correspondem ocupar, segundo os Graus que possuam ou dignidades que representem;
- unir a sua bateria à dos Irmãos visitantes dos oficiais e novos Iniciados;
- distribuição e recolhimento dos boletins ou esferas nas votações;
- levar ao Venerável, devidamente comprovadas, as Palavras de Ordem ou Semestral que tenham circulado nas Colunas;
- organizar as comissões litúrgicas determinadas pelo Venerável;
- deve ser consultado pela Oficina em tudo que tenha relação com o cerimonial;
- é de sua incumbência receber e acompanhar as deputações e os Irmãos visitantes, apresentando-os separadamente e por ordem de categoria, anunciando sempre os últimos, merecedores de honras maçónicas;
- à hora indicada para a abertura dos trabalhos, convidar os Irmãos para se decorarem convenientemente e formar uma dupla fila, de acordo com o Ritual, para acto contínuo anunciar a entrada no Templo com um golpe de Bastão;
- nas comunicações da Palavra Semestral e outras, deve colocar-se entre os Vigilantes para fechar a Cadeia de União e dar conta ao Venerável, quando esta lhe chegar; e, verificando se foi interrompida a cadeia, a fim de ser renovada;
- nos banquetes fiscalizar para que os dignitários e todos os demais Irmãos ocupem o seu respectivo lugar e, quanto aos visitantes, proceder de acordo com as instruções que receber do Venerável.
- deve estar em relações contínuas com todos os membros da Oficina e com os visitantes;
- antes do início das Sessões, deve visitar o Templo e verificar se está devidamente preparado principalmente para as Sessões;
O cargo de Mestre de Cerimónias deve ser confiado a um Irmão de trato ameno, que tenha facilidade de expressão.
Os seus passos devem ser moderados, demonstrando segurança das suas funções. Mestre de Cerimónias que trabalha correndo para demonstrar saber e prática, expõe-se ao ridículo e torna-se passível de censura. Aqui aparece a conhecida lição da sabedoria popular: “A pressa é inimiga do perfeição”.
Deve ter fisionomia grave, sem demonstrar, entretanto, que está constrangido, ou, pior ainda, esboçando sorrisos a todo o instante.
Durante os trabalhos, deve manter a vista para o Oriente a fim de que a um gesto do Venerável possa executar as suas ordens de carácter particular, para corrigir qualquer irregularidade.
Deve ter conhecimento completo do simbolismo, legislação, prática do seu uso, costumes, a fim de nas suas funções dar aos trabalhos o devido encanto e motivo de satisfação aos visitantes que levarão da Loja a melhor impressão.
Algumas Lojas dão um adjunto ao Mestre de Cerimónias. É uma medida acertada. Este será o sucessor natural na ausência ocasional do efectivo ou seu futuro substituto.
Eis tudo que se possa atribuir, de um modo geral, sobre as funções do Mestre de Cerimónias, a fim de que a Loja, por ocasião do acto electivo da sua administração, sinta a necessidade de fazer a distribuição dos cargos entre os mais aptos, pela cultura e pela experiência, sem inclinação para as preferências pessoais, origem de tantas dissensões que determinam a quebra da fraternidade e sobretudo a “política de grupos”.
A máxima preocupação dos Obreiros de uma Loja deve ser o seu progresso moral e intelectual. Quando isto obtiverem, terão merecido o mais grato salário espiritual.
Neste ponto terão na visão da Verdadeira Luz os sublimes princípios da tranquilidade do espírito, da Fraternidade que é o doce enlevo da dignidade de ser Maçom.
Fora disto, tudo é hipocrisia.
Os lugares mais quentes do inferno são reservados para aqueles que, num período de crise moral, conservam a neutralidade.
Dante
Edgar Antunes de Alencar
Bibliografia
- ALENCAR, Edgar Antunes de. O Cargo de Mestre de Cerimónias. A VERDADE, São Paulo, n. 2, p. 29-30, 1976.
