Freemason

Loja Athanor: 23 pessoas julgadas no tribunal de Paris

Compartilhar:
✍️ Desconhecido 📅 17/08/2025 👁️ 0 Leituras

paris, athanor

Tudo começou em Julho de 2020, quando um morador denunciou a presença suspeita de um Renault Clio preto numa rua de Créteil (Val-de-Marne). No interior, dois homens armados – militares destacados para a Direction Générale de la Sécurité Extérieure (DGSE) – são detidos: trata-se dos seus mandatários, encarregados do que parece ser um contrato de assassinato. Esta detenção fortuita dá início a uma investigação sobre uma complexa rede criminosa.

Actores-chave: a loja Athanor no centro da rede

No centro deste caso está a loja maçónica Athanor, sediada em Neuilly-sur-Seine, afiliada à Grande Loja da Aliança Maçónica Francesa (GL-AMF). Dois membros influentes desta loja, Frédéric Vaglio (antigo jornalista que se tornou dirigente de uma empresa de segurança privada) e Daniel Beaulieu (antigo membro da DCRI / DGSI), formavam uma dupla central. Vaglio desempenhava o papel de “comercial”, enquanto Beaulieu assegurava a parte “operacional” dos contratos.

Os executantes: DGSE e intermediários

Os contratos eram executados por:

  • Dois agentes da DGSE destacados para a vigilância de um campo (Loiret), identificados pelos pseudónimos Adelar e Dagomar. Não pertencem ao serviço de acção, mas são guardas reconvertidos.
  • Um intermediário declarado, Sébastien Leroy, executor principal sob as ordens da dupla da loja.
  • Vários outros agentes ou ex-agentes dos serviços secretos (DGSE, DGSI), polícias e prestadores de serviços diversos (armas, ficheiros, documentos falsos, etc.).

Os crimes, contratos e alvos

Os investigadores identificaram pelo menos sete “contratos” criminosos planeados pela célula Athanor: desde a simples vigilância até à agressão física e mesmo ao assassinato.

Vítimas e projectos identificados:

  • Laurent Pasquali, piloto de rali, morto no final de 2018 e enterrado na floresta (Haute-Loire) por uma dívida de dinheiro.
  • Marie-Hélène Dini, formadora empresarial, vítima de um projecto de assassinato disfarçado de missão do Estado; ela escapou por pouco da tentativa.
  • Um sindicalista da CGT de Ain, considerado incómodo, alvo de um contrato.
  • Um presidente da câmara de Val-de-Marne, cujo assassinato deveria ser disfarçado como acidente.
  • Além disso, outros alvos, como concorrentes profissionais e personalidades políticas.

Investigação, acusação e julgamento

  • A investigação, iniciada em Julho de 2020, resultou na acusação de 23 pessoas – homens e mulheres, com idades entre 28 e 72 anos – pelo seu envolvimento nessa célula criminosa.
  • O Ministério Público de Paris solicitou o envio a julgamento de 22 dos acusados.

Reacções das obediências maçónicas

  • A Grande Loja Nacional Francesa referiu que alguns suspeitos fizeram parte dela entre 2009 e 2012, sem terem ocupado cargos importantes, expressando a sua indignação diante desses actos.
  • O Grande Oriente de França reafirmou que não tinha qualquer ligação com a loja Athanor, ao mesmo tempo que salientou o respeito pela presunção de inocência e denunciou a estigmatização da Maçonaria.
  • A GL-AMF, obediência de Athanor, anunciou o encerramento da loja em Fevereiro de 2021 e a suspensão dos membros envolvidos até ao final da investigação.

Testemunhos e confidências

Um dos executantes, Sébastien L., descreveu o desenrolar de uma das agressões (provavelmente contra Dini):

Daniel entregou-me este contrato… vesti-me como um entregador de pizza… agredi a Sra. Dini…” Reddit

Outros relatos mencionam trocas codificadas entre membros da loja, incluindo agentes da DGSE, partilhando informações confidenciais.

Redacção do Blog 450.fm

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

Notícias relacionadas

Sugestões de Estudo