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Frederico II

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✍️ Desconhecido 📅 08/01/2026 👁️ 1 Leituras

Frederico II (1712 – 1786)
Frederico II (1712 – 1786)

O presente trabalho tem por objectivo trazer de forma sucinta quem foi Frederico II da Prússia, também conhecido como Frederico II, O Grande. Patrono da cadeira 21 da academia de letras maçónicas do Rio Grande do Sul, a qual no dia de hoje, aos 4 dias de Outubro do ano de 2025, me coloco preparado para tomar posse.

Nascido aos 24 dias de Janeiro do ano de 1712, Frederico II, foi um importante nome para história da Prússia, unificando terras e instituindo direitos ao povo.

Desde muito cedo, Frederico acompanhava os movimentos do exército, não que isso fosse algo que o pequeno príncipe gostasse, mas fazia para ter a aprovação do seu pai. Sempre manteve um relacionamento distante do pai, que na maior parte do tempo se apresentava com uma postura ríspida e autoritária, então, quando atingiu a maioridade, arquitectou um plano de fuga. Esta tentativa de fuga, frustrada, descoberta pelo rei, rendeu-lhe um duro castigo, foi mantido encarcerado, humilhado e uma das consequências mais severas foi a execução do seu amigo Hans Hermann Von Kette, frente aos seus olhos, como forma de punição, haja vista que Hans era uma das raras pessoas que Frederico mantinha contacto fora do ambiente da corte.

Ainda aos 18 anos, Frederico iniciou os seus serviços na câmara dos domínios, um local onde eram debatidos variados temas do estado, como economia, comércio, leis e impostos. Ali permaneceu por dez anos, onde redigia cartas e aprofundava o seu conhecimento por meio de lições práticas de governo – aprendendo directamente os negócios do Estado e a dinâmica de comportamento dos membros do conselho.

No ano de 1733, casou-se com Isabel Cristina de Brunswick-Bevern, um matrimónio arranjado, orientado por conveniências políticas. Em 1740, com o falecimento do seu pai, Frederico Guilherme I, Frederico II iniciou o seu reinado, marcando o começo de uma nova era para a região da Prússia. Embora rodeado de muitos amigos, Frederico limitava-se a oferecer-lhes atenção, tendo consciência de que tal proximidade poderia envolver interesses pessoais. Tão logo assumiu o trono, o novo rei dedicou-se à criação de infantarias e batalhões. O seu primeiro evento militar ainda no ano de 1740, foi a guerra da Silésia. Em 1756, travou-se a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), uma longa batalha, que se originou na disputa territorial novamente da Silésia. Diante disso, a Prússia necessitou fazer algumas alianças estratégicas para enfrentar o conflito. Mesmo com dificuldades, o seu exército venceu a Guerra dos Sete Anos, enfrentando, simultaneamente, a França, a Áustria e a Rússia. Esta vitória fez com que Frederico II fosse reconhecido como um Rei-Soldado e excelente estrategista militar.

Ao fim da guerra dos sete anos, ainda no ano de 1763, Frederico instituiu a primeira lei escolar prussiana, onde tratava do direito e da obrigatoriedade de ensino para todos, responsabilizando e punindo os tutores em caso de descumprimento.

Para os camponeses, o monarca foi de extrema importância, pois aboliu as corveias feudais, que era a obrigatoriedade do trabalho de forma gratuita ao feudo, ou seja, trabalho escravo, juntamente com a proibição de torturas, uma prática comum na época.

Como forma de aumentar o efectivo do exército e manter forte as suas tropas, Frederico instituiu na Prússia a obrigatoriedade do serviço militar. No âmbito religioso, durante o seu reinado, decretou a tolerância religiosa, determinando que qualquer que fosse a denominação, fosse aceita e respeitada por todos.

A região da Prússia neste período era muito pantanosa, com terrenos alagadiços, lamacentos e húmidos, o que forçou o rei a trabalhar em modernizações dos aspectos em torno da agricultura. As drenagens dos campos formam um ponto crucial do estado, o que possibilitou que camponeses da própria Prússia ou das regiões de fora viessem trabalhar ali, tornando a região mais próspera para o cultivo e para o comércio do estado.

Frederico era escritor e músico, foi amigo pessoal de Voltaire, um filósofo e escritor iluminista, que, igual a Frederico, defendia os princípios de liberdade. Voltaire foi o responsável pela correcção do livro de Frederico, chamado nos dias de hoje de Anti Maquiavel, mas que na ocasião, quando o recebeu sem título, intitulou como ensaio de crítica sobre Maquiavel.

Em 1747, em Potsdam, Frederico II foi agraciado com um encontro com Johann Sebastian Bach, proporcionado por Carl Philipp Emanuel Bach – filho de Johann e cravista da corte prussiana por cerca de três décadas. Na ocasião, Frederico apresentou um tema musical a Bach, que, posteriormente, compôs e lhe dedicou a Oferenda Musical – uma colecção de cânones, fugas e outras formas musicais baseadas no referido tema proposto pelo monarca. Esta colecção chegou às mãos do Rei em 7 de Maio de 1747, deixando-o lisonjeado pela homenagem prestada por este ilustre ícone da música clássica.

Para com as letras, Frederico apoiou escritores, artistas e filósofos da época, instituindo a liberdade total de literatura e imprensa. O rei acreditava que essa liberdade, além de enriquecer e dinamizar a escrita, era um meio de impulsionar a ascensão do estado.

A sua vida maçónica se inicia aos 14 dias de Agosto do ano de 1738, aos 26 anos, permanecendo escondido da corte. “Este facto foi mantido em absoluto e indevassável segredo, até que Frederico subiu ao trono, quando então não fez mais mistérios da sua qualidade maçónica, pelo contrário, começou a proteger e favorecer a ordem ostensivamente e ocupou-se da sua reorganização” (ALENCAR, RENATO – ENCICLOPÉDIA HISTÓRICA DO MUNDO MAÇÓNICO).

A Maçonaria estava ligada às ideias do iluminismo, com as suas visões de liberdade, e ao mesmo tempo confrontava a forte oposição da igreja católica que se firmava nos países europeus.

Os últimos dias de Frederico foram marcados por doenças, sofria de gota e de espirelas, uma infecção na pele. No ano de 1785, aos 73 anos, Frederico encontrava-se gravemente doente, passando as noites na sua poltrona e sendo constantemente visitado por médicos. Conforme relato da época: “Zimmermann examinou o doente. A tez estava cerosa, as mãos pálidas e secas, as pernas inchadas até as coxas e cheias de água, o ventre rijo, alta a febre e, dias depois, escarrava sangue” (GAXOTE, PIERRE – FREDERICO II, PÁGINA 456).

Frederico II, O Grande, partiu aos 17 dias de Agosto do ano de 1786, no seu palácio de Sanssouci, em Potsdam, sem deixar descendentes herdeiros.

Por fim, a vida de Frederico II da Prússia foi marcada por lutas, para com os ideais de liberdade, trazendo dignidade e igualdade aos que sofriam escravidão. O rei forjou a legenda de rei filósofo, dedicando-se até aos seus últimos dias as letras, mesmo nos seus momentos mais difíceis e tinha sempre ao seu entorno homens letrados. O seu legado se mantém vivo, com livros, músicas e lojas que lhe homenagearam.

Mateus Hautt Nörenberg, M. M.

[CIM 26414] é membro regular da ARLS Hiram Abiff, nº 535 e da ARLS Hipólito José da Costa, nº 410 – Oriente de Porto Alegre – Jurisdição Grande Oriente do Rio Grande do Sul – GORGS.

Escritor e membro da AMLERS (academia maçónica de letras do Rio Grande do Sul) – cadeira 21, patrono Frederico II

Bibliografia citada no resumo

  • Gaxotte, Pierre – Frederico II, O criador da Prússia
  • Alencar, Renato – Enciclopédia da história do mundo maçónico

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