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O cargo de Mestre de Cerimónias

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✍️ Desconhecido 📅 16/01/2026 👁️ 0 Leituras

Colar de Mestre de Cerimónias
Colar de Mestre de Cerimónias

A Loja Simbólica é o alicerce do Templo Moral da Maçonaria.

É a escola primária para a formação dos Mestres e, entre estes, os que são elevados à proeminência dos postos administrativos.

Na Loja Simbólica é que aprendemos o que é Maçonaria e o que é ser Maçom.

Na Loja Simbólica é que os valores morais e intelectuais se manifestam para a preferência do merecimento e da confiança que são atributos dos Mestres. Estes atributos é que constituem ou deveriam constituir o critério na escolha e na distribuição dos diversos cargos que compõem a Nominata das Lojas.

Em Loja “todos os Irmãos são iguais” e com a exagera­da distensão desse princípio, cada um se julga com o direito de ocupar qualquer cargo administrativo, sem uma prévia consulta à própria consciência, se possui ou não os requisitos exigidos pela liturgia, para completa exactidão de funções, a fim de que os trabalhos se executem na devida “ordem e perfeição”.

A Instituição, desde os seus primórdios, legou à poste­ridade o princípio de igualdade com que os Maçons se de­vem reconhecer. A compreensão deste princípio não pode ser tomada em carácter absoluto. A verdade está em que, em Loja não são reconhecidas as posições do mundo profano, em qualquer das múltiplas condições sociais em que estão seriadas.

Zoroastro que precedeu de séculos a era cristã, colocou o seguinte dístico no lugar onde fazia reuniões secretas para instruções dos seus discípulos:

Aqui não há senhores nem servos, ricos ou pobres: todos são iguais.

Os antigos Landmarks da Ordem, compilados pelos historiadores e estudiosos, são unânimes em que há uma con­dição geral para os que batem à porta do Templo Maçónico, em busca de admissão: Que sejam livres e de bons costumes. Esta exigência tem a dupla significação de liberdade e igual­dade, e porque, a liberdade dentro da Lei e a igualdade devi­damente compreendidas é que produzem a fraternidade.

A Fraternidade não pode ser imposta por leis ou regula­mentos, mas por um sentimento espontâneo do coração; como a flor do campo, nasce, tem beleza e perfume.

Plantagenet afirma que “a igualdade não implica no nivelamento de valores” e, neste caso, a igualdade pode ser considerada abstracta.

Aquele que pauta a sua vida segundo os ditames morais dos Símbolos Maçónicos, concernentes aos Graus Azuis que formam a Maçonaria Universal, reconhecerá que em Loja os Irmãos se distinguem pela sabedoria, pelo trabalho e pela virtude. Estes são os Mestres indicados para as funções dos diversos cargos que, no seu complexo, dão beleza aos Traba­lhos, estímulo para o progresso moral e intelectual da Fraternidade.

O dever do Mestre é ensinar aos ignorantes e corrigir os que erram, donde o corolário natural de que a Maçonaria é uma Escola de Moral.

Os Maçons em Loja, na plenitude dos seus deveres, não podem ultrapassar o círculo que delimita a Lei. A Lei é que especifica as funções de cada cargo e esse deve ser confiado a quem esteja realmente em condições de exercê-lo com bri­lho, com segurança, enfim, com perfeição, porque somente dessa forma a Loja tornar-se-á para os seus Obreiros, o ideal que os congregou, dando-lhes o espírito maçónico. Espírito maçónico é a Fé na Instituição, Amor, Justiça, Tolerância e dedicação para o seu progresso moral e espiritual. Espírito maçónico é a convicção que tem cada um, de construir um Templo dentro do seu próprio coração, para cultivar as virtu­des que tornam o homem o artífice do Bem.

Os que atingirem este grau de relativa perfeição, senti­rão, inevitavelmente, a responsabilidade do exercício dos Cargos, para demonstrarem desprendimento e a modéstia que é a virtude que emoldura a personalidade de cada um.

E, a primeira condição para a vida feliz de uma Loja, é a perfeição dos seus trabalhos, pois dela depende a paz, a har­monia e a dignidade dos que têm a verdadeira noção do Dever.

Como deve o Mestre de Cerimónias apresentar-se em Loja?

Com as insígnias inerentes do Grau e a Jóia característi­ca do cargo.

Com o Bastão ou Vara, usados também pelos Diáconos.

São funcionários mensageiros ou arautos, conservando o cajado tradicional como símbolo de apoio à Lei ou obediên­cia a que todo Maçom é obrigado.

Candido Figueiredo diz que o arauto é o encarregado de anunciar as funções públicas.

Além do Bastão, o Mestre de Cerimónias deve apresentar-se em Loja, com a Espada oposta ao quadril es­querdo. Na transmissão de ordens emanadas do Venerável Mestre e no cerimonial das Sessões Económicas, ele conduz o Bastão na mão direita. A Espada ele usará nas Cerimónias em que a liturgia a requer.

Quais as suas funções em Loja?

É o responsável pela direcção dos diversos trabalhos, como sejam:

  1. introdução dos visitantes;
  2. colocar os Irmãos no lugar que lhes correspondem ocupar, segundo os Graus que possuam ou dignidades que representem;
  3. unir a sua bateria à dos Irmãos visitantes dos oficiais e novos Iniciados;
  4. distribuição e recolhimento dos boletins ou esferas nas votações;
  5. levar ao Venerável, devidamente comprovadas, as Palavras de Ordem ou Semestral que tenham circulado nas Colunas;
  6. organizar as comissões litúrgicas determinadas pelo Venerável;
  7. deve ser consultado pela Oficina em tudo que tenha relação com o cerimonial;
  8. é de sua incumbência receber e acompanhar as depu­tações e os Irmãos visitantes, apresentando-os separadamente e por ordem de categoria, anunciando sempre os últimos, merecedores de honras maçónicas;
  9. à hora indicada para a abertura dos trabalhos, convidar os Irmãos para se decorarem convenientemente e formar uma dupla fila, de acordo com o Ritual, para acto contínuo anunciar a entrada no Templo com um golpe de Bastão;
  10. nas comunicações da Palavra Semestral e outras, deve colocar-se entre os Vigilantes para fechar a Cadeia de União e dar conta ao Venerável, quando esta lhe chegar; e, verifican­do se foi interrompida a cadeia, a fim de ser renovada;
  11. nos banquetes fiscalizar para que os dignitários e to­dos os demais Irmãos ocupem o seu respectivo lugar e, quanto aos visitantes, proceder de acordo com as instruções que re­ceber do Venerável.
  12. deve estar em relações contínuas com todos os mem­bros da Oficina e com os visitantes;
  13. antes do início das Sessões, deve visitar o Templo e verificar se está devidamente preparado principalmente para as Sessões;

O cargo de Mestre de Cerimónias deve ser confiado a um Irmão de trato ameno, que tenha facilidade de expressão.

Os seus passos devem ser moderados, demonstrando segurança das suas funções. Mestre de Cerimónias que tra­balha correndo para demonstrar saber e prática, expõe-se ao ridículo e torna-se passível de censura. Aqui aparece a co­nhecida lição da sabedoria popular: “A pressa é inimiga do perfeição”.

Deve ter fisionomia grave, sem demonstrar, entretanto, que está constrangido, ou, pior ainda, esboçando sorrisos a todo o instante.

Durante os trabalhos, deve manter a vista para o Orien­te a fim de que a um gesto do Venerável possa executar as suas ordens de carácter particular, para corrigir qualquer irregularidade.

Deve ter conhecimento completo do simbolismo, legisla­ção, prática do seu uso, costumes, a fim de nas suas funções dar aos trabalhos o devido encanto e motivo de satisfação aos visitantes que levarão da Loja a melhor impressão.

Algumas Lojas dão um adjunto ao Mestre de Cerimónias. É uma medida acertada. Este será o sucessor natural na ausência ocasional do efectivo ou seu futuro substituto.

Eis tudo que se possa atribuir, de um modo geral, sobre as funções do Mestre de Cerimónias, a fim de que a Loja, por ocasião do acto electivo da sua administração, sinta a ne­cessidade de fazer a distribuição dos cargos entre os mais aptos, pela cultura e pela experiência, sem inclinação para as preferências pessoais, origem de tantas dissensões que determinam a quebra da fraternidade e sobretudo a “política de grupos”.

A máxima preocupação dos Obreiros de uma Loja deve ser o seu progresso moral e intelectual. Quando isto obtive­rem, terão merecido o mais grato salário espiritual.

Neste ponto terão na visão da Verdadeira Luz os subli­mes princípios da tranquilidade do espírito, da Fraternidade que é o doce enlevo da dignidade de ser Maçom.

Fora disto, tudo é hipocrisia.

Os lugares mais quentes do inferno são reservados para aqueles que, num período de crise moral, conservam a neutralidade.

Dante

Edgar Antunes de Alencar

Bibliografia

  • ALENCAR, Edgar Antunes de. O Cargo de Mestre de Cerimónias. A VERDADE, São Paulo, n. 2, p. 29-30, 1976.

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