Mortos que falam com os vivos
– Temos nós, maçons, a noção de que estamos “mortos”?
– Como assim…? “Mortos”?
– Sim!
– Temos, nós maçons, a noção verdadeiramente consciente de que simbólica e maçonicamente estamos “mortos”?
– Talvez não percebamos que estamos simbolicamente “mortos”, naturalmente porque ainda estamos fisicamente vivos, falando com maçons que estão vivos (mas que, na verdade,… já morreram)…
– A rigor, impossível o é sabermos o que é a “morte” física para nós, posto que ainda estamos vivos. Mas e quanto ao morrer? Não sabemos? Estamos a morrer fisicamente a cada instante, a cada fracção da vida…
– Temos a consciência de que verdadeiramente não sabemos o que é a morte (física) para nós mesmos, mas que conhecemos, outrossim, o morrer, assim como o viver, pois morremos a cada segmento de fracção de tempo vivido… e podemos ver isso facilmente nas nossas capacidades e características físicas, ou em fotos de outrora, ou mesmo deparando-nos com um olhar mais detido ao nosso próprio espelho… cotejando-se com o espelho das nossas reminiscências, com o espelho das nossas almas…
– Logo, para que percebamos e aprendamos esse sábio mistério, quantas vezes temos que morrer simbolicamente no trabalho de cantaria na nossa Sublime Arte? Quantas vezes precisamos morrer durante um processo contínuo de desbastar da nossa disforme Pedra Rugosa, Áspera e Bruta no nosso trabalho maçónico especulativo de cantaria?
– Há, efectivamente, um franco e sincero sentir de um novo ressuscitar que se processa nos nossos corações? Há um renascer nas mentes de um franco-maçom? Ressuscitamos realmente das profundezas dos nossos corações, das nossas “sepulturas”? Ressuscitamos das “escuridões de nossos túmulos”, dos nossos seres, para uma nova vida plena, sábia maçonicamente?
– Estas são apenas algumas reflexões que consideraria fundamentais para nós maçons… Teremos efectivamente a capacidade de entendê-las, processá-las, e traçar as nossas próprias respostas ao íntimo das nossas almas, aos nossos corações, a fim de melhorarmo-nos mais ainda e podermos melhor contribuir para nós mesmos; para o mundo maçónico e para a sociedade?
– Somente “mortos” para uma vida profana; renascidos para a, (e desejosos de) Luz; somente sendo “mortos” todos que fomos, mortos e renascidos novamente, é que podemos reflectir e abstrair as mais profundas lições de sabedoria espiritual para as nossas vidas (ou processos do morrer)…
– Há pelo menos, – como sabemos nós maçons, fundamentalmente 3 momentos “mori” ou mortes na vida de um Maçom, que somente ele, o “verdadeiro Maçom renascido”, aquele que tem consciência de que fala com os vivos profanos e com os “mortos” maçons que ainda vivem sabe: uma em que ocorre logo em sua Iniciação; outra, noutro grau de seu trabalho de mestria simbólico e, a terceira e derradeira morte…, a morte física terrena, partindo-se para o Oriente Eterno, que somente depois de devidamente preparados, estaremos abrindo e adentrando a esta celestial câmara, a do Oriente Eterno… experienciando mais um outro renascer que, certa, fatal e candidamente nos aguarda…
– Acredito que, preliminarmente, sem estas iniciais considerações e a assunção das nossas consciências; sem profundas reflexões dos nossos íntimos sobre o viver, sobre o morrer, sobre a vida, a morte, e o renascer, todas as demais coisas serão e estarão superficiais e em vão… Sem estas consciências, inclusive, nunca teremos a real condição ou capacidade de ler e aprender com profundidade sobre o que realmente nos querem dizer os nossos símbolos, alegorias, instruções de sabedoria maçónicas e os nossos rituais… sobre o que viemos aqui fazer…
– Em verdade, o Maçom é, sim, simbolicamente, o “morto” para o mundo profano e que “renasce” para uma nova vida; para a Luz, e, fatalmente, num mundo de vanidades, como sabiamente orienta o livro de Eclesiastes, (“Vaidade, vaidade das vaidades, tudo vaidade, nada mais que vaidades”),… e morre-se novamente para uma “outra nova vida espiritualmente ressuscitada”, a espera, com um melhor acrisolar-se através das Esperança, Fé e Caridade, a mais um “desfecho espiritual”; o do fim físico, e um outro, o de mais um novo ciclo; o de mais um novo recomeço espiritual, desta feita, no Oriente Eterno.
– Assim seja!
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
