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História da Grande Loja Nacional Francesa (GLNF)

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✍️ Desconhecido 📅 07/10/2025 👁️ 1 Leituras
Grande Loja Nacional Francesa
Grande Loja Nacional Francesa

Em 1913, a Grande Loja Nacional Francesa (GLNF), então denominada Grande Loja Nacional Independente e Regular para a França e as Colónias Francesas (GLNIR), nasceu com uma cultura internacional, aberta ao mundo e à pluralidade.

É muito importante compreender que foi para se referir imediatamente aos princípios universais da maçonaria internacional que a GLNIR (que se tornou GLNF após a Segunda Guerra Mundial) foi fundada, distanciando-se dos particularismos hexagonais desenvolvidos pelo Grande Oriente da França.

Em 3 de Dezembro de 1913, durante a reunião trimestral que deu origem à sua “Comunicação Trimestral”, o Grande Secretário da Grande Loja Unida de Inglaterra (UGLE), Sir Edward Lechworth, leu uma mensagem solene do Grão-Mestre, o duque de Connaught:

“Confrontado com uma proibição formal do Grão-Mestre do Grande Oriente da França de trabalhar em nome do Grande Arquitecto do Universo, um corpo de maçons da França resolveu, fiel aos seus compromissos maçónicos, manter os verdadeiros princípios e doutrinas e uniu várias Lojas numa “Grande Loja Nacional Independente e Regular” para a França e as colónias francesas.
.
Este novo corpo dirigiu-se a mim solicitando que fosse reconhecido pela Grande Loja Unida de Inglaterra e, tendo recebido a garantia de que se compromete a aderir aos princípios da Maçonaria que consideramos fundamentais e essenciais, dei com alegria o meu consentimento ao estabelecimento de relações fraternas e ao intercâmbio de representantes”.

Esta primeira e forte relação internacional deu origem à prática do Rito Escocês Rectificado, nascido em França no século XVIII e, na época, ainda praticado na Suíça, e muito rapidamente à prática dos ritos anglo-saxónicos Emulação e York.

A criação da Loja França em Londres e o vector internacional das Lojas Militares

Enquanto a Primeira Guerra Mundial poderia ter sido fatal para a obediência nascente, a criação em solo francês, por militares britânicos, das Lojas Militares foi um factor importante para a cultura internacional da obediência desde os seus primeiros anos de existência. No entanto, a Irlanda demorou até Maio de 1925 para conceder o reconhecimento à GLNIR, devido ao seu número reduzido de membros.

Em 1929, a declaração da UGLE sobre os “Princípios Básicos” da Maçonaria regular foi um acelerador. A adopção dos “Princípios Básicos” como regra convergente por todas as Grandes Lojas Regulares consolidou as bases de uma rede internacional homogénea, na qual a GLNF se inscreveu de facto. São estes “Princípios Básicos” que os Irmãos da GLNF se comprometem a respeitar.

Após esta declaração de 1929 e o reconhecimento das Três Grandes Lojas britânicas, a GLNIR estabeleceu relações internacionais com todas as Grandes Lojas da Commonwealth. As sete Grandes Lojas do Canadá, bem como as seis Grandes Lojas australianas e a Nova Zelândia, concordaram em trocar garantias de amizade com a GLNIR. Por outro lado, na Europa e nos Estados Unidos, a GLNIR deparou-se com a forte implantação histórica da Grande Loja de França (GLdF), que praticava o Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA) e era poderosamente apoiada pelo seu Supremo Conselho (o segundo maior do mundo, depois do da jurisdição sul da América do Norte). Em 1937, a GLdF era reconhecida por 62 Obediências, incluindo 12 Grandes Lojas europeias e 36 americanas. A título de comparação, em 1939, 37 Grandes Lojas estrangeiras reconheciam a GLNIR, incluindo oito Grandes Lojas americanas e seis Grandes Lojas europeias.

Após a Segunda Guerra Mundial, entre 1952 e 1964, a criação de cerca de vinte Lojas ligadas à presença de militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), bem como o declínio internacional da GLdF, favoreceram a influência da GLNF nas Grandes Lojas americanas. O tratado celebrado entre o Grande Oriente de França (GOdF) e a GLdF em 1964 marcou o declínio internacional desta última e precipitou a retirada do reconhecimento que ainda lhe era concedido por um grande número de Grandes Lojas americanas. Esta mudança foi acompanhada pela cisão do Supremo Conselho da França (SCdF) para o REAA e pela criação do Supremo Conselho para a França (SCpF), que estabeleceu relações de amizade com a GLNF.

O novo Supremo Conselho ligado à GLNF foi imediatamente reconhecido pelos Supremos Conselhos americanos como o verdadeiro Supremo Conselho, fiel à Ordem e à sua Tradição histórica. Sob a impulsão de Nat Granstein, figura importante da Segunda Guerra Mundial, a GLNF conheceu então um grande desenvolvimento dos seus tratados de amizade com a maioria das Grandes Lojas Regulares na América do Norte e na Europa.

A partir dessa época, a GLNF foi reconhecida como a única obediência regular no território francês. No entanto, em 1970, ainda contava com apenas 4000 membros. Conheceu um desenvolvimento regular até ao final do milénio, contando com 27 000 membros no ano 2000. A partir dos anos 70, a GLNF participou na implantação da Maçonaria regular na Península Ibérica.

A criação de distritos em Espanha e depois em Portugal levou à criação de uma Grande Loja em cada um desses dois países. A GLNF também empreendeu uma acção de sensibilização dos chefes de Estado do continente africano sobre os benefícios que a Maçonaria poderia trazer aos seus países.

A consagração das Grandes Lojas, nomeadamente do Gabão, Costa do Marfim, Burquina Faso, Senegal, Togo, Benim, Madagáscar, Guiné, Mali, Marrocos, Jibuti e Camarões, foi o resultado dessa acção. A partir da década de 90 e da queda da União Soviética, a Maçonaria regular progrediu nos países da Europa Central e Oriental.

Nada menos que 14 novas Grandes Lojas surgiram, numa memória maçónica inexistente ou apagada. As Grandes Lojas regulares experientes ofereceram-lhes a sua ajuda. A GLNF participa nos encontros e consagra, por sua vez, várias Grandes Lojas, nomeadamente na Polónia, na Rússia, na Arménia e na Ucrânia (em 2005, no caso desta última, em conjunto com a Grande Loja da Áustria), para não mencionar o caso do Irão, cuja Grande Loja em exílio acolhe, depois de ter criado o Distrito, 30 anos antes.

Em 2007, a Grande Loja Unida de Inglaterra organizou a primeira reunião de todos os Grão-Mestres de todas as Grandes Lojas reconhecidas como regulares na Europa e foi decidido que a reunião seguinte entre todos os secretários das mesmas Grandes Lojas se realizaria em Paris. A partir de 2002, a GLNF estende o seu reconhecimento à América Latina, consolida a sua posição em África, no Oceano Índico, e cria duas Lojas na Ásia-Pacífico.

A GLNF está presente e activa em todo o mundo. Ela estabelece relações de amizade com as Grandes Lojas sul-americanas e torna-se membro, na zona II das Caraíbas, da poderosa Confederação Maçónica Interamericana (CMI), que reúne as Grandes Lojas da América Latina. Ao mesmo tempo, preocupa-se em regularizar as relações de amizade com todas ou parte das Grandes Lojas presentes no México e no Brasil.

No continente africano, integra-se na Conferência das Grandes Lojas, é acompanhada pela Grande Loja da África do Sul e, em seguida, é escolhida para organizar uma reunião anual das Grandes Lojas africanas.

Em Novembro de 2006, a GLNF organizou em Paris a VIII Conferência Mundial das Grandes Lojas Maçónicas, para a qual foram convidadas 196 Grandes Lojas Regulares.

Entre 1997 e 2007, a GLNF participou na consagração de 11 Grandes Lojas e reconheceu 36 (8 em África, 4 na América do Norte, 7 na América Central e do Sul e 17 na Europa). Entre 2008 e 2010, assume o seu lugar participando na maioria dos eventos maçónicos importantes em todo o mundo.

Entre 2010 e 2012, a situação de crise da GLNF foi acompanhada com muita atenção pelas Grandes Lojas Regulares.

Entre as 170 Grandes Lojas com as quais a GLNF mantinha reconhecimento recíproco, cerca de cinquenta consideraram que a situação de graves perturbações internas e conflitos com que a GLNF se confrontava justificava a suspensão das suas relações ou do seu reconhecimento, ou mesmo a retirada deste último.

Em Dezembro de 2012, a eleição do novo Grão-Mestre marcou o fim da crise para a GLNF. Esta eleição permitiu o reinício de uma actividade internacional sustentada, manifestada pela presença e intervenção do Grão-Mestre em vários eventos maçónicos importantes. Após a celebração do centenário da obediência em 2013, o restabelecimento internacional da GLNF começou com uma vasta onda de retorno do reconhecimento por parte de Grandes Lojas muito importantes, como a Grande Loja do Brasil ou a do Distrito de Columbia (Washington D.C.). A consagração ocorreu em 2014, com o restabelecimento dos laços de amizade entre as Grandes Lojas britânicas e a GLNF, seguido do restabelecimento do reconhecimento de cinco Grandes Lojas europeias, que por um tempo se deixaram seduzir pela aventura de uma Confederação Maçónica Francesa criada em torno da GLdF.

A GLNF voltou a ser hoje uma Grande Loja de referência no meio das Grandes Lojas regulares, mais particularmente na Europa continental.

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