Loja Athanor: 23 pessoas julgadas no tribunal de Paris
Tudo começou em Julho de 2020, quando um morador denunciou a presença suspeita de um Renault Clio preto numa rua de Créteil (Val-de-Marne). No interior, dois homens armados – militares destacados para a Direction Générale de la Sécurité Extérieure (DGSE) – são detidos: trata-se dos seus mandatários, encarregados do que parece ser um contrato de assassinato. Esta detenção fortuita dá início a uma investigação sobre uma complexa rede criminosa.
Actores-chave: a loja Athanor no centro da rede
No centro deste caso está a loja maçónica Athanor, sediada em Neuilly-sur-Seine, afiliada à Grande Loja da Aliança Maçónica Francesa (GL-AMF). Dois membros influentes desta loja, Frédéric Vaglio (antigo jornalista que se tornou dirigente de uma empresa de segurança privada) e Daniel Beaulieu (antigo membro da DCRI / DGSI), formavam uma dupla central. Vaglio desempenhava o papel de “comercial”, enquanto Beaulieu assegurava a parte “operacional” dos contratos.
Os executantes: DGSE e intermediários
Os contratos eram executados por:
- Dois agentes da DGSE destacados para a vigilância de um campo (Loiret), identificados pelos pseudónimos Adelar e Dagomar. Não pertencem ao serviço de acção, mas são guardas reconvertidos.
- Um intermediário declarado, Sébastien Leroy, executor principal sob as ordens da dupla da loja.
- Vários outros agentes ou ex-agentes dos serviços secretos (DGSE, DGSI), polícias e prestadores de serviços diversos (armas, ficheiros, documentos falsos, etc.).
Os crimes, contratos e alvos
Os investigadores identificaram pelo menos sete “contratos” criminosos planeados pela célula Athanor: desde a simples vigilância até à agressão física e mesmo ao assassinato.
Vítimas e projectos identificados:
- Laurent Pasquali, piloto de rali, morto no final de 2018 e enterrado na floresta (Haute-Loire) por uma dívida de dinheiro.
- Marie-Hélène Dini, formadora empresarial, vítima de um projecto de assassinato disfarçado de missão do Estado; ela escapou por pouco da tentativa.
- Um sindicalista da CGT de Ain, considerado incómodo, alvo de um contrato.
- Um presidente da câmara de Val-de-Marne, cujo assassinato deveria ser disfarçado como acidente.
- Além disso, outros alvos, como concorrentes profissionais e personalidades políticas.
Investigação, acusação e julgamento
- A investigação, iniciada em Julho de 2020, resultou na acusação de 23 pessoas – homens e mulheres, com idades entre 28 e 72 anos – pelo seu envolvimento nessa célula criminosa.
- O Ministério Público de Paris solicitou o envio a julgamento de 22 dos acusados.
Reacções das obediências maçónicas
- A Grande Loja Nacional Francesa referiu que alguns suspeitos fizeram parte dela entre 2009 e 2012, sem terem ocupado cargos importantes, expressando a sua indignação diante desses actos.
- O Grande Oriente de França reafirmou que não tinha qualquer ligação com a loja Athanor, ao mesmo tempo que salientou o respeito pela presunção de inocência e denunciou a estigmatização da Maçonaria.
- A GL-AMF, obediência de Athanor, anunciou o encerramento da loja em Fevereiro de 2021 e a suspensão dos membros envolvidos até ao final da investigação.
Testemunhos e confidências
Um dos executantes, Sébastien L., descreveu o desenrolar de uma das agressões (provavelmente contra Dini):
“Daniel entregou-me este contrato… vesti-me como um entregador de pizza… agredi a Sra. Dini…” Reddit
Outros relatos mencionam trocas codificadas entre membros da loja, incluindo agentes da DGSE, partilhando informações confidenciais.
Redacção do Blog 450.fm
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)