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Formação – Os Cargos e as suas Jóias (II)

✍️ Desconhecido 📅 13/05/2021 👁️ 8 Leituras
colar de orador, jóia
Colar de Orador

(Continuação – ligação para a parte I)

Orador

É o guardião da lei e, ainda, responsável pela expressão da Verdade, pois é orientado pelo GADU para ser o porta-voz das boas-vindas e o dominador das escritas, com o objectivo de fiscalizar a Justa e Perfeita aplicabilidade das Normas Maçónicas.

A sua Jóia é um livro aberto. Deve possuir muita experiência maçónica para tecer opiniões sobre a legalidade de actos e factos jurídicos que se apresentam diante da Loja.

O Orador ou Guarda da Lei é investido no dever de zelar e fiscalizar o cumprimento rigoroso das Leis Maçónicas e dos Rituais. Daí ser a única Dignidade que, na ordem administrativa da Loja Maçónica, não compõe o Poder Executivo, sendo, um Membro do Ministério Público da Potência.

A atribuição deste Título implica no conhecimento profundo das leis, regulamentos e dos particulares do ofício, e, como assessor do Venerável-Mestre, pode a este solicitar directamente a palavra. Como Guarda da Lei e tendo como uma das suas atribuições “trazer luzes” para uma dúvida de ordem legal, não é sem razão que o Sol, simbolicamente, está do lado do Orador.

O Livro Aberto é a sua Jóia, que nos faz lembrar de que nada estará escondido ou em dúvida. Simboliza o conhecedor da tradição do espírito maçónico, o guardião da Lei Magna Maçónica, dos Regulamentos e dos Ritos.

Compete ao Orador:

  1. observar, promover e fiscalizar o rigoroso cumprimento das Leis Maçónicas e dos Rituais;
  2. cumprir e fazer cumprir os deveres e obrigações a que se comprometeram os Membros da Loja, à qual comunicará qualquer infracção e promoverá a denúncia do infractor;
  3. ler os textos de leis e decretos, permanecendo todos sentados;
  4. verificar a regularidade dos documentos maçónicos que lhe forem apresentados;
  5. apresentar as suas conclusões no encerramento das discussões, sob o ponto de vista legal, qualquer que seja a matéria;
  6. opor-se, de ofício, a qualquer deliberação contrária à lei e, em caso de insistência na matéria, formalizar denúncia ao Grão Mestrado directamente ou ao poder competente;
  7. manter arquivo actualizado de toda a legislação maçónica;
  8. assinar as actas da Loja, tão logo sejam aprovadas;
  9. acatar ou rejeitar denúncias formuladas à Loja, representando aos Poderes constituídos. Em caso de rejeição, recorrer de ofício a Instancia Competente.

Secretário

É o que reflecte as conclusões legais do Orador, responsabilizando-se para gravar à eternidade dos factos acontecidos em Loja, de forma fria e exacta, controlando com rigidez a ordem dos processos e zelando pela documentação dentro das Normas Maçónicas. A sua Jóia simbólica é Duas Penas Cruzadas, pois é o escrivão da Loja.

Colar de Secretário
Colar de Secretário

O Secretário, auxiliar directo do Venerável Mestre, é o responsável pelos registros dos trabalhos em loja, para assegurar que serão passadas à posteridade todas as ocorrências; por esta razão lhe ser confiado o dever de lavrar as actas das sessões da Loja nos respectivos livros, manter actualizados os arquivos, além de outras atribuições próprias do cargo, que são em grande número. Assim como a lua, um símbolo desse cargo, deverá reflectir o que ocorre em loja. A Jóia do Secretário é representada por Duas Penas Cruzadas, sabendo todos da utilidade antiga da pena como instrumento de escrita e, sendo duas penas cruzadas, asseguram que haja a ligação do passado com o presente, a tradição que registrará a “memória” da loja para a posteridade.

O Secretário registra a HISTÓRIA DA MAÇONARIA.

Acontecimentos e decisões que ocorrem em Loja ficam consignados com objectividade e clareza nos seus balaústres, todas as ocorrências dos trabalhos da sua Loja, para a sua Memória e da Maçonaria. Ele é o espelho de uma Loja; reflecte o passado e o presente. E o futuro? O futuro é o topo da Coluna do Norte, onde tomam assento os Irmãos Aprendizes.

Uma Coluna do Norte cheia de Aprendizes dá-nos a perfeita noção de como uma loja se está a comportar, progredindo ou ruindo.

Também por meio destes aprendizes podemos adivinhar o futuro de uma Loja Maçónica e profetizar sobre os seus destinos. E observando-os podemos pressentir, ver e profetizar para a Loja, um futuro risonho e feliz, alegre e fraterno.

É um cargo de confiança do Venerável Mestre, da sua livre escolha, eminentemente administrativa e com ele deve manter estrita sintonia.

O Secretário pede a palavra ao Venerável do seu próprio local. É o irmão autorizado a receber, abrir e responder toda a correspondência da Loja. Toda vez que não possa comparecer aos Trabalhos, deverá enviar o Livro das actas e Expediente a fim de que, evitados os atrasos, não sejam por sua causa embaraçadas as soluções de problemas.

Planeamento das actividades – Numa Loja com administração planeada, coordenada e controlada, nenhum membro terá mais nem menos trabalho físico ou intelectual que outro, assim como não haverá trabalho mais nem menos importante que outro, que enalteça ou desmereça mais ou menos os seus executores. Cada sector é tão importante quanto o conjunto deles todos e a falha em qualquer dos sectores compromete este conjunto.

É o redactor dos balaústres pranchas e colunas gravadas da Loja. Deve saber sintetizar tudo em bom vernáculo. Dele depende o bom e rápido andamento de todos os expedientes acerca de correspondência e dos trabalhos litúrgicos. Deve possuir qualidades imprescindíveis como: assiduidade, competência, responsabilidade, discrição e organização.

Acta ou Balaústre – designa a narração, por escrito, de tudo aquilo que ocorreu numa sessão, numa assembleia, numa reunião, numa cerimónia. Todas as Sessões Maçónicas são registradas em acta, que, em Maçonaria, é chamada de balaústre. Citando o caríssimo e iluminado Irmão Sérgio Quirino Guimarães: “Os registros do Secretário são “frios” não cabem sentimentos, é simplesmente a realidade do que ocorreu. O outro aspecto é o tal do “Por unanimidade”, este, talvez, seja o único pleonasmo maçónico. A Sublime Ordem é uma Instituição onde todos estão impregnados do mesmo espírito e trabalham juntos como um todo indiferenciado.

Não há na Maçonaria o MAIS ou MENOS. A concordância dos Irmãos em permanecer juntos é a aprovação, não há “mais que aprovado” ou “menos que aprovado”. Finalizando, peço a atenção dos Irmãos sobre a frase: “assinado por quem de direito”; os documentos oficiais devem ter a assinatura e rubrica, de quem teve a obrigação de presidir a sessão, ou seja, documentos devem ser assinados “por quem tem o dever”.

Ordem do Dia – Compete-lhe juntamente com o Venerável Mestre, prepará-la de tal forma que a Sessão transcorra dentro do tempo previsto.

Símbolo – O seu símbolo dentre os existentes em Loja é a Lua, haja a vista não possuir luz própria, dependendo da luz dos outros Irmãos para brilhar.

Todos os maçons, em geral, devem acatar e prestigiar aqueles que ocupam cargos, por que de tais procedimentos é que resulta o esplendor e aprazimento dos trabalhos. O desempenho de qualquer cargo constitui um relevante serviço prestado à Loja ou à Ordem. Compete ao Secretário:

  1. lavrar as actas das sessões da Loja e assiná-las tão logo sejam aprovadas;
  2. manter actualizados os arquivos de:
    1. actos e decretos do Grão Mestre e das Grandes Secretarias, actos administrativos e notícias de interesse da Loja;
    2. correspondência recebida e expedida;
    3. membros do quadro da Loja, com os dados necessários à sua perfeita e exacta qualificação e identificação;
  3. receber, distribuir e expedir a correspondência da Loja;
  4. manter actualizados os Livros Negro e Amarelo da Potencia e da Loja;
  5. preparar, organizar, assinar junto com o Venerável Mestre e remeter, até 1° de Março de cada ano, à Grande Loja e à Delegacia Regional, o Quadro de Maçons da Loja;
  6. comunicar a Grande Loja ou à Delegacia Regional, conforme a subordinação, no prazo de 15 dias, as informações sobre:
    1. iniciações, filiações, regularizações e colações de graus;
    2. expedição de quite placet ou placet ex officio;
    3. suspensão de direitos maçónicos;
    4. outras alterações cadastrais.

Tesoureiro

É o que simboliza a riqueza, tendo como actividade primordial receber os metais e organizar o movimento financeiro da Loja. É um cargo de extrema responsabilidade à vida da Loja. A sua Jóia é representada por uma ou duas chaves cruzadas, símbolo maior da sua atribuição de zelar pelo numerário da Loja.

Colar de Tesoureiro
Colar de Tesoureiro

Compete ao Tesoureiro:

  1. arrecadar a receita e pagar as despesas;
  2. assinar os papéis e documentos relacionados com a administração financeira, contábil, económica e patrimonial da Loja;
  3. manter a escrituração contábil da Loja sempre actualizada;
  4. apresentar à Loja os balancetes trimestrais conforme normas e padrões oficiais;
  5. apresentar à Loja, até a última sessão do mês de Fevereiro, o balanço geral do ano financeiro anterior, conforme normas e padrões oficiais;
  6. apresentar, no mês de Novembro, o orçamento da Loja para o ano seguinte;
  7. depositar, em banco determinado pela Loja, o numerário a ela pertencente;
  8. cobrar dos Maçons as suas contribuições em atraso e remeter prancha com aviso de recebimento, ao obreiro inadimplente há mais de 2 (dois) meses, comunicar a sua irregularidade e cientificar a Loja e a Potência;
  9. receber e encaminhar à Grande Secretaria Geral e a Grande Tesouraria da GLUSA ou a que estiver jurisdicionada a Loja, as taxas, emolumentos e contribuições ordinárias e extraordinárias legalmente estabelecidos pela tabela de emolumentos;
  10. responsabilizar-se pela conferência, guarda e liberação dos valores arrecadados pela Loja.

Chanceler

Também denominado de “Guarda dos Selos”, é o depositário do timbre e do Selo da Loja. Tem como dever manter actualizados todos os dados e registros dos Obreiros, bem como controlar as faltas excedentes do permitido nos regulamentos. A jóia simbólica do cargo é o “Timbre da Loja”.

Ao Chanceler é confiada à condição de depositário do Timbre e do Selo da Loja, motivo pejo qual assume a obrigação principal de timbrar e selar os papéis e documentos expedidos pela Loja.

A Jóia fixada na sua fita é o Timbre da loja ou Chancela, a representar o seu papel de Guarda-Selo da loja.

Este artefacto não possui nenhum significado esotérico, representando apenas o símbolo alusivo ao título.

Compete ao Chanceler:

  1. ter a seu cargo o controle de presenças (livro), mantendo sempre actualizado o índice de frequência;
  2. comunicar à Loja:
    1. a quantidade de Irmãos presentes à sessão;
    2. os Irmãos aptos a votarem e serem votados;
    3. os Irmãos cujas faltas excedam o limite permitido pela lei maçónica (40%).
  3. expedir certificados de presença dos Irmãos visitantes;
  4. anunciar os aniversariantes;
  5. manter actualizado os registros de controle da identificação e qualificação dos Irmãos do quadro, cônjuges e dependentes;
  6. remeter prancha ao Maçom cujas faltas excedam o limite permitido por lei e solicitando justificativa por escrito.

Hospitaleiro

É o nome dado ao Oficial da Loja Maçónica, que é o encarregado não só da arrecadação dos metais por meio do seu giro litúrgico, como também de atender aos necessitados.

O Hospitaleiro recebe atribuições directamente relacionadas à organização dos actos de beneficência e solidariedade maçónicas em defesa dos irmãos menos favorecidos, passando desde a obrigação de fazer circular o Tronco de Beneficência durante as sessões até presidir a Comissão de Beneficência.

A Jóia do Cargo do Irmão Hospitaleiro simboliza o Farnel do Peregrino, do Viajante, do Pedinte.

Colar de Hospitaleiro
Colar de Hospitaleiro

Dentro da hierarquia dos cargos de uma Loja, é dos de mais elevada importância é o do Hospitaleiro da Loja.

A escolha do Hospitaleiro deverá recair sobre um Irmão dinâmico, de moral ilibada, sem mácula, que conheça bem todos os Irmãos. – Deverá gozar da simpatia de todos para poder imiscuir-se nos problemas de cada um como se fora um parente de sangue, um filho da casa. O seu trabalho dentro do Templo é irrelevante. Qualquer Mestre poderá substituí-lo à altura. Fazer girar o Tronco é muito fácil. O seu trabalho, a sua missão fora das quatro paredes do Templo é que é importante muito importante e requer muito carinho, muita dedicação, muito desprendimento.

Concretiza o verdadeiro símbolo do mensageiro do amor fraterno, sendo-lhe confiada a Jóia representada por uma Bolsa, artefacto que bem representa o acto de colecta dos óbolos da beneficência.

Ao Hospitaleiro compete:

  1. fazer circular o Tronco de Beneficência;
  2. exercer pleno controle sobre o produto arrecadado pelo Tronco de Beneficência, o qual se destina, exclusivamente, às obras beneficentes da Loja;
  3. visitar os Obreiros e os seus dependentes que estejam enfermos e ou necessitados, dando conhecimento à Loja, do seu estado e propor, se for o caso, os auxílios que se fizerem necessários.
  4. propor a manutenção, alteração ou exclusão de qualquer auxílio beneficente que estiver sendo fornecido pela Loja;
  5. manter sempre actualizados os registros de controle da movimentação dos recursos do Tronco de Beneficência;
  6. apresentar à Loja, até a última sessão dos meses de Fevereiro, Maio, Agosto e Novembro, as prestações de contas alusivas aos trimestres imediatamente anteriores.
  7. prestar esclarecimentos relacionados com as suas actividades;
  8. presidir a Comissão de Beneficência.

Autor desconhecido

(Continua – Ligação para a Parte III)

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