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Filosofia Iniciática do Grau de Aprendiz (III)

✍️ Desconhecido 📅 11/07/2021 👁️ 7 Leituras

sinete maçónico, aprendiz

(Continuação da Parte II)

Os três pontos

Os três pontos Maçónicos constituem o mais simples e característico emblema do Ternário. Escolhendo estes símbolo juntamente com o esquadro e o compasso, como insígnia da Ordem, os seus fundadores deram prova de uma perspicácia e sabedoria que aqueles que conhecem, o valor oculto das coisas nunca poderão negar-lhes.

Estes três pontos sintetizam admiravelmente o Mistério da Unidade, da Dualidade e da Trindade, ou seja do Mistério da Origem de todas as coisas e de todos os seres.

Encontramos estes três pontos, harmonicamente juntos e diferenciados numa Unidade Oriental e numa Dualidade Ocidental, nas três Luzes do Altar, em volta do Livro da Tradição que através dos séculos é portador da Eterna Verdade, e dos instrumentos que são necessários para compreendê-la e aplicá-la.

O ponto superior representa, como é evidente, a Unidade Fundamental ou Primeiro Princípio Pré antinómico, Originário e Imanente, do qual tudo teve origem. É o Absoluto, o Ain-Soph, cabalístico, que existe “em princípio”, e no qual existem em princípio todas as coisas. Brahma, Vishnu e Shiva o Criador, o Conservador e o Destruidor do Universo; Osíris, Isis e Horus, ou seja o Pai, A Mãe e o Filho, formam Nele uma única pessoa e um só ser, uma única e indivisível Realidade. É SAT “o que é” o fundamental Princípio imanente e transcendente de toda existência, o Fulcro Central Imóvel que é Origem e Princípio da Criação.

Os dois pontos inferiores, são igualmente, uma imagem da Dualidade; os dois Princípios que representam as duas colunas, de cuja união e de cujas múltiplas acções e reacções é produzida a multiplicidade fenoménica do Universo. Cada um deles é um diferente aspecto da Unidade Primordial Originária, que permanece indivisa e indivisível na sua dúplice aparente manifestação: um existe enquanto existe o outro, e os dois resolvem-se no Princípio Fundamental do qual tiveram origem. Efectivamente, se aproximarmos os dois pontos inferiores, com movimento igual, ao ponto superior, aproximam-se também, um do outro, e quando se unem a este, unem-se também mutuamente.

Se traçarmos duas linhas entre o ponto superior e os dois pontos inferiores, obteremos o ângulo que expressa, com os seus dois lados emanados de um único vértice, esta mesma dualidade dos dois Princípios, emanações ou aspectos de um só Princípio Originário.

E se traçarmos outra linha que una os dois pontos inferiores, obteremos o triângulo, cuja base, unindo os dois elementos, representa o terceiro, que reproduz em si, no mundo do relativo um novo aspecto contingente da Unidade Pré antinómica Absoluta.

Assim os três pontos mostram isoladamente os três Princípios que constituem a Unidade Originária e a Dualidade da manifestação. A união dos três Elementos primordiais – o enxofre, o sal e o mercúrio, o Pai, a Mãe e o Filho – que tornam fecunda e construtiva a actividade dos três Princípios.

Enquanto o ponto superior corresponde ao Oriente e ao Mundo Absoluto da Realidade (e, na Loja, ao Delta, emblema da Unidade tri-unitária), os dois pontos inferiores correspondem ao Ocidente, ou seja ao Mundo Relativo, que é o domínio da aparência, e na Loja às duas colunas emblemáticas da Dualidade:

O progresso Maçónico acha-se também, aqui indicado sinteticamente, com o progresso da inteligência, que se ergue sobre o domínio da mente concreta (Reino da Dualidade e dos pares de opostos), estabelecendo-se no sentimento e na consciência da Unidade fundamental de tudo e da identidade essencial de todos os seres, por meio das faculdades superiores da Inteligência, que se baseiam na Unidade, da mesma maneira que a mente concreta baseia a sua lógica e os seus juízos no sentido da Dualidade.

O triângulo

O triângulo, figura geométrica resultante da união de três pontos por meio de três linhas rectas, e mais particularmente o triângulo equilátero ou regular, cujos três lados e ângulos são iguais, tem sido sempre considerado como um símbolo de Perfeição, Harmonia e Sabedoria, e, portanto, do que é Celestial e Divino.

Um triângulo equilátero é, em essência, o Delta Luminoso que é encontrado no Oriente em todas as lojas Maçónicas. O olho que se acha no seu centro é o símbolo da consciência do ser que é o primeiro e fundamental atributo da Realidade. Nada melhor que este símbolo para expressar a Realidade e a sua manifestação ternária nos três lados que o constituem e nada mais apropriado para se colocar naquele simbólico Oriente, no qual unicamente a Realidade pode ser encontrada.

Do triângulo, que forma o Delta propriamente dito, irradiam nos seus três lados outros tantos grupos de raios que terminam numa coroa de nuvens.

Os raios simbolizam a força expansiva do Ser, que de um ponto central infinitesimal estende e preenche o espaço infinito. As nuvens indicam a força centrípeta, produzida como refluxo natural da primeira como movimento de contracção que engendra a condensação das forças irradiadas.

Do Princípio ou Unidade do Ser (representado pelo Delta) manifesta-se, pois, uma dupla corrente positiva e negativa, formada pelos dois Princípios, cuja actividade está relacionada e regulada pelo ritmo que os une, como intermediário equilibrante.

O teorema de Pitágoras

Outro triângulo que possui uma especial importância no simbolismo Maçónico é o triângulo rectângulo, representado pelo esquadro, instrumentos de medida e rectificação do mundo concreto ou da realidade visível. Enquanto o triângulo equilátero mostra principalmente, o esforço da nossa inteligência para se relacionar com os Princípios e o Mundo das causas, o esquadro indica a inteligência racional que se limita ao estudo dos fenómenos e do Mundo dos Efeitos, representando a norma ou regra que deve guiar-nos para proceder rectamente no estudo e na acção.

A importância do triângulo rectângulo evidencia-se no famoso teorema de Pitágoras, cujo valor não se limita à geometria ordinária, sendo assim encontrado entre os símbolos Maçónicos.

O estudo da trigonometria faz-nos ver a importância excepcional do triângulo em geral, em relação às demais figuras geométricas (todas podem reduzir-se ou decompor-se em triângulos), e a aplicação universal das suas propriedades. O próprio quadrilongo que constitui a Loja resolve-se diagonalmente em dois triângulos rectângulos, e outro triângulo rectângulo deveria resultar na união dos três lugares que correspondem às três luzes na sua justa e exacta posição.

Não deve igualmente ser esquecida a propriedade característica dos triângulos, cujos três ângulos formam sempre dois ângulos rectos, isto é, o ângulo cujos dois lados se expandem em linha recta, sendo assim, aquela figura geométrica a expressão ternária circunstanciada das infinitas possibilidades representadas no infinito.

Tétrada e tetraedro

Quatro triângulos unidos pelos seus três lados, de maneira que cada um deles esteja, por cada um dos seus lados, em união com os três restantes, formam as quatro faces do tetraedro ou pirâmide triangular, o primeiro e fundamental entre os cinco sólidos regulares.

Quatro faces e quatro vértices – respectivamente triangulares e triedros – concorrem a formá-lo e mostram como o ternário se resolve e concretiza, dentro das três dimensões especiais num quaternário, originando aquela Tétrada “Manancial Perene da Natureza”, da qual fala Pitágoras.

No tetraedro, os três princípios ou elementos (Enxofre, Sal e Mercúrio, ou Pai, Mãe e Filho), provenientes da Unidade Primordial (o vértice superior do tetraedro) e representados pelas três faces, unem-se intimamente entre si, formando um ângulo triedro, cuja delimitação no mundo da matéria dos três princípios.

Se nos posicionarmos ao lado deste último triângulo, e buscarmos nele o reflexo do Vértice Originário, a Unidade Mãe, que se encontra do outro lado, obteremos outra vez a imagem do Delta, sendo o ponto reflectido pelo vértice o olho sagrado deste.

E se nos fixarmos nas quatro linhas que unem os quatro vértices no centro da figura, obteremos uma estrela de quatro pontas, uma dirigida para cima, para a origem, e as restantes para baixo, para a Manifestação, outra imagem da relação do Princípio Único Original como ternário que o expressa no mundo sensível.

Trindades e trilogias

O estudo do número três não estaria completo sem um exame das diferentes trindades e trilogias, de ordem filosófica, religiosa e moral, que se lhe relacionam.

Encontramos trindades e trilogias em todas as religiões e em todas as filosofias, em todos os povos: sob diferentes nomes encontra-se uma mesma realidade, um igual reconhecimento diferentemente expressado. A trindade mais simples e fundamental do Pai-Mãe-Filho, encontra-se na religião egípcia com os nomes de Osíris-Isis-Horus, na bramânica como Nara-Nâri-Virâj, ou Shiva-Shakti-Bindu, na Caldaica como Anu-Nuah-Bel e outras trindades equivalentes.

No cristianismo, a Mãe desaparece teoricamente para dar lugar ao Espírito Santo, mas, praticamente se conserva no culto à “Mãe de Deus” (seja qual for a definição teológica particular deste culto), comparável com toda a adoração tributada a Isis no Egipto e à que hoje se tributa à deusa Kali ou Shakti (o aspecto feminino ou poder de Shiva) na Índia.

Filosoficamente, o Enxofre, o Sal, e o Mercúrio, como Princípios constitutivos do Universo ou Forças Criadoras primordiais (análogas ao Pai-Mãe-Filho), encontram uma perfeita correspondência nos três gunas Rajas-Tamas-Sattva, ou seja Actividade-Inércia-Ritmos, correspondente o primeiro à força centrífuga ou Princípio de Expansão, o segundo à força centrípeta ou Princípio de Contracção, e o terceiro à força equilibrante ou Princípio do Ritmo ondulatório.

Brahma, Vishnu e Shiva, da trindade brahmânica, devem entender-se como correspondentes aos três gunas, sendo Vishnu, como conservador, o princípio equilibrante entre os dois opostos; Brahma como Criador, a força expansiva; e Shiva como Destruidor, a força de contracção que retorna a si mesma.

Também na filosofia da Índia, encontramos a definição do Ser Supremo como Sat-Chit-Ananda, que no Ser Absoluto é “satisfação em si mesmo”, converte-se na faculdade humana da Vontade, que impulsiona o desejo em direcção à sua satisfação. Estes três princípios correspondem também, aos três atributos divinos da Omnipresença, Omnisciência e Omnipotência.

Outro género de trindade resulta da polaridade entre o céu e a Terra, ou seja entre o Superior e o Inferior, o Oriente e o Ocidente. Entre eles nasce a consciência individualizada, tipificada pelo Homem, que serve de intermediário entre os dois e mutuamente os relaciona. Origina-se assim a distinção entre os três mundos: o objectivo ou exterior, o subjectivo ou interior, o divino ou transcendente, e as três partes do homem Espírito-Alma-Corpo, sendo este último o ponto de contacto entre o mundo exterior e o interior, e o primeiro entre o mundo manifestado e o transcendente.

No sistema Maçónico a trindade está formada pelos três instrumentos de medida que correspondem às três Luzes: o Prumo ou perpendicular, o Nível ou horizontal e o Esquadro, que como vimos tem um valor análogo ao tau e à cruz. O primeiro é o princípio activo que nos impulsiona a progredir, segundo as nossas aspirações verticais; o segundo é o princípio passivo de resistência e persistência que nos instala equilibradamente nas nossas aspirações e as faz madurar e frutificar; e o terceiro é a norma ou regra que faz as nossas acções coerentes com a Verdade e a Virtude.

Os três pilares simbólicos que sustentam a Loja, representados igualmente pelas três Luzes: Sabedoria, Força e Beleza, constituem outra interessante trilogia. A Sabedoria, que corresponde ao Venerável Mestre, é a faculdade inventiva, ou seja a Inteligência Criadora, que concebe e manifesta interiormente o Plano do Grande Arquitecto; a Força que Corresponde ao 1º Vig. é a faculdade volitiva, que se esforça em realizar o que a primeira concebe; e a beleza, representada pelo 2º Vig., é a faculdade imaginativa, que adorna e aperfeiçoa a obra realizada pelas duas primeiras.

Também correspondem, respectivamente, a Sabedoria à mente super consciente, a Força à mente consciente e a Beleza à mente subconsciente.

Trindades mitológicas

Na mitologia helénica, como na oriental e na egípcia, as trindades possuem também, um papel de primeira importância.

Fundamental entre elas é a trindade cosmogónica, formada por Úrano, símbolo do Ser que se manifesta como espaço, ou seja a “extensão” que torna objectiva a sua Omnipresença; Úrano Engendra a Cronos ou Saturno, que representa o próprio Ser como mudança e movimento, dentro da eternidade, que em nós produz a ideia de tempo ou “sucessão”, na qual todas as coisas são produzidas e desaparecem; Saturno engendra a Júpiter ou Zeus, que representa o Ser como vontade e energia, que parece dominar sobre os princípios que lhe deram produção.

Esta trindade é acompanhada pela outra, a feminina, constituída pelas qualidades destes três aspectos do Ser e da Realidade fundamental: Gea, a capacidade produtiva ou geométrica inerente ao espaço; Rea, o fluxo ou corrente do tempo; e Hera ou Juno, o poder que expressa a vontade criadora.

Outra trindade acha-se formada pelos três aspectos de Júpiter, dois dos quais estão representados pelos seus dois irmãos, que com ele compartilham a soberania universal; Neptuno ou Zeus, marinho que domina sobre as águas; Plutão, o Júpiter subterrâneo que assenta os seus reinos nas profundezas das coisas – os dois companheiros do Senhor do Céu e da Terra -, que estabeleceu o seu império sobre o domínio das forças titânicas.

Paralela a esta segunda trindade masculina é a que formam as suas três qualidades: Juno, a Rainha das profundidades marinhas, onde se encerram as possibilidades latentes da vida, e Prosérpina, a deusa do mundo desconhecido que se encontra nas próprias entranhas do mundo visível.

Também, Hécate, como divindade da Luz que nos vem de longe, da Realidade Transcendente, é tríplice, sendo representada por três deusas: a primeira leva, na sua cabeça, uma meia lua, e uma tocha na mão, o símbolo da luz sensível do mundo físico; a segunda com gorro frígio e frente radiante, símbolo da luz intelectual, leva nas suas mãos o cutelo da análise e da penetração, e a serpente da lógica que se insinua nas relações entre as coisas; e a terceira, cujos atributos são a corda e a chave, é o símbolo da luz transcendente que se descobre com a iniciação, e nos dá a chave do significado profundo ou razão mais verdadeira das coisas, assim como o “laço” que interiormente as une.

Uma trindade feminina, muito conhecida e familiar é a que formam as três Graças, ou seja os três aspectos da mesma Luz que se revela no ser e na vida do homem: Aglaya, a luzente, a luz espiritual que ilumina a inteligência, e nos dá essa felicidade e contentamento profundos, que tem o poder de se irradiar fora de nós como uma bênção, nos nossos pensamentos, palavras e obras. A ela se deve a inspiração de toda obra de arte ou criação intelectual, que tem o poder de elevar o homem a um plano superior.

Eufrosina, o gozo da alma, ou seja, a luz que penetra no nosso coração e produz em nós toda forma de íntimo contentamento e satisfação, a felicidade que reside dentro do nosso ser, independentemente das condições externas.

Tália, a florida, ou seja a felicidade exterior que se manifesta em todas as coisas formosas, e na mesma formosura da vida com os seus bens, prazeres e coisas desejáveis.

Menos conhecida é a trindade da Horas, ou “tempos” que presidem a toda actividade, assim como às divisões do ano e do dia: o começo ou germinação, que preside à Primavera; a continuação ou maturação de todo esforço, que preside ao Verão; o término da obra, na qual se recolhem os seus frutos, que preside o Outono. Também representam a Causa, o Meio e o Efeito, os três períodos iniciáticos de preparação, iluminação e perfeição, as três divisões da vida diária no tempo dedicado ao descanso, ao trabalho e a recreação.

Outras trindades

A Trindade das Horas leva-nos naturalmente à das Parcas ou Moiras, filhas da Noite, ou da contingência material: Clôto, a fiandeira, da qual se origina o fio da existência, representando tudo aquilo que se acha potencialmente na mesma, relacionando-nos com o lugar ou condição “de onde viemos”; Lachesis, por cujas mãos passa toda a trama do fio da vida, presidindo o desenvolvimento actual e causal dos acontecimentos, nos quais deve ser demonstrado “quem somos” e Átropos, em cujas mãos se entrega tudo aquilo que já nos aconteceu e o resultado das nossas acções, como sementes do que nos espera, determinando “onde vamos”. Esta última é a que deve cortar, com as suas fatídicas tesouras, o fio da vida quando tiver chegado a sua maturação e as violações da Lei não permitem a sua ulterior continuação.

As três Fúrias ou Euménides são, pode-se dizer, a antítese das Graças, ou as suas contrapartes negativas: Alecto, a que nunca descansa, produzindo o furor rahásico, a inquietude e a paixão vingativa; Tisífone, o ódio cego ou tamásico, os erros e o remorso da alma que acompanhava o homicida; e Magara, o demónio da inveja sátvica, que ao governar o homem afasta-se constantemente da possessão e gozo dos seus bens.

As três Graças ou Górgonas, Medusa, Steno e Eríagle, são emblemas das forças misteriosas que dormem no nosso ser subconsciente: as nossas próprias tendências negativas, temores e ansiedades e ilusões, as que como Perseu temos de vencer não as escutando nem para elas olhando, cortando-lhes a terrífica cabeça com a espada da Sabedoria, para que do seu sangue surja Pégaso, o génio alado do pensamento intuitivo, que nos conduza às regiões celestiais da pura Verdade.

Passando do domínio da mitologia ao da natureza, encontramos outra trindade nos três reinos, mineral, vegetal e animal, que representam três graus de evolução da forma, da vida e da consciência. Nos minerais, a forma geométrica acompanha-se da vida inorgânica e da consciência obscurecida numa comparativa inconsciência. Nos vegetais, a forma afasta-se dessa rigidez geométrica e faz-se plástica e responsiva, obedecendo à vida orgânica, que manifesta uma consciência ainda rudimentar. Nos animais finalmente, prevalece e surge em posição de domínio, o princípio da consciência, que se expressa como sensação, acção e reacção, e a forma e a vida se adaptam a esta expressão.

Também podemos dizer, em relação às três gunas, ou qualidades universais da matéria, que nos minerais prevalece o princípio da inércia (Tamos ou Sal), que nos animais o princípio oposto da actividade (Rahas ou Enxofre), e nos vegetais o princípio rítmico do equilíbrio (Sattva ou Mercúrio). O primeiro tende à cristalização, o segundo ao movimento, e o terceiro a harmonia.

As três dimensões do espaço e os três aspectos do tempo constituem outros dois ternários por meio dos quais a Omnipresença Eterna do Ser Absoluto se faz manifestar na relatividade do mundo como ritmo evolutivo e perpétuo devir.

A longitude, que é medida por meio da Régua, representa o caminho da vida e o progresso na direcção que escolhemos; a largura, que se relaciona com a anterior por meio do Esquadro, corresponde à amplitude da nossa visão e à extensão dos nossos esforços e actividades; a altura, a qual se alcança por meio do Compasso e do Prumo, determina-se individualmente conforme a profundidade das convicções e conhecimentos, e a elevação dos ideais.

O passado, que corresponde às bases do edifício da existência e às raízes do ser, possui importância para nós uma vez que enfrentamos o problema das origens, constituindo a nossa herança espiritual e material; o presente é aquele que nos relaciona com os nossos deveres e responsabilidades, assim como com a obra ou actividade que constitui a nossa constante oportunidade actual; o futuro, meta dos nossos esforços e aspirações, é aquele que nos relaciona com o nosso Destino, dando-nos o poder de superar a fatalidade (que é a herança do nosso passado), conduzindo-nos a um fim sempre mais elevado que sempre retrocede e se aproxima.

Liberdade – Igualdade – Fraternidade

O conhecido trinómio Maçónico Liberdade – Igualdade – Fraternidade, tem do ponto de vista iniciático um significado bem diferente do que podem ser as suas interpretações político-profanas.

A Liberdade do iniciado não e, pois, precisamente, aquela que podem conceder ou limitar as leis da sociedade, e não deve particularmente confundir-se com a licença de se entregar ao vício e à paixão, que sempre levam a desordem à vida, e nos fazem realmente escravos das nossas debilidades, hábitos e tendências negativas, e sobretudo dos nossos erros.

A Liberdade, no sentido iniciático, é uma aquisição individual, interior, fundamentalmente independente da liberdade externa que pode ser outorgada pelas leis e as circunstâncias da vida. É a liberdade que se adquire buscando a Verdade e é forçando-se do erro e da ilusão, e dominando as tendências viciosas, hábitos negativos e paixões destrutivas.

É a liberdade que encontramos, e que sempre nos é dado conservar quando agimos de acordo com os nossos princípios, ideais e convicções íntimas, buscando o que seja melhor em si e por si, melhor que buscando o nosso guia inspirador nas aparências externas, modificando e regrando segundo estas, a nossa linha de conduta e as nossas acções. É, por outras palavras, o que obtemos por intermédio do uso da Régua e do Prumo, seguindo o caminho directo do Progresso e do dever.

A igualdade iniciática, do mesmo modo baseia-se na consciência da identidade fundamental de todos os seres, de todas as manifestações do Espírito ou Suprema Realidade, por cima e por trás de todas as diferenças exteriores de direcção e grau de desenvolvimento. Esta igualdade, que se realiza por meio do Esquadro e do Nível, é a que nos proporciona uma justa e recta norma de conduta com todos os nossos semelhantes, e nos atribui e nos faz ocupar o lugar que nos pertence no edifício da sociedade, e em qualquer outro edifício particular ao qual tivermos sido chamados a trabalhar.

Interiormente a Igualdade é a capacidade de nos sentirmos iguais em todas as circunstâncias e condições exteriores, e em todo posto ou lugar que possamos temporariamente ocupar: é a igualdade que devemos tratar de cultivar nos nossos sentimentos para com os demais, independentemente das suas palavras e acções para connosco, e com uma igual serenidade nas condições favoráveis como nas adversas, na fortuna e na desgraça, no êxito e no fracasso, na perda e no ganho, ou seja, diante de todos os pares de opostos, os ladrilhos brancos e negros da existência sobre os que igualmente devemos progredir, apoiando os nossos pés.

Quanto à fraternidade, deve considerar-se como a soma e o complemento da liberdade individual e da igualdade espiritual, das que constitui a adaptação prática, sendo como a base do triângulo formado por essas duas linhas divergentes. A Fraternidade é pois, tolerância com relação à liberdade, e compreensão com relação à igualdade, manifestada na desigualdade. E é, ademais, a relação que a Maçonaria estabelece entre os seus membros, como núcleo e exemplo daquilo que deveria existir entre todos os homens.

Praticamente a Fraternidade pode, entretanto, estabelecer os seus laços unicamente entre os que se sentem Irmãos, ou seja, efectivamente filhos de um mesmo Pai, o Princípio Universal da Vida ou Ser Supremo, e de uma mesma Mãe, a Natureza, que a todos igualmente deu origem, sustentando-nos e nos alimentando. Com esse reconhecimento a Fraternidade faz-se efectiva, e segundo se generalize, chegará a espalhar-se sobre toda a terra e todos serão, como deveria e como deve ser, a relação normal entre todos os homens e povos.

Todos os homens podem ser irmãos segundo conhecem e realizam no íntimo dos seus corações a Verdade da Fraternidade; isto é, da sua relação comum com o Princípio da Vida, por um lado, e pelo outro com o meio que os hospeda. Cairão então, as barreiras ilusórias que actualmente dividem os homens, conforme cai a venda que cobre os seus olhos, e a Maçonaria terá espargido efectivamente a sua Luz sobre toda a terra.

Maxell Egens

(Continua na Parte IV)

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